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2. LA VACCINATION CONTRE LA MALADIE DE GUMBORO

1.3. METHODES

1.3.3. Evaluation de l’efficacité et de l’innocuité

1.3.3.2. Source et méthode d’infection

Para a compreensão de uma produção televisual espetacular e de entretenimento, so- bretudo no campo informativo, é importante pensarmos sob a ótica inicial dos jogos de lin- guagem, da pragmática jornalística em seu contexto de ocorrência. Mesmo entendendo que “o jornalismo é um lugar da racionalidade, da linguagem objetiva e referencial, não da imagina- ção” (MOTTA, 2006), é possível entrevermos um traço de “fantástico” nos relatos noticiosos. (David, 2003)

Nessa produção telejornalística, não raro deparamo-nos com narrativas imagéticas que remetem a acontecimentos considerados eventos incertos e fortuitos, não esperados. O que, no entanto, chamamos a atenção aqui é para aqueles acontecimentos mais radicais e ilógicos, como o relato da volta de um morto à vida. São acontecimentos que estão na ordem do inve- rossímil na sua “radical excepcionalidade”. Motta (2006) dedica-se a compreender esses fatos

insólitos na busca de melhor apreender as experiências do fato fantástico enquanto ocorrên- cias casuais no fluxo de sentidos.

Para ele, a probabilidade de acontecerem é ainda menor do que a de muitos fatos in- comuns, sua irrupção é muito mais inverossímil. O autor diz que essa irrupção de algo insólito no transcurso da vida coletiva é, portanto, ambígua. A diferença entre o fato apenas incomum e o fato insólito ou fantástico, segundo Motta (2006), não é apenas uma questão de grau:

Há, entre os dois, um salto qualitativo de sentido. O fato incomum pode não ser esperado, mas é compreendido e explicado a partir do enfrentamento que o homem precisa fazer frente aos dramas e tragédias da vida. Já o fato insóli- to é menos compreendido, provoca uma comoção de tipo diferente, sua ex- plicação pode escapar ao racional e muitas vezes remete a imaginários cole- tivos, remete a causas espirituais e até mesmo à intervenção divina, porque muitos desses fatos não podem se imediatamente entendidos como coinci- dências ou casos. (MOTTA, 2006:64)

O insólito e o fantástico nascem das contingências, pois decorrem de situações huma- nas cujo sentido permanece aberto, incompreendido, “a não ser que recebam um plus de sen- tido, uma significação que transcende as significações rotineiras” (MOTTA, 2006:64). O ter- mo “contingência” é entendido pelo autor como relacionado aos âmbitos da realidade e da exigência humana que não podem ser regulamentados ou explicados pela mediação das leis recorrentes. “A contingência pode ser considerada como uma espécie de ´estado natural`, que nunca deixa de determinar, com freqüência, de forma muito negativa e angustiada, a presença do ser humano neste mundo”. (MOTTA, 2006:64)

2.5.1 Flertando com o absurdo

As noções dispostas acima tornam-se relevantes quando buscamos explicações para as limitações ou fronteiras no “mundo da vida” das manifestações do insólito em relatos tejorna- lísticos. Todavia, percebemos a sua não adaptação à análise do fantástico enquanto prática subjetiva de significação no processo de constituição dos indivíduos como sujeitos sociais.

Motta (2006) parte dessa perspectiva para analisar a notícia como processo ou experiência cognitiva e toma a estética do “fantástico” como referência. Faz um “estudo sobre o jogo en- tre intenções e reconhecimentos que se realiza entre o jornalista e o leitor” (MOTTA, 2006:11).

Em um estudo de caráter pragmático, o autor observa o jogo de construção de sentidos que se processa entre as intenções lingüísticas e extralingüísticas do sujeito enunciador e as interpretações do sujeito interpretante. Limita-se, como diz, à aplicação analítica da pragmáti- ca comunicativa na co-construção de sentidos pela mídia. Para ele, “o fantástico manifesta-se ocasionalmente no jornalismo [...]. O insólito é uma qualidade dos fenômenos da natureza e das relações humanas que atrai o olhar do jornalista e nesse sentido se insere entre os valores- notícia” (MOTTA, 2006:10).

O autor reafirma a máxima que diz que o jornalismo “flerta” com o absurdo, com o inverossímil e o aberrante. É atraído pelo inusitado, pelo estranho, pelo misterioso. Para ele, a realidade humana é polifacética e o jornalismo não isento a este polifacetismo:

Quando a ambigüidade ou a indeterminação de certos acontecimentos atrai a atenção do jornalista, costuma receber um tratamento lingüístico mais livre, o texto ganha maior licença poética e a notícia derrapa para o campo do mis- tério e evoca, ainda que brevemente, o efeito do fantástico. (MOTTA, 2006:10)

Motta (2006) verifica um intrincado jogo de atração e de desprezo entre o jornalismo factual e a inconsistência do inverossímil, que confere particular atração:

No momento que o jornalista se sente atraído e liberado pela imaginação, pode-se observar com mais riqueza o fascinante jogo de contrários entre o

mythos e o logos no jornalismo. Um uma linguagem que se apresenta como racional e objetiva transparece então a presença do mistério. (MOTTA, 2006:10)

Assim, os “relatos fantásticos” são frutos da construção de versões a partir de fatos in- sólitos. A presença do fantástico leva os enunciados noticiosos paras os limites do jornalismo.

“É nessas fronteiras que o jornalismo parece ceder e abandonar sua racionalidade, submeten- do-se à fábula e aos mitos, impregnando-se dos mistérios do inefável e dos absurdos” (MOTTA, 2006:10). Antes disso, podemos dizer que o relato de uma notícia informa algo e realiza o ato de transmitir conhecimento – ato que mostra sua competência para dizer algo e legitimar seu lugar de fala.

Para além do relato, a notícia faz mais, podendo afirmar ou negar algo, dependendo do tom, das palavras e do que é sugerido por meio das imagens ou dos enunciados; pode surpre- ender ou espantar. A notícia segue, assim, o que a maioria dos enunciados humanos realiza: impõe várias coisas simultaneamente, ativa uma performance cognitiva e simbólica, para mui- to além das intenções conscientes de quem a produz e de quem a consome.

No processo de construção e consumo, o homem aparece como explorador permanente do significado dos acontecimentos e de seu próprio significado diante deles. O homem, para Motta (2006), não consegue explicar tudo, não compreende tudo. O imponderável da vida, segundo o autor, deixa sempre algo por ser explicado.

Enquanto seres contingentes, buscamos aprimorar esse processo de construção de rea- lidades. Somos nós, na condição de jornalistas, que vamos lidar com um discurso telejornalís- tico que escorrega para o fantástico, pondo em dúvida a capacidade de percepção que o teles- pectador tem do seu mundo real. Assim como na literatura fantástica, a notícia que carrega tal conteúdo necessita ofertar um mundo de uma maneira mais real possível, para que sirva de comparação com a ocorrência sobrenatural e provoque o espanto, com a irrupção de uma o- corrência incomum na realidade cotidiana.

O gênero fantástico surge da incerteza entre o real e a imaginação, entre a verdade e a ilusão. Motta (2006) cita Todorov (1976) para afirmar que “quando o relato deixa no leitor a

hesitação, aí sim, temos a manifestação do fantástico. [...] é a dúvida entre o real e a ilusão que dá vida ao fantástico” (MOTTA, 2006:82). O insólito, “parente próximo do fantástico”, assume formas diferentes na linguagem jornalística, ora tendendo para o estranho, ora para o grotesco. Geram relatos a partir de eventos cujas causas permanecem suspensas, pois trazem o absurdo, o “sem-sentido”, apresentam marcas do inacreditável ou do patético.

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