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Spécication des besoins

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Conception et Implémentation

5.2 Spécication des besoins

As vias de comunicação que suportam o modo de transporte rodoviário apresentam duas funções distintas, de mobilidade ou circulação e de acessibilidade aos espaços urbanos de habitação e desenvolvimento de actividades económicas. Estas funções divergem sobretudo em termos da distância das deslocações e da capacidade das vias, verificando-se a interdependência entre a função mobilidade e as deslocações de média e longa distância com elevada fluidez de tráfego e entre a função acessibilidade e os trajectos de curta distância em ambientes urbanos mais consolidados onde a circulação a baixas velocidades permite a coexistência e a segregação modal [Seco, A. et al., 2006 (4)].

A classificação hierárquica viária estabelece a existência de quatro grupos de vias com diferentes requisitos de funcionalidade que estabelecem, por seu turno, diferentes abordagens de concepção, organização e construção. Nas vias estruturantes, arteriais e distribuidoras principais, a função prevalecente é a mobilidade pois, devido às suas características físicas, asseguram a colecta e a viagem de elevados fluxos de tráfego na ligação de importantes centros regionais. Do lado oposto encontram- se as estradas de distribuição e de acesso local (arruamentos) que possibilitam a passagem e o acesso às propriedades circundantes e aos espaços comerciais, serviços e habitações.

O peso relativo de cada uma das funções evolui na proporção inversa quando transitamos das vias colectoras para as distribuidoras principais, distribuidoras locais e vias de acesso local (figura 1) patenteando uma rede contínua onde se assiste ao equilíbrio entre as funções viárias e a representatividade socioeconómica de cada tipologia de vias.

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As vias arteriais ou colectoras (figura 2) são dimensionadas para garantir a circulação exclusiva do tráfego motorizado em grande velocidade, normalmente acima dos 80km/h, e elevados níveis de fluidez e segurança. Ao nível da plataforma de circulação este tipo de estradas deve formar uma rede contínua, sem perturbações físicas que agravem as condições de segurança ou comprometam a rapidez do tráfego de passagem principal, limitando o desenvolvimento e o acesso directo às áreas adjacentes e a presença de fluxos pedonais e infra-estruturas de estacionamento [Seco, A. et al., 2006 (4)].

As vias distribuidoras principais (figura 3), hierarquicamente inferiores, são responsáveis pela ligação da rede colectora à rede de estradas locais pelo que o seu dimensionamento deverá traduzir bons níveis de segurança e fluidez face à circulação de elevados volumes de tráfego que pretendam integrar os eixos urbanos ou pretendam realizar viagens inter-regionais de maior distância.

Dada a importância desta tipologia de estradas, a plataforma rodoviária deve permitir a circulação de veículos a velocidades que rondam os 50km/h e possuir uma configuração que possibilite a rápida inserção e segregação do trânsito. Ao contrário das vias colectoras, as distribuidoras principais não formam um circuito contínuo uma vez que o seu desenvolvimento é processado entre os nós de ligação das artérias e a rede de distribuição local, permitem o acesso aos terrenos adjacentes e o estacionamento de veículos desde que sejam garantidas as condições de fluidez do tráfego e o afastamento dessas manobras aos pontos de cruzamento de veículos e possibilitam a coexistência de fluxos pedonais ao longo das vias desde que se encontrem devidamente delineados os espaços de ocupação e fortemente regulados os pontos de atravessamento.

A ligação da rede estruturante à rede local é efectuada através das vias distribuidoras locais (figura 4) cuja implantação se verifica em ambiente urbano condicionado, quer pela implantação de edifícios quer pela presença de equipamentos e pessoas. De facto, a função de canalização e segregação do trânsito promovida por este tipo de vias encontra-se bastante pressionada pela consolidação do ambiente externo e sobretudo pela importância que os utilizadores mais frágeis adquirem face a outros modos de transporte. As vias distribuidoras locais devem garantir níveis de fluidez e capacidade moderados com velocidades limitadas entre os 30km/h e os 40km/h salvaguardando, assim, bons níveis de segurança associados à circulação e intersecção de veículos e principalmente para os peões. Assumindo-se como vias urbanas, este tipo de estradas permite o acesso directo aos terrenos contíguos, disponibiliza lugares de estacionamento com disposições em paralelo ou em espinha e favorece as condições de circulação e atravessamento dos peões em detrimento do tráfego de veículos motorizados.

Na base da hierarquização viária encontram-se as vias de acesso local (figura 5) responsáveis pela distribuição do tráfego em ambiente urbano de elevada densidade ocupacional de regime habitacional

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ou com prevalência das actividades comerciais e serviços. Nesta classe de vias, o veículo motorizado perde ainda mais importância face à vivência humana passando a ser considerado um elemento extremo da mobilidade urbana, registando-se um aumento do nível de segurança e protecção dos peões e condições mínimas de capacidade e de fluidez do tráfego automóvel através da imposição de velocidades de circulação até 30km/h [Seco, A. et al., 2006 (4)].

Na medida em que são servidões de áreas restritas, as vias de acesso local podem ser consideradas como uma rede descontinuada de acessos a áreas urbanas isoladas. Atendendo às especificidades que envolvem a concepção e a implantação deste tipo de estradas assiste-se à banalização das entradas em propriedades adjacentes, à partilha de toda a faixa de rodagem com os movimentos pedonais, ao descarte do desempenho das infra-estruturas de cruzamento em relação à sua capacidade de escoamento e à massificação da oferta de estacionamentos.

(2) (3) Figura 2 e 3: Via colectora (A1) e via distribuidora principal (IP4)

(4) (5)

Santos, L. e Ferreira, A., 2009 [(5)]

bicicletas e transportes públicos privilegiam a mobilidade utilizadores. Estas infra-estruturas (

“BUS”, etc.), vulgarmente implantadas em ambientes urbanos, acessibilidade exclusiva que se traduz

residenciais, comerciais e de serviços

Em última análise, para deslocações de curta distância, este tipo de vias pretendem ser mais

reflectindo uma maior sustentabilidade do sistema de transportes urbana quer da ecologia ambiental

Figura 6: Desenvolvimento e representação esquemática dos diferentes tipos de vias. Adaptado de

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, 2009 [(5)] mostra que as vias dedicadas de suporte ao trânsito de peões, e transportes públicos privilegiam a mobilidade e promovem a protecção dos seus estruturas (passeios, ciclovias, vias para veículos de transporte público “BUS”, etc.), vulgarmente implantadas em ambientes urbanos, apresenta

acessibilidade exclusiva que se traduz na coerência, na facilidade e na rapidez de acesso aos pólos de serviços.

para deslocações de curta distância, os modos e os meios de transporte afectos a este tipo de vias pretendem ser mais seguros, mais cómodos e mais fiáveis que o automóvel particular reflectindo uma maior sustentabilidade do sistema de transportes quer do ponto de vista

ecologia ambiental [ODOT, 1995 (6)].

nvolvimento e representação esquemática dos diferentes tipos de vias. Adaptado de 2006 (4)]

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s vias dedicadas de suporte ao trânsito de peões, e promovem a protecção dos seus a veículos de transporte público apresentam uma função de facilidade e na rapidez de acesso aos pólos

meios de transporte afectos a que o automóvel particular ponto de vista da mobilidade

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2.2.A CAPACIDADE DE ESCOAMENTO E OS NÍVEIS DE SERVIÇO

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