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Sous-dossiers de 4e niveau pour les devis

MANUEL DE L’UTILISATEUR SUR LA STRUCTURE DU RÉPERTOIRE ET LES CONVENTIONS D’APPELLATION NORMALISÉES DES DOCUMENTS D’APPEL D’OFFRES POUR LA CONSTRUCTION EN FORMAT CD-ROM

1. STRUCTURE DES RÉPERTOIRES

1.3 Sous-dossiers de 4e niveau pour les devis

Segundo Marcuschi (2008), os estudos sobre gêneros textuais não são novos. Desde a antiguidade já se discute a questão do gênero, através da literatura e de seus primeiros estudiosos, conforme ele afirma:

[...] no Ocidente, já tem pelo menos vinte e cinco séculos, se considerarmos que sua observação sistemática iniciou-se em Platão. O que hoje se tem é uma nova visão do mesmo tema [...] A expressão „gênero‟ esteve, na tradição ocidental, especialmente ligada aos (gêneros literários), cuja análise se inicia com Platão para se afirmar com Aristóteles, passando por Horácio e Quintiliano, pela Idade Média, o Renascimento e a Modernidade, até os primórdios do século XX. (MARCUSCHI, 2008, p. 147).

A partir dessas informações, percebemos que, hoje, a noção de gênero não está simplesmente vinculada à literatura, mas é usada para se referir a uma categoria distintiva do discurso de qualquer tipo, falado ou escrito, com ou sem aspirações literárias. Sobretudo, aos diferentes textos utilizados nas mais diversas práticas de interação na sociedade, cada qual com funções e propósitos comunicativos distintos. Assim, vemos que, hoje, são mais facilmente utilizados para situar categorias distintas de discursos, seja ele falado ou escrito, literário ou não.

Alguns autores apresentam teorias distintas sobre o estudo dos gêneros, entretanto, Marcuschi (2008, p. 155) nos apresenta a noção de gênero textual, ao afirmar que:

Gênero textual refere os textos materializados em situações comunicativas recorrentes. Os Gêneros textuais são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais, objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas.

Assim, ao apresentar a noção de gênero textual, Marcuschi (2008), refere-se aos diversos textos que circulam socialmente e que deles as pessoas se utilizam no seu cotidiano para estabelecer relações comunicativas. Podemos ver o funcionamento da sociedade a partir do estudo dos gêneros, pois para que se estabeleça a comunicação e as pessoas interajam faz-se necessário o texto. O autor enfatiza que o estudo dos gêneros textuais é muito importante no contexto atual, pois facilita o trabalho interdisciplinar com foco especial para as atividades sociais e culturais.

Assim sendo, produzir um texto coerente, que seja claro e objetivo, exige do aluno um domínio da língua escrita que, muitas vezes, ele ainda não possui. Um escritor competente é capaz de revisar o seu próprio texto, reescrevê-lo até considerá-lo satisfatório para o momento.

Com base na produção textual, Marcuschi (2008, p. 51-52), relaciona questões a serem trabalhadas como forma de conduzir a pesquisa com a língua, através do texto (falado ou escrito):

a) As questões do desenvolvimento histórico da língua; b) A língua em seu funcionamento autêntico e não simulado; c) As relações entre as diversas variantes linguísticas; d) As relações entre fala e escrita no uso real da língua; e) A organização fonológica da língua;

f) Os problemas morfológicos em seus vários níveis; g) O funcionamento e definições de categorias gramaticais; h) Os padrões e organização de estruturas sintáticas; i) A organização do léxico e a exploração dos vocábulos; j) O funcionamento dos processos semânticos da língua; k) A organização das intenções e os processos pragmáticos; l) As estratégias de redação e questões de estilo;

m) A progressão temática e a organização tópica; n) A questão da leitura e da compreensão;

o) O treinamento do raciocínio e da argumentação; p) O estudo dos gêneros textuais;

q) O treinamento na ampliação, redução e ensino do texto; r) O estudo da pontuação e da ortografia;

s) Os problemas residuais da alfabetização.

Na nossa investigação optamos pelas questões diretamente relacionadas ao texto escrito e ao estudo dos gêneros. Dessa forma, realizamos nosso trabalho tomando como base os estudos de Marcuschi (2008, p. 93-97), quando fala da posição tradicional da linguística de texto, em que o texto enquanto unidade comunicativa deve obedecer a um conjunto de critérios de textualização.

Para isso, o autor apresenta um esquema no qual enfoca a representação dos critérios de textualidade no processo de produção, na sua configuração linguística, conhecimentos linguísticos, aspectos intratextuais; e na situação comunicativa, conhecimentos de mundo, aspectos extratextuais.

FIGURA 1- Esquema de textualidade

Fonte: (MARCUSCHI, 2008, p. 96)

A partir das informações apresentadas por Marcuschi (2008), nesse esquema, nos orientamos para a realização das análises dos textos dos alunos, tanto da produção inicial, que teve como objetivo conhecer as fragilidades na escrita dos mesmos, como da produção final, onde buscamos perceber os avanços obtidos em comparação com a primeira produção e como resultados das intervenções aplicadas durante o trabalho.

O esquema apresentado na figura acima nos forneceu uma proposta de distribuição dos critérios da textualidade, de todo o processo de produção e a relação autor, texto e leitor, os quais foram compreendidos pelos alunos e ajudaram na construção de sentidos dos textos lidos. Serviu-nos de norte para as atividades de leitura, nas quais os alunos compreenderam a importância que têm, para a leitura e para a produção escrita, os conhecimentos linguísticos, do cotexto e os conhecimentos de mundo, do contexto.

O referido esquema de textualidade apresenta-nos, segundo o autor, três grandes pilares da textualidade: o produtor, o texto e o leitor, que segundo o autor é um evento de comunicação. Ainda fazem parte da textualidade os aspectos cognitivos linguísticos e contextuais, ou seja, a configuração linguística, a cotextualidade que envolve os conhecimentos linguísticos intratextuais (coesão e

coerência). Ainda a situação comunicativa, a contextualidade que envolve os conhecimentos de mundo, aspectos extratextuais, (aceitabilidade, informatividade, situacionalidade, intertextualidade e intencionalidade). Esses aspectos constituem os sete critérios da textualidade que são contextuais, utilizados como acesso na produção de sentido. Tanto os aspectos da cotextuliadade como os da contextualidade são importantes na interação autor, texto e leitor para que haja compreensão e a comunicação seja efetivada em sua plenitude.

Segundo Marcuschi (2008, p. 97), “A textualidade é o resultado de um processo de textualização. A textualização é o evento final resultante das operações produzidas nesse processamento de elementos em multinível e multissistemas.”

Diante disso, percebemos que essa complexidade dar-se diante de uma sociedade letrada na qual se busca estabelecer inúmeras situações de interação tendo como princípio os gêneros, cada um com seu propósito comunicativo específico à situação.

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