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6. Elements of Procedure

6.1 SMX Message Processing on the Runtime Systems

A pesquisa em comento se lançou ao desafio de tentar compreender uma ontologia política possível a partir do pensamento de Martin Heidegger. Partiu-se de uma analítica existencial que compreendeu o ser-no-mundo enquanto projeto. Para conquistar essa compreensão, evidenciou-se o que significa mundanidade e como a ocupação é a maneira mais imediata de ser-no-mundo. A partir de então, o mundo pôde ser desvelado enquanto mundo compartilhado o que, invariavelmente, levou ao questionamento de como então se daria as possibilidades de ser-com, fazendo meditar mais detidamente no que se nomeou por co-ser-aí. Nesse ser-com-os-outros-em-um-mundo, manifestou-se o problema da impessoalidade, através de uma interpretação comum de mundo de mais fácil acesso e que diz respeito a uma interpretação padrão cotidiana. Liberou-se então a possibilidade de se discutir acerca dos temas da publicidade e propriedade. Em um segundo momento, questionou-se acerca do que seria uma comunidade através dos temas decisão e história. Nesta ocasião, alcançou-se o entendimento de que a decisão assumida é o que faz com que um povo seja visto enquanto tal. Assim, compreender decisão também passa por compreender determinado povo enquanto histórico, imbuído, inclusive, em assumir sua própria história. Por fim, em um terceiro momento, destacou-se um empenho político mais direto em alguns textos de Heidegger. Neste passo, nota-se a tentativa de Heidegger de formular uma filosofia política que pudesse direcionar a universidade e o povo alemão em direção a um porvir que reclamava uma retomada das origens do conhecimento ocidental.

Na primeira parte percebeu-se a grande contribuição legada por Heidegger ao questionar pontos fundamentais que permitiram o surgimento de uma analítica existencial. Aproveitando-se, em grande parte, do disposto na obra “Ser e Tempo”, percebeu-se o empenho do pensador alemão em aprofundar as implicações de quem é este ente que reponde quando a palavra homem é enunciada. A partir de então nomeia esse ente por ser-aí e apresenta-o enquanto um projeto fundado em uma temporalidade originária. Nessa nova perspectiva de compreensão, desvela-se as relações oriundas do próprio ser-no-mundo-com-os-outros. Acredita-se ter encontrado aí uma fundamentação para desvelar uma ontologia política em Heidegger que seria enunciada em textos futuros.

Na segunda parte da pesquisa, deparou-se com o problema da comunidade, decisão e história. A ligação com a primeira parte se deu através da discussão do tema da propriedade e de como a palavra “nós” é derivada dessa discussão. Pode-se falar, portanto, tanto da propriedade do “eu” como da propriedade do “nós’. Neste ponto, Heidegger conecta o seu

pensamento ontológico da analítica existencial com um pensamento destinado à comunidade. Surge então a decisão como elemento capaz de orientar essa comunidade em uma destinação histórica comum. Assim, Heidegger não se furta de pensar acerca da verdade e da temporalidade que aparecem enquanto pontos incontornáveis desse problema. Ao discorrer sobre tais pontos relaciona a temporalidade originária sugerida com o que ele chamará de missão, trabalho e tarefa. Partindo dessa análise, percebe-se a responsabilidade como uma capacidade de dizer algo sobre si próprio e nesse dizer não podem ser desconsideradas a verdade e a historicidade de um povo.

Por fim, dedicou-se aos textos de cunho explicitamente político de Heidegger para sondar se, de posse de uma interpretação fundada no seu próprio pensamento ontológico, seria possível extrair uma hermenêutica que liberasse uma melhor compreensão de tais textos. Ademais, demarca-se que este método permitiu ouvir com mais serenidade a proposta de Heidegger em seu discurso do reitorado, por exemplo. Depreendeu-se, assim, uma constante ameaça como disposição afetiva direcionadora do discurso e, não obstante isso, um apelo aos povos que fossem autônomos, senhores de suas decisões, ao passo que pudessem exercitar uma escuta profunda do outro para, com isso, serem capazes de uma comunidade política autônoma, originária, decidida e sabedora de si.

REFERÊNCIAS

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