Nesta categoria, pretendemos analisar os dados que dizem respeito ao primeiro contacto que os alunos tiveram com o texto poético neste projeto de intervenção. Para procedermos à análise desta primeira categoria, recorremos a duas atividades em torno dos aspetos específicos do texto poético, atividades realizadas na sessão 2.
Assim, num primeiro momento, procedemos à análise da videogravação efetuada na sessão 2, que se refere às atividades em torno do poema “Menino poeta” (cf. anexo 10). Através da videogravação selecionámos as interações pedagógico-didáticas mais pertinentes dos alunos e que evidenciassem consciência de conhecimentos sobre características do texto poético, nomeadamente os aspetos gráficos (incluindo a mancha) e os aspetos fónicos (rimas e ritmo).
Num segundo momento, analisámos as respostas dadas nas fichas de avaliação das sessões do projeto de intervenção, onde os alunos puderam indicar aquilo de que mais gostaram, que aprenderam e de que menos gostaram.
Deste modo, analisamos os dados referentes à sessão 2, na qual a professora explorou o poema “Menino poeta” com os alunos, abordando aspetos relativos às características do texto poético, como a mancha gráfica e os aspetos fónicos (rimas e ritmo). Podemos verificar nos excertos que apresentamos de seguida, as interações que se estabeleceram entre professora e alunos após a leitura do poema “Menino poeta” e durante a exploração do texto com os alunos.
Professora – Que texto é este que o menino poeta nos deu? Alunos – Um poema.
Alunos – Um poema sobre ele.
Professora – E porque é que vocês dizem que isto é um poema?
Aluno 16 – Porque ele diz que escreve poemas que rimava e este rima, por isso é um poema.
Professora – Como é que tu sabes que ele rima? Aluno 16 – Porque eu ouvi os sons.
Professora – Mais…porque é que é um poema? Aluno 8 – Isto é um poema porque tem versos.
Professora – Mas o que são versos? Quem me sabe dizer o que são versos? Aluno 12 – São linhas.
(Sessão 2 – 13 de Novembro de 2013 – videogravação parte 1, 00:13:57)
Com esta interação, conseguimos realizar uma sensibilização ao texto poético, em que a professora conseguiu perceber as conceções e os conhecimentos prévios dos alunos acerca deste tipo de texto. Os alunos, após a leitura do texto, conseguiram identificar que se tratava de um poema, através da mancha gráfica e dos aspetos fónicos. Com o desenrolar da interação, os alunos demonstraram não ter conhecimento de que um conjunto de versos se denomina de estrofe. Também, só um aluno indicou que quando temos 4 versos, estamos perante uma quadra.
Este tipo de interação com os alunos foi importante pois permitiu que os alunos tivessem contacto com novos vocábulos e estimulou a sua curiosidade sobre os diferentes tipos de versos e estrofes.
O diálogo com os alunos continuou, tendo sido explorados os aspetos fónicos e as rimas do texto poético. Assim, apresentamos mais um excerto onde estes aspetos foram realçados:
Professora – Quem me sabe dizer o que é uma rima? Aluno 20 – Rima é quando termina no mesmo som.
Professora – Dá-me um exemplo de uma palavra que rime com “andava” aqui no poema. Aluno 1 – “voava”.
Professora – Diz-me uma palavra que rime com “pensada”. Aluno 13 – “conversava”.
Professora – “pensada” e “conversava” rima? Aluno 12 – Não! “rimada”.
(Sessão 2 – 13 de Novembro de 2013 – videogravação parte 1, 00:20:16)
Através deste excerto conseguimos perceber que os alunos demonstram conhecimentos sobre características do texto poético, nomeadamente ao nível dos aspetos fónicos, em particular a existência de rimas. Embora um aluno não tenha conseguido verificar uma palavra que rimasse com outra, os outros alunos rapidamente ajudavam, indicando outra palavra.
Esta análise permitiu identificar os conhecimentos dos alunos, tendo estes sido capazes de evidenciar conhecimentos sobre características do texto poético, de identificarem aspetos fónicos presentes no texto, nomeadamente a rima e os aspetos formais, no que se refere ao conceito de verso e estrofe.
De acordo com o que já referimos anteriormente, para esta categoria analisámos também as fichas de avaliação das sessões realizadas pelos alunos.
A segunda parte das fichas de avaliação destinava-se à resposta de uma questão que variava de sessão para sessão. As questões foram: “O que mais gostaste nesta sessão?”; “O que aprendeste com esta sessão?”; “O que gostei menos nesta sessão?”; e “Quais foram as
sessões de que mais gostaste?”. Esta última pergunta foi realizada na última sessão do projeto.
Após a compilação de todas as respostas (cf. anexo 5.1.), podemos verificar que as respostas mais unânimes foram dadas na sessão 2. Em 19 fichas preenchidas, 16 alunos referiram-se à identificação das rimas, como se pode verificar nas seguintes respostas que servem de exemplo:
Aluno 14: “Eu aprendi que as rimas acabam com as mesmas letras. (…)”
Aluno 16: “Eu aprendi (…) as palavras com o som ava, adas e ada no fim das palavras e voltámos a estudar as rimas num texto muito bonito.”
Aluno 12: “Eu aprendi a fazer rimas.”
Com estas respostas, pudemos verificar que os alunos aprenderam coisas sobre o texto poético, nomeadamente as rimas.
Em suma, este trabalho com os alunos permitiu que eles evidenciassem os seus conhecimentos sobre características do texto poético, como a mancha gráfica, aspetos fónicos (rimas) e aspetos formais. Estas atividades foram um momento de descoberta de novos conhecimentos por parte dos alunos.
É necessário referir que existem aspetos semânticos, como a construção de sentidos (figuras de estilo) que caracterizam o texto poético, contudo, no nosso trabalho apenas nos focamos nos aspetos formais devido à faixa etária em que implementamos o projeto de intervenção.