2. Method
2.6 Statistical analysis
A análise da presença de microrganismos patogênicos no processo de compostagem é importante para garantir a qualidade ambiental do composto curado. O presente trabalho analisou a quantidade inicial e final das bactérias coliformes totais e termotolerantes, e o gênero específico Salmonella spp. O grupo denominado coliformes totais, é utilizado para avaliar as condições higiênicas, limpeza e sanificação, e os coliformes termotolerantes são indicadores de contaminação fecal (SIQUEIRA, 1995).
A tabela 7 apresenta os valores iniciais e finais de coliformes termotolerantes, coliformes totais e Salmonella spp. Como a presença da Salmonella spp não foi encontrada no início da compostagem, não foi necessário seu monitoramento ao final do processo. Dessa forma, não é possível afirmar que se caso fosse encontrado Salmonella spp no início do processo, com o desempenho das leiras neste trabalho seria possível eliminá-la do composto. Como os coliformes termotolerantes são mais resistentes ao aumento da temperatura em comparação com os coliformes totais, ao final do processo de compostagem foi utilizada apenas a avaliação da quantidade dos coliformes termotolerantes, pois são representativos no quesito resistência a altas temperaturas.
Tabela 7 - Valores iniciais e finais dos contaminantes Coliformes termotolerantes, Coliformes totais e
Salmonella spp.
Contaminante Resultado Inicial
Resultado Final
Leira 1 Leira 2 Leira 3
Coliformes termotolerantes (NMP/g) >160000 14000 17000 400 Coliformes totais (NMP/g) >160000 - - - Salmonella spp (10g) Ausência - - -
A presença de Salmonella spp, assim como a quantidade de coliformes termotolerantes e coliformes totais no esterco animal é bastante relativa, ela varia
conforme a alimentação do animal, forma de criação, dentre outros fatores. A
Salmonella spp apresentou ausência em 10 g de material seco, enquadrando o
composto desde o início da compostagem nos padrões expressos na Instrução Normativa nº 27 (SAD MAPA, 2006) (BRASIL, 2006).
A Instrução Normativa nº 27 (SAD MAPA, 2006) determina como limite máximo aceitável de coliformes termotolerantes 1000 NMP.g-1 (BRASIL, 2006). Entre as três leiras estudadas, a leira 3 foi a única que ficou abaixo do limite permitido, enquanto as leiras 1 e 2 por sua vez não alcançaram os valores mínimos exigidos na normativa.
A eliminação de microrganismos patógenos durante a compostagem está intimamente ligada ao aumento de temperatura das leiras e a capacidade de manter as altas temperaturas por um determinado tempo. Sahlström et al. (2008) estudaram a presença de coliformes patogênicos inoculados em substrato em temperaturas na faixa de 55 a 70 °C, variando o tempo de exposição das bactérias de 30 a 60 min. A temperatura de 55 °C e o tempo de 30 min não eliminou completamente os coliformes do substrato, porém, com um tempo de 60 min de exposição nenhuma das amostras apresentou presença de coliformes. O tempo de exposição das bactérias a temperaturas acima de 50 °C é um importante fator para a eliminação de patógenos.
Como exposto anteriormente, a leira 3 foi a mais eficiente na eliminação de coliformes em comparação com as demais leiras. A mesma manteve-se com temperaturas acima de 50 °C no período de 8 dias (entre os dias 23 e 30), promovendo uma higienização adequada ao composto, resultando em um valor final de coliformes termotolerantes 60% abaixo do valor mínimo exigido pela Instrução Normativa nº 27 (SAD MAPA, 2006).
Não diferente da maioria das demais análises realizadas durante este trabalho, a leira 1 se mostrou mais eficiente do que a leira 2 também no controle de coliformes. O tempo de exposição a altas temperaturas da leira 1 foi maior que a leira 2, conforme o que foi exposto na tabela 4, e isso proporcionou uma maior eficiência no controle de coliformes. As leiras 1 e 2 não conseguiram se enquadrar no que foi exigido pela Instrução Normativa nº 27 (SAD MAPA, 2006) para o parâmetro coliforme termotolerantes.
Não é correto afirmar que apenas a inoculação de ME na compostagem é o suficiente para a eliminação de coliformes. Mesmo que o aumento da temperatura
máxima interna das leiras se deu através do uso de ME, conforme a análise apresentada na figura 4, não foi apenas a inclusão do ME que causou a eliminação dos coliformes. Anteriormente foi abordado que o tempo de exposição de bactérias a altas temperaturas é quão importante quanto à temperatura máxima alcançada no processo. Dessa forma, o correto é afirmar que o uso de ME em altas concentrações (4 ml por litro de água) foi o principal fator a possibilitar que uma compostagem em pequena escala (0,7 m3 de volume) utilizando esterco bovino e ovino e serragem, elimine os coliformes em concordância com os padrões exigidos na Instrução Normativa nº 27 (SAD MAPA, 2006) (BRASIL, 2006).
Concentrações baixas de ME iguais as utilizadas pela leira 2 (2 ml por litro de água) não foram capazes de eliminar os coliformes do composto, não conseguindo alcançar o desempenho de eliminação de coliformes realizado pela leira 1, que não recebeu nenhuma quantidade de ME no início do processo.
Czapela (2016) realizou um trabalho de monitoramento da compostagem de resíduos agroindustriais de três propriedades do norte do estado do Rio Grande do Sul, sendo que nenhuma das propriedades utilizou ME para auxiliar na compostagem, ao final do processo. A propriedade 1 conseguiu se enquadrar no quesito coliformes termotolerantes segundo os valores instituídos pela Instrução Normativa nº 27 (SAD MAPA, 2006) (BRASIL, 2006), enquanto as propriedades 2 e 3 não promoveram a eliminação de coliformes termotolerantes para se enquadrar nos limite da instrução normativa. Segundo a autora, isso se deu pela falta de revolvimento/aeração no decorrer do processo, enquanto a propriedade 1 realizava revolvimentos constantes, as propriedades 2 e 3 não realizavam a aeração com frequência e isso refletiu no valor final de coliformes ao final do processo.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A variação da temperatura das leiras durante o processo de compostagem foi satisfatória para as três leiras estudadas. As fases termofílica e de maturação foram alcançadas para ambas as leiras e as temperaturas máximas alcançadas ficaram em uma faixa de temperatura aceitável para uma boa compostagem. A utilização de ME em maior concentração acabou sendo benéfica para a compostagem de esterco bovino e ovino em pequena escala, o que fez com que o composto alcançasse maiores temperaturas, mantendo-as altas por um maior período de tempo e
resultando em uma eficiência na remoção de patógenos e na acumulação de N, P e K.
Portanto, a compostagem de esterco bovino e ovino em pequena escala com o uso de ME se mostrou bastante viável, resultando em um composto final livre de contaminação por patógenos. O composto produzido pode ser utilizado em canteiros de verduras e flores como também na fruticultura, diminuindo o impacto ambiental e aumentando a carga de nutrientes em comparação com o uso de esterco cru como fertilizante. Em trabalhos futuros pode ser testada a compostagem com maiores concentrações de ME, para alcançar maiores temperaturas, utilizando um maior número de leiras, pois as concentrações utilizadas neste trabalho não apresentaram grande diferença no aumento das temperaturas, essas que ficaram muito próximas da temperatura de eliminação de patógenos.
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