CHAPITRE 2 : LES ZONES D'ETUDE
2. LA REGION DE ROSS BETHIO
2.1. Situation géographique
As cidades brasileiras são o reflexo das estruturas sociais, econômicas, culturais, políticas e ambientais constituídas ao longo da história, todavia, a sua configuração e estrutura morfológica também são decorrentes da repetição (deturpada) de uma estrutura urbana bastante conhecida nos países ditos como desenvolvidos, em especial, nos norte-americanos. Esse desenho de cidade é caracterizado como urban sprawl ou sprawl cities. Ambos os conceitos de cidade se referem não só a expansão urbana ou expansão das cidades, mas sim à produção e reprodução de cidades dispersas e de baixa densidade.
5 Duarte (2000) e Duarte & Serra (2003) adotaram metodologia similar em sua
pesquisa aplicada também à Cuiabá, porém foram selecionadas 7 áreas de 25 ha para estudo dos modelos de ocupação, densidade, superfície arbórea e de água com imagens aéreas de 1998. No segundo semestre de 2009, durante a disciplina de Urbanismo Sustentável ministrada pela Profª Marta Romero, optou-se pela eleição de áreas de 25 ha para análise da morfologia urbana em 15 Regiões Administrativas do Distrito Federal. Assim, demonstrou-se que tal procedimento de seleção por amostragem de parcelas urbanas características como método de análise pormenorizada e específica (com maior nível de detalhe e informação das amostras), representariam a configuração urbana como um todo, estabelecendo-se uma compreensão do processo de urbanização ao longo do tempo. com áreas de 25 ha cada, sendo nessas mensuradas a arborização, superfície de água, pavimentação, área construída e vazios. O diferencial desta pesquisa está na proposição de uma escala de análise temporal em dois períodos, avaliando-se as alterações ao longo do tempo no uso e ocupação das parcelas urbanas (entre 2002 a 2010).
O modelo urbano corbusieriano é caracterizado pela funcionalização da cidade, sintetizadas num desenho que traduza a ênfase das quatro funções primordiais da urbe: o habitat, o trabalho, o recreio e a circulação. Porém, esta última característica, a da circulação, é a transfiguração de uma cidade- humana para uma cidade-máquina, cujas artérias viárias recortam o espaço ocupado e reportam um aglomerado motorizado a transitar por entre as zonas estabelecidas. A própria dissociação conceitual das quatro funções urbanas significa a dissociação do território em áreas de uso específico, expressando o denominado zoneamento rígido.
As cidades contemporâneas são a reinterpretação desses conceitos, porém, com alguns agravantes. A cidade dispersa geralmente enfatiza o zoneamento rígido, que separa as funções urbanas e condiciona as pessoas à circulação diária entre o trabalho, o lazer e a casa. A segregação das funções induz à dependência de uma mobilidade automotiva que, conforme o crescimento da população, exige cada vez mais vias para mais automóveis. E problema continua! É o ciclo de dependência automotiva que se traduz em grande ocupação territorial e em crescente impacto ambiental.
A dispersão urbana torna inviável o uso de transportes alternativos, especialmente para os modelos urbanos monocêntricos, pois caminhar ou andar de bicicleta nesses trajetos diários passa a ser anti-funcional e, ao passo que se aumenta as distâncias em baixa densidade, o transporte público se torna demorado e oneroso. Essa deficiência de mobilidade acaba isolando as comunidades urbanas, limitando o trânsito de crianças, adolescentes, idosos e pessoas que não tem condições – físicas ou econômicas – de dirigir. No caso
Latino-Americano, a especulação imobiliária atua na busca de áreas mais afastadas e baratas para lotear e vender.
Nesse modelo de cidade as áreas centrais e monofuncionais se veem esvaziadas, ocupadas por estacionamentos e, aos poucos, tornam-se obsoletas e desvalorizadas. A segregação socioespacial e socioeconômica se instauram nesse cenário, isolando classes, etnias, comportamentos e desintegrando a noção de comunidade e cidadania. A intolerância à diversidade culmina no agravamento da violência urbana e a gestão urbana aos poucos se enfraquece no controle da cidade. A falta de participação nas decisões de caráter público acaba por potencializar a influência dos atores econômicos na cidade, agravando todo o quadro descrito.
Por fim, a cidade dispersa é uma cidade cara, consumista, poluidora e sem senso de coletividade. Mas o grande dilema desse modelo urbano se dá com as perspectivas de limite dos recursos naturais e do crescente declínio da qualidade de vida, colocando todo o sistema a beira de um colapso.
A estrutura urbana brasileira segue esses padrões de ocupação, mas com os diversos agravantes inerentes à nossa estrutura social. É nesse território de desigualdades que esta pesquisa se justifica, tentando identificar os problemas e sua gênese, como também determinando ações que possam promover a
VI. CONTEXTUALIZAÇÃO
A escolha da cidade de Cuiabá como objeto de estudo e aplicação teórica decorre da necessidade de se interpretar as várias escalas do urbano (global, nacional, regional e local) em busca de um procedimento metodológico eficaz na orientação do planejamento urbano e regional integrado e sustentável. Assim, entende-se que esta pesquisa pode sugerir caminhos alternativos para a lógica da urbanização brasileira, propondo mecanismos de reabilitação urbana sustentável para a capital do Estado de Mato Grosso.
Por outro lado, a seleção de uma capital de um estado do Centro-Oeste que, afastado dos grandes centros acadêmicos e científicos nacionais, permite novas abordagens regionais ainda não exploradas no campo do urbanismo sustentável, ao contrário do que ocorre em regiões mais desenvolvidas no Nordeste, Sul e Sudeste do país, havendo nestas a recorrência de um volume grande de pesquisas e direcionado, em grande parte, para suas respectivas regiões. À medida que há uma compreensão desses fenômenos urbanos nas distintas partes do país e suas manifestações regionais, num futuro, torna-se possível uma melhor compreensão dos processos urbanos nacionais, auxiliando o procedimento de planejamento e pesquisa urbana como um todo e de forma integrado.