Dos trinta professores que disponibilizaram o e-mail para envio do questionário, apenas, dezenove responderam, dos quais consideramos para análise apenas dezoito, destes, seis disponibilizaram os projetos de ensino ou relatos de experiência desenvolvidos em sala de aula, para serem analisados.
O quadro 4 contempla a síntese das informações pessoais dos professores participantes da pesquisa, as quais foram coletadas com as respostas registradas no formulário do Google docs. O perfil dos professores foi construído a partir do
primeiro grupo de perguntas e está representado, no quadro 4, por palavras chave correspondente a cada pergunta do questionário.
Os nomes dos professores colaboradores foram identificados por letra e números, da seguinte forma (P01, P02, P03, etc.), obedecendo a mesma nomenclatura em todos os documentos analisados (questionários e relatos de experiência). Esta opção visa garantir a preservação da identidade dos mesmos. Com isso pretendemos oferecer maior liberdade e confiança aos professores para exporem seus pensamentos, suas ideias, bem como garantir a autenticidade às informações.
Quadro 4 - Perfil dos professores colaboradores
Fonte: Dados de pesquisa - Questionário on line - Gdocs - 2011
O grupo de pesquisa é formado por dezoito professores, sendo, dez professores de Campina Grande e oito de outros municípios da Paraíba. O gráfico 1 representa esses dados. Ressaltamos que esses oito municípios ficam distantes de
Campina Grande, cidade onde a instituição formadora do curso Mídias está localizada, mas somente foi possível participar da formação devido o curso ser oferecido na modalidade de Educação a Distância.
Gráfico 1 - Municípios onde os professores lecionam
Fonte: Dados de pesquisa - Questionário on line - Gdocs - 2011
Essa demanda de professores oriundos de outros municípios para fazerem o curso demonstra a busca por qualificação profissional e atende as iniciativas das políticas públicas de formação continuada oferecidas pelo governo federal, visando oportunizar aos professores uma formação para o uso pedagógico de diferentes tecnologias da informação e comunicação integrando-as ao processo de ensino e aprendizagem,
A questão da qualificação profissional, discutida no capítulo 2 desta dissertação, aponta para a necessidade da formação dos professores para o uso das mídias, não contemplar, apenas, o aspecto tecnológico. A formação docente para a integração de mídias à proposta pedagógica da escola, que se diga preocupada com a qualidade do ensino, deve ter como proposta redimensionar as práticas e “alargar o olhar para englobar diferentes sistemas de conhecimentos e de significados, maneiras diferentes de sentir, pensar, compreender, interpretar e representar o mundo, a vida e a si mesmo”, conforme propõe os documentos oficiais do MEC para elaboração de proposta pedagógica para a integração de tecnologias, linguagens e representações (ALMEIDA e PRADO, 2005, p. 4).
Outro ponto abordado é que há a necessidade dos cursos de licenciatura, responsáveis pela formação inicial dos professores, contemplarem componentes
curriculares em que novas abordagens pedagógicas em relação ao uso das mídias sejam estudadas articulando a teoria e a prática. Além disso, deve permitir aos professores apropriarem-se criticamente dos recursos e usá-los na promoção e construção do conhecimento, conforme defendem Kenski (2007), Mercado (2007), Belloni (2005), Almeida (2001), entre outros estudiosos.
Ainda, sobre a formação dos professores Fichmann (2009, p. 172) aponta que “não há ensino de qualidade, [...] nem inovação pedagógica, sem adequada formação dos professores”, como já ressaltamos anteriormente.
O gráfico 2 apresenta os resultados da rede de ensino da qual os professores fazem parte. Do total de professores, doze (66,7%) afirmaram lecionar na rede de ensino municipal e seis (33,3%), na estadual, porém, percebemos, no momento da apresentação do projeto de ensino, que alguns deles lecionam em mais de um município na rede de ensino municipal e/ou estadual. É interessante lembrar que o Curso Mídias na Educação é destinado para atender professores da Educação Básica das redes de ensino públicas, da esfera estadual e municipal.
Gráfico 2 - Rede de ensino
Fonte: Dados de pesquisa - Questionário on line - Gdocs – 2011
A figura 8, representa o grupo de professores investigados em relação a modalidade de ensino em que lecionam. Na análise, identificamos professores da Educação Infantil ao ensino Médio, em turmas do ensino regular e da Educação de Jovens e Adultos.
Figura 8: Modalidade de ensino em que lecionam
Fonte: Dados de pesquisa – Questionário on line - Gdocs – 2011
Os dados analisados mostram a predominância de professores nas séries finais da educação básica. Esses dados revelam que a procura dos professores desse nível de ensino para participar do Curso Mídias na Educação por eles se sentirem despreparados para usar as mídias em sua prática pedagógica.
Consideramos esses dados significativos, pois vale ressaltar que, no cotidiano das escolas, temos observado certa resistência dos professores em usar alguns recursos tecnológicos e mídias em sala de aula e as justificativas são muitas, inclusive, algumas foram apontadas pelos nossos sujeitos ao serem questionados sobre a justificativa da frequência de uso das mídias. As respostas aos questionários apontaram para a falta de tempo em planejar aulas em que elas sejam usadas, a indisponibilidade dos recursos na escola por algumas razões, além disso, foram citadas, ainda, a carga horária pequena e muito conteúdo para ser ministrado, entre outras. Ficou evidente em muitas respostas dos professores que existe uma preocupação com o conteúdo a ser ministrado e que usar as mídias pode comprometer a aprendizagem.
Em contrapartida, quando observamos a presença das mídias TV e Vídeo/DVD, na sala de aula, estas são usadas, por professores desse segmento de ensino, para exibição de filmes, apenas, para ocupar os alunos em alguma atividade. Nessa situação percebemos que não existe uma intencionalidade pedagógica para a exibição dos filmes.
Nesse sentido, Moran (2004) ao discutir sobre o ensino e aprendizagem inovadores com as tecnologias audiovisuais e telemáticas faz reflexões importantes sobre o uso da TV e do vídeo em sala de aula e nas suas discussões esse autor
chama a atenção para o uso inadequado desses recursos por muitos professores. Um deles é justamente o uso sem objetivos e para passar o tempo.
Para esse autor, a possibilidade dessa prática deve–se a compreensão de que TV e vídeo estão relacionados, na concepção de alunos e alguns professores, a contextos de lazer, de entretenimento e que a presença deles na sala de aula significa descanso e não aula, “o que modifica a postura e as expectativas em relação ao seu uso” (MORAN, 1995). Contudo, é importante que o professor entenda que a tecnologia chegou a sala de aula, sem o objetivo de resolver todos os problemas do processo de ensino e aprendizagem, e que qualquer recurso exige uma nova forma de uso e integrar as tecnologias da informação e comunicação e suas diferentes mídias em abordagens tradicionais limita suas potencialidades (POSSO, 2010).
Desse modo, cabe ao professor estabelecer pontes entre os recursos utilizados em sala de aula e as outras dinâmicas vivenciadas, bem como saber escolher as mídias adequadas para cada conteúdo a ser ensinado, utilizá-las de forma criativa e inteligente.
As disciplinas lecionadas pelos professores correspondem a diferentes áreas de conhecimento, como mostra o quadro 6. Nesse quadro, a predominância é da área de ciências humanas representado por quatro professores de História (22,2%) e dois de Geografia (11,11%) e três de Matemática (16,7%). Além destes existem também, quatro professores (22,2%) que ensinam todas as disciplinas porque são da educação infantil e das séries iniciais do ensino fundamental.
Os projetos de ensino disponibilizados para análise contemplam temas relacionados às disciplinas de Geografia (P05), História (P09 e P10), Língua Portuguesa (P17) e Matemática (P19) que desenvolveu o projeto em Educação Ambiental.
Quadro 5 - Disciplinas lecionadas pelos professores
DISCIPLINAS QUE LECIONAM Nº DE PROFESSORES %
História 4 22,22 Geografia 2 11,11 Matemática 3 16,66 Todas 4 22,22 Língua Portuguesa 1 5,55 Biologia 1 5,55 Química 1 5,55
Ensino Religioso e Artes 1 5,55
Formação técnica 1 5,55
Quanto ao tempo de serviço na função de professor, os dados do questionário mostram que cinco professores (27,8%) têm entre um a cinco anos de tempo de serviço, indicando a maior concentração de professores. Podemos dizer também que esse tempo de serviço significa que eles estão em início de sua atividade profissional e justifica a demanda pela participação no curso como forma de aperfeiçoamento.
Os dados relacionados ao tempo de serviço dos professores na profissão apontam um equilíbrio entre os grupos de professores com 11 a 20 anos (22,2%) e 21 a 30 anos de serviço (22,2%), respectivamente, conforme mostra o gráfico 3. Esses dados nos revelam que a procura para fazer o curso Mídias na Educação por esse grupo de professores pode representar a necessidades que eles têm de atualização no sentido de aprender como usar as mídias na prática pedagógica.
Gráfico 3 - Tempo de serviço
Fonte: Dados de pesquisa - Questionário on line - Gdocs - 2011
Com base nas discussões já apresentadas no capítulo 2 deste trabalho, os estudiosos como Tardif e Raymond (2000) apresentam algumas considerações sobre as relações que se estabelecem entre o tempo, o trabalho e a aprendizagem dos saberes profissionais dos professores, que atuam nas séries iniciais e finais da educação básica. Para esses autores, os saberes dos professores são mobilizados de vários contextos sociais e são empregados na prática cotidiana, assim como, são saberes “que dela se originam, de uma maneira ou de outra, e que servem para resolver os problemas dos professore em exercício e para dar sentido às situações de trabalho que lhes são próprias” (p. 211).
Seguido desse grupo, notamos três professores (16,7%) que possuem entre seis e dez anos de serviço, os quais se somados com o primeiro grupo formam maioria em relação aos demais, revelando que esse grupo de sujeitos investigados estão numa faixa de tempo de início de carreira, considerando o tempo de efetivo exercício para se aposentar. Nosso entendimento é de que menor tempo de serviço implica menor experiência, como professor, e isto de certo modo contribui para a construção da prática pedagógica e é algo particular ao cotidiano do professor. Reconhecemos também que a prática pedagógica se constitui de outros saberes além dos experienciais (TARDIF, 2002).
Esse processo de construção do processo formativo, de acordo com os autores Durand (1996); Montmollin (1996); Tersac (1996) apud Tardif (2002, p. 211), se constitui considerando
os saberes ligados ao trabalho são temporais, pois são construídos e dominados progressivamente durante um período de aprendizagem variável, de acordo com cada ocupação. Essa dimensão temporal decorre do fato de que as situações de trabalho exigem dos trabalhadores conhecimentos, competências, aptidões e atitudes específicas que só podem ser adquiridas e dominadas em contato com essas mesmas situações.
Esse pensamento corrobora com as ideias de Pimenta (apud TARDIF, 2002) ao acreditar que o saber da experiência é importante na construção da prática pedagógica e este não se exclui a experiência profissional.
Do mesmo modo que prevalece o tempo de serviço de profissionais no início da carreira, encontramos também o maior índice de professores com idade entre 21 e 30 anos de idade, representado por sete professores (38,9%), de 31 a 40 anos (22,2%), de 41 a 50 anos (22,2%) e acima de 50 anos (11,1%), conforme mostra o gráfico 4.
A concentração de professores na faixa etária entre 21 e 30 anos nos permite dizer que são pessoas ainda jovens que têm maior facilidade e possibilidade de uso dos recursos tecnológicos, principalmente, porque eles estão presentes no cotidiano das pessoas. Essa geração é chamada nativos digitais (PRENSKY, 2008). Nossa percepção é de que para o professor integrar as mídias no contexto pedagógico é necessário ampliar o processo de inclusão digital que promova o desenvolvimento de competências, habilidades, valores e saberes de acordo com que o momento atual da tecnologia digital exige de cada cidadão. Para Prensky (2008, apud
PANERAI et al (s/d), os nativos digitais convivem no seu cotidiano com computadores, videojogos, música digital, celulares e, normalmente, sem utilizar manuais de instrução, conseguem descobrir o funcionamento das tecnologias.
Em contraposição, o grupo de professores que se encontra acima dessa faixa etária, na maioria das vezes, tem mais dificuldade em usar as tecnologias no cotidiano. Prensky (2008, apud PANERAI et al, s/d) considera-os imigrantes digitais, ou seja, são as pessoas que nasceram em épocas anteriores à criação de tais tecnologias e têm que se adaptar ao mundo digital.
Gráfico 4 - Idade dos participantes
Fonte: Dados de pesquisa - Questionário on line - Gdocs - 2011
Quanto à formação acadêmica, esses dados revelam que os professores, em sua maioria, possuem formação inicial em nível superior, predominando a especialização, representada por onze professores (61,1%), quatro têm licenciatura (22,2%), dois tem mestrado (11,1%), um tem pedagógico – Curso Normal Médio (5,5%) e um está cursando graduação (5,5%), conforme mostra o gráfico 5. Esses dados revelam que a maioria (72,2%) tem pós-graduação (especialização e mestrado).
Gráfico 5 - Formação Acadêmica
Fonte: Dados de pesquisa – Questionário on line – Gdocs (2011)
Entretanto, a partir desse resultado, podemos afirmar que embora a maioria dos sujeitos investigados tenha especialização, procuraram participar de uma formação específica para a integração de mídias à prática pedagógica. Isto pode indicar que eles não se sentem preparados para usá-las ou estão em busca de ampliar os conhecimentos já adquiridos.
Em relação a discussão da formação acadêmica sabemos que para usar as TIC e mídias no processo educativo, esta deve dar conta não apenas dos aspectos técnicos e operacionais. Implica em ir além desses aspectos, ou seja, utilizar tais conhecimentos para recontextualizar o aprendizado e a experiência vivida durante o seu processo formativo à realidade de sua sala de aula, as necessidades dos seus alunos e aos objetivos pedagógicos que pretende atingir.
Tardif (2002) ao discutir a pluralidade do saber docente considera que o saber do professor relaciona-se aos saberes da formação profissional, disciplinares, curriculares e experienciais.
7.2 USO DE MÍDIAS ANTES DA PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA MÍDIAS NA