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Solutions causales d’équations différentielles

4. Transformation de Laplace

4.4. Solutions causales d’équations différentielles

O século XX constituiu-se num grande paradoxo para a humanidade, pois progresso e miséria; desenvolvimento econômico e exploração social coexistiram, deixando suas marcas presentes como desafios para o século XXI.

Assistimos a evolução de uma sociedade industrial para uma sociedade de informação graças aos avanços científicos e tecnológicos que provocaram mudanças nas esferas econômica, social, política e cultural do mundo. Desta forma percebe-se que a globalização afetou diretamente as economias nacionais, numa ligação direta, conforme ressalta Santos (2006, p. 19):

É como se o mundo se houvesse tornado para todos, ao alcance da mão. Um mercado avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta, quando na verdade, as diferenças locais são aprofundadas. [...] Há uma busca da uniformidade, mas o mundo se torna menos unido, tornando mais distante o sonho de uma cidadania verdadeiramente universal.

As grandes transformações ocorridas graças ao extraordinário progresso das ciências e das tecnologias geraram precisão e velocidade, mas acabaram também revestindo a humanidade de sentimentos de incertezas, de temores e impotência frente aos novos paradigmas, mudando a forma de pensar e as próprias relações entre os seres humanos, uma vez que o fortalecimento do capitalismo disseminou a ideologia do consumismo e instaurou uma desenfreada competitividade com o exercício da violência, fazendo com que o indivíduo busque a todo custo vencer o outro, esmagando-o para tomar o seu lugar. (SANTOS, 2006 p.46).

Para Romão, Santos e Sena (2013, p. 18) “A sociedade maquínica é marcada por uma nova era, que em diferentes relações sociais são influenciadas e desafiadas pela expansão e penetrabilidade das tecnologias eletrônicas, informáticas e cibernéticas.”

De acordo com Santos (2006), os Estados-Nação colocam-se a disposição de interesses internacionais em detrimento dos cuidados com a população, cuja vida se torna mais difícil, pois o desemprego cresce, aumentando a pobreza, generalizando a fome e o

desabrigo, propiciando o surgimento de novas doenças e o retorno daquelas consideradas extirpadas.

Outro paradoxo está relacionado á questão da informação e da educação, pois segundo o autor, num mundo “globalizado” torna-se mais difícil a extensão da educação de qualidade e a eliminação do analfabetismo, enquanto a informação tem sido manipulada e em lugar de esclarecer, confunde; de instruir, convence.

Eis aqui o grande desafio para esse milênio: mudar os rumos desse processo e, como disse Santos (2006, p. 20) “pensar na construção de outro mundo mediante uma globalização mais humana, colocando essas bases tecnológicas a serviço de outros objetivos, de outros fundamentos sociais e políticos”.

Nessa perspectiva, Freire (1997) nos diz que não devemos tomar a tecnologia como redentora da humanidade e nem culpada por todos os males, mas que precisamos adotar um critério pautado na ética do humano em termos práticos e ver quando ela é usada para nos beneficiar (a todos) e quando ela atende aos interesses financeiros (o lucro) de uma minoria. Devemos repensar a finalidade do conhecimento científico e seu sentido para a vida humana.

Precisamos caminhar rumo a um desenvolvimento socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente sustentável. Devemos nos rebelar contra a “ética do mercado” e propor a “ética universal do ser humano”, pois não podemos aderir ao discurso sedutor e manipulador da globalização que vem causando tantos males, sofrimentos a diferentes pessoas em todas as partes do mundo.

Tomemos aqui, também, a contribuição de Morin (2011, p. 59) que nos acrescenta a observação sobre a negatividade do processo de mundialização, pelo seu efeito contrário, o de “balcanização”. Segundo o autor:

“O mundo, cada vez mais, torna-se uno, mas torna-se, ao mesmo tempo, cada vez mais dividido. Paradoxalmente, foi a própria era planetária que permitiu e favoreceu o parcelamento generalizado dos Estados-nações; de fato, o pedido de emancipação da nação é estimulado por um movimento de ressurgência da identidade ancestral, que ocorre em reação à corrente planetária de homogeneização civilizacional, e esta demanda é intensificada pela crise generalizada do futuro. [...] Os antagonismos entre nações, religiões, entre laicização e religião, modernidade e tradição, democracia e ditadura, ricos e pobres, Oriente e Ocidente, Norte e Sul nutrem-se uns aos outros e a eles mesclam-se interesses estratégicos e econômicos antagônicos das grandes potências e das multinacionais voltadas para o lucro [...]

Mediante essa análise sobre as transformações ocorridas em escala mundial no decurso do século XX, fica evidente a inquietação por mudanças e a necessidade de uma

reorganização em todas as dimensões da sociedade: no âmbito político, econômico, social, bem como nas instituições familiar e da escola.

Urge assumir um compromisso com uma educação no sentido mais amplo, onde não se conceba mais uma posição de neutralidade frente a educação excludente, fundamentada numa pedagogia da repetência e da evasão.

No contexto contemporâneo é crescente a necessidade de acesso ao conhecimento. A educação é cada vez uma exigência do cotidiano, das relações sociais de sobrevivência, de inserção e permanência no mercado de trabalho, visto que o trabalho é um elemento norteador da vida das pessoas. Conforme Belloni (2006), a sociedade contemporânea requer um novo tipo de trabalhador em todos os setores econômicos. Há uma demanda por competências múltiplas: capacidade de trabalhar em equipe de modo cooperativo e pouco hierarquizado; de aprender e adaptar-se a situações novas; de autogestão; de organizar seu tempo e definir seu próprio trabalho; de resolver problemas; de ser flexível e de assumir responsabilidades individuais e coletivas.

Seguindo essa abordagem, Bernheim e Chauí (2008) corroboram dizendo que uma das características da sociedade contemporânea é que o conhecimento assume papel central no processo de produção econômica trazendo a reflexão sobre o novo paradigma econômico produtivo no qual o fator mais importante não é mais a disponibilidade de capital, trabalho, matérias-primas ou energia e sim o conhecimento e a informação.

Esse paradigma requisita um processo educacional que promova o desenvolvimento do indivíduo, tornando-o crítico, participativo, consciente de si, de sua responsabilidade na construção de seu saber; que desenvolva as múltiplas competências e sua capacidade de solucionar problemas, que lhe permita não apenas sobreviver e integrar- se no mercado de trabalho, mas que o faça ascender socialmente, bem como lhe capacite a lutar por transformações sociais realmente significativas, que possam apontar para a (re) construção do mundo, tornando-o mais igualitário e justo.

Diante de tais discussões, é importante também uma observação em torno da questão do currículo que tem sido adotado pelas universidades. De acordo Matos Oliveira (2012, p.147):

[...] a concepção de currículo aqui exposta é a de que o currículo vai além de um conjunto de conhecimentos organizados e sistematizados, envolve também uma reflexão coletiva nas instituições escolares sobre as experiências do mundo, da vida, da cultura popular ainda não devidamente incorporadas às práticas pedagógicas. ‟O currículo oficial ao lado do real mesclam-se no espaço escolar, num processo social de conflitos e lutas, que envolve controle, poder, interesses, conhecimentos científicos, crenças, visões sociais e resistências‟ (MATOS OLIVEIRA, 2007, p.29)

Nessa perspectiva, observa-se a importância do papel da universidade, enquanto espaço de formação não apenas profissional, mas uma formação cidadã que possibilite além da construção de conhecimentos sistematizados uma consciência crítica a partir de uma aprendizagem multirreferencial. A multirreferencialidade é entendida de acordo com Macedo (2004), como o reconhecimento das práticas sociais como sendo complexas e heterogêneas, não podendo, a busca pelo conhecimento dar-se sem perspectivas de múltiplos olhares, sem a pluralidade que caracterizam a complexidade dos objetos:

[...] Fundada na perplexidade, na inquietação diante do pensamento nomotético rígido, a epistemologia multirreferencial edifica-se a partir da aceitação da irredutível complexidade da emergência humana, isto é, do seu caráter indexal, opaco, reflexivo, temporal, molar, ideográfico, insuficiente, contraditório e eminentemente relacional. [...] A epistemologia multirreferencial abre-se à pluralidade das referências, à alteridade, ao multiculturalismo, às contradições, ao dinamismo semântico da práxis, às insuficiências e emergências, para não perder o homem e sua complexidade, anulados na deificação da norma científica lapidante. (MACEDO, 2004, p. 94)

Nessa perspectiva de uma educação formal substanciada na compreensão de sujeito como ser multirreferencial e complexo que se entende que o conhecimento produzido na instância acadêmica precisa ser divulgado, difundido de modo que possibilite àqueles que estão à margem dessa formação pelas diversas dificuldades, acesso ao saber sistematizado. Nessa abordagem, surge uma necessária e já discutida questão da gestão social do conhecimento pelas instituições formais de ensino. Essa temática é bem discutida por Sousa e Pimenta (2012, no artigo intitulado “Nas Trilhas do Sentido da Gestão do Conhecimento”:

[...] A gestão (formação) do conhecimento de uma instituição é resultado de um processo histórico e político na qual concorrem diferentes influências por meio daquelas da participação dos trabalhadores. Essas influências (condição) não podem ser negadas, sobretudo quando se trata de gestão do conhecimento, o que supõe uma educação, aprendizagem e desaprendizagem [...] Sob o desígnio de uma lógica pseudo-democrática se nega a (co)laboração enfatizando a conquista implicando em transformar o outro em coisa, a educação em mercadoria; impõe-se a divisão dos trabalhadores/estudantes pela qualificação/capacidades e competências em lugar da união e do esforço dialógico pela multirreferencialidade, interdisciplinaridade e acolhimento da interferência cultural advindas na mediação com os sujeitos; impõe- se a manipulação como condição indispensável ao domínio do conhecimento, do outro, da coisa;cujo método é a penetração cultural freando a criatividade, inibindo a expansão e incidindo sobre a estrutura social do processo permanência-mudança. (SOUSA; PIMENTA, 2012, p.14)

Inferimos que nessa perspectiva da formação multirreferencial, a Universidade Federal da Bahia – UFBA tem assumido um posicionamento de mudanças, a exemplo dos cursos de graduação na modalidade de Bacharelados Interdisciplinares e na pós-graduação,

a implantação de um doutorado que almeja a formação de sujeitos analistas cognitivos, o Doutorado Multi-Institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento.

Os cursos de Bacharelados Interdisciplinares – BI foram implantados a partir de 2009. Essa modalidade de graduação oferece aos estudantes a possibilidade de interação e integração com as diversas áreas dos saberes, de modo que sua formação seja mais ampla, contextualizada com as demandas da sociedade contemporânea. Os cursos compreendem as grandes áreas como: Artes, Ciência e Tecnologia, Humanidades e Saúde. Os cursos são oferecidos pelo IHAC – Instituto de Humanidades, Artes e Ciências.

A proposta do BI inova e tem a intenção de uma formação de graduação que integre os diversos saberes das diversas áreas, podendo o estudante ao final dessa formação mais geral, partir para uma área específica do conhecimento condizente com suas habilidades e competências. Almeja a formação plena do sujeito social, não apenas em termos de instrução técnica para o mercado de trabalho, mas uma formação multirreferencial e humanística. Porém, o processo de implantação desse formato de ensino na graduação não se deu sem conflitos e confrontos aos ideais pré-estabelecidos e ainda enfrenta desafios em sua estruturação.

Em termos de pós-graduação, nesse contexto, destacamos a proposta de formação dos analistas cognitivos no curso de Doutorado Multi-Institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento, que tem em sua essência, de acordo com as palavras do professor Dante Augusto Galeffi (na aula inaugural de 2016), o anseio de uma formação para a transformação, pois “estamos em desequilíbrio mental, intelectual, social, ambiental e espiritual.” (GALEFFI, 2016). Diante desse desequilíbrio, o autor nos convida a uma urgente e necessária ciência do Educar, ou a uma Epistemologia do Educar. Essa epistemologia do Educar necessita dar conta do ser humano em suas múltiplas possibilidades: biológicos, sociológicos, psicológicos, etc. (GALEFFI, 2011, p.178). A Epistemologia do Educar se funda na consideração do autoconhecimento. ”Autoconhecimento é um movimento de retorno a si mesmo como fluxo continuo da dobra ser-mundo-outro.” (GALEFFI, 2011, p. 186).

Compreendemos que a Epistemologia do Educar sinalizada por Galeffi (2011) sugere um processo que vai além do ensinar/aprender conteúdos que se repetem nas salas de aula, anos a fio, no intento de uma formação técnica e profissional, mas que abrange uma concepção de formação integral do ser humano. E nessa perspectiva, trazemos a indagação de Romão, Santos e Sena (2013, p. 18):

[...] É possível um bom ensino sem uma boa educação?Educação e ensino se aproximam, e até se embolam, mas não perdem suas peculiaridades. Não é possível, todavia, encontrar seu lugar no mundo e aprender a lidar com ele fora do ensino. O ensino é porção de um processo maior. Importa não descuidar das pétalas que o constitui.

Concordamos com a citação acima, acreditamos sim que “o ensino é porção de

um processo maior” e desse modo, buscamos analisar o que as universidades têm feito para romper com seus muros e se aproximar das comunidades, buscando um imbricamento dos diversos saberes. Aqui, trazemos como exemplo dessa aproximação, o Projeto de Turismo de Base Comunitária – TBC do Cabula e entorno.

O conceito de Turismo de Base Comunitária que norteia o projeto, o compreende como uma articulação e organização da comunidade para promover o turismo de áreas populares, buscando distanciar-se do modelo convencional de turismo. Desse modo:

Compreendemos o turismo de base comunitária como uma forma de planejamento, organização, autogestão e controle de participativo, colaborativo, cooperativo e solidário da atividade turística por parte das comunidades, que deverão estar articuladas em diálogos com diversos setores público e privado, do terceiro setor e outros elos da cadeia produtiva do turismo, primando pelo benefício social, cultural, ambiental, econômico e político das próprias comunidades. (SILVA et al. 2012, p. 11)

O referido projeto tem buscado construir com as comunidades próximas á Universidade do Estado da Bahia – UNEB, novos caminhos para o desenvolvimento local de forma sustentável, apresentando o potencial produtivo dos bairros populares, a partir da proposta de turismo de base comunitária e economia solidária. O projeto integra as comunidades dos bairros de Arenoso, Beiru/Tancredo Neves, Cabula, Doron, Engomadeira, Estrada das Barreiras, Arraial do Retiro, Fazenda Grande do Retiro, São Gonçalo do Retiro, Mata Escura, Narandiba, Pernambués, Resgate, Saboeiro, Saramandaia, Sussuarana, Sussuarana Velha, Novo Horizonte, que é considerada a área do Antigo Quilombo Cabula, bem como algumas escolas da Rede Estadual de Ensino, abrindo espaço para a formação de jovens pesquisadores já a partir do ensino médio.

Almejando uma sintonia com a proposta do doutoramento em Difusão do Conhecimento, com o pensamento dos autores apresentados, imbricada nos ideais do TBC, a proposta de tese que aqui se constrói, se delineia, denominada Educação Praxiofônica, intenta contribuir com uma proposta de programas de rádio, de um design pedagógico sócio-construtivista para o uso dessa tecnologia de comunicação no âmbito da escola pública, de modo que possa contribuir para aproximação não só das relações entre professores e alunos nesse espaço escolar, mas também da conexão com as instituições de ensino superior, visando a uma aproximação das produções acadêmicas com as produções

escolares e das comunidades, tornando-se espaço (a rádio-web) de divulgação dessas produções.

Acreditamos que as universidades precisam romper os muros e se fazer presentes nas comunidades a partir de projetos de extensão ou através do potencial das tecnologias de informação e comunicação, a exemplo, o rádio, a fim de contribuir com os processos de acesso aos meios de produção e construção do conhecimento, amenizando os sintomas da alienação intelectual e social e da ideologia marcadamente capitalista, voltada para o consumo e deteriorização das relações interpessoais e ambientais.

Faremos na seção a seguir uma análise dos conceitos de alienação intelectual e social da ideologia que marcado o uso das tecnologias de informação e comunicação na sociedade brasileira, trazendo implicações ao processo de divulgação das informações e consequentemente, na construção do conhecimento.

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