No inicio da EAD professores e alunos estavam em diferentes espaços e tempos. Por este motivo, os conteúdos eram enviados, inicialmente, por correspondência e, posteriormente, por outras mídias eletrônicas. Nesta perspectiva, o aluno era autodidata. Não havia interatividade com o professor nem com os demais alunos do curso. As dúvidas quase sempre eram sanadas por correspondência, fax ou telefone. Desta forma, o professor, também, não acompanhava o processo de aprendizagem do aluno e algumas vezes apenas o encontrava na avaliação final.
A EAD na década de 60 utilizava material impresso e/ou mídias de massa (basicamente o rádio e a televisão) e desta forma o tutor tinha como tarefa assegurar a realização dos objetivos do curso, cuidando para que os alunos recebessem os recursos necessários à sua auto-aprendizagem. Vale ressaltar que esta perspectiva de EAD era baseada na teoria de aprendizagem behaviorista e que por este motivo a ênfase estava nos recurso e não no professor.
O cenário da EAD começa a ser alterado somente após o desenvolvimento e difusão das TIC, com ênfase na internet que imprimiu modificações na forma das pessoas se relacionarem e construírem conhecimentos, pois ela proporciona múltiplas disposições à intervenção do interagente (Primo, 2002). Est as novas modalidades comunicacionais proporcionadas pela presença das TIC criam novos
tempos e espaços interativos descentralizados, não lineares e provocam mudanças estruturais na forma de se produzir, distribuir e compartilhar a informação, passando de um sistema "Um-Todos" para "Todos-Todos" (Brechet apud Dantas, 1996; Lévy, 1999; Lemos, 2001). Na rede todos os nós são centros, ligados entre si, formando uma teia, onde os conhecimentos são permanentemente (re)construídos, a partir das inter-relações entre os sujeitos.
A nova modalidade de EAD baseada na utilização das TICs, possibilita a instauração de um outro paradigma educacional mais interativo. Desta forma, o professor não poderá ser apenas um monitor ou tutor das atividades, pois o papel que ele deverá desempenhar atualmente na EAD é diferente do seu papel, quando essa era mediada por mídias de massa. Hoje, ele é sujeito atuante no processo educativo, que interage com o aluno buscando juntos (re)significar e (re)construir concepções e práticas pedagógicas. Por isso, é indispensável sua participação em todas as etapas de construção do curso em EAD, desde o planejamento, o desenvolvimento e a avaliação.
Percebe-se que hoje os sujeitos envolvidos na EAD não estão mais centrados no ensino, mas na aprendizagem colaborativa proporcionada pelos ambientes na internet. Assim, faz-se necessário que o professor desenvolva competências de colaborador da aprendizagem e que possa respeitar as características e o tempo de aprender de cada aluno. O papel do professor não é mais o de apenas transmitir as informações, sua principal função agora é a de interagir com os alunos proporcionando-lhes oportunidades de construírem seus próprios conhecimentos e escolherem seus próprios caminhos.
Para Litwin (2001) a EAD hoje precisa ser repensada até mesmo na sua terminologia, pois “talvez tenhamos que dar outro nome para educação à distância, visto que ela já não se define mais pela distância. O que seguramente não vamos mudar é a sua definição de educação” (p.9).
O professor irá orientar o aluno para estudar a distância, interagindo e refletindo sobre a necessidade de se adquirir autonomia na aprendizagem. Para isso, precisa desenvolver habilidades, para atuar de forma interativa, sendo o mais
comunicativo possível, procurando formas que facilite o processo de aprendizagem, estimulando às leituras, cumprimento das tarefas, participação nas conferências, chats, etc. Cada frase, cada atitude do professor contribuirá para a segurança no caminhar de cada aluno. A comunicação (interação) é mais importante do que a informação “Seu lugar de saber seria o do saber humano e não o do saber informações” (ALVES; NOVA, 2003, p.19).
Uma modalidade de educação baseada na comunicação interativa pressupõe mudanças nos papéis dos sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem. O professor não será mais o emissor de informações e nem o aluno será um mero receptor passivo. Ao disponibilizar-se para o mais comunicacional, ele convida o aluno a participar e intervir nos conteúdos, passando-os do patamar da informação para o do conhecimento. De acordo com Silva (2000, p.159), o professor “disponibiliza domínios de conhecimento de modo expressivamente complexo e, ao mesmo tempo, uma ambiência que garante a liberdade e a pluralidade das expressões individuais e coletivas”.
Em um curso a distância a flexibilidade deve existir. Porém, em menor grau que no curso presencial devido a programação do tempo dos alunos. Saber planejar, organizar, gerenciar e avaliar sua prática pedagógica é de fundamental importância para o professor de EAD. Conhecer todo o projeto pedagógico do curso (não se limitar apenas a sua disciplina); participar da elaboração de todo o material didático das demais disciplinas do curso, porém aprofundando-se do conteúdo específico da sua área de conhecimento. É necessário ainda para o professor de EAD, planejar atividades e oferecê-las ao grupo com indicações de referências e de tempo (prazos) para realização de cada atividade, parcial e final. Criar tópicos para discussões nas conferências, promovendo entre os participantes, atividade de aprendizagem, comunicação, troca e experiências nas atividades colaborativas. Assim como, propor e coordenar as atividades de chat e avaliar os resultados (qualitativos e quantitativos) alcançados por cada aluno durante o desenvolvimento do curso.
É importante que o professor conheça e pesquise amplamente o tema em debate, pois deverá prestar informações, orientações e indicações de referências além das sugerida no material didático, fazendo reflexões significativas que possam incentivar os
alunos no aprofundamento dos estudos. Vale ressaltar que, para que o professor consiga incentivar seus alunos a serem pesquisadores ele deverá mostrar-se também como um pesquisador (LUCENA; TANAJURA, 2006).
Para que as práticas colaborativas em EAD on-line sejam mais eficientes e integradas é necessário o envolvimento interdisciplinar de toda uma equipe de produção. Para isto, é essencial envolver vários especialistas e competências tanto no processo de criação dos materiais e conteúdos até a utilização dos mesmos no processo de ensino/aprendizagem.
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A sistematização do ensino/aprendizagem e a divisão do trabalho permitem planejar o currículo com ênfase no alcance dos objetivos pré-definidos de modo eficaz. Neste processo cada especialista é responsável por uma parte do processo. Tudo começa com a produção e concepção dos materiais que serão disponibilizados no ambiente colaborativo de aprendizagem para que os cursistas tenham acesso durante o curso. Os conteúdos geralmente são dispostos através de unidades temáticas, subdivididas em atividades. As unidades temáticas são produzidas por diferentes especialistas com pouca ou quase nenhum construção coletiva. A Tabela 4 a seguir sistematiza alguns especialistas e suas atividades básicas em EAD on-line.
Tabela 4: Profissionais em EAD on-line.
ESPECIALISTAS ATIVIDADES
Conteudista Cria e seleciona conteúdos normalmente na forma de texto explicativo/dissertativo e prepara o programa do curso.
Web-roteirista Articula o conteúdo através de um roteiro que potencializa o conteúdo, produzido pelo conteudista) a partir do uso de linguagens e formatos variados (hipertexto, da mixagem e da multimídia).
Web-designer Desenvolve o roteiro, criado pelo web-roteirista, criando a estética/arte final do conteúdo a partir das potencialidades da linguagem digital.
Programador Desenvolve os ambientes colaborativos de aprendizagem, criando programas e interfaces de comunicação síncrona e assíncrona, atividades programadas, gerenciamento de arquivos, banco de dados. Enfim, toda parte do processo que exija programação de computadores. Fonte: Okada e Santos (2003)
É relevante criar uma dinâmica curricular que articule as diversas competências em um processo de criação interativo e interdisciplinar. Não basta apenas criar uma equipe com competências variadas.