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Sommeil et apprentissages

Dans le document MIEUX DORMIR POUR MIEUX APPRENDRE (Page 13-19)

Ao iniciar minha busca por essas profissionais, comecei este percurso procurando uma grande educadora da cidade, uma senhora que está envolvida na educação há muitos anos e que ainda continua em atividade. Ela, porém, para minha surpresa, me disse não poder ajudar, pois não se recordava do nome das alfabetizadoras que haviam atuado como alfabetizadoras na escola onde iniciou sua carreira, percebi nessa senhora certa reserva em colaborar. Conversei com várias pessoas, mas não obtive sucesso, em alguns momentos cheguei a

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duvidar que fosse encontrar alfabetizadoras vivas que pudessem contribuir com a pesquisa, depois veio a desconfiança pela lucidez.

Durante uma pesquisa documental nos Decretos de Criação das Escolas Municipais, da Secretaria Municipal de Educação conversei com a diretora do departamento de educação, Maria Ignez de Oliveira Dantas, pessoa ligada à educação do município, que, prontamente, me disse que sua mãe havia sido uma das primeiras alfabetizadoras do Grupo Escolar João Pinheiro, mas que infelizmente, já não se encontrava em condições de prestar depoimentos. Porém, forneceu-me diretrizes importantes para mapear as alfabetizadoras, em nossa conversa ela citou vários nomes de pessoas que se dedicaram à carreira de professoras, uma inclusive que havia sido sua professora de primeiras letras, Dona Jerominha. Muitas eu as conhecia de nome, outras não tinha idéia de como encontrá-las. Ao conversar com minha mãe, Aracy, sobre a pesquisa, descobri que ela conhecia quase todas as indicadas, nascida e criada em Ituiutaba, uma cidade pequena, ela tinha muito conhecimento da população; convidei-a a me auxiliar em minhas visitas.

Fomos várias vezes até a casa de uma das primeiras diretoras do Grupo Escolar Ildefonso Mascarenhas da Silva, inaugurado em 1947. Quando consegui encontrá-la, ela se entusiasmou com a proposta do estudo, porém, relatou-me que as primeiras alfabetizadoras daquela escola já haviam falecido.

Procurando uma outra alfabetizadora, desde os anos de 1930 no então Grupo Escolar João Pinheiro, nos vimos diante da casa de Dona Aracy Saraiva, a casa estava passando por reforma, um pedreiro, que estava na entrada nos confirmou quem era a dona da casa e nos disse para entrar. Tive uma grata surpresa, parada à porta, uma senhora de tez clara, corpo franzino, de cabelos brancos e olhos muito azuis estava distribuindo ordens de serviço e fazendo pagamentos referentes à reforma realizada em sua casa. Convidadas a entrar, nos apresentamos. Dona Aracy se recordou de minha mãe e de meu avô, já falecido. Fomos convidadas para tomar um café. Naquele momento, ela e minha mãe relembraram de fatos e de pessoas conhecidas; relatei a ela o motivo de minha visita, e iniciei a fazer algumas perguntas que me permitiram confirmar que ela, com toda a certeza, enquadrava-se perfeitamente como sujeito de minha pesquisa. Pude perceber o quanto aquela senhora possuía de conhecimento e quão lúcida se mostrava aos, praticamente, 88 anos de idade. Ela prontamente se dispôs a colaborar em minha pesquisa demonstrando satisfação em poder registrar as histórias que presenciou. Nos despedimos após quase duas horas de interessante conversa, deixando agendada uma entrevista para a próxima semana.

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No dia seguinte, fomos até a casa de uma outra professora, chegamos, nos apresentamos, fomos muito bem recebidas e convidadas a entrar. Ela nos relatou que, realmente, havia sido professora durante muitos anos, inclusive tinha se aposentado na profissão. Quando meu olhar de pesquisadora já se enchia de brilho, ela nos relata que havia atuado apenas poucos meses nas séries iniciais, nos disse ter se dedicado mais às turmas que já estavam mais adiantadas, que não tinha muita paciência com as turmas de alfabetização.

A cada novo dia iniciava uma nova busca. Recomeçamos tudo novamente, dessa vez fomos até a casa de Dona Jeronima, fomos recebidas no portão da casa por sua filha que muito educadamente nos disse que sua mãe estava adoentada, havia escorregado e caído, permanecia de repouso por ordens médicas e não poderia nos atender, pediu que esperássemos algumas semanas para procurá-la novamente. Após algumas semanas, liguei para saber notícias, Dona Jeronima atendeu-me com uma voz fraca, parecendo-me muito cansada, disse-me que havia melhorado, mas ainda não estava em condições de me receber. Mais algumas semanas se passaram, fomos novamente à sua casa, ao chegarmos fomos recebidas pelo seu esposo, Sr. Alcides, que nos convidou a entrar. Enfim, conheci Dona Jeronima, Jerominha como todos a chamam, compreendi o porquê do apelido carinhoso, uma senhora de baixa estatura, magra, de olhar esperto, que recebeu-nos com muita delicadeza, falou-nos de sua doença e o quanto sofreu nos últimos meses. Expliquei a ela o motivo de nossa visita, e de minha pesquisa, ela nos contou de sua paixão por ensinar e de toda uma vida dedicada à alfabetização. Com toda a humildade demonstrada ela se dispôs a ser minha colaboradora, mas ressaltou que não fez grandes coisas e que não sabia em que seu relato poderia me ajudar. Despedimo-nos deixando já uma entrevista agendada para daí a alguns dias, pois nos próximos dias ela já tinha agendado outros compromissos.

Procurando informações a respeito de antigas educadoras, bati à porta de uma das primeiras diretoras do Grupo Escolar João Pinheiro, recebi a informação de que ela estava viajando para Belo Horizonte em visita à filha e demoraria a retornar. Estabeleci contato com o filho dessa senhora, ele me disse ter quase certeza que a mãe tinha sido alfabetizadora. Aguardei ansiosamente pela volta dessa senhora. Antes que eu pudesse estabelecer um contato maior, conversando com outra pesquisadora que já havia conversado com ela, descobri que aquela educadora também tinha se dedicado, enquanto professora, somente às turmas mais avançadas, não tendo sido alfabetizadora.

A partir desse momento, todas as minhas pistas pareciam não se confirmar, cada nova informação era contemplada com desilusão. Não conseguia localizar mais nenhuma

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professora alfabetizadora que havia atuado num período histórico mais distante. Decidi tentar localizar professores que poderiam ter atuado na zona rural, já que Ituiutaba, nas décadas delimitadas para o estudo, possuía uma economia baseada, predominantemente, na agricultura e pecuária.

Por meio de contatos com conhecidos, sempre procurando informações sobre professoras já aposentadas, recebi dados interessantes sobre Ivanildes, uma professora que havia atuado na zona rural, na região de Monte Alegre. Esta senhora, como diziam, tinha alfabetizado um grande número de crianças, inclusive da família Moraes, descendentes de Joaquim Antonio de Moraes, um dos fundadores e doadores das terras onde a cidade foi construída. Meu primeiro contato com essa alfabetizadora se deu por telefone, conversamos durante muito tempo, em que ela, com voz alegre e entusiasmada, me explicava onde e quando atuou como alfabetizadora, colocando-se à minha disposição para um relato mais aprofundado. Marcamos a entrevista.

Conversei também com outras educadoras, muitos nomes foram lembrados, como o de D.ª Dalva Moreira, D.ª Julieta Alves, D.ª Altair (Nininha), D.ª Maria Morais, D.ª Clorinda Junqueira, D.ª Alda Cury, dentre outras, mas que infelizmente, tão elogiadas alfabetizadoras já não se encontravam entre nós, daí a opção por entrevistar três sujeitos nesta pesquisa. Ressalto, portanto, que diante de poucas, mas ao mesmo tempo primordiais fontes, não poderia deixar de registrar e perpetuar histórias de um período marcado por tão férteis experiências.

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