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Situation 1 : Analyse de la demande de PPS de A

5. ANALYSE DES DONNEES

5.1.1. Situation 1 : Analyse de la demande de PPS de A

4.2.1.1 Caracterização da sala de aula observada

As observações aconteceram numa sala de aula de 4ª série do Ensino Fundamental. No início do ano, havia 31 alunos matriculados na sala da professora Maria, no entanto quatro alunos, Be, Eli, Ju e Ma, que estavam matriculados em outras classes, frequentavam as aulas da professora Maria por serem considerados alunos especiais, totalizando 35 alunos em sala de aula. No decorrer do ano letivo, os alunos Ma e Ju deixaram de frequentar as aulas da professora Maria e passaram a frequentar a sala de reforço. Outros dois alunos, Gra e Pau, pediram transferência, por se mudarem do bairro. O aluno Je foi transferido para outra classe, enquanto L.F foi transferido para outra escola, ambos, devido a reincidências de mau comportamento em sala de aula. A aluna Pri evadiu-se. No final do ano letivo, três alunos foram retidos: Eli, Ag e MayT. A configuração final da sala encontra-se na tabela abaixo:

4.2.1.2 O mapa da sala de aula

Tabela 11: Alunos da professora Maria

Qtde. Aluno Sexo Situação final 1 AC F Aprovado 2 Ag M Retido 3 An M Aprovado 4 And M Aprovado 5 Be F Aprovado 6 Bre M Aprovado 7 Bru M Aprovado 8 Bru 2 M Aprovado 9 Cai M Aprovado 10 Eli M Retido 11 Fa M Aprovado 12 Fé M Aprovado 13 Fran F Aprovado 14 Ga F Aprovado 15 Grã F Aprovado 16 Hu M Aprovado 17 Já F Aprovado 18 Jê M Transferido 19 Jhon M Aprovado 20 Jhon C M Aprovado 21 Ju F Reforço 22 Joy F Aprovado 23 La F Aprovado 24 Lê F Aprovado 25 LF M Transferido 26 Lu F Aprovado 27 Lua M Aprovado 28 Ma M Reforço 29 May M Retido 30 May T M Aprovado 31 Pau M Transferido 32 Pri F Evadido 33 Va F Aprovado 34 Wal M Aprovado 35 Wil M Aprovado

4.2.1.3 Histórico da sala de aula

Segundo os relatos da diretora Joana e da professora Maria, que aparecem no item 3.1.9, esta classe foi formada em 2008, num contexto especial. Segundo elas, no ano de 2007, aproximadamente 25 alunos repetiriam a segunda série, por não estarem alfabetizados e não apresentarem os conceitos básicos de matemática. Na ocasião, a professora Maria trabalhava o reforço escolar com esses alunos e estabeleceu com eles um vínculo de respeito e confiança mútua. Desse modo, no decorrer do ano letivo, eles deixaram de frequentar as classes em que estavam matriculados e passaram a frequentar somente as aulas de reforço. Em decisão conjunta da direção, da professora Maria e da Secretaria da Educação, esses alunos foram aprovados, mesmo com a resistência do corpo docente, e formaram uma classe regular, com características especiais, reunindo os alunos com dificuldades de aprendizagem e alunos com problemas mentais e comportamentais. Sob a tutela da professora Maria, esses alunos cursaram a terceira série em 2008 e todos foram aprovados para a quarta série em 2009, ainda com a professora Maria. Desse modo, há praticamente três anos a professora Maria realiza um trabalho pedagógico com esses alunos que, de acordo com os depoimentos da professora e da diretora, suscitou no desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita e matemática na maioria dos alunos da turma.

Em 2009, aconteceram vários problemas e contratempos entre a professora Maria, seus alunos, os funcionários e, principalmente, a direção e a coordenação escolar. Os problemas, geralmente, giravam em torno das questões disciplinares dos alunos. A classe, como um todo, era rotulada pelos professores e funcionários da escola como alunos incapazes de aprender e de se comportar adequadamente. Sob os olhares da professora Maria, tudo acontecia tranquilamente, contudo, nas ocasiões em que a professora faltava, ou se ausentava da sala de aula, e os alunos permaneciam com professores substitutos ou funcionários, sempre aconteciam problemas. As faltas da professora Maria tornaram-se cada vez mais frequentes, após o primeiro bimestre, assim como suas queixas relacionadas a problemas de saúde e insatisfação profissional. Os problemas profissionais pareciam se concentrar na relação entre a professora e a direção, principalmente depois que outra professora assumiu a função de coordenação, indicada pela diretora. No segundo semestre, a professora adoeceu e precisou se afastar das aulas durante 21 dias, período em que não foram realizadas observações. Após seu retorno, a professora disse ter sofrido cobranças excessivas da direção e da coordenação, sobre o mau comportamento dos alunos. Este fato gerou polêmica até mesmo na Secretaria da

Educação, pois a fama de alunos “impossíveis” fez com que os professores substitutos se recusassem a assumir a sala de aula.

Assim, a aulas, no início do ano letivo, mostraram-se mais leves e descontraídas. Ainda que as atividades recognitivas predominassem, os alunos e a professora eram mais alegres, e as aulas eram mais interativas. Já no segundo semestre, principalmente no final do ano letivo, o clima estava mais tenso e pesado. Os alunos sofriam constantes punições e restrições como consequências do mau comportamento. A classe foi suspensa do recreio durante algumas semanas; a professora privilegiou a cópia e o excesso de tarefas repetitivas, em detrimento da leitura de histórias e atividades com jogos, a fim de punir os alunos. Discursos moralistas da professora, da direção, da coordenação e dos funcionários para os alunos, também, eram frequentes. E, no final do ano, a direção proibiu um passeio para uma sessão de cinema, de um projeto da Prefeitura Municipal, para punir as atitudes indesejadas dos alunos. Apesar desse contexto, a professora, ainda, improvisava algumas atividades diferentes, para valorizar e motivar os alunos.

Outro problema, enfrentado pela professora Maria, dizia respeito às dificuldades de aprendizagem dos alunos. Nos anos em que eles permaneceram sob a sua tutela, a professora promoveu atividades pedagógicas e avaliativas que considerava adequadas às necessidades dos alunos, adaptando o currículo e o conteúdo programático para séries anteriores à que estavam matriculados. No início do ano, ela promovia atividades diferenciadas para as dificuldades específicas dos alunos, mas no decorrer das aulas, ela passou a utilizar-se do mesmo conteúdo para todos, sob o pretexto de que, no ano seguinte, eles não teriam um tratamento diferenciado pelos professores do PEB II. Aderiu, também, ao treinamento dos alunos para as avaliações externas SARESP e Prova Brasil. Desse modo, a classe terminou a 4ª série como alunos copistas que não apresentavam autonomia para desenvolver as atividades pedagógicas tradicionais sem auxílio do professor ou de algum mediador, e alguns alunos não conseguiam escrever o próprio nome, como Cai, Fran, Fe, Be, Eli e May T. A grande questão enfrentada pela professora era decidir se os alunos deveriam continuar todos juntos, na mesma sala, no próximo ano, ou se deveriam ser separados e distribuídos em diferentes salas. Para ela, a primeira opção era a mais viável, pois a classe era unida, e, juntos, eles seriam mais fortes para enfrentar os preconceitos e as dificuldades que apareceriam. Contudo, ela sabia, que se tornariam públicas as lacunas e as defasagens de seus alunos, que seriam julgados e condenados, assim como ela, por não alcançarem os objetivos pedagógicos esperados para a etapa seguinte.

No final do ano letivo, três alunos foram retidos e os demais seguiram para a 5ª série, juntos, pois a escola optou por não separá-los. Segundo a direção, em entrevista realizada em maio de 2010, os alunos enfrentavam grandes dificuldades no Ensino Fundamental II e os professores atuais precisavam inventar novas formas de ensino para lidar com as dificuldades dos alunos. Diante desses novos desafios, não sabemos como a classe vai se reinventar, quais são os modos de existir que eles vão adotar: o recognitivo, dotado de ressentimento e má consciência, ou o inventivo, composto pelas forças ativas e pela vontade de potência?

A professora Maria desligou-se da escola, por vontade própria e assumiu a coordenação pedagógica de outra instituição escolar. Este processo de escolha percorreu o ano letivo de 2009. Nesse período a professora enfrentou diversas crises, questionando o seu trabalho na escola, sua relação com os alunos, as amizades e sua vida pessoal, experimentando momentos de angústia, solidão e dor.

4.2.1.4 Espaço físico da sala de aula

A pesquisa foi realizada na sala de aula da professora Maria. Era uma sala em formato retangular. As paredes eram pintadas com tinta óleo, sendo o teto branco, parede superior bege, uma faixa laranja a um metro do chão e o barrado verde. O chão era de cimento, e as carteiras e cadeiras de madeira eram verdes. Havia uma lousa verde pintada na parede e uma lixeira no canto direito da lousa, ao lado da porta. No canto esquerdo, ficava a mesa da professora com uma cadeira. No fundo da sala, no canto esquerdo, ficava um armário de ferro com portas de aproximadamente dois metros. Sobre o armário, havia quatro caixas de sapato encapadas em papel vermelho com um desenho de sapo verde na frente. Havia também muitas folhas, papéis e cartolinas sobre o armário.

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