Uma das características de um estudo de caso é o emprego de múltiplas fontes de evidência para analisar o objeto de estudo, permitindo a triangulação das fontes e mitigando o risco de prevalência de subjetividade do pesquisador na condução de uma pesquisa qualitativa (GIL, 2002; YIN, 2005). Assim, a coleta de dados foi realizada a partir das seguintes fontes: políticas e legislações nacionais sobre CT&I e EPTT; dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) para averiguação do perfil sócio-econômico das cidades que possuem campi IFPR; Plataforma Stela Experta, onde foram obtidos dados sobre
Quantidade de casos Um Enfoque de observação Ações/gestão de Pesquisa e Inovação Seleção do caso Intencional Unidade de Análise e observação Institucional Objeto empírico IFPR O ORRGGAANNIIZZAAÇÇÃÃOO D DAAPPEESSQQUUIISSAA
produção, grupos de pesquisa e projetos vinculados ao IFPR. Ainda, dados institucionais foram obtidos a partir do portal de informações da instituição, da Pró- Reitoria de Extensão, Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PROEPPI), documentos institucionais, tais como: Plano de Desenvolvimento Institucional (edições 2009-2014 e 2014-2018), editais de fomento a projetos de pesquisa, inovação, eventos e aquisição de equipamentos para o desenvolvimento de pesquisas lançados durante os anos de 2012 a 2017 (totalizando 53 editais), resoluções da instituição4; relatórios de gestão dos anos de 2012 a 2017 (totalizando 6 relatórios), relatório de indicadores da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) dos anos de 2012 a 2017 (totalizando 6 relatórios), esse último a fim de delimitar o perfil da unidade de análise perante as demais instituições que compõem a rede federal de EPTT. E, finalizando o corpus de análise, foi aplicado questionário elaborado pela pesquisadora, conforme melhor explanado na seção seguinte.
Para fins de análise dos gargalos e das potencialidades a partir da unidade de análise IFPR, são levadas em consideração as ações desenvolvidas sob comando e/ou supervisão da Pró-Reitoria de Extensão, Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação – PROEPPI do IFPR desde a concepção da Pró-reitoria em 2012 até 2017. O recorte temporal deve-se à estruturação de uma pró-reitoria específica na instituição para pesquisa e inovação no ano de 2012, consolidando as políticas e rotinas específicas para esses pontos. A PROEPPI substituiu, na estrutura organizacional, a Pró-Reitoria de Interação com a Sociedade, representado um amadurecimento na gestão da pesquisa, extensão e inovação na instituição. Até 2017 era nomeada Pró- Reitoria de Extensão, Pesquisa e Inovação, ficando fora de sua alçada a pós- graduação.
A Pró-Reitoria atua de maneira colaborativa com as Direções de Ensino, Pesquisa e Extensão de cada campi e com a Diretoria de Pesquisa, Extensão e Inovação no caso do campus Curitiba. Essas diretorias atuam na implementação
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Resolução nº 56 de 03 de dezembro de 2012: regimento interno da instituição; Resolução nº 06 de 23 de janeiro de 2017: criação e organização do Núcleo de Inovação Tecnológica.; Resoluções dos Comitês de ètica: nº 03 e 04 de 23 de janeiro de 2017.
das políticas estabelecidas pela PROEPPI, além de demandar ações e políticas a esta Pró-Reitoria. Em suas atividades, essas diretorias são assessoradas pela Coordenação de Pesquisa e Extensão e pelo Comitê de Pesquisa e Extensão (COPE), que atua na análise, validação e qualificação de projetos de pesquisa e extensão que são propostos em cada campi. No caso específico de políticas voltadas para a inovação tecnológica a PROEPPI é assessorada em cada campi pelas Seções de Inovação e Empreendedorismo e Estágios e Relações Comunitárias, ambas também ligadas à Diretoria de Ensino, Pesquisa e Extensão dos campi.
3.3.1 Elaboração e aplicação de questionário
Este instrumento de coleta de dados consiste em um questionário elaborado em formato eletrônico a partir da plataforma de criação de formulários Google Forms, pertencente ao pacote de aplicativos Google Docs. Os questionários foram dirigidos aos gestores de pesquisa e inovação que atuam na instituição investigada, aos estudantes e/ou egressos da instituição envolvidos com projetos de pesquisa, extensão e/ou inovação, bem como aos docentes envolvidos em projetos que preferencialmente tenham mantido interação com setores externos ao IFPR Caso haja interesse em efetuar trabalhos de comparabilidade em outras instituições, o instrumento está disponibilizado no Apêndice A. O instrumento foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), sendo aprovado em fevereiro de 2019 (CAAE 03544918.3.0000.5547).
A partir dos dados coletados por meio do questionário buscou-se identificar a percepção dos respondentes sobre os gargalos na implementação da PCTI, bem como sobre as potencialidades, latentes ou não, vigentes no âmbito da instituição. Da mesma forma, na etapa de análise, é estabelecida uma convergência entre os dados obtidos a partir do questionário aplicado e a partir dos demais instrumentos.
Os questionários, embora sejam orientados pelas mesmas diretrizes, trazem algumas diferenças conforme a posição do agente perante à instituição investigada. As questões para os docentes e discentes, resguardadas as especificidades de atuação de cada grupo, abrangem suas experiências enquanto agentes no desenvolvimento de projetos na instituição investigada. Quanto aos gestores, as
questões buscam extrair suas percepções enquanto formuladores e responsáveis pela implementação de políticas e diretrizes institucionais.
As questões elaboradas são de múltipla escolha e abertas. A inclusão de questões abertas preza pela possibilidade que os participantes fiquem livres para responderem com suas próprias palavras, sem se limitarem a escolha fechadas em um rol de alternativas
Os questionários foram submetidos aos respondentes por e-mail por meio do endereço eletrônico institucional da pesquisadora, com introdução de mensagem e convite no corpo do e-mail, indicando prazo para resposta. Sobre a ótica dos respondentes de pesquisas acadêmicas por e-mail, Vieira et al (2010) identificaram que a maior parte dos entrevistados é favorável ao uso dessa ferramenta. Entre os benefícios apontados estão a facilidade de preenchimento e a praticidade para os respondentes. Outro ponto relevante identificado pela pesquisa foi a maior credibilidade conferida pelos respondentes aos questionários submetidos mediante endereço de e-mail institucional. O recebimento por contas não-institucionais não costuma transmitir credibilidade.
No início do questionário foi apresentado o termo com esclarecimento a respeito da pesquisa realizada (APÊNDICES B e C). Não foi possível avançar para o questionário sem declarar a leitura e consentimento em relação ao termo de consentimento livre e esclarecido.
A amostragem dentre os participantes convidados a participar da pesquisa foi intencional, ou seja, previamente selecionada, constituindo um método de amostragem não-probabilístico. Considera-se a maleabilidade do método qualitativo no que concerne às técnicas amostrais (NOBRE et al, 2016). Os questionários foram aplicados entre os meses de março e abril de 2019, após a aprovação pelo CEP. Foram obtidas 32 (trinta e duas) respostas (14 de gestores, 13 de docentes e 5 de alunos/egressos). Houve respondentes da Reitoria e dos campi Assis Chateaubriand, Barracão, Capanema, Cascavel, Colombo, Curitiba, Goioerê, Jacarezinho, Ivaiporã, Quedas do Iguaçu, Palmas, Paranaguá, Paranavaí e Umuarama, totalizando respondentes de 15 (quinze) unidades distintas da instituição.
Todas as respostas foram utilizadas para o desenvolvimento da discussão no último capítulo. Em relação às citações extraídas, a despeito de eventuais erros de
ortografia ou gramaticais, as respostas estão relacionadas tais como foram recebidas, sem quaisquer correções. Em virtude do compromisso de anonimato e da facilidade de identificação dos gestores com a menção à sua lotação, embora declarado no momento da aplicação da pesquisa, esse dado não é relacionado aos respectivos respondentes.