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(732) SOCIETE D`AMENAGEMENT ET DE VALORISATION D`IMI OUADDAR

Dans le document I. DEMANDES D'ENREGISTREMENT DE MARQUE (Page 42-45)

O setor têxtil no Brasil começa apresentar alguma representatividade como atividade produtiva no século XIX. Esse início tardio é fruto de diversos embargos impostos pela coroa portuguesa ao desenvolvimento de atividades manufatureiras no período anterior, já que este era um excelente mercado cativo da produção portuguesa e de outros países como a Inglaterra que gozava de algumas vantagens no comércio com o Brasil Colônia. Com a independência política, crescimento da população urbana e o aumento das exportações de artigos como o café, o algodão e o cacau, nasce a oportunidade de desenvolvimento das empresas têxteis, porém, inicialmente estas atividades estavam relacionadas a obtenção de tecidos mais rústicos para as embalagens dos artigos exportados, principalmente sacos de café e cacau e também tecidos para a roupas de escravos.

Deste modo, se verifica que entre 1830 e 1880 são fundadas 56 fábricas de tecidos no Brasil, caracterizadas principalmente pelo fato de terem pequeno porte, sendo que apenas uma instalada no Rio de Janeiro tinha porte mais avantajado. Segundo Suzigan (2000), em média as empresas têxteis deste período apresentavam 55 teares, 2347 fusos, 116 empregados e 67,5 HP de potência gerada através de energia hidráulica, e segundo ele, estavam distribuídas no Nordeste com 13 unidades, em Minas Gerais com 14, no Rio de Janeiro com 14 e em São Paulo com 16 unidades.

O surgimento destas fábricas ocorre no nordeste do país, em grande medida influenciadas pela disponibilidade de algodão, que já era uma cultura bastante difundida na região e pelo fato de que havia nesta região o maior adensamento populacional do país naquela época. Estas empresas estavam distribuídas nos estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, sendo que o primeiro era o mais importante.

Todavia, o curso do desenvolvimento da economia brasileira retira desta região do país as condições para continuar detendo a principal parcela deste setor. Este fato deriva do advento da energia elétrica e das inversões de capital da atividade cafeeira para a indústria, notadamente, para o setor têxtil, concentraram as atividades do setor têxtil no eixo Rio de Janeiro e São Paulo já no final do século XIX.

O setor têxtil, assim como o conjunto da economia brasileira neste período, era bastante dependente do desempenho exportador do café sob dois aspectos: i) pelo fato de que a economia cafeeira trazia reflexos positivos sobre a demanda interna trazendo benefícios

para as atividades industriais e ii) também pelo fato de que com o excedente no balaço de pagamentos era possível importar bens de capital para dinamizar a produção industrial3.

A capacidade de importação de bens de capital no final do século XIX e até a década de 1920, salvo o período de guerra, faz com que o setor têxtil se beneficiasse muito dela para expandir sua capacidade produtiva. Segundo Suzigan (2000) já na década de 1880, as importações de máquinas e equipamentos do setor têxtil representavam aproximadamente de 40% a 50% do total importado pelo país, que poderiam estar sendo subestimadas, caso fossem incluídas nesta análise, as importações de equipamentos para a geração de energia (maquinaria hidráulica, rodas d’água, máquinas a vapor, caldeiras etc.) que também eram muito utilizadas no setor têxtil.

Por outro lado, existiam neste período fatores que causavam entraves ao desenvolvimento do setor, como problemas com o transporte dos produtos, elevado custo do algodão, falta de progresso tecnológico processo de desencaroçar o algodão e a falta de qualificação da mão-de-obra. Entretanto, estes entraves não foram superiores aos avanços, oriundos principalmente da adoção da energia elétrica nas plantas produtivas.

É dentro deste período pós 1880, que começam a surgir no estado de Santa Catarina as primeiras tecelagens, concentradas principalmente na região do Vale do Itajaí, com destaque para as cidades de Blumenau e Brusque. Assim como no caso do setor no estado de São Paulo, este setor surge em Santa Catarina impulsionado por dois fatores, segundo Singer (1977): i) a inserção crescente da economia blumenauense no mercado nacional, ou seja, na consolidação de um processo de divisão do trabalho inter-regional, que tem o país como palco e o eixo Rio - São Paulo como centro dinâmico e ii) a divisão do trabalho entre os

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Mello (1998) e Tavares (1985) imputam à atividade cafeeira o papel de grande impulsionador do processo de industrialização no Brasil no final do século XIX e início do XX. Para estes autores, as facilidades de importação de bens de capital neste período, em virtude da balança comercial favorável do café e também a constituição de um mercado consumidor de bens de consumo salário nos centros urbanos criou um ambiente favorável para a constituição de um parque industrial na cidade de São Paulo, com alguns transbordamentos em cidades próximas. Todavia, com o advento do excesso de produção, redução de preço e de demanda internacional do café, em grande medida provocada pela depressão de 1929, a indústria perde na atividade cafeeira o grande estimulador de seu crescimento. A demanda interna já suficientemente constituída cria condições para a manutenção da atividade industrial de maneira autônoma. Porém, com a falta de exportações de café haviam restrições para importar bens de capital necessários para sua expansão e atualização do parque industrial e por conseqüência do setor têxtil.

habitantes urbanos de Blumenau e Brusque e os camponeses, ensejando a formação de um mercado interno para a indústria local.

Além das questões econômicas, outro fator semelhante no processo de industrialização de Santa Catarina, com relação ao desenvolvimento paulista, é que a imigração européia tem papel fundamental no estabelecimento das fábricas, na transferência de conhecimento e na mão-de-obra já adaptada ao modo de vida urbana e operária industrial. Desta forma, a imigração alemã na região do Vale do Itajaí, cria em Blumenau e Brusque as condições propícias para o estabelecimento de uma indústria particularmente especializada na produção de tecidos.

Verifica-se que é a capacitação e a especialização que alguns indivíduos como Hermann Hering, Carlos Renaux, Eduardo Buettner, Johann Karsten, entre outros notáveis, que criam em Blumenau e Brusque, um número expressivo de empresas têxteis que atravessam o século XX, tornando-se marcas expoentes no mercado nacional e no mercado internacional. A evolução das atividades destas empresas acabou caracterizando esta região como um dos maiores pólos têxteis do país, criando inclusive incentivos para o desenvolvimento da indústria de transformação no estado de Santa Catarina.

Desta maneira, o setor têxtil no estado de Santa Catarina, progride juntamente com o conjunto do setor no Brasil e toda a indústria de transformação durante o século XX, atravessando o período de industrialização restringida (TAVARES, 1985). O período de esforços explícitos de se criar no país um departamento de base para a indústria nacional, desenvolvendo os setores de bens intermediários, bens de capital e de infra-estrutura, que vai de 1955 até 1979, já no governo militar.

Neste período, a indústria têxtil em Santa Catarina ou no restante do Brasil, passa por atualizações ao longo do tempo, porém, sem acompanhar com proximidade a dinâmica tecnológica vivenciada por esta indústria a partir da década de 1950 no âmbito internacional, com a introdução cada vez mais recorrente das fibras de origem sintética e artificial nos processos produtivos. Este distanciamento é intensificado na década de 1980 com a incorporação de tecnologia microeletrônica nos processos produtivos e a indústria têxtil nacional apenas na década de 1990 retoma a busca pelo emparelhamento tecnológico.

O processo de reestruturação da indústria brasileira e mais especificamente do setor têxtil é o objeto de discussão do próximo tópico.

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