II. LE « SIX-PACK » DE NOVEMBRE 2011 : UN RENFORCEMENT DU PACTE DE STABILITÉ QUI DEVRA ÊTRE CONCILIÉ AVEC
3. Un solde public qui devra être compris entre – 1 point de PIB et un excédent et un excédent
festividades sagradas e profanas que estão presentes na vida do homem como indivíduo componente de uma sociedade.
1.1. Festas religiosas populares e a sua relação com o sagrado e o profano
Para definirmos o que seria o sagrado e o profano, proponho a seguir o raciocínio de Mircea Eliade em sua obra O
Sagrado e o Profano: a essência das religiões (s/d), em que estabelece
em uma primeira definição “que pode dar-se do sagrado, é que ele se opõe ao profano” e que o sagrado e o profano constituem duas modalidades existenciais assumidas pelo homem no mundo.
Para Eliade (s/d, p. 25-26),
o homem toma conhecimento do sagrado porque este se manifesta, se mostra como qualquer coisa de absolutamente diferente do profano. [...] Encontramo-nos diante do mesmo acto misterioso: a manifestação de algo “de ordem diferente” – de uma realidade que não pertence ao nosso mundo – em objectos que fazem parte do nosso mundo “natural”, “profano” (grifo do autor).
Apesar das evoluções e modificações que acontecem até hoje, essas práticas fizeram parte dos inúmeros processos de transformações culturais e religiosas, que estão incorporadas aos calendários, costumes, enfim, ao cotidiano.
São essas práticas que vêm do passado, repletas de significados locais, regionais, nacionais e até mesmo internacionais, que servem de base para a construção e apropriação de novas culturas e valores de toda uma sociedade.
Da tradição à antiguidade, as festas sempre povoaram o imaginário e as representações das sociedades humanas. Elas têm um caráter de ambigüidade entre o bem e o mal, a vida e a morte, a fuga da cotidianidade onde se extrapolam todos os limites, seja por exageros das emoções ou desejo da aproximação da realidade com a ficção criada pela sociedade humana.
Trigueiro (2006, p. 03) afirma que as festas
[...] são manifestações que estão associadas dessas dualidades do mundo real da vida e o mundo ficcional do imaginário simbólico, do disforme da natureza e as experiências oníricas que sempre fizeram parte das nossas histórias de encantados no mundo da infância e que chegam à vida adulta mais próxima da racionalidade. É a hibridação de tudo isso que dá a tônica à cultura popular no mundo globalizado pelos meios de comunicação e pelos novos interesses de consumo de bens culturais.
As festas que apresentavam conotações religiosas, em um momento de repouso e fuga da rotina do trabalho, estavam focadas na idéia da divinação do ato de ação de graças aos deuses, que eram então considerados pagãos pela fé cristã, em uma “referência direta aos cultos politeístas de diversas sociedades, tanto da antiguidade, como de outras temporalidades e espacialidades” (SANTOS, João, 2008).
Nem sempre é fácil delimitar o espaço do sagrado e do profano quando analisa-se as festas, pois ambos se misturam e se entrelaçam constantemente. O ritual da festa provoca momentos de sociabilização necessários para as pessoas. Milheiro (1996) afirma que esse ritual da festa faz com que os indivíduos saiam da rotina e vivam algo singular e diferente do seu ritmo de vida, algo que se tornou um triunfo dos valores estabelecidos. Assim, a festa foi utilizada habilmente pelos governantes como afirmação de poder e pela hierarquia da Igreja Católica como afirmação de fé.
A festa, mais do que simples ida e do que separação é uma pausa prenhe de sentido e de fôlego […] acontece sempre em alternância sem que ninguém consiga prolongá-la indefinidamente. Sucede como as estações e só é êxito quando cadencia a vida das comunidades. [...] A festa
aparece como movimento que não deixa de ser igual, de repetir, sendo diferente e inovador, reciclando e integrando, qual memória que não deixa de ter um presente alicerçado em pilares estruturantes do passado, das origens. Esta dimensão faz da festa um acontecimento aglutinador e de convergência, um ponto de encontro de gerações, da comunidade, uma espécie de rotunda por onde todos passam para e tomar um sentido certo. Ela é lugar de memória, mas também porque actualiza os elementos que tornam cada comunidade diferente, com uma consistência própria (LIMA, 2000, p. 251-252).
Abordando os espaços sagrados e profanos que norteiam essas festas, principalmente as festas religiosas, foco do nosso trabalho, Durkheim retorna ao texto para reafirmar que, na presença do sagrado, com suas crenças, símbolos e ritos coletivos, conservam-se e reforçam-se as idéias e sentimentos coletivos da própria sociedade nessa relação homem, religião e natureza. E que o profano tem que existir para relacionar-se com o sagrado, ou seja, justificar o porquê do sagrado nessas festividades.
A coisa sagrada é, por excelência, aquela que o profano não deve, não pode impunemente tocar. Certamente, essas interdições não poderiam desenvolver-se a ponto de tornar impossível toda comunicação entre os dois mundos; porque se o profano não pudesse de nenhuma forma entrar em relação com o sagrado, este não serviria para nada (DURKHEIM, 2008, p. 72).
Já que o sagrado e o profano não podem deixar de existir sem presença um do outro, conforme apontou Durkheim, e voltando para as festas religiosas e sua relação com esses dois ‘seres’, Eliade apresenta essa relação do tempo sagrado e profano dentro das festas religiosas, em que o tempo é reversível por sua própria natureza, sendo que tempo sagrado é indefinidamente recuperável e repetido; atualiza-se a cada evento sagrado, reencontrando-se a cada festa periódica, seja no ano seguinte ou há cem anos, além de ser um tempo que mantém sempre igual,
que não muda e não esgota. Já o tempo profano, seria, nesse caso, todo aquele que não passa por esse período, em que o homem não mantém essa relação com sagrado nos momentos destinados para tal como em alguns intervalos das festas religiosas, como no caso da festa do Divino Espírito Santo.
A experiência religiosa da festa, quer dizer, a participação do sagrado permite aos homens que vivem periodicamente na presença de Deus. [...] Na medida em que imita os seus Deuses, o homem religioso vive no Tempo da origem, o Tempo mítico. Por outros termos, “sai” da duração profana para reunir-se há um tempo “imóvel”, à “eternidade” (ELIADE, s/d, p. 117).
A festa religiosa também se caracteriza por sua atualização de acontecimentos e de períodos passando a ser uma história sagrada com a presença dos deuses. Para o homem religioso – foco das nossas discussões devido à pesquisa abordar devotos e foliões da festa do Divino Espírito Santo em Natividade -, a festa não é a comemoração de um acontecimento mítico (e portanto, religioso), mas sim a sua atualização de compromisso e de fé com seus Deuses, com o sagrado, além de uma forma do homem seguir o modelo divino.
Em todo o lado, o calendário festivo constitui um retorno periódico das mesmas situações primordiais e, por conseqüência, a reactualização do mesmo tempo sagrado. Para o homem religioso, a reactualização dos mesmos acontecimentos míticos constitui a sua maior esperança, porque, com a reactualização reencontra a possibilidade de transfigurar a sua existência, de a tornar semelhante ao modelo divino (ELIADE, s/d, p. 118).
Sobre o tempo da festa, Mircea apresenta que os atos criados pelos seres divinos constituem o calendário sagrado e forma o conjunto das festas. Existem, ainda, os intervalos de tempo sagrado das festas periódicas, bem como do tempo profano, em que são realizados atos sem significação religiosa. “É justamente a reintegração deste tempo original e sagrado que
diferencia o comportamento humano durante a festa, do de antes ou de depois. Porque, em muitos casos, efectuam-se durante os mesmos actos dos intervalos não-festivos” (ELIADE, s/d, 97- 98).
Eliade aborda ainda as concepções do homem religioso e sua relação com o sagrado e o profano, além das proibições que aparecem durante as cerimônias dentre elas jogos, danças e músicas, o que acaba por acontecer fora dos espaços sagrados, onde homens e mulheres após suas atividades aos seus deuses vivem o tempo profano. Por mais que o homem seja orientado (e têm que ser) durante os ritos, o profano vem de encontro ao sagrado.
A revelação – do espaço sagrado tem um valor existencial para o homem religioso; porque nada pode começar, nada se pode fazer, sem uma orientação prévia – e toda a orientação implica a aquisição de um ponto fixo. [...] para a experiência profana o espaço é homogêneo e neutro: nenhuma rotura diferencia qualitativamente as diversas partes de sua massa (ELIADE, s/d, p. 36).
Independentemente da complexidade de uma festa religiosa, o homem religioso sente a necessidade de participar do tempo sagrado, pois é um acontecimento que foi originado há muito tempo e que, por meio do rito, torna-se presente naquele momento. Os participantes
saem do seu tempo histórico – quer dizer, do tempo constituído pela soma dos eventos profanos, pessoais e intrapessoais – e reúnem-se ao tempo primordial que é sempre o mesmo, que pertence à Eternidade. [...] O homem religioso sente a necessidade de mergulhar periodicamente neste Tempo sagrado e indestrutível. Para ele, é o Tempo sagrado que torna possível o outro tempo, ordinário, a duração profana em que se desenrola toda a humana existência (ELIADE, s/d, p. 101 -102).
O autor acrescenta ainda, que se o homem religioso sente a necessidade de reproduzir os mesmos gestos exemplares dos
seus deuses é porque deseja e se esforça por viver muito perto do que considera ser as atitudes corretas que são as “exemplificadas” por seus Deuses.
Essa repetição fiel dos modelos divinos tem um resultado duplo: I)por um lado, imitando os deuses, o homem mantem-se no sagrado e, por conseqüência, na realidade; II) por outro lado, graças à reactualização ininterrupta dos gestos divinos exemplares, o mundo é santificado. O comportamento religioso dos homens contribui para manter a santidade do mundo (ELIADE, s/d, p. 111).
Em suma, o homem religioso quer ser diferente do que ele é no plano da sua existência profana, no mundo “real”. E, no tempo sagrado, tempo dos ritos e festas religiosas, ele quer se aproximar dos modelos divinos e ficar mais próximo de seus deuses, ele simula e recria outro ser baseado nos mitos, enfim, na história.
1.2. A folkcomunicação e sua relação com o sagrado e o profano na