5.5 Comparaison avec la simulation pour les tubes spatiaux
5.5.1 Simulations sur les tubes TH4765C
Na quinta aula, os alunos foram desafiados a produzir uma embalagem para um produto imaginário. Os professores queriam que os alunos estivessem atentos à forma da embalagem bem como às informações que deveriam ser escritas conforme o produto imaginado. Em aulas anteriores, Vanessa havia já passado algumas informações para a turma de forma que, os alunos iniciaram a aula cientes do que seria demandado deles.
Logo que a aula começou, Leonardo colocou sobre sua carteira alguns sólidos feitos de papel. Inquirido, informou a Sarquis que fizera aqueles sólidos por sua própria iniciativa. Na entrevista, ele disse que, entre a quarta e a quinta aulas, copiou algumas planificações que Vanessa dera aos alunos havia longo tempo, bem antes do início da pesquisa.
Figura 18 (A e B): Leonardo apresenta os sólidos em papel que fizera em casa
Leonardo disse na entrevista que levou também para a sala duas planificações industriais de embalagens de pasta de dentes. Ele entregou essas embalagens para uma colega do seu grupo de seis alunos. Na sua lembrança, Vanessa teria anunciado uma competição entre os grupos para aquele dia, dizendo para a turma que queria ver quem faria o melhor trabalho. O fato de ter levado essas duas embalagens se justificaria pelo desejo de contribuir com o grupo. Nas suas palavras: “Eu deixei as caixas para ela que assim meu grupo não ficava em desvantagem”.
Durante a aula, Leonardo não utilizou as planificações industriais que levara, o que poderia ter facilitado seu trabalho. De fato, a maioria dos colegas de grupo decalcou aquelas planificações para produzir as caixas de seus produtos. Ele comentou sua decisão na entrevista: “Eu não queria copiar. Eu queria aprender como construir (uma caixa). Pode ser que, um dia, eu tenha que construir uma caixa como aquela em um teste. Aí ia ser impossível
para mim construir a caixa. Então eu decidi desenhar (minha planificação) usando uma régua”.
Cada aluno recebeu uma grande folha de papel para fazer seu trabalho. Quase todos eles produziram a embalagem individualmente, embora interagissem com os colegas de grupo sempre que julgavam necessário. Leonardo foi o primeiro de seu grupo a começar o desenho da planificação. Não esperou pela ajuda de ninguém. Na entrevista, quando perguntado sobre por que estava tão concentrado, disse: “Algumas vezes eu queria que meu trabalho saísse perfeito, aí eu podia melhorar”.
Leonardo começou seu trabalho desenhando um retângulo. Então pediu ajuda a Vanessa para saber como escrever a palavra “xampu”. Ele também pediu a uma colega que escrevesse com letras bonitas o seu produto imaginário: um xampu para cachorros anti-pulgas e anti- carrapatos. Depois de aproximadamente 30 minutos, ele tinha dois desenhos em sua folha que, aparentemente seriam a frente e o fundo de sua embalagem. No entanto, enquanto desenhava essas duas estruturas, ambos os professores, que circulavam revezando-se entre os grupos, lhe disseram que as duas partes não se ajustariam uma à outra devido à diferença nos tamanhos (Figura 19, A e B).
Figura 19: (A and B) Os primeiros desenhos de Leonardo, aparentemente frente e fundo da embalagem
Leonardo decidiu cortar sua folha em duas partes e colocou esses primeiros desenhos debaixo da carteira. Então, começou a desenhar uma outra planificação para a caixa. Depois de terminar essa segunda tentativa, tentou fazer algumas correções sugeridas pelos professores (Figura 20 A). Depois disso, cortou a planificação e começou a dobrá-la. No entanto, não estava conseguindo transformar seu desenho em uma caixa (Figura 20 B) e pediu ajuda.
Figura 20: (A) Leonardo termina seu segundo rascunho e (B) começa a dobrá-lo
Sarquis pegou a planificação e fez algumas dobras em linhas que não estavam desenhadas. Agindo assim, conseguiu uma solução para o desenho. Leonardo desdobrou o papel e acrescentou alguns desenhos ao retângulo que ficaria na frente da caixa. Depois disso, pediu a uma colega ajuda para escrever o nome do produto. Finalmente, pôde dobrar o papel e colar formando a caixa. Então, voltou-se para a câmara e mostrou seu produto.
Figura 21: Leonardo mostra sua caixa para a câmera
Leonardo estava tão comprometido com a atividade que começou a se preparar para ela alguns dias antes. Ele sabia o que pretendia produzir e, durante a aula, parecia compreender a atividade como uma totalidade, e não mais como uma seqüência de tarefas a serem executadas. O fato de ter levado as embalagens industriais para as entregar aos colegas indica que tomava a atividade como um trabalho a ser realizado coletivamente. Como disse na entrevista, estava interessado em aprender a fazer uma caixa e, por isso, realizou a atividade com um objetivo que reconhecia como importante. Levando em conta o conjunto desses fatores, considero que Leonardo passou pela experiência de um trabalho não-alienado.
Leonardo não perdeu o controle sobre a atividade quando pediu ajuda aos professores para verificar se seus desenhos estavam corretos, nem quando pediu ajuda à colega para escrever o nome do produto com letras bonitas. Em ambos os casos, não teve a mesma atitude
da quarta aula. Pediu ajuda sabendo que precisava compensar algumas de suas dificuldades, mas não ficou esperando por instruções que deveria seguir como acontecera várias vezes anteriormente. Ele ainda apresentou dificuldades para desenhar a planificação e comentou essas dificuldades na entrevista, quando disse que se esforçara demais. No entanto, ele soube utilizar a ajuda das pessoas e, assim, essas dificuldades não o impediram de levar adiante seu objetivo.
Retomando os comentários tecidos a partir das palavras de Lave e Mcdermott (2002), se os professores procurassem remediar essas dificuldades, terminariam por oferecer a Leonardo uma seqüência de exercícios que dificilmente seriam significativos para ele e provavelmente não teriam ajudado o aluno naquilo que considero que era sua maior necessidade: a aquisição de confiança na capacidade de gerir uma atividade de aprendizagem.
Leonardo abriu uma janela de onde pôde ver a si mesmo planejando e alcançando um objetivo. Ele não foi o único que passou por essa experiência. Praticamente todos os alunos, cada um a seu modo, também experimentaram a possibilidade de controlar a atividade que desenvolveram. O caso dele é emblemático por dois motivos. Primeiro porque, na percepção minha e de Vanessa, era o aluno que mais apresentava dificuldades em matemática. Em segundo lugar, seu processo passou despercebido dos professores e, se eu não tivesse conseguido a entrevista, não obteria uma dimensão mais precisa da importância do episódio para ele.
Não é possível no âmbito desta pesquisa obter uma visão mais precisa das conseqüências desse tipo de aprendizagem em ambientes fora da escola. Sabemos que o episódio foi bastante significativo a ponto de ser recordado por Leonardo em minúcias. Acredito que ele obteve uma imagem positiva de sua capacidade, além da confiança na possibilidade de desenvolver um trabalho coletivo em harmonia. Considero que essas lições são bastante importantes, mesmo sabendo que os resultados futuros são imprevisíveis e que não há como se garantir que esse tipo de educação contribui para se combater a alienação no trabalho. É verdade que as condições concretas que são enfrentadas nos ambientes produtivos limitam de maneira considerável as possibilidades de se combater a alienação. No entanto, sem ao menos a experiência de uma atividade não-alienada, como as pessoas podem obter referências para definir com clareza o que desejam e lutar pelo que acreditam?
Apresentados então os três episódios, passo em seguida a propor uma articulação entre eles visando apontar para algumas possibilidades de generalização abertas pela pesquisa aqui descrita.