A unidade de análise em estudo centra-se num Hospital Central dos Serviço Nacional de Saúde, Hospital E.P.E., com trinta anos de existência sendo uma referência na região onde se encontra, servindo uma população residente de cerca de 253 mil pessoas, podendo este valor populacional duplicar ou triplicar sazonalmente.
Dotado de todas as valências básicas e complementares que permitem ajustar a sua classificação no nível II de diferenciação da Carta Hospitalar, constitui-se como um Serviço Público instituído, organizado e administrado a pensar na população e na prestação de cuidados médicos diferenciados a doentes agudos. O Hospital em análise é um hospital público, com características de hospital central, cuja finalidade é, segundo dados da sua missão, elevar a qualidade dos cuidados de saúde prestados à população e satisfazer as necessidades e expectativas dos seus utentes mediante a prestação de serviços de saúde especializados. Para isso assumem como vectores principais de actuação o desenvolvimento da melhoria contínua nos seguintes domínios: A motivação e o desenvolvimento profissional das pessoas que trabalham no hospital; A eficiência e o equilíbrio financeiro da gestão; A contribuição para a melhoria do Sistema Nacional de Saúde, pela cooperação e coordenação com outras organizações deste sistema.
O Hospital encontra-se actualmente a implementar o Modelo de Excelência da European Foundation for Quality Management (EFQM), que segundo Dommartin (2000), Director-geral da EFQM, deve assentar em metodologias de Gestão da Qualidade Total. O modelo de Excelência é uma ferramenta da autoria da EFQM (European Foudation for Quality Management ), fundada em 1988, que tem como objectivo monitorizar um conjunto de conceitos fundamentais relacionados com a qualidade explícitos no modelo, num sistema de gestão estruturado, que integra, na sua filosofia de gestão, o conceito de qualidade total e que pretende proporcionar uma linguagem de gestão e ferramentas comuns. Têm como missão conduzir as organizações, através da partilha de boas práticas, a um nível de desempenho excelente, tendo como base uma visão do mundo, no qual as organizações, de qualquer dimensão, instituições públicas ou privadas ou
C ap ítu lo 4 : M ET O D O LO G IA 67 mesmo organismos governamentais, possam apostar na excelência sustentável e obter êxito (Lopes e
Capricho, 2007)
O Hospital em estudo apresenta mais de 500 camas de internamento, no âmbito do tratamento das doenças cardiovasculares o Hospital encontra-se apetrechado com uma moderna Unidade de Hemodinâmica e uma Unidade de Acidentes Vasculares Cerebrais (UAVC), com 5 camas de internamento. Particularmente neste aspecto há a considerar o facto dos doentes com diagnóstico de AVC poderem seguir uma Via Verde (Via Verde AVC) que responde com a prontidão e urgência que o caso assim o exige. Os doentes poderão então ser internados, em termos agudos na UAVC e posteriormente em Serviços de Internamento da Medicina Interna, Neurologia, Neurocirurgia, ou esporadicamente outros. De salientar, o facto de ao Hospital estar agregada uma equipa de Gestão de Altas e Unidade de Convalescença, que engloba a Rede de Cuidados Continuados.
Em termos estatísticos, a UAVC, do Hospital em análise apresentou entre os meses de Janeiro a Maio do presente ano uma média de 53,6 doentes por mês, o mínimo por mês foi de 47 doentes internados e o máximo de 60 (fig. 7).
Na mesma linha de reflexão, comparando o número de doentes da UVAC trados pela Fisioterapia a média de doentes tratados no mesmo período foi de 39, onde se registou um mínimo de 31 e um máximo de 47 (fig7). Assim comparando, a taxa de doentes tratados pela Fisioterapia em relação aos doentes internados (fig.8) , a média é de 72,6%, o que pode evidenciar uma forte intervenção da Fisioterapia nesta unidade.
fig. 8. Taxa de doentes tratados em Fisioterapia em relação aos doentes internados na UAVC entre os meses de Janeiro a Maio de 2010 Fonte: Hospital em análise
%dtintenados/dts tratados 0 10 20 30 40 50 60
Jan Fev Mar Abr Mai
Dts Internados Dts Tratados
fig.7. Número de doentes internados na UAVC e número de doentes tratados pela equipa de Fisioterapeutas entre os meses de Janeiro a Maio de 20101.
C ap ítu lo 4 : M ET O D O LO G IA 68 Em particular este estudo centra-se no Serviço de Medicina Física e de Reabilitação (SMFR), do mesmo
Hospital. Este Serviço constitui-se por diferentes profissionais, Fisiatras, Fisioterapeutas, Terapeutas Ocupacionais e Terapeutas da Fala, estes diferentes profissionais englobam Departamentos distintos, apresentando os terapeutas individualmente, um Coordenador Técnico, ao qual responde a um Director de Serviço, de área de especialidade médica. Numa perspectiva hierárquica o Director de Serviço subordina-se ao Director Clínico e ao Conselho de Administração.
População Questionários distribuídos Questionários obtidas
Director de Serviço 1 0 0 Médico Fisiatra 7 3 3 Fisioterapeuta 8 7 6 Terapeuta Ocupacional 8 8 6 Terapeuta da Fala 1 1 1 Total 25 19(76%) 16(70%/84%) Sexo Feminino 14 11 8 Masculino 11 8 8
Assim, a população -alvo deste estudo são os profissionais de saúde que trabalham directamente no SMFR, tentando abranger todos os profissionais, independentemente da cadeia hierárquica que realizem a sua intervenção com o utente de AVC, nas mais diferentes Unidades de Internamento. A população, em termos globais é constituída por 25 profissionais, numa estimativa que se constrói segundo os profissionais que mais habitualmente intervém com os doentes de AVC (Quadro 2).
Quadro 2. Distribuição da população - alvo, relação de questionários distribuídos e obtidos de acordo com o grupo profissional e género
Distribuição da população - alvo em relação ao grupo profissional e género
Fonte: Estimativa da população alvo e contagem dos questionários distribuídos e recolhidos, dados do autor
C ap ítu lo 4 : M ET O D O LO G IA 69 Obteve-se 70% das respostas possíveis, com uma taxa de resposta de 84%, sobre os questionários
distribuídos. A diferença entre a população e aos questionários obtidos deve-se a situações de férias ou ausência do serviço, bem como ao facto de se ter estipulado um período para a entrega dos mesmos. A relação mais evidente de distorção dos resultados obtidos face à população existente diz respeito ao grupo profissional médico e ao director de serviço. Em relação à distribuição dos questionário aos médicos, deparou-se com a dificuldade que a maioria dos médicos identificados como alvo, encontram-se em regime de internato, mudando com frequência o serviço de internamento bem como o sítio de estágio. Assume-se desde já o erro da não distribuição do questionário ao Director de Serviço. Este deveu-se ao facto do actual director de serviço se encontrar em regime de delegação de competências, sendo o mesmo da área Pediátrica, sendo por questões de ordem técnica, de difícil acessibilidade.
O questionário na sua versão final (Apêndice II) foi aplicado aos grupos profissionais já mencionados, após autorizado do órgão de gestão do hospital em análise (Conselho de Administração) e comissão de ética do mesmo, e após conversa pessoal informal com o Director de Serviço e Coordenadores Técnicos, no sentido de informar o propósito do mesmo e a forma como iria ser realizada a recolha dos mesmos. Optou-se por entregar os inquéritos pessoalmente, uma vez que pela extensão e complexidade do mesmo, considerou-se que seria importante envolver e motivar os participantes desde inicio, para compreenderem os objectivos da proposta. No entanto para garantir que os respondentes não sentissem coagidos a responder, sentido o anonimato das suas respostas invadido, optou-se por criar um local, independente de qualquer profissional, onde os respondentes pudessem colocar os seus inquéritos sem constrangimentos. Assim, foi colocado uma caixa de respostas, no local administrativo do serviço e marcado um período de duas semanas para responder.
Pode-se observar no Quadro 3 que a amostra é constituída por 16 profissionais, distribuídos de igual forma por género e com uma distribuição por grupo profissional de 18,8% médicos, 37,5% fisioterapeutas, 37,5% terapeutas ocupacionais, 6,3% terapeutas da fala. A média de idades é de 30 anos, tendo o elemento mais novo 25 e o mais velho 52 anos. Grande percentagem dos inquiridos (43,8%) possui pós-graduações e uma parte (18,8%) habilitações de mestrado ou doutoramento, mas apenas um dos inquiridos (6,3%) exerce cargo de chefia. Em relação em antiguidade, na profissão, a média é de 6,75 anos com um desvio padrão de 6,22; a média da antiguidade na instituição é de 5 anos com um desvio padrão de 5,2 (o que pode sugerir que a maioria dos profissionais desenvolveu a sua actividade nesta instituição). Para além disso a média na antiguidade nesta área de intervenção (doentes com AVC) é de 4,75 anos, com desvio padrão de 6. Verificou-se que os principais serviços de internamento dos respondentes são Outros (37,5%), aos quais se obteve respostas como Neurocirurgia, Fisiatria, ou Vários, e a Medicina Interna (18,8%).
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Quadro 3. Caracterização dos respondentes
Sexo Feminino Masculino N= 8 (50%) N=8 (50%) Escolaridade Bacharel Licenciatura Pós-graduação Mestrado/Doutoramento N= 1 (6,3%) N= 5 (31,3%) N= 7 (43,8%) N= 3 (18,8)%
Idade (anos) Antiguidade na Profissão (anos)
Média 30 Média 6,75
Desvio Padrão 6,97 Desvio padrão 6,22 Min – Máx 25- 52 Min-Máx 1-25
Grupo Profissional Antiguidade na Instituição (anos)
Médico Fisiatra N= 3 (18,8%) Média 5 Fisioterapeuta N= 6 (37,5%) Desvio padrão 5,9 Terapeuta Ocupacional N= 6 (37,5%) Min-Máx 0-25 Terapeuta da Fala N= 1 (6,3%)
Exerce Cargo de Chefia Antiguidade na área de actuação (anos)
Sim N= 1 (6,3%) Média 4,75
Não N= 15 (93,8%) Desvio padrão 6 Min-Máx 0-25
Serviço de Internamento onde desempenha actividade
UAVC N= 1 (6,3%) U.C.Convalescença N= 2 (12,5%) Medicina Interna N= 3 (18,8%) Outro\ N= 6 (37,5%) Neurologia N= 1 (6,3%) Não se aplica N= 3 (18,8%)
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