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SIMULATOR OPERATING SYSTEM (SOS) AND SIMULATOR PROGRAM (SIM800)
Em relação às características socioeconômicas, os municípios de maior poder aquisitivo (Cajazeiras, Patos e Sousa) se destacaram por ter também maior disparidade social. Isso foi analisado pelo coeficiente de Inequidade (Gini). Isso implica dizer que os municípios possuem economias mais desenvolvidas, possuem também uma má distribuição entre a população residente, fator este que aumenta a sensibilidade dos mais pobres aos efeitos das secas, principalmente para a parte da população que depende da agricultura familiar.
No que concerne à porcentagem da população economicamente ativa (PEA) desempregada, ou não empregada formalmente, no ano de 2010, o município que teve maior índice foi o de Sousa, com cerca de 9% da PEA desempregada.
Torna-se importante ressaltar que os parâmetros utilizados pelo IBGE para obter os dados de pessoas desempregadas são um tanto duvidosos. Afirma-se isso devido ao que é considerado como parcela da população que encontra-se desempregada, pois são consideradas somente as pessoas que procuraram trabalho na semana de referência da pesquisa e não o encontraram. (ASSIBGE, 2018). Outro fator que interfere para a diminuição dessa porcentagem é que as pessoas incluídas no “Programa Bolsa Família” na maioria das vezes não são consideradas desempregadas, pois a maioria afirma não está à procura de emprego, sendo assim classificadas como “desalentados”33, não compondo o índice de desempregados (EXAME, 2011; ASSIBGE, 2018).
A realidade é que se um beneficiário do Programa Bolsa Família for oficialmente admitido como empregado, com carteira de trabalho “assinada”, dependendo da renda per capita da família, poderá perder o benefício (EXAME, 2011), isso pode induzir os beneficiários a responderem que não estão à procura de um emprego formal.
Então acredita-se que os valores oficiais disponibilizados pelo IBGE sejam uma mera abstração da realidade vivida em todos os municípios brasileiros. No presente trabalho, tentou-se minimizar essa “deficiência” pela utilização da variável “População atendida por programas sociais no município”, no Indicador de Capacidade Adaptativa.
No tópico referente às Características Tecnológicas empregadas no meio rural, o índice de porcentagem do volume dos reservatórios atingido no fim do quadrimestre chuvoso para o ano de 2010, o município de Cajazeiras representou o pior cenário, com pouco mais da metade de seus reservatórios preenchidos (51%). O que obteve melhor resultado foi o município de Cabaceiras com 88% da reserva total.
Apesar de apresentar o menor armazenamento de água em seus reservatórios, Cabaceiras foi o município com maior número de poços por família (cerca de um poço para cada 21 famílias). Em
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relação à porcentagem das famílias atendidas por cisternas rurais, os municípios que tiveram melhor resposta foram os municípios de Picuí (36%), Sumé (32%) e Cabaceiras com (19%).
Notou-se através desta pesquisa que os municípios não tinham uma gestão regular dos reservatórios de grande porte (açudes) e de pequeno porte (cisternas) e ainda pode-se observar como e onde era realizada extração de água do subsolo (através de diversos tipos de poços).
Ainda no que tange à gestão das cisternas (manutenção e instalação de novas cisternas), notou-se certo tipo de inconsistência e ausência de dados por parte dos agentes executores destes programas (Programa um Milhão de Cisternas-P1MC e Programa Uma Terra e Duas Águas - P1+2), tendo em vista que não foi encontrada uma organização que concentre todas as informações sobre esses programas.
Torna-se importante ressaltar ainda que o principal “site” utilizado para a obtenção de dados sobre cisternas, no início desta pesquisa, denominado de “Observatório da Seca”, hoje se encontra fora do ar. Tentou-se por mais de uma vez o contato com a Casa Civil do Governo Brasileiro (por telefone e por e-mail) e não se obteve resposta alguma sobre o porquê do “site” ter sido tirado do ar. Em relação ao Indicador de Sensibilidade propriamente dito, nenhum dos municípios apresentou resultados baixos ou muito baixos. Todos os municípios foram classificados como médios, com exceção de Cabaceiras, Cajazeiras e Patos que apresentaram os valores próximos a 0,660 considerados como alto (Figura 44).
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Figura 44- Sensibilidade à seca dos municípios paraíbanos para o ano de 2010
Na Figura 45 e Figura 46 são apresentados os resultados numéricos dos subindicadores e indicadores de sensibilidade de cada município em questão.
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5.3.3 Capacidade Adaptativa dos Municípios
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDHM caracteriza três grandes áreas do desenvolvimento humano, isto é, a vida longa e saudável, o acesso ao conhecimento e o padrão de vida. Com o passar dos anos nota-se no Brasil uma melhoria acentuada nessas áreas.
Segundo a classificação adotada pela ONU, apenas Patos teve um IDHM (2010) considerado alto (entre 0,700 e 0,799), enquanto que os demais munícipios foram considerados como médio (valores que variam entre 0,600 e 0,699).
No quesito porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) investido em educação e cultura, Sousa teve o pior desempenho dos sete municípios, visto que investiu em 2010 apenas 2% do PIB em educação, enquanto o município de Sousa investiu 9,9%.
Ao se falar em porcentagem da população inserida em Programas Sociais Financiados pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) (PBF + BPC + RMV)34, o município de Sousa volta a se destacar como o que possui maior população atendida por esses três programas sociais, com cerca de 19,63% da população inserida em algum tipo de programa de assistência social, seguido pelo município de Sumé com 18,4% da população. Já os municípios de Princesa Isabel e Picuí possuem 14,11% e 14,81% respectivamente.
Em relação ao PIB municipal per capita, dentre os sete municípios, Sousa obteve o maior índice (R$ 8.910,38). Sousa obteve quase duas vezes o valor do PIB municipal per capita do município de Picuí, que foi de R$ 4.638.84, município este com menor PIB per capita. Porém torna- se importante lembrar que Sousa possui a pior distribuição de renda (Índice de Gini).
Em relação à população aposentada, os municípios Cajazeiras e Sousa obtiveram os maiores índices com cerca de 30% e 29% respectivamente. Em relação à porcentagem de funcionários públicos nos municípios, o que apresentou maior porcentagem foi o município de Sumé com cerca 4% da população formada por funcionários da iniciativa pública. Já Cabaceiras apresentou menos de um por cento em 2010.
Na Figura 47, pode-se ver os resultados obtidos da interação entre os subindicadores Características Socioeconômicas, Características Tecnológicas e Características das Atividades e resultando no Indicador de Capacidade Adaptativa de cada município.
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Figura 47 - Capacidade Adaptativa à seca dos municípios paraibanos para o ano de 2010
Já nas Figura 48 e Figura 49 são apresentadas as representações gráficas dos conjuntos de subindicadores e seus respectivos valores, e o Indicador de Capacidade Adaptativa para o ano de 2010.
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Figura 48 - Gráficos de Capacidade Adaptativa à seca para o ano 2010 dos municípios: Cabaceiras, Cajazeiras, Patos e Picuí
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5.3.4 Vulnerabilidade dos Municípios
Sobre os resultados do Índice de Vulnerabilidade à Seca, torna-se importante lembrar que eles foram obtidos por meio da agregação dos dados dos Indicadores de Exposição, Sensibilidade e Capacidade Adaptativa (Quadro 11) de cada município alvo do estudo.
Quadro 11 - Indicadores de Exposição, Sensibilidade e Capacidade Adaptativa dos municípios brasileiros o ano de 2010
Municípios
Indicadores Índice
Exposição Sensibilidade Capacidade
Adaptativa Vulnerabilidade Cabaceiras 0,472 0,664 0,333 0,646 Cajazeiras 0,126 0,663 0,496 0,506 Patos 0,333 0,663 0,496 0,510 Picuí 0,333 0,554 0,496 0,433 Princesa Isabel 0,226 0,447 0,496 0,322 Sousa 0,333 0,520 0,496 0,409 Sumé 0,333 0,496 0,333 0,506
Fonte: elaboração do autor.
Ao analisar o Quadro 11, observa-se que quatro dos municípios obtiveram um mesmo Indicador de Exposição (0,333), que Cabaceiras obteve o maior valor (0,472) e Cajazeiras obteve o menor resultado (0,126).
No que concerne aos indicadores de Sensibilidade obtidos pelos municípios, Cabaceiras, Cajazeiras e Patos se configuraram como os mais sensíveis com um valor de 0,66, enquanto que Princesa Isabel apresentou o menor valor 0,447.
Cabaceiras e Sumé apresentaram o menor resultado de Capacidade Adaptativa (0,333), enquanto os outros obtiveram o mesmo resultado (0,496).
Por meio da agregação dos resultados obtidos nos Indicadores de Exposição, Sensibilidade e Capacidade Adaptativa, obteve-se o índice de Vulnerabilidade à Seca, expressos nas Figura 50, sendo Cabaceiras o mais Vulnerável (0,646).
Na Figura 50, pode-se observar que apenas o município de Cabaceiras apresentou uma vulnerabilidade alta, enquanto os municípios de Cajazeiras, Patos e Sumé apresentaram uma vulnerabilidade moderadamente alta. Picuí e Sousa uma vulnerabilidade média e o município de Princesa Isabel apresentou uma vulnerabilidade moderadamente baixa.
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Figura 50 - Vulnerabilidade à seca dos municípios paraíbanos para o ano de 2010
Na Figura 51 e Figura 52 são apresentadas as representações gráficas dos conjuntos de indicadores e seus respectivos valores (plotados em linha vermelha tracejada), que compuseram o índice de Vulnerabilidade à seca para cada município (imagem inferior central) estudado no ano de 2010.
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