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Para que os jogos educativos sejam eficazes como métodos educacionais, devem passar por avaliação que identifique possíveis falhas e erros em sua construção e aplicação, possibilitando seu aperfeiçoamento. Segundo Cunha (2012), este tipo de jogo deve conciliar duas funções: lúdica e educativa. Para que se tenha máximo aproveitamento da atividade, são necessárias algumas ações, como motivar os jogadores para a atividade; explicitar claramente as regras do jogo; estimular a cooperação entre colegas nos jogos em grupo; estimular a tomada de decisão pelos jogadores durante o jogo; incentivar a atividade mental por meio de propostas que abordem os conceitos trabalhados na atividade; gerar um clima atrativo em torno da atividade, desafiando o jogador a raciocinar.

Aguiar (2010) desenvolveu instrumento de avaliação para jogos eletrônicos, baseado nas etapas inicias do processo de design centrado no usuário, que aborda os aspectos de especificações funcionais, exigências de conteúdo e motivação intrínseca. Destes, serão abordados a seguir apenas os aspectos relacionados a jogos reais, uma vez que o jogo abordado neste estudo (Labirinto) se trata desta modalidade.

As especificações funcionais se compõem de alguns elementos, dentre eles mecânica, metas e funcionalidade do jogo educativo. A mecânica de um jogo corresponde ao funcionamento do mesmo, alimentado por parâmetros e regras que levam a um resultado (AGUIAR, 2010). As metas do jogo são exatamente os objetivos planejados, os quais motivam o jogador a cumprir as tarefas propostas, sendo que devem estar bem claras para os participantes (NETO; FONSECA, 2013). Acerca da avaliação das metas, Aguiar (2010) propõe as seguintes questões que devem ser respondidas no processo de elaboração, a saber: 1. O jogo possui um ou mais objetivos principais que devem ser obrigatoriamente alcançados

pelo jogador para que este tenha sucesso em suas tarefas? 2. Há objetivos secundários ou opcionais que levam à resolução de um ou mais objetivos centrais?

A Funcionalidade refere-se à capacidade de um instrumento de cumprir seus fins. Para que os jogos sejam funcionais, devem proporcionar momento de lazer relacionado à ação dos jogadores. Além disso, jogos educativos devem também proporcionar de forma clara o aprendizado acerca de um conteúdo pedagógico ou desenvolver determinada habilidade. A avaliação da funcionalidade identifica, dentre outras coisas, se os componentes do jogo permitem a execução das tarefas propostas (AGUIAR, 2010).

Um aspecto a se avaliar em jogos educativos é o de Exigências de conteúdo, que se refere aos direcionamentos pedagógicos da tecnologia educativa. Dentre as exigências de conteúdo, podemos citar a coerência, informações corretas e atualizadas, características de usabilidade e ergonomia de ferramentas e materiais e acessibilidade e princípios éticos (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010).

Em relação à diretriz que se refere à observância de princípios éticos pela tecnologia educativa, esta desaprova a veiculação de estereótipos e preconceitos sociais, regionais, étnico-raciais, de gênero, de idade, linguagem ou orientação sexual e quaisquer formas de discriminação; faz menção também à doutrinação religiosa ou política, que não podem estar presentes na tecnologia, por desrespeitarem o caráter laico e autônomo do ensino público, e desaprova ainda a utilização do material como veículo de publicidade, divulgação de marcas, produtos ou serviços comerciais (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010).

Um aspecto de suma importância em um jogo é a motivação. Esta se trata das forças que atuam dentro ou sobre um organismo, que o impulsionam a fazer algo, interferindo na intensidade das atitudes, sendo que atitudes mais intensas podem ser o resultado de elevados níveis de motivação. Ela pode ainda indicar a direção específica de uma conduta, como por exemplo, executar uma ação mais cuidadosamente ou permanecer em uma atividade por um determinado período de tempo (FERREIRA; NELAS; DUARTE, 2011).

O ser humano necessita de motivação em toda e qualquer atividade a ser desenvolvida, seja esta laboral ou não, pois sem motivação o indivíduo não será movido a executar atividade alguma (LOPES; PINHEIRO, SILVA; ABREU, 2015). Desta forma, é imprescindível no processo de ensino e aprendizagem, inclusive nas diversas formas de tecnologias educacionais, pois é preciso querer aprender. Sem motivação, o indivíduo não participa de atividade educativa, e ainda que participe, não há bom aproveitamento da atividade, pois não há aprendizado.

A Teoria da Autodeterminação, de Deci e Ryan (1985) aborda o conceito de motivação e seus vários níveis, apontando a motivação intrínseca, extrínseca e a desmotivação. O Quadro 3 expõe conceitos propostos por Boruchovitch e Bzuneck (2004) e Malone e Lepper (1987), com características das motivações intrínseca e extrínseca.

Quadro 3 - Distinção entre as versões intrínseca e extrínseca da motivação no contexto de atividades educacionais.

Motivação Intrínseca Motivação Extrínseca Promoção do interesse do indivíduo Estímulos internos Estímulos externos Objetivos da atividade Fim em si mesma Obter resultados

Recompensas ou punições externas Ausentes Presentes

Relacionamento com a aprendizagem Integral Arbitrário

Fonte: Aguiar (2010).

Por meio da motivação intrínseca, a própria participação em atividade de aprendizagem atua como recompensa principal, sem necessidade de pressões externas e punições para seu cumprimento. Para Morais, Azevedo e Jesus (2014) estar motivado intrinsecamente é envolver-se na tarefa como um fim em si mesmo, usufruindo de sua realização e permitindo que as competências na sua concretização ocorram. Os estímulos externos podem potencializar também a motivação intrínseca, dando ao indivíduo maior segurança e autoestima (AGUIAR, 2010).

A hipótese proposta por Malone e Lepper (1987) discursa que os fatores intrínsecos incentivam o indivíduo por meio de atrativos motivacionais internos de forma mais intensa que os externos, e podem produzir também níveis de interesse altos baseados na atividade, através de ação espontânea ao aprendizado e aprendizado significativo, através de maior retenção de conhecimento adquirido. Dentre os aspectos que propiciam a motivação intrínseca nos jogos educativos, pode-se citar o desafio, a curiosidade e a motivação interpessoal. Ademais, a motivação extrínseca nem sempre está atrelada à aprendizagem, uma vez que depende totalmente de estímulos externos ao indivíduo, como recompensas e punições presentes no jogo.