3.4 Comparaisons entre simulations et expériences
3.4.2 Spectres du système Second Positif de N 2
No âmbito da educação e formação, o território dotado de unidade geográfica e identidade cultural tem-se apresentado como uma oportunidade educativa e formativa sólida, uma vez que dispõe dos recursos essenciais que poderão contribuir para as mudanças necessárias.
A dimensão de educação ao longo da vida constitui-se como uma condição para contextos sociais mais felizes. Já Platão, em A República, explorou a ideia da cidade ideal, apresentando, como condição fundamental para a consolidação de uma cidade onde todos pudessem viver bem, o facto de qualquer cidadão se dever educar ao longo de toda a vida, em todos os aspetos: “estamos a modelar, segundo cremos, a cidade feliz, não tomando à parte um pequeno número, para os elevar a este estado, mas a cidade inteira.” (Platão, 2001, p.162).
Cordeiro, Alcoforado e Ferreira (2011) recuam ao período do Renascimento, recuperando a sua ideia fundamental: “a associação da educação a mudanças sociais, económicas e culturais, realçando a importância de um território que se constituísse como espaço e tempo indispensável a essas transformações.” (p.306). Também Coménio, um dos grandes pensadores da educação desse período, corroborou esta ideia, destacando a importância de uma educação de caráter universal, integral e continuada para todos os cidadãos. Santos (2016) sublinha que “Comenius idealizava uma escola moderna no contexto do século XVII, tendo como preceito "Ensinar tudo a todos". E hoje, em pleno século XXI, os educadores continuam idealizando essa mesma escola” (p.5).
Cordeiro et al. (2011) aponta a educação permanente como o resultado da humanização do desenvolvimento, em que a educação e a formação são entendidas como um processo que se estende ao longo da vida, e que vai para além do espaço da escolarização. Neste sentido, qualquer espaço da vida se transforma num espaço educativo proporcionador de aprendizagens. Neste contexto, os municípios têm sido chamados a assumir mais responsabilidades no que se refere à promoção do desenvolvimento local e a ter uma intervenção mais ativa na definição das políticas educativas, como refere Cordeiro et al. (2011): “Os sucessivos poderes
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centrais têm pretendido, desta forma, descentralizar um conjunto de competências, delegando nas autarquias locais encargos como a gestão da rede escolar, os transportes dos alunos, as refeições e as atividades de enriquecimento curricular.” (p.307). Os autores questionam a intenção descentralizadora do estado central, ao equacionar a possibilidade de se tratar apenas de uma
(…) desresponsabilização, em tempos de crise do estado social e escassez de recursos, e muito menos em resultado de uma genuína convicção de que é a nível local, na identidade e especificidade própria de cada território, com as dinâmicas sociais que lhe estão associadas, que a educação pode encontrar as melhores soluções para as pessoas e as comunidades. (Cordeiro et al., 2011, p.307)
Apesar disso, as autarquias acabaram por assumir o compromisso e consideraram a educação como uma das suas preocupações, agindo em conformidade: foram criadas as Cartas Educativas Municipais, construíram-se centros escolares, requalificaram-se as infraestruturas e criaram-se estruturas que permitissem uma gestão da educação a nível local. Para além disto, os municípios assumiram a sua responsabilidade, enquanto órgãos participados de coordenação de políticas e práticas, constituindo os Conselhos Municipais de Educação e participando nos Conselhos Gerais das escolas.
Atualmente, o desafio que se coloca aos municípios é, como considera Villar (2001, cit. por Cordeiro et al., 2011, p. 307), “que o poder local possa constituir-se como dinamizador de um Projeto Educativo Local (PEL), entendido como uma verdadeira resposta integrada às necessidades das comunidades e das pessoas que as integram”, remetendo para o conceito de Cidade Educadora.
No Projeto Educativo Local, deve estar espelhada a dimensão educativa do projeto estratégico de desenvolvimento local, o sentido da ação educativa do município e a forma como se organiza e encontra soluções para os problemas identificados. Neste sentido, o PEL é
(…) um referencial de gestão estratégica da educação ao nível local, ou seja, uma base para o desenvolvimento de políticas por parte das entidades que dispõem de competências para o efeito, designadamente, as autarquias locais e as escolas, articulando com todo um conjunto de parceiros – famílias, empresários, associações culturais e desportivas, IPSS, cidadãos – com todas as oportunidades de educação não formal e informal, que são proporcionadas por todos os espaços do território e da vida das pessoas e das comunidades. (Cordeiro et al., 2011, p.307).
O território deve ser entendido como um espaço e recurso para a educação e desenvolvimento com uma intencionalidade coletiva, e pensar território deve ser uma “tentativa mais consistente para unir dimensões da vida, que tradicionalmente aparecem dissociadas: económica e social, individual e coletiva, o imediato e o meio-termo, a educação e a formação contínua, a oferta e a procura de emprego.” (Cordeiro et al., 2011, p.308).
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O conceito de comunidade adquire especial interesse, dado constituir o espaço e local onde se estabelecem autênticas relações sociais, sabendo que, ao nível territorial, qualquer mudança desejável advém de uma ação concertada da comunidade, bem como da sua capacidade para mobilizar o conhecimento individual e coletivo em prol das mudanças necessárias, ao nível económico, social e cultural. Desta forma
(…) planear o desenvolvimento estratégico, integrado e sustentável, no âmbito de uma determinada comunidade territorial, pressupõe articulá-lo com um projeto de educação e formação que se alargue a todos os tempos e espaços de vida, assumido pela comunidade e pelos poderes locais em iniciativas políticas consistentes e articuladas.” (Cordeiro et al., 2011, p.309).
Todas as comunidades existentes num determinado território, quer sejam económicas, empresariais, profissionais, sociais, culturais ou desportivas, devem contribuir para um desenvolvimento integrado e sustentado desse mesmo território. Neste sentido, devem ser tidas em conta as dimensões económica, social, política e cultural, com recurso à participação de todos e à mobilização dos recursos existentes. O protagonismo para encontrar soluções adequadas às necessidades individuais e coletivas de um território e gerar mudanças é colocado nos seus indivíduos, nos seus saberes, bem como nos recursos naturais e culturais existentes. (Figura 1).
Figura 1 – O desenvolvimento sustentável e a sua possível relação com as políticasterritoriais e educativas
Fonte: Cordeiro, A. M. R., Alcoforado, L., & Ferreira, A. G. (2011). Projeto Educativo Local. Um processo associado a estratégias de desenvolvimento integrado e sustentável. Cadernos de Geografia, p.309.
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Todos os cidadãos devem ter uma participação ativa neste processo de desenvolvimento, que surge, inevitavelmente, associado ao “conhecimento, ou, de uma forma mais circunstanciada, das formas de o gerar (inovação), de lhe aceder e de o utilizar (aprendizagem), articulando-a em processos organizados que lhe podem dar sentido e coerência (educação e/ou formação).” (Cordeiro et al., 2011, p. 309).
O Projeto Educativo Local deve disponibilizar as aprendizagens necessárias para todos, ao longo da vida, mas é, igualmente, essencial que promova a qualidade de vida, individual e coletiva, ao longo das aprendizagens.
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