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: UNE SOLUTION ADAPTEE ?

É interessante (ou assustador?) notar que atualmente, até mesmo o tempo livre e de lazer é travestido em momentos de consumo. O brinquedo de hoje não vem de um desejo da criança, é um objeto de necessidade voltado para a satisfação, servindo como um instrumento da lógica capitalista, que visa manter as crianças em uma demanda infinita, enchendo as prateleiras de brinquedos, mas não sabendo mais brincar com os mesmos.

E em nossa sociedade contemporânea, globalizada e capitalista, como se coloca essa relação da criança com seu brinquedo? Como se manifesta o brincar infantil, compreendendo a importância da fantasia e da simbolização na apropriação da criança, tanto de mundo externo, bem como para a organização de seu mundo interno?

Basta perceber o comportamento de uma criança indo às compras, para identificarmos o lugar que essa fase da vida ocupa no sistema. Mesmo ficando pouco tempo na frente da televisão, conhecem os slogans e identificam para que fim seja tal produto, independente deste ser destinado para crianças ou não. Geralmente, assistem canais de desenhos, porém, os intervalos são entupidos de produtos dirigidos para crianças: bonecos, roupas, calçados, comidas, e os novos objetos de desejo dos pequenos: eletroeletrônicos. É muita informação, tudo ao mesmo tempo.

Na minha infância, assistia na televisão a um programa infantil onde as crianças podiam ligar e ganhar prêmios na roleta de brinquedos. Esse programa ainda é transmitido e acontece com a mesma programação de tantos anos atrás. O que mudou foram os prêmios da roleta: agora são apenas prêmios em dinheiro e aparelhos eletrônicos. Além de ser uma estratégia de publicidade das corporações, são esses os objetos que interessam aos pequenos. As crianças já nascem em meio a dezenas de aparelho e sistemas, que se reciclam a cada dia e influenciam diretamente em suas vidas. Brincam, principalmente de explorar computadores, celulares, dispensando o uso do manual. Gostam de desenhar ou pintar na tela do computador. Muitas vezes, o primeiro contato com as letras do alfabeto são no teclado do computador ou tablet. Nessas brincadeiras:

A criança é privada do prazer de brincar inventando, de criar encenando ao acaso, ficando então fixa, imóvel, estática, enquanto o objeto é que se movimenta, age, fala, canta, brinca e faz por ela (LEVIN, 2007, p. 25).

Como escreve Levin (2007), os primeiros brinquedos não foram planejados e construídos por fabricantes especializados. Não eram artigos em série. Os brinquedos eram adaptáveis as diferentes faixas sociais. Surgiram de diferentes

profissões: o marceneiro com seus carrinhos de madeira, da costureira com a boneca de olhos de botão... Falando em bonecas, no brincar a menina pode colocar em cena sua capacidade materna ao cuidar do “pequeno bebê”. Porém, hoje isso já não é uma certeza. Já foram criadas bonecas com tamanho e peso de um bebê real, outras até maiores que a criança, e a propaganda ainda anuncia: “aqui você encontra uma amiga para todas as horas”, enquanto mostra cenas de meninas felizes que passeiam com suas “amigas bonecas falantes”.

Segundo Levin (2007, p. 23-4):

No início da década de 1930, começa a conceber-se o brinquedo como material didático programado, com o objetivo de executar atividades aplicáveis a qualquer criança de uma determinada idade à qual corresponde um desenvolvimento supostamente “harmônico” e equilibrado. Com isso, a criança e o brinquedo são “padronizados” [...]

Ao mesmo tempo em que causa estranheza, não deixa de dar aos pais, certa “segurança” ao comprar um brinquedo adequado para a idade de seu filho. Os pais buscam por produtos que além de serem testados por órgãos responsáveis e acompanharem manual de instruções uso, desenvolvem as habilidades que determinada faixa etária tem de ter. Não basta brincar, tem que aprender e desenvolver. Assim, o brinquedo adquiriu estatuto pedagógico.

Levin (2007) também faz considerações acerca do brinquedo vendido como objeto transicional. Esses objetos são planejados e construídos a fim de encantar a criancinha e facilitar a criação de vínculo, por isso, são macios de apertar, bonitinhos, fazem sons de bebê. Sendo tomado como objeto de consumo, dissolve- se o conceito trazido por Winnicott, de que é a criança quem escolhe seu objeto de carinho, e que este é um objeto particular e singular, neste momento é a essência criativa da criança que inventa seu objeto de identificação.

Os pais querem sempre dar o melhor para seus filhos, e com as facilidades de compras presentes em nossa sociedade, esse querer fica mais fácil de ser alcançado. Dificilmente vemos um produto que venda um atributo puramente material: a publicidade atual vende atributos intangíveis, valores que muitas vezes

correspondem às nossas lacunas subjetivas. Então num anúncio de carrinho de controle remoto veremos a diversão e felicidade vivenciada pela família sentada no tapete da sala ao redor do brinquedo. E é isso que a criança quer (e necessita): a diversão em família e não, necessariamente, o objeto anunciado. Atualmente, a brincadeira em família no chão da sala se caracteriza como de mais difícil acesso do que o objeto caro na prateleira da loja.

Não precisamos de pesquisas para concluir que nas últimas décadas, a televisão aberta firmou-se como o principal veículo de comunicação de massa em nosso país. Dificilmente encontramos famílias que não tem ao menos um aparelho de televisão; se bem que, ultimamente, a sala acomoda uma TV, a cozinha também, assim como os quartos da casa. Na grande maioria do tempo, o aparelho está ligado. É como se existisse outra pessoa dentro de casa. Porém, ninguém questiona qual o caráter desta “pessoa”, se as informações que ela transmite são úteis ou abusivas, é preciso pensar sobre a ética que está por trás das propagandas, principalmente quando se trata de crianças.

A solidificação dos serviços de televisão foi acompanhada pelo aperfeiçoamento das técnicas publicitárias de convencimento e sedução do telespectador, para induzi-lo a adquirir os bens e serviços anunciados pelos meios de comunicação. É notável que o avanço da TV colaborou para o desenvolvimento das indústrias publicitárias, entretanto, a veiculação indiscriminada de anúncios comerciais tem causado sérios problemas para a sociedade brasileira.

Isso se refere, principalmente, á população infantil de nosso país. Aproveitando-se da influência das crianças sobre as escolhas de consumo das famílias, muitas agências de publicidade focam o público infantil como principal alvo de suas campanhas, causando uma situação de pressão moral sobre os pais, que se veem coagidos a comprar produtos considerados desnecessários.

A publicidade foca nas crianças porque, como é dito no documentário Muito

Além do Peso (2012), dirigido por Estela Renner, “o hábito as acompanha para

sempre”. Assim, as grandes corporações produzem consumidores insatisfeitos, que querem consumir cada vez mais. Se o produto tem uma boa propaganda os pais compram. Porém, logo o produto não irá mais despertar o interesse. Nesse

momento, já há outra propaganda que irá encantar a criança. Com o auxilio publicitário busca-se enfraquecer a capacidade de fantasiar dos pequenos, pois a TV passa a fantasiar pela criança.

A TV antecipa o desejo da criança ou adolescente. Conteúdos transmitidos na televisão são parte do mundo de desejo das crianças. Caracterizam-se como modelos de identificação no plano do ser criança ou ser adolescente.

Os publicitários buscam especializar-se em conhecer as especificidades de seu público alvo: o que gostam, sobre o que se queixam, quais seus modelos de identificação, qual a linguagem utilizada, afinal, a criança ou jovem de hoje não é a mesma que ele foi um dia. Visam encantar, proporcionar um sentimento de satisfação e alegria ao consumidor. Como o slogan da Coca “abra a felicidade” acompanhado de imagens iluminadas e coloridas, pessoas bonitas e sorridentes, fazendo coisas agradáveis com seus amigos ou famílias.

Além disso, o documentário Muito Além do Peso (2012) propõe que há uma relação direta entre obesidade e número de horas de TV/computador/games. Dessa forma, a criança não se movimenta, não brinca, exercita somente os dedinhos, além disso, tem de assistir as propagandas publicitárias que vendem alimentos e serviços, através da promessa de dar a criança um brinquedo – “brinde”.

Hoje, estima-se que as crianças gastam mais horas assistindo televisão, do que dentro da escola. Para Moraes (1999, p. 176):

A frequência e o tempo de exposição das crianças à TV já definem, por si só, o importante papel da televisão no processo de socialização da criança e na adoção de modelos de comportamento e princípios morais. Nesse sentido, a televisão concorre diretamente com a escola.

A obesidade é apenas mais uma das vulnerabilidades a que as crianças, carentes em recursos de defesa, estão expostas em nossa sociedade, que visa sempre estimular o excesso. Excesso de objetos. Excesso de comida. Excesso de afazeres.

Além de ser um dos grandes alvos do sistema, a criança também é afetada pela debilidade do representante paterno, seja o pai de família ou o professor. Na medida em que, houve a “invasão da família pelos meios de comunicação de massa e pelos agentes de paternidade socializada alterou a qualidade das relações entre pais e filhos, dificultando a formação de identificações psicológicas fortes da criança com seus genitores” (GURSKI, 2008, p. 12).

Frente a essa nova perspectiva social, em suas funções, a escola também sofreu modificações. Como dispositivo social, suas tarefas vão além, abrangendo mais do que somente o conhecimento formal. Hoje, em suas atribuições, está trabalhar dimensões do desenvolvimento das crianças, que antes se entendia como ofício da família: emocional, valores, encaminhamentos para outros profissionais. Á escola atual cabe transmitir aspectos físicos, psicológicos e sociais.

Nesse sentido, aspectos privados firmam-se como atribuição do espaço público. Dessa forma, altera-se o lugar da transmissão e a própria forma de viver o social. Dissipam-se identidades e as próprias especificidades de ambas as instituições: família e escola. Foi no movimento de acolher as demandas excessivas da família, que a escola passou a tomar para si atribuições desta em conformidade com a legitimidade social (GURSKI, 2008).

Mudanças sociais como a entrada da mulher no mercado de trabalho, as novas configurações familiares e a criação de escolas de tempo integral, vieram a reforçar este retrato. Verdi (2006, p.103-4) ainda acrescenta:

Este nosso tempo, caracterizado pela virtualidade, pela alta velocidade, pela simultaneidade, pela pluralidade e pela relativização dos saberes, estaria produzindo suas marcas sobre a subjetividade, denunciando impropriedades dos fundamentos da instituição escolar e trazendo novos desafios à educação.

Nesse movimento de “transferência de funções” (GURSKI, 2008, p18), ou seja, de responsabilizar a outros órgãos sociais, funções tradicionalmente representadas e operadas pelo grupo familiar. Assim, a educação das crianças

deixou de ser atribuição da família, necessitando do suporte de saberes especializados, contribuindo para o enfraquecimento do saber paterno.

Para Gurski (2008, p. 19):

[...] se a modernidade trouxe a instituição escolar como forma de fazer a transmissão de aprendizagem às crianças, a república, por sua vez, instalou o estado na regulação dos direitos da criança, subtraindo da família e dos pais a dose de livre arbítrio sobre os filhos. Nessa onde de desapropriação do saber paternal, [...] o entendimento era de que os pais precisavam ser educados, pois, sozinhos não poderiam fazer-se cargo da educação das crianças.

Consequentemente, outros campos passaram a “entrar” na família. O saber científico prometeu respostas e soluções para todos os problemas enfrentados pela família no percurso da educação das crianças. No saber científico, geralmente, encarnado na figura do médico, a família deposita imensa confiança. A escola encaminha seus alunos para diferentes áreas da medicina, na intenção de encontrar respostas para seus problemas.

Muitas vezes, o saber dos pais sobre seus filhos é conferido ao saber científico, mas também a instância judicial intervém com força e inflexibilidade na relação entre pais e filhos. Apresentam-se como exemplos órgãos como o Conselho Tutelar, diretrizes como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei da Palmada, e planos sociais como o SUS e Bolsa Família. Estas leis e estatutos orientam os pais sobre suas responsabilidades e competências, seus deveres como pais. A paternidade passou a ser operada pelo Estado e pelo campo da saúde.

Nas sociedades tradicionais o lugar paterno era inquestionável, neste novo retrato social, as ações paternas passam a ser reguladas por dispositivos sociais. Sabemos que tais instituições são administradas por carimbos e siglas, não há quem assine com nome próprio e sobrenome. A transmissão funcional ganhou status de legítima, porém, esse “dever” não é mais encarnado por um sujeito, a lei impõe-se por si, não tem mais autoria, o que resta é o anonimato. O saber paternal foi perdendo sua tradicional soberania e autoridade para domínios públicos. O bem-

estar que tem valor não é o do sujeito, mas a satisfação da sociedade como um todo.

A Psicologia também tem seu papel nesse percurso, pois passou a estabelecer parâmetros para o desenvolvimento saudável e para a compreensão da infância, questionando as estratégias pedagógicas e sua demanda por especialistas (VERDI, 2006). Se antes era a família que se encontrava na ação de transferir funções, atualmente a escola (en) caminha na mesma direção.

Procurando soluções para suas interrogações, a escola foi se modificando ao longo dos anos: cercou-se de outros saberes, debateu métodos, traçou novos planejamentos e missões. Tais mudanças além de serem necessárias para uma adaptação às mudanças sociais são, também, uma forma de falar sobre suas próprias insuficiências. Afinal, a associação entre conhecimento e disciplina não produziu o sucesso esperado, dado que, a aprendizagem não foi possível a todos.

Como coloca Verdi (2006, p.106):

Cada vez que indicadores de suas carências, tais como dificuldades de aprendizagem, reprovações e abandonos, ou de seu descompasso em relação às expectativas sociais tornavam-se evidentes, revelando sua falibilidade no cumprimento do objetivo de preparar os indivíduos para ocupar seu lugar na vida em sociedade outras fórmulas e discursos eram buscados, sem, contudo, deixar de lado a pretensão de manter o monopólio sobre a educação.

A queixa é de que as famílias responsabilizam a escola na tarefa de educar seus filhos. Para Verdi (2006), é necessário admitir que a escola se ofereceu, quando anunciava propostas de educação em tempo integral, educar para a vida e lidar com qualquer dificuldade que aparecesse no percurso rumo ao sucesso. Prometeram trabalhar considerando a singularidade, necessidade e ritmo de cada sujeito. Apesar disso:

Num certo momento, até os movimentos espontâneos das crianças e adolescentes passaram a ser mais valorizados do que a disciplina, situação para a qual a escola, por natureza, devido aos pressupostos de sua organização, não tem efetiva aptidão. (VERDI, 2006, p. 108)

Durante este percurso, a família foi reivindicando tudo que lhe foi oferecido. Os pais cobram, segundo a satisfação dos filhos com as atividades escolares e com os resultados em termos de sucesso no mercado de trabalho e acadêmico em curto prazo de tempo. Identifico esse questionamento no discurso da escola que realizei meu estágio em processos educacionais durante o ano de 2014: O que cabe a escola na educação das crianças? O que é papel da família? Há situações em que frente ao fracasso dos filhos na aprendizagem, os pais sentem-se desobrigados da responsabilização. Apontam como origem única a escola. Esses pais compreendem ser papel da escola e somente dela a alfabetização e educação das crianças. Queixam-se dos momentos que tem de auxiliar os filhos nas atividades e leituras de “tema e ainda questionam essa prática. As carências que produziram essa dificuldade no percurso escolar da criança são apontadas como fracasso da professora.

Mas também há situações em que os pais pensam ter o único saber sobre os filhos. Querem “ensinar” a professora e a escola a “lidar” com sua criança. Somente eles conhecem e podem transmitir o saber sobre aquele sujeito. Nesses momentos em que o saber encontra-se do lado das famílias, a escola questiona esse pertencimento. Não há como negar, algumas crianças desde bem pequenas passam a maior parte de suas horas semanais no espaço escolar. Uma vez que, de fato, é pouco o tempo que os pais dispõem para o convívio cotidiano, carências afetivas produzidas por essa ausência familiar refletem no espaço escolar.

Está afirmado social e culturalmente, que a escola deve preparar para a vida, entretanto, não é permitido a ela o privilégio de ser prioritária na relação com a vida “particular” da criança e seu grupo familiar. Família e escola, ambas são instâncias educativas, contudo, há dificuldade de compartilhar saberes.

Esse fracasso da escola pública é reflexo desta imensidão de possibilidades. Corso (1997) chama atenção para a passividade e conformidade que recai sob aqueles que têm condições econômicas de pagar o ensino dos filhos. Segundo a autora, existe uma “necessidade de pagar pela educação dos filhos” (CORSO, 1997, p.173). Quanto mais possibilidades, melhor. Essa posição monta o cenário que vivenciamos em nossos dias: crianças com agendas. Crianças freqüentando as mais diversas atividades, desde que estas venham acompanhadas de palavras como

“curso”, “aula”, “escola”, “reforço”. Refletindo um movimento de terceirização bem- sucedida, pois pagam por esse “serviço”.

O lazer e o brincar, muitas vezes, não são considerados. Apesar de que, as crianças divertem-se nessas atividades, os pais pagam para oferecer aos filhos possibilidades maiores de sucesso. Busca-se fortalecer o potencial dos jovens com recursos que o farão vencedores nessa sociedade competitiva que deixa a margem os mais frágeis.

Enquanto isso, a escola vem buscando se modificar. Acomodar em seus projetos pedagógicos as mudanças trazidas pela modernidade, para melhor responder às demandas das famílias e da sociedade. Procura abranger em seu espaço profissionais especialistas e tecnologias que possam suprir essas carências. A tecnologia entra na escola. Os alunos e seus pais passam a ser vistos como clientes que devem ter suas demandas satisfeitas.

“Outras saídas precisam se desenhar” (VERDI, 2006, p. 110). É importante que tanto a escola, como os pais reflitam e suportem o não-saber sobre a subjetividade que vem se estruturando. Escutar esses novos sentidos, significa-los para criar novas possibilidades que tragam a luz, novos caminhos.

Para Corso (1997, p.173): “O fracasso da escola pública é testemunho deste oferecimento de uma tão grande gama de possibilidades [...]” A família “dividindo” responsabilidades sobre sua formação moral e emocional do filho, com outros saberes, acaba produzindo um “empobrecimento da experiência relacional” (GURSKI, 2008, P. 25). É importante que a criança encontre nos pais a combinação de amor, mas também de retenção. Através da não-intervenção paterna, é poupado o ato de educar.

Corso (1997, p. 171) trabalha sobre o conceito de “parentalidade envergonhada”. Hoje, os próprios pais enfrentam um desinteresse por coisas do mundo adulto. “Ser adulto é cansativo”. “Ser adulto é chato”. Parecem não ter caminhos a apontar para a próxima geração. Assim, os desejos parentais acabam ocultados para seus filhos.

Para o autor, esse desejo está encoberto aos próprios pais. A marca da herança geracional, operada pela função paterna já não deixa traços fortes como na geração passada. Podemos refletir sobre o momento que os filhos questionam seus pais sobre o futuro, sobre qual profissão escolher e, os pais não se posicionam como antes. Eles dizem “procure por aquilo que você desejar, busque o que te traz felicidade”. Apresentam uma “[...] ausência de opinião. Sabemos o quanto oferecer tudo, equivale a não dar nada” (CORSO, 1997, p. 172).

Não é mais proporcionado a criança um espaço diferenciado na sociedade. Hoje as crianças têm acesso a tudo. Têm direitos. Podemos citar sobre a importância da televisão nessa situação. São poucos os pais que controlam o tempo que as crianças passam na frente da tela. O nível de controle aumenta quando nos referimos ao conteúdo, ou seja, em relação aos programas e filmes assistidos (MORAES, 1999). Quanto menos idade tem a criança, mais controle os pais possuem. À medida que vai crescendo, o sujeito vai adquirindo mais independência para assistir o que deseja. Chama atenção que os filmes mais vigiados sejam os de sexo, porém as cenas de violência, com tiros, socos e sangue não preocupam os pais, assim como os filmes de terror. Qual a realidade que vivemos na sociedade hoje? Basta ler o jornal para compreendermos o nível que a violência adquiriu atualmente, ela já não assusta tanto, como se a ameaça e o medo já fossem parte integrante do nosso cotidiano.

Mas as crianças, principalmente as menores, vivem assombradas por medos, frustrações e perdas. Diferente de outras épocas, a TV já não apresenta mais um único herói como todo poderoso. Uma figura salvadora que garanta que a criança poderá crescer a salvo de todos os males do mundo. Para as meninas

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