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Sources ´ electromagn´ etiques dans un plasma sur-critique

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1. Introduction ` a l’interaction laser-plasma

1.3 Sources ´ electromagn´ etiques dans un plasma sur-critique

2.2.7.1 O futuro como tempo verbal

A categoria tempo envolve uma sistemática codificação da relação entre dois pontos ao longo de uma dimensão linear de tempo: tempo referencial e tempo do evento (ou da situação). É fácil perceber que tempo é um fenômeno pragmático (mais do que semântico-proposicional), que situa a proposição em um ponto temporal fora dela mesmo. No caso de um tempo absoluto, por exemplo, a oração é ancorada no ato de fala corrente, proferido por um falante em particular no exato momento em que a oração é declarada (por isso o momento de fala costuma ser identificado como o ponto dêitico da enunciação).

Givón (2001, p. 286) distingue quatro divisões temporais: passado, presente, habitual (pode de certa forma ser incluído no presente) e o futuro. Este último é o tempo sobre o qual nos deteremos nesta seção. O futuro seria um evento ou estado em que tempo-evento segue (é posterior) ao momento de fala.

Para Bybee, Pagliuca & Perkins (1991; 1994), o futuro não representa „referência ao tempo futuro‟ da mesma maneira exata que o passado representa „referência ao tempo passado‟, pois noções de futuro envolvem hipóteses, volição, projeções, mas nunca fatos referencialmente concretos.

Além disso, os autores observam que os futuros parecem ter sido desenvolvidos a partir das mesmas origens lexicais em várias línguas, como no inglês e nas línguas românicas. A partir de uma análise de amostras do banco de dados deles, o GRAMCATS, eles chegam a hipotetizar: os morfemas de futuro em todas as línguas se desenvolvem a partir de um pequeno grupo de origens/fontes, e atravessam estágios similares de desenvolvimento.

A hipótese geral dos autores é de que há somente um pequeno número de categorias gramaticais maiores, ou gram-types (como passado, futuro ou perfectivo) nas línguas do mundo, e que cada uma delas se desenvolveu historicamente via um pequeno número de padrões distintos, como por exemplo, construções auxiliares com os sentidos de „desejo‟, „obrigação‟, ou „movimento para um objetivo‟.

Segundo os autores ainda, tudo indica que o uso prototípico de morfemas de futuro serve para assinalar que uma asserção sobre o tempo futuro está sendo feita. Por que predição é um tipo de asserção, morfemas de futuro frequentemente não ocorrem em orações subordinadas, mesmo quando a referência ao tempo futuro é claramente entendida, como nos exemplos: When I grow up, I want to be a pilot (Quando eu crescer, eu quero ser um piloto)/ If he asks for it, I´ll give it to him (Se ele perguntar por isto, eu o darei para ele). (BYBEE at al., 1991, p. 19).

Assim, Bybee at al. (1994, p. 274) argumentam que não se encontram morfemas de futuros comumente usados em orações subordinadas com referência temporal futura, tal como as orações hipotéticas if e when, porque essas orações não fazem asserções sobre o tempo futuro. No banco de dados GRAMCATS, foram encontradas somente duas instâncias de futuro que poderiam ser usadas em prótases hipotéticas, nas línguas maung e kanai. Certamente, esses futuros são harmônicos com tais contextos, porém, segundo os autores, esses „futuros‟ não se moveriam até tais envolvimentos não-assertivos, a menos que tivessem perdido muito de sua força original e sentido.

Curiosamente, no português, o FS pode ser considerado um tipo de futuro que aparece nas orações subordinadas, onde supostamente não se faz asserções, mostrando a singularidade dessas construções portuguesas. A partir do

exposto, dois questionamentos podem ser feitos: (i) se a oração subordinada com FS em português realmente não faz nenhuma asserção propriamente dita; e (ii) se o FS em português marca de fato alguma projeção de futuro, ou se essa projeção já é assinalada pelo contexto semântico-sintático em que esta forma verbal está inserida. Pretendemos discutir essas questões ao longo da dissertação.

2.2.7.2 Futuro, subjuntivo e irrealis

Existem claras interações entre tempo e modalidade, e um candidato preferencial para essa conexão é o futuro.

Segundo Fleischman (1982, p. 131), parece haver conexões lógicas e universais entre a ideia de futuro e o grupo de modalidades irrealis associado a ela. Se uma língua tiver uma expressão de futuro, a temporalidade e a modalidade estarão co-presentes.

A ligação conceitual entre futuridade e o spectrum de modalidades irrealis parece óbvia para Fleischman (1982, p. 133), pois aquilo que ainda está para ocorrer é um fato desconhecido e incerto, portanto irrealis; eventos futuros existem na forma de predições, intenções, vontades, desejos, obrigações e coisas parecidas. Sendo assim, eles constituem uma projeção hipotética advinda do conhecimento experiencial do homem.

As principais origens do futuro são um grupo de modalidades não- factuais: obrigação, volição e intenção, que são frequentemente os usos principais do modo subjuntivo.

O subjuntivo é, em muitas línguas, o modo generalizado do não-fato ou da subjetividade. Dessa forma, a conexão universal entre posteridade e subjuntivo tem sido largamente reconhecida, mas ainda há muito a dizer sobre esse assunto, conforme a autora.

Entre as várias estratégias gramaticais usadas pelas línguas do mundo para expressar subjetividade ou modalidades não-factuais, a categoria do subjuntivo é de longe a mais conhecida, sendo comumente associada às noções de possibilidade, probabilidade, dúvida, inferências, suposição (modalidades epistêmicas), obrigação, necessidade, intenção e desejo (modalidades deônticas).

Em resumo, muitas das funções do subjuntivo se reúnem sob o rótulo geral do „eventual‟, quando há então a sobreposição com a ideia de futuro.

As duas categorias (subjuntivo e futuro) são de larga extensão „mutuamente inclusivas‟. Enquanto um grupo de pesquisadores tem argumentado que os subjuntivos tendem a evoluir vindo de formas velhas de tempo futuro, outros alegam que o futuro surge de antigos subjuntivos, diz Fleischman (1982, p. 133).

Nas línguas românicas atuais, o subjuntivo é altamente usado com certas conjunções que projetam a ação adiante, por outro lado, o futuro frequentemente aparece em orações com verbos expressando modalidades epistêmicas. A autora acredita que, devido à sobreposição dessas duas categorias, não é surpreendente que tão poucas línguas disponham de um paradigma explícito de futuro e subjuntivo.

Desse modo, parece que, para melhor entendermos o uso de formas de futuro e de formas de subjuntivo nas línguas, é interessante observarmos a estreita correlação entre futuro, subjuntivo e irrealis.

Por exemplo, em seu trabalho de dissertação, Pimpão (1999) constatou que o traço de futuridade foi o principal fator condicionante para o uso das formas de presente de subjuntivo em detrimento das de presente do indicativo, em contextos em que ambas poderiam ser tidas como variantes, numa perspectiva sociolinguística.

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