7.2 Experimental and methods
7.3.1 Solutions of a simple electrolyte
Meu propósito nesse momento é refletir de forma mais próxima sobre as trajetórias de alguns trabalhadores-voluntários, para melhor compreender a descoberta daquilo que enquadro como “vocações”. Os pontos a serem analisados neste tópico são provenientes de trechos das entrevistas de alguns trabalhadores-voluntários onde eles tecem relatos sobre os seus primeiros contatos com os locais pesquisados e os interpretarei como processos vocacionais.
Foi mencionado de forma sucinta e geral as maneiras pelas quais os indivíduos tomam conhecimento acerca da existência de alguns centros espíritas e hospitais espirituais e são levados ou se encaminham a essas instituições: indicação de pessoas conhecidas – familiares, amigos, colegas de trabalho; curiosidade, busca por tratamento ou conforto espiritual diante de uma perda ou problema pessoal, etc.; fatores que reforçam a importância das relações interpessoais na procura por esses locais de culto.
- “V: Conheci, eu tinha onze anos. Foi quando a minha mediunidade começou a desabrochar. Foi bem no comecinho da minha
adolescência.
E.: Mas tu veio porque tava passando por algum problema?
V.: Tava passando por vários problemas que foram confundidos com problemas materiais. Minha mãe me levou para vários médicos e nenhum diagnosticava o que era. Então, como minha tia já frequentava, ela me indicou.” (V., 19 anos, solteira e sem filhos, estudante; médium de incorporação, trabalhadora-voluntária do MCM) - “A participação da gente se deu desde o evangelho no lar que é uma prática da casa dos meus pais que há 54 anos fazem isso. Todo domingo às 19h. então, a gente iniciou nosso conhecimento espírita 107
110 dentro de nossa casa mesmo e quando o Peixotinho foi fundado era natural que a gente migrasse além da reunião dos domingos, que a gente frequentasse o grupo. Eu era adolescente, mas para mim era tão natural que não era o esforço que eu às vezes tenho para trazer meus fihos, eu não tinha na minha casa. Porque era muito natural. Apesar dos meus filhos já terem nascido com o Peixotinho, eles não tinham esse costumo de vê-lo nascer. E para mim foi muito natural. é uma continuidade. Engraçado que uma vez meu filho tava aqui correndo muito, gritando muito e uma senhora da casa disse: Páre de correr, você pensa que está onde? - Eu tô na casa do meu bisavô. Virou uma extensão.” (S.V., neta de Peixotinho e filha dos fundadores da Fraternidade Peixotinho, 42 anos, divorciada, quatro filhos, chef de cozinha; palestrante,
passista e doutrinadora, trabalhadora-voluntária da Fraternidade Peixotinho)
- “Z: A minha chegada aqui já veio de outro templo, o lar espírita Chico Xavier que desde os anos 90 eu iniciei o meu trabalho efetivamente começado no centro Caminhando para Jesus.
E: Mas você acabou vindo aqui para o Peixotinho por indicação de alguém de lá?
Z: Na verdade ouve um processo de vários médiuns que se afastaram da casa, 35 médiuns vieram para cá... E os demais fundaram um centro aí em Piedade. Mas eu fui encaminhada para cá e aqui chegando eu fui apresentada a M. e ele como, eu já fazia parte da desobsessão no centro Chico Xavier, aí eu fui encaminhada para seu C. que era o anterior dirigente daqui da reunião. Ele se afastou por motivos de saúde. (...) M. me passou logo para essa reunião de 20h. Não passei para a anterior de 18h não. Porque eu já vim com 15 anos trabalhando na desobsessão no Chico Xavier.” (Z., 68 anos, casada, duas filhas, aposentada - professora estadual; médium de incorporação,
trabalhadora-voluntária da Fraternidade Peixotinho)
- “Eu conheci o hospital através de uma contaminação fluídica que se passa de uma outra casa, que era uma casa umbandista e eu não tinha o mesmo conhecimento daquilo. Mas a minha mãe, tinha a mediunidade dela aflorada e já se desenvolvendo nessa casa eu comecei a participar dessa casa e comecei a ter a contaminação. Aí como eu estava e nenhum médico diagnosticava, ela me trouxe para cá. E aqui eu fiquei.” (A.P., 38 anos, solteira e sem filhos, ex-praticante da Umbanda; médium ostensiva de incorporação, passista, trabalhadora-
voluntária do MCM)
Percebe-se que a presença de problemas de saúde – materiais – é muito mais forte entre os trabalhadores-voluntários do MCM sendo, portanto, a forma mais recorrente de procura por essa instituição. Por consequência é no ato do diagnostico onde vários constatam a existência da sua ‘sensibilidade mediúnica’, haja vista que
111 muitos disseram desconfiar do diferencial daquilo que sentiam e percebiam do ambiente ao seu redor.
Contudo, persistia sempre a ressalva entre os dirigentes e coordenadores do MCM – e até mesmo os doutores espirituais – de que nem todos os desconfortos corporais e emoções sentidas devem ser atribuídos à ‘sensibilidade mediúnica’, muitas vezes as causas são de ordem material, física e deve ser solucionada através da procura pela medicina tradicional. Não raramente presenciei os doutores espirituais se dirigirem aos pacientes com frases do tipo “isso que você está sentindo não tem nada de espiritual envolvido, é material, vá procurar o seu médico...”.
Em boa parte dos casos esses pacientes ainda não estavam familiarizados com as diretrizes de distinção entre o que é decorrente da mediunidade e aquilo que não é. Em geral, a mediunidade só se apresenta de forma conturbada no seu período inicial, de chamamento e desenvolvimento; esse processo se aproxima daquele da trajetória dos xamãs discutido por Ioan Lewis (1977) no qual: “A experiência inicial da possessão, em particular, é com frequência uma experiência perturbadora, traumática mesmo, e não raro uma resposta à aflição pessoal e à adversidade” (P. 79). Lewis denomina essa etapa de ‘incontrolada’. De acordo com a leitura feita por Reesink (2003), “essa fase é muitas vezes interpretada como anormalidade ou mesmo doença, é aqui que os xamãs mais experientes entram para ajudar o “paciente” a domar ou controlar os espíritos” (P. 99).
É recorrente entre aqueles que não eram familiarizados com a doutrina espírita a presença de termos tais como “susto”, “surpresa”, “pavor”, “medo” no relato das suas primeiras reações ao ‘prognóstico’ (“sensibilidade mediúnica”) e em alguns casos até mesmo momentos de recusa e desconfiança.
- “E: Quando tu recebeu a notícia que tinha sensibilidade mediúnica você lembra qual foi tua primeira reação?
M.S.: Olhe, não foi aqui. Foi em casa que eu recebi. Como eu sou médium consciente que é aquele médium que recebe a comunicação e lá na memória ainda fica, então eu fiquei apavorada porque eu era evangélica e isso me deixou apavorada. Mas quando eu cheguei aqui que tive o esclarecimento tudinho, aí já gostei de saber que eu podia ajudar aqueles irmãos desencarnados e aquilo só me fez bem. E eu faço até hoje. Saber que eu posso ajudar os irmãos.” (M.S., 53 anos, divorciada, dois filhos adolescentes, ex-adepta do Protestantismo; médium ostensiva, passista, trabalhadora-voluntária do MCM)
112
- “A minha primeira reação foi de procurar entender, porque o que eu
sentia tinha nome: chamava labirintite. Quando me disseram que não era labirintite e sim sensibilidade magnética aí eu comecei sim a fazer um trabalho de estudo para identificar o que é isso no ser humano. Aí eu fui atrás de quem é que sente, porque sente, o que sente...e fui encontrar no próprio Livro dos Médiuns, dentro da doutrina espírita, ‘o que é o médium sensitivo’; ‘porque ele é médium sensitivo’. E isso tem dentro do Livro dos Médiuns em um item próprio, o item 164155 fala de quem sente (...)Eu que não sentia nada para mim foi um susto de repente começar a sentir...” (N.C., 61 anos, casado, quatro filhos e cinco netos, aposentado -funcionário da CHESF; médium intuitivo e doutrinador, trabalhador-voluntário do MCM)
- “E.S.L.: A princípio a gente não sabe assim dizer o que é. Então, eu fui estudar para me esclarecer. Apesar de como minha família era espiritualista, eu ouvia sempre falar sobre reencarnação, mediunidade, mas assim, na prática mesmo só quando eu comecei a trabalhar. E.: Mas você sentiu medo no início ou não?
E.S.L.L: Quando a gente começa e quando não tem esclarecimento a gente fica com um pouco de medo. Porque tudo aquilo que é desconhecido para nós, a gente fica assim. E assim, na parte de incorporação que tem coisa que eu nem lembro muito... Eu ficava ‘ai, meu Deus eu não quero incorporar’ essas coisas assim. Tem coisas que realmente eu nem lembro direito e a gente sempre brinca com isso. Porque a gente não sabe direito como vai ser e como é a reação. É tudo desconhecido, tudo novo para gente. Só com o tempo que a gente vai tendo uma adaptação e conhecimento.” (E.S.L, 51 anos, casada, um filho adulto, professora; médium de incorporação e receitista,
trabalhadora-voluntária do MCM)
- “E: Você falou que via gente seguindo na tua casa. Qual foi a tua primeira reação quando você se deu conta que era um médium? J.S.: Eu era muito medroso. Tinha um medo danado. Aí, por causa dessas pessoas me seguindo. Eu conversando com um menino: "ó rapaz, eu tô em casa de repente, tava num sei quem me seguindo." Era uma pessoa que morava com a gente e tinha falecido. E que tava me
155“2. Médiuns sensitivos, ou impressionáveis. 164. Chamam-se assim às pessoas suscetíveis de sentir a presença dos
Espíritos por uma impressão vaga, por uma espécie de leve roçadura sobre todos os seus membros, sensação que elas não podem explicar. Esta variedade não apresenta caráter bem definido. Todos os médiuns são necessariamente impressionáveis, sendo assim a impressionabilidade mais uma qualidade geral do que especial. É a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras. Difere da impressionabilidade puramente física e nervosa, com a qual preciso é não seja confundida, porquanto, pessoas há que não têm nervos delicados e que sentem mais ou menos o efeito da presença dos Espíritos, do mesmo modo que outras, muito irritáveis, absolutamente não os pressentem. Esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do Espírito que lhe está ao lado, mas até a sua individualidade, como o cego reconhece, por um certo não sei quê, a aproximação de tal ou tal pessoa. Torna-se, com relação aos Espíritos, verdadeiro sensitivo. Um bom Espírito produz sempre uma impressão suave e agradável; a de um mau Espírito, ao contrário, é penosa, angustiosa, desagradável. Há como que um cheiro de impureza.” (KARDEC, 2009, P. 217).
113 protegendo e eu não sabia o que fazer. Ele queria até que eu fosse padre.” (J.S., 69 anos, casado, três filhos (dos quais dois são médiuns); médium ostensivo de incorporação, trabalhador-voluntário da Fraternidade Peixotinho)
Medo e receio são reações comuns entre aqueles que recebem o chamamento da mediunidade. Uma razão para essas respostas decorre “não só do compromisso de envolvimento como agente religioso que isso implica, mas também pela insegurança da ideia de pôr-se à prova da experiência do transe” (PRANDI, 2012, p. 83) inicialmente através do processo de desenvolvimento mediúnico que costuma ser uma das primeiras etapas recomendadas aos indivíduos assim que a sensibilidade mediúnica torna-se um fato estabelecido.
Narrativas de doenças e distúrbios – corporais ou emocionais – que não eram solucionados pela medicina tradicional são comuns, principalmente no contexto do hospital espiritual. Ao adentrarem esses recintos pela mediação de um tratamento ou atendimento fraterno é apresentado aos futuros iniciados uma nova forma de perceber o ambiente ao seu redor, e consequentemente as situações que vivenciam:
a cura é acidental num discurso convincente e significativo que traga uma transformação das condições fenomenológicas sob as quais o paciente vive e experimenta o sofrimento e a angústia. Pode-se mostrar que a retórica reorienta a atenção do suplicante para novos aspectos de ações e experiências, ou o persuade olhar para as costumeiras características de ações e experiências a partir de novas perspectivas... Na medida em que este novo sentido compreende a experiência de vida da pessoa, a cura vai também criando para ele uma nova realidade ou mundo fenomenológico. Ao entrar neste novo mundo o suplicante é curado, não no sentido de ser reintegrado ao estado em que existia antes do surto dos sintomas da doença, mas no sentido de ser retoricamente ‘transportado’ para um estado dissemelhante tanto da realidade anterior quanto da realidade posterior à doença... (CSORDAS 1983: 346 apud GREENFIELD, 1999, p.83- 84).
O novo mundo, neste caso, é o mundo fenomenológico do Espiritismo. A partir dele e de suas explicações, as pessoas passam a entender o seu problema de saúde de uma maneira que lhes oferece conforto e alívio necessários para a cura dos sintomas. E essa mudança ocorre de tal forma que em alguns casos os indivíduos acabam se convertendo à religião espírita, ou seja, a cura religiosa também é um meio para a conversão (LEITE, 2011). Ou seja, todos os rituais realizados em instituições espíritas, 111
114 especialmente aqueles que são direcionados aos médiuns, possuem como uma de suas características a dimensão de direcionar os sujeitos a um processo de conversão que é compreendido pelos iniciados como sendo algo que ocorre de forma espontânea e autônoma.
Alguns médiuns já possuíam familiaridade com a doutrina espírita e com os fenômenos mediúnicos, sendo a sua trajetória marcada por uma iniciação menos conturbada:
- “E.: Quando tu tomou conhecimento sobre a tua mediunidade, qual foi a tua primeira reação?
V.: Na verdade, eu acho que eu já sabia. Desde pequena eu tenho visões, ouvia espíritos, então não foi muita novidade quando o médico disse que era mediunidade. Apesar de não conhecer, profundamente o que era mediunidade. Aí eu procurei estudar o conhecimento.” (V., 19 anos, solteira e sem filhos, estudante; médium de incorporação,
trabalhadora-voluntária do MCM)
- “Eu já era criança, eu já tinha mediunidade desde criança. Assim, é uma coisa muito natural. Porque a minha mãe era médium também e a gente já foi dentro de um contexto familiar normal, natural. Sempre tive vidência de sonhar, de ver as coisas que vão acontecer e uma sensibilidade muito grande. Enfim, com naturalidade.” (L., 41 anos, casada, três filhos, professora universitária e advogada; médium ostensiva,
trabalhadora-voluntária da Fraternidade Peixotinho)
- “A.J.: Eu não tive nenhuma reação não. Como eu disse a você, eu já tinha contato.
E: Você já desconfiava que poderia ter mediunidade?
A.J.: Da minha não. A do meu filho sim. Apurou meu lado artístico. Tanto que hoje, desenho e pinto os mentores da casa.” (A.J., 43 anos, casado, médium artístico, passista, trabalhador-voluntário do MCM)
Pode-se observar que nos grupos pesquisados foram relatados processos diferenciados de vocação: uns de forma natural e tranquila, outros através de problemas de saúde. Em ambos os casos, os indivíduos sentiram as mudanças advindas da sua vocação através dos seus corpos que passaram de um estado de insensibilidade para o
despertar de uma diversidade de emoções e sensações às quais não estavam
acostumados ou não concebiam uma classificação para elas – as percepções dos médiuns são todas atribuídas como advindas dos espíritos desencarnados. Ou seja, no processo de produção do médium espírita kardecista o momento da vocação é entendido 112
115 na linguagem nativa como uma situação do despertar da mediunidade já que para essa religião somos todos médiuns no lato sensu, contudo somente alguns se tornam médiuns stricto sensu.
Com relação aos pentecostais156, Maurício Junior (2014) denomina o entendimento de vocação por esse grupo religioso de “chamado”:
aquilo pelo qual foram designados por Deus para fazerem no mundo, sua participação direta no que chamam de “a obra de Deus” (“Eu tenho um chamado para...”, “Meu chamado é para...”). Podem referir- se a este chamado também como “o ministério de Deus (determinado por Deus) para as suas vidas” (“Meu ministério é...”, “O ministério de Deus para minha vida é...”)39. Quanto ao chamado para o pastorado pentecostal, foco deste trabalho, entendo caracterizar-se necessariamente pela doutrina do eleito misticamente escolhido. (MAURICIO JUNIOR, 2014, P. 48, grifo do autor).
Maurício Junior (2014) aponta que existem duas etapas nesse processo: primeiro contato, ou convocação157; e as confirmações158. Outras duas dimensões são extremamente importantes no contexto observado pelo autor: a profecia e o sonho; ambas reforçam o chamado do pastor pentecostal. A passagem da convocação para as confirmações
vai moldando as subjetividades dos candidatos, preparando-os para essa carreira, movendo-os de incertezas envolvidas em um conjunto de eventos confusos em um primeiro instante, em direção à construção de uma narrativa plena de significado, onde os pontos, outrora desconexos, já estão perfeitamente amarrados. Ou seja, que o vocacionado foi eleito, sem dúvida alguma, por Deus, para seguir o ministério de pregador da Palavra. (MAURÍCIO JÚNIOR, 2014, P. 53).
Percebe-se que a dinâmica da vocação – ou chamado – dos pastores pentecostais gira em torno de um diálogo constante (e reforçado) entre as profecias e sonhos proferidos pelos indivíduos ao construírem as narrativas. Assim como entre os médiuns espíritas, trata-se de uma trajetória bastante pessoal, que mesmo tendo pontos em comum com a de outros indivíduos são exaltadas as suas particularidades e
156
Para o modelo entre os católicos ver Souza Neto (2014).
157
“Nele o crente é, podemos assim dizer, avisado, convocado para assumir uma tarefa especial na obra de Deus.” (P. 49).
158
“...as confirmações na vida do (agora) líder pentecostal nunca cessam. Há sempre “promessas” maiores a serem alcançadas e objetivos cada vez maiores a serem cumpridos.” (P. 51).
116 comprovações. Contudo, o termo “chamado” denota no modelo pentecostal um processo de vocação que possuí como característica ser externa ao indivíduo, ao passo que o despertar no contexto espírita kardecista remete a algo que é interno, latente.
Passados os episódios de descontrole do despertar da mediunidade e do seu desenvolvimento, os médiuns recebem a prescrição de praticar a sua aptidão mediúnica da maneira considerada como correta e segura, ou seja: dentro de uma instituição espírita, nos horários pré-determinados e seguindo as recomendações e orientações recebidas durante os cursos. Ao seguir essas recomendações, o exercício de atividades mediúnicas não lhes causará nenhum desconforto nem problemas à saúde. Adentra, portanto, a fase “controlada” na qual possui o domínio dos espíritos que incorpora porque “conhece e controla o processo, mesmo estando submisso aos deuses” (REESINK, 2003, P. 99).
A semelhança entre as trajetórias pesquisadas na Fraternidade Peixotinho e no Hospital Espiritual Mª Claudia Martins se fez notória, tanto no caso em que tiveram um começo conturbado e envolvendo problemas de saúde, como naqueles em que o processo ocorreu sem ser tumultuado. Portanto, pode-se categorizar a existência de dois modelos de iniciação no espiritismo kardecista: um caracterizado pela maior tranquilidade ou menor descontrole e o outro marcado pela perturbação ou maior descontrole; sendo ambos encontrados nos dois ambientes pesquisados.