O ensino superior no Brasil tem merecido destaque, neste início de século, principalmente no campo da educação e ensino. Com a mudança de muitos paradigmas nas últimas décadas, inclusive com o advento da globalização, no que tange à informação e à informatização,
com a entrada da tecnologia, as bibliotecas universitárias têm que cumprir novos papéis e missões, que vão além do ensino e aprendizagem (CASTRO FILHO, 2008).
As bibliotecas universitárias, inseridas no contexto, procuram atualizar-se com o uso de novas tecnologias e recursos disponíveis na rede, mas, ainda têm como principal entrave falta de incentivos e recursos financeiros, tanto de Instituição particular quanto pública, que as impedem, muitas vezes, de progredir tecnologicamente. É comum, encontrar por parte dos dirigentes, omissão nos problemas das bibliotecas, acreditando que esses gastos financeiros serão grandes obstáculos, porém, com um pouco de criatividade ou, até mesmo, parcerias, os problemas são resolvidos (MIRANDA et al., 2006).
A evolução dos suportes informacionais, oriundos na década de 1980, mostrou que a biblioteca não era apenas uma guardiã do saber ou depósito de livros. Já no século corrente, surgiu uma mudança considerável na prestação de serviços; os usuários passaram a ter facilidades, pois não precisam sair de casa para ter acesso às bibliotecas 24 horas por dia; o acesso a textos completos ou ainda à renovação/reserva de documentos. Essas mídias, surgidas e incorporadas no cotidiano provocaram mudanças na sociedade da informação.
O Quadro 1 ilustra algumas dessas mudanças, tendo-se descrito apenas as alterações que ocorreram até 2010, mas imagina-se que nas próximas décadas poderá haver uma aceleração com o surgimento e popularização de novas tecnologias da informação, bem como das redes educacionais transcontinental.
Quadro 1 - Evolução dos suportes informacionais nas bibliotecas universitárias
1980 1990 2000 2010
Disquetes CD-ROM (bases de dados) Portal da Capes (textos completos) Portal da Capes (textos completos), portais de periódicos institucionais
Fitas cassete Periódicos on- line Biblioteca Digital de Teses e Dissertações – BDTD Biblioteca Digital de Teses e Dissertações – BDTD, criação de repositórios Fitas VHS Informação em rede Acesso aos diversos bancos de dados Acesso aos diversos bancos de dados livres Microcomputad Páginas web Comut on-line Acesso on-line/
ores service on-line residencial Empréstimo domiciliar/ leitura na sede Empréstimo domiciliar/ leitura na sede Empréstimo domiciliar/ leitura na sede Empréstimodomic iliar/ leitura na sede Pesquisa/renova ção/ reserva no local Pesquisa/renova ção/ reserva no local Pesquisa/renova ção/ reserva de livros via web
Redes sociais (e- mail, Orkut, Twitter, blogs, outros)
Fonte: Miranda (2010)
Na última década do século XX, as bibliotecas universitárias entram numa fase de transição, em busca de nova identidade, pois conviver com dois modelos, um tradicional e outro virtual, era complexo para época, já que algumas bibliotecas universitárias adotaram o uso de tecnologias e outras estavam distante dessa realidade (CARVALHO, 2004).
Apesar de lentamente, mudanças começam a aflorar no âmbito das bibliotecas e tem-se a concepção da biblioteca moderna.
A biblioteca moderna rompeu os laços com a Igreja católica, estendendo a todos os homens a possibilidade de acesso aos livros, com isso precisou se especializar para atender as necessidades de cada leitor ou comunidade, deixando de ser passiva, deslocando-se até o leitor, buscando entendê-lo e trazê-lo para a biblioteca. (MARTINS, 2001 apud MORIGI; SOUTO, 2005, p. 192).
No entanto, o entendimento da biblioteca se modifica ao sabor das transformações da sociedade da informação, muito mais do que a tipologia em si ou a denominação dada à biblioteca, o que determina seu andar, é a forma de atuação. Ocorre que, em pleno século XXI, em meio ao domínio do fluxo informacional interminável, é possível deparar, no Brasil e em diferentes países desenvolvidos, a nomeada biblioteca tradicional.
Por sua vez, Targino (2010, p. 44) destaca “[...] uma distinção dos paradigmas, biblioteca tradicional (primazia das grandes coleções); biblioteca ação cultural (primazia dos usuários); biblioteca virtual (primazia do fluxo informacional ou paradigma digital)”.
No estudo de Cunha (2013), a possibilidade de se ter acesso à informação de maneira virtual e digital se define como uma:
[...] biblioteca do futuro é sem paredes, por possibilitar o acesso à distância a seus catálogos, sem a necessidade de se estar fisicamente nela. É eletrônica, pois seu acervo, catálogos e serviços são desenvolvidos com suportes eletrônicos. E é virtual, porque é potencialmente capaz de materializar-se via ferramentas, que a moderna tecnologia da informação e de redes coloca à disposição de seus organizadores e usuários. Martínez (2004, p. 98) compreende que “[...] o novo modelo de biblioteca não tem como centro o livro, e sim o sujeito”. Este é o foco que as bibliotecas universitárias concebidas como centros de recursos precisam estar atentas, ou seja, um serviço centrado sobre o que os usuários necessitam. Em essência, quando se discutem novos paradigmas da biblioteca neste século, o que se espera é a nova postura do bibliotecário (TARGINO, 2010).
Há profissões que a tendência é a transformação, como as do bibliotecário. Por sobrevivência, eles devem ir além das tarefas corriqueiras, como empréstimo domiciliar, devolução, renovação, serviço de referência e levantamentos bibliográficos para assumir outras responsabilidades, a exemplo do planejamento estratégico, implantação de redes de informação em organizações; avaliação; programas de gestão de informação na automação de bibliotecas e instituições; e edição de revistas técnico-científicas.
Por outro lado, para Targino (2010, p. 45) é vital reforçar que “[...] a mutabilidade dos paradigmas intervenientes das bibliotecas, tais como as formas de atuação dos bibliotecários do século XXI exigem reestruturação imediata dos cursos de graduação na área”. É necessário que os alunos de graduação tenham contato com as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), pois estas não devem somente fazer parte do conteúdo programático das disciplinas e, sim, precisam estar presentes como suporte ao ensino, a fim de que esses futuros profissionais se habilitem a lidar com o desenvolvimento de bibliotecas, associadas à necessidade de integração e gestão de serviços do universo impresso e do novo mundo digital (TARGINO, 2010). Na sequência, ilustra-se com algumas bibliotecas universitárias internacionais.