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A principal característica da análise estatística espacial, comparando com os métodos estatísticos tradicionais, é que os lugares onde os eventos ocor- rem estão presentes nas análises. A geografia desempenha um papel funda- mental na compreensão da realidade dos resultados do estudo que esta a ser realizado e tem sido facilitado com a utilização dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG). Os SIGs são sistemas destinados à manipulação de dados georreferenciados, ou seja, informações codificadas espacialmente de forma precisa e rápida.

A distribuição geográfica de eventos relacionados à saúde tem uma longa tradição em epidemiologia, e o mapeamento da incidência de doenças rela- cionados com aspectos ambientais e socioeconômicos tem recebido conside- rável desenvolvimento metodógico nas últimas décadas.

Conforme Pina et al. (2010), tudo pode ser localizado por uma refe-

rência geográfica e eventos associados com a área da saúde como doenças, mortes, nascimentos, exposição a riscos de contaminação entre outros, po- dem relacionar-se com o local onde ocorrem, por um par de coordenadas, uma direção ou uma área. A este estudo da distribuição geográfica e a asso- ciação espacial dos eventos em saúde denomina-se epidemiologia espacial. A incorporação da perspectiva espacial nos estudos na área da saúde leva importante contribuição no entendimento do processo e pode conduzir a dife- rentes resultados daqueles obtidos nos estudos que não consideram o espaço geográfico, mostrando que a localização do espaço geográfico é essencial para compreender a disseminação e distribuição das enfermidades.

Lowe et al. (2010) afirmam que a análise da distribuição geográfica da incidência da doença e sua relação com fatores de risco potenciais tem um papel importante a desempenhar nos estudos epidemiológicos. Segundo o autor, quatro grandes áreas de interesse estatístico são identificadas:

“Mapeamento de doenças” ! foca na produção de mapas relacionando a distribuição geográfica com a incidência da doença. Pode ser útil para uma investigação mais aprofundada ou como parte de um sistema de vigilância de saúde ajudando a detectar o aparecimento de uma possível epidemia ou identificação de tendências significativas nas taxas de doenças ao longo do tempo.

“Estudos ecológicos” ! estudo entre a incidência observada da doença e possíveis fatores de risco, medido em grupos definidos por áreas geográficas. Tais estudos são importantes na investigação da etiologia da doença e pode ajudar a direcionar novas pesquisas e, eventualmente, medidas preventivas.

“Estudos de agrupamento de doenças” ! foca na identificação de áreas geográficas com elevado risco significativo de doenças, direcionando o acom-

panhamento de estudos para determinar as razões para o agrupamento da ocorrência de doenças ou o início de medidas de controle.

“Avaliação e monitoramento ambiental” ! determinar a distribuição es- pacial de fatores ambientais relevantes para a saúde de modo a estabelecer controles necessários ou tomar medidas preventivas.

Sob uma perspectiva epidemiológica, o estudo de uma doença centra- se geralmente na sua ocorrência em uma população sobre um determinado

período de tempo. Geralmente o mapeamento de incidências de doenças,

juntamente com aspectos como densidade e característica da população, condições de saúde relacionadas com o abastecimento de água, coleta de lixo, rede de esgoto, entre outras, tem recebido considerável desenvolvi- mento metodológico nas duas últimas décadas. Isso se deve principalmente ao avanço dos métodos computacionais bayesianos, a acessibilidade aos sis- temas de informação geográfica e às técnicas de mapeamento.

Portanto a Epidemiologia Espacial tem por objetivo incorporar variações espaciais no risco ou na incidência de um determinado evento de saúde, des- crevendo seu padrão geográfico ou sua distribuição espacial. A localização espacial do evento através dos mapas de incidência de doenças é a princi- pal informação a ser estudada. A produção destes mapas é um instrumento importante nos estudos epidemiológicos na qual podem ser listados três prin- cipais objetivos: primeiro, descritivo, consiste na visualização da distribuição espacial da doença na região de interesse. O segundo objetivo, exploratório, é sugerir determinantes locais de doenças e fatores etiológicos desconhecidos que possam ser formulados em termos de hipóteses a serem investigadas. E o terceiro é apontar associações entre fontes potenciais de contaminação e áreas de risco elevado, podendo ajudar a definir um plano de intervenção ou acompanhamento de doenças na área de estudo.

Conforme Barcelos e Ramalho (2002) o geoprocessamento pode ser defi- nido como um conjunto de ferramentas necessárias para manipular informa- ções espacialmente referidas. Aplicado a questões de saúde pública permite o mapeamento de doenças e avaliação de riscos. Briggs (1992) refere-se aos Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) como instrumentos de integração de dados ambientais com dados de saúde, permitindo uma melhor caracteri- zação e quantificação da exposição e seus possíveis determinantes.

Segundo Silva e Dean (2006) sob a abordagem bayesiana, os métodos espaciais de mapeamento de doenças supõe usualmente que as regiões são condicionalmente independentes, dados os parâmetros do modelo, e incorpo- ram subsequentemente a dependência no segundo nível como parte de uma distribuição a priori dos parâmetros. O desenvolvimento recente de modelos bayesianos quer empíricos quer hierárquicos em mapeamento de doenças tem como objetivo a obtenção de estimadores estáveis para as taxas de mortali- dade em pequenas áreas, usando a informação de todas as sub-regiões para

inferir sobre a taxa de mortalidade de cada sub-região.

Assim, o grande interesse da epidemiologia é o de estudar a distribui- ção espacial de eventos inerentes à saúde e relacioná-los às características da população analisada, buscando portanto uma possível explicação para o problema proposto.

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