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Space-based detectors

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 38-42)

2.3 Future detectors

2.3.3 Space-based detectors

Para Bronfenbrenner (2011), a bioecologia do desenvolvimento humano é o estudo científico da progressiva acomodação mútua, durante todo o ciclo da vida, entre o ser humano ativo em crescimento e as propriedades em mudança nos contextos imediatos nos quais a pessoa em desenvolvimento vive. A bioecologia do desenvolvimento infantil consiste, portanto, no processo de acomodação entre as características das crianças em desenvolvimento e os contextos imediatos nos quais elas vivem.

De acordo com o autor, os contextos de desenvolvimento remetem à existência de sistemas organizados a partir de estruturas concêntricas, onde uma contém a outra, compondo o que ele denomina de ambiente ecológico, que compreende as dimensões mais próximas da pessoa em desenvolvimento até as mais distantes. Os contextos de desenvolvimento e sua constituição se fazem sentir a partir de uma hierarquia que mantém conectados sistemas de quatro níveis, nos quais se tem a seguinte configuração:

a) O Microssistema, que é um padrão de atividades, papeis e relações interpessoais experienciadas pela pessoa (no caso, a criança) em desenvolvimento num dado contexto, estabelecendo relações face a face com outras que estão em seu entorno, com distintas características de temperamento, personalidade e sistemas de crenças.

b) O Mesossistema compreende as ligações e os processos que ocorrem entre dois ou mais ambientes, os quais contêm a pessoa em desenvolvimento (por exemplo, as relações entre casa e escola, escola e local de trabalho dos pais). Em outras palavras, o mesossistema é um sistema formado por vários microssistemas.

c) O Exossistema engloba as ligações e os processos que ocorrem entre dois ou mais contextos nos quais pelo menos um deles não contém ordinariamente a pessoa em desenvolvimento, mas nele ocorrem eventos que influenciam os processos no contexto imediato a que essa pessoa pertence (por exemplo, para uma criança, a relação casa e local de trabalho dos pais).

42 d) O Macrossistema consiste no padrão global de características do micro, meso e exossistema de determinada cultura, subcultura ou contexto social mais amplo, em particular os sistemas investigadores de desenvolvimento de crenças, recursos, riscos, estilos de vida, oportunidades estruturais, opções de curso de vida e os padrões de intercâmbio social que são imersas em cada um desses sistemas. O macrossistema pode ser definido como um modelo social para determinada cultura, subcultura ou outro contexto mais amplo. Esta dimensão do contexto ecológico é composto pelo padrão global de ideologias, crenças, valores, religiões, formas de governo, culturas e subculturas presentes no cotidiano das pessoas que estão presentes no seu dia-a-dia e que influenciam seu desenvolvimento (Bronfenbrenner, 1996). Assim, a cultura na qual os pais/cuidadores foram educados, os valores e as crenças transmitidos por suas famílias de origem, bem como a sociedade atual onde eles vivem, interferem na maneira como eles educam seus filhos, e consequentemente, implicam no status do desenvolvimento da criança.

O modelo bioecológico propõe que o desenvolvimento humano seja estudado através da interação de seus quatro núcleos constituintes: o processo, a pessoa, o contexto e o tempo. Koller e Cecconello (2003) destacam, neste modelo, que o “processo” é o principal mecanismo responsável pelo desenvolvimento, que corresponde a interações recíprocas progressivamente mais complexas de um ser humano ativo, em evolução, com pessoas, objetos e símbolos presentes no seu ambiente imediato. Outro núcleo observado é a “pessoa”, analisada através de suas características biopsicológicas e aquelas construídas pela interação com o ambiente. Koller & Cecconello (2003) também ressaltam que as características da pessoa são vistas tanto como produto quanto produtora do desenvolvimento. Isso porque constituem um dos elementos que influenciam a forma, a força, o conteúdo e a direção dos processos proximais. O “contexto” é analisado através da interação de quatro níveis ambientais denominados microssistema, mesossistema, exossistema e macrossistema, já detalhados anteriormente. E por último, o aspecto “tempo”, que permite examinar a influência de mudanças e continuidades que ocorrem ao longo do ciclo de vida no desenvolvimento infantil.

Com a propagação da perspectiva bioecológica do desenvolvimento, Bronfenbrenner (2011) lança um desafio científico a ser realizado no século XXI: desenvolver delineamentos de pesquisa apropriados para investigar os efeitos do caos atualmente vivenciado pelas sociedades e identificar fatores que possam minimizar danos e limitações por eles impostas. Ele ressalta que parte das concepções que até então sustentavam a pesquisa científica na área da psicologia do desenvolvimento infantil eram – ou ainda o são, em alguma medida – livres de preocupações de com os elementos constituintes do contexto onde se estabelecem as interações entre a pessoa em desenvolvimento e com outras pessoas, objetos e símbolos. Ou seja, não faz referência clara às implicações desenvolvimentais da exposição de uma pessoa que possui

43 determinadas características biopsicológicas aos estímulos e pressões que definem esse ambiente ecológico de forma mais imediata ou remota.

Bronfenbrenner (2011) chama a atenção dos pesquisadores contemporâneos às diversas implicações colocadas ao estudo do desenvolvimento no contexto, ressaltando que qualquer avaliação, seja de um grupo de pessoas, seja de um único indivíduo, deve ser interpretada compreendendo as condições socioeconômicas em que vivem e a cultura/subcultura na qual estão imersos desde a infância, sendo parte inexorável da sua bioecologia.

O autor destaca que, na medida do possível, os estudos de desenvolvimento no contexto devem incluir o acompanhamento das alterações do desenvolvimento em mais de um microssistema. Em termos de delineamento de pesquisa, isso significa que, independentemente das perguntas ou das hipóteses que estão sendo investigadas, a análise deve ser realizada de forma separada para cada domínio, tornando possível determinar a extensão em que os processos hipotetizados operam similarmente, mesmo em microssistemas diferentes. É com essa perspectiva que se procurou desenvolver esta pesquisa, assumindo como necessário se conhecer um pouco mais das características pessoais das crianças envolvidas nesta pesquisa, mas especialmente aspectos contextuais que marcam os seus ambientes ecológicos próximos e distantes (a família, a escola, o bairro, o distrito administrativo, o município em que vivem). Parte-se assim da hipótese que existe uma relação entre o estado do desenvolvimento das crianças avaliadas e o nível de pobreza de suas famílias. É esperado que quanto menor for o nível de pobreza urbana da família, maior será a chance de a criança apresentar suspeita de atraso em seu desenvolvimento.

44 2. OBJETIVOS

2.1 Geral

Relacionar o estado do desenvolvimento neuropsicomotor de crianças, na faixa etária de 36 a 48 meses, que frequentem Unidades de Educação Infantil (UEI) nos Distritos Administrativos do município de Belém, às suas características pessoais e variáveis do seu ambiente ecológico.

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