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2.5 Adaptation de maillage anisotrope

2.6.2 Simulations d’écoulements

A "Vanguarda Brasileira"

A purificação dos estudantes por sua juventude.

_______________________________________________________________ A promoção de uma "Juventude Estudiosa"162.

Os atributos de realização e serventia dados aos jovens já apareciam nos discursos publicados em EBSA no início dos anos 1960, em primeiro lugar associando o bom estudante ao trabalho. Mas outras histórias também surgiram após a demarcação da existência de um potencial juvenil que ficou destacado com as manifestações estudantis nos anos 1960. A primeira vez que o termo foi usado explicitamente foi em um artigo do Correio da Manhã, quando pensava em “acolher o crescimento demográfico de forma racional” 163

. O “potencial” juvenil foi registrado em 6,13% dentre as referências sobre a juventude em EBSA.

Essa divisão de atributos dos jovens ficou registrada claramente em EBSA em setembro de 1969 pelo Gal. Araújo Lopes:

É preciso separar os movimentos válidos da juventude, perfeitamente defensáveis no que representam de renovadores da sociedade, daqueles que apenas se destinam a destruir valores definitivos da nossa civilização. Essas condenáveis e é preciso tornar obrigatório o seu controle e a destruição das fontes que os originam (EBSA, 1969, p. 36).

A ideia de existência de movimentos "válidos de juventude" já estava nos discursos de EBSA desde o início dos anos 1960 quando essa categoria social passou a ser proprietária de uma "energia exuberante" (EBSA, 1962, p. 62). Havia "potencial" nos jovens como justificativa da interligação entre os graus de ensino apresentado pela Lei nº 5.692 de 11/08/1971 (EBSA, 1972, p. 30); "potencial" como uma "vontade firme e reta no orgulho de nação soberana e independente" (EBSA, 1974, p. 3).

162 Para a discussão sobre a “juventude estudiosa” foi levada em consideração a análise dos

textos cujo conteúdo registrou explicitamente ou fez referência às seguintes expressões: “juventude boa” (43 artigos), “juventude estudiosa” (16), “estudantes bons” (11).

A ideia de que determinados dotes representativos da juventude estudantil deviam ser observados, capturados e usados para o benefício do desenvolvimento do país perpassou os discursos de EBSA em simultaneidade aos ataques ao movimento estudantil e à mobilização política seja dentro ou fora da escola. Também a ideia de que os jovens eram detentores de uma força virtual que poderia (ou não) ser detonada no futuro teve várias formas, ora usada como elemento para a distribuição de jovens para as possibilidades de trabalho, ora como um fator moral imprescindível para a grandeza do país.

Portanto, a montagem de um ideário de jovem bom que fosse compatível e agregado às crenças dos editores de EBSA, se prolongou por toda a década de 1960 e adentrou a década de 1970.

Sobre uma "juventude estudiosa", que era “boa” recaíram as seguintes imagens: ela era um "puro manancial"; que deveria carregar a "mística de uma democracia autêntica", ou seja, a integração entre classes em "perfeita identificação com o destino do regime e da nacionalidade"; juventude boa como a "índole do nosso povo", "pura", "dócil", "sensível", que trabalhava, tinha amor à família e à Pátria164.

No caso a seguir, o potencial juvenil teve nuances exageradas. EBSA publicou o comunicado de um Simpósio Nacional sobre superdotação em 1968. Durante o simpósio foi cogitado a possibilidade de uma “triagem” por meio de “testes psicológicos”, a fim de que fossem testadas as capacidades do superdotado: “mini-gênio” que deveria ter o futuro condicionado aos “campos de trabalho dentro das esferas prioritárias dos interesses brasileiros”; seria formado em “classes-especiais” nas escolas e colégios com suplementação de estudos de “maior nível”; não poderiam abandonar os estudos por conta de “circunstâncias eventuais” que os desviassem do “campo natural de preparação pedagógica” (EBSA, 1968, pp. 46-47).

Esse jovem dotado de requinte intelectual, dez anos mais tarde, voltou a ser tema da Revista quando o CFE percebeu a entrada de uma “grande quantidade de „atestados de superdotação‟” apresentados por pais de alunos

164

As expressões citadas foram cunhadas respectivamente por FSP no artigo "Estudantes" em 05/07/1964 (EBSA, 1964, p. 63); pelo Ministro da Educação em 1965, Flavia Suplicy de Lacerda (EBSA, 1965, p. 22) e OESP no artigo "150 mil operários respondem aos estudantes" em 22/05/1970 (EBSA, 1970, p. 66); por Alfredo Gomes, no artigo "responsabilidade de todos" (EBSA, 1971, p. 7).

ao órgão, no momento em que os seus filhos passavam no vestibular ser ter ainda concluído o 2º grau (EBSA, 1978, pp. 67-68).

Foi elaborado em EBSA, um rol de conhecimentos autorizados e apresentados exemplos de jovens "reais" que poderiam ser seguidos. A representação de um jovem laborioso, forjado, deveria ser compreendida pelos leitores como um mapeamento da verdadeira juventude estudantil. Entender como foi constituído um processo de purificação da juventude brasileira, bem como, o que foi sugerido pelos sujeitos produtores da Revista como forma de "desviar" a juventude do seu potencial à revolta e, também o de “organizar” o jovem “tranqüilo”, serão discutidos neste capítulo.

Juventude como "puro manancial" busca um Brasil melhor165.

Desde o período das grandes greves estudantis perpetradas no início da década de 1960, os estudantes estavam associados à ideia de que eles só tinham tempo para atuar politicamente porque eram socialmente privilegiados e também porque não trabalhavam. Entretanto, não foi exatamente isso o encontrado em outras interpretações sobre o período.

Foracchi (1965, p. 3) se ocupou em caracterizar o “conjunto de mecanismos e processos" que presidiam à constituição do estudante como "categoria social” e reiterou a ideia de que estudantes de nível superior eram agentes excepcionais que usufruíam de uma oportunidade inacessível para a maioria dos jovens daquele período (Foracchi, 1965, p. 6). Mas divergiu dessa consideração de ausência do trabalho dos estudantes, ao dizer que, à época, havia um "traço marcante" de "reciprocidade fundada na dependência familiar" [grifo da autora], onde o estudante além procurar se manter, ainda colaborava para o sustento da família. De acordo com a autora, os vínculos entre os jovens e a família havia se alterado e houve a necessidade de que os jovens trabalhassem como um imperativo das circunstâncias dessa nova situação concreta de convivência: a vida em família estaria encarecida (Foracchi, 1965, p. 55).

165 A juventude estudiosa como "puro manancial" foi analisada nas páginas de Folha de