3.4 Circuit de conversion RF-DC flexible
3.4.1 Simulation et dimensionnement
Nos anos de viragem entre os séculos XIX e XX a natureza associativa das organizações de pesquisa – como American Social Science Association – converte-se em grupos especializados, como American Economic Association (1885); American Political
Science Association (1903); e American Sociological Society (1905). Tal fase representou o
processo de profissionalização das ‗humanidades‘ que passaram então a se constituírem por identidades programáticas distintas, e processos de reorientação cognitiva:
In the late nineteenth century when the separate organizations split out from the American Social Science Association, they shared "a commitment to an empirical, often and increasingly quantitative, methodology and to some conception of the usefulness of scientific knowledge for the allegedly neutral solution of social problems (WAGNER et al., 1991, p. 347).
A emergência de universidades modernas dotadas de um sistema educacional liberal orientado a pesquisas aplicadas marcou o período em que se estabelecem as ciências sociais nos EUA, bem como os novos trabalhos empíricos e as agendas progressistas. A estrutura acadêmica norte-americana, embora originalmente pautada no modelo universitário alemão, logo adquire particularidades, expandindo sua capacidade de ensino e pesquisa em um ritmo acelerado perto dos passos intermitentes dos países europeus. Por este olhar comparativo, percebemos no contexto nacional estadunidense um quadro de experiências distintas e capazes de criar universidades que, nas palavras de Wæver, "were more adaptive, less dependent on the state, and had strong presidential leadership instead‖ (1988, p. 712).
A natureza autônoma das instituições de pesquisa é moldada logo nas primeiras décadas do século XX. A partir de 1920, uma combinação de fatores gerou prosperidade: as ciências sociais norte-americanas estabilizaram-se pelo suporte público e privado, e acresceram credibilidade por meio de uma base metodológica validada socialmente. Destaca-
se, à época, a escola de Chicago que atuou como vanguarda do movimento em prol de um conhecimento metódico e congruente às problemáticas urbano-industriais do período (WAGNER; WITTROCK; WOLLMANN, 1991).
Desse modo, além dos esforços internos da academia, revelou-se o importante apoio da iniciativa privada. Fundações como o grupo Rockefeller e Carnegie representaram suportes significativos no processo inicial de criação de institutos de pesquisa. Tais fundações também apoiaram projetos governamentais, como na administração de Herbet Hoover (1929-1933) com o programa President’s Research Committee on Social Trends89.
Do lado estatal, alguns presidentes também destacaram-se pelo amplo investimento direcionado à pesquisa, e pela criação do sistema in-and-out, pelo qual os intelectuais americanos eram postos em contato direto com os departamentos do governo, compondo uma equipe, entre servidores e acadêmicos, para os processos de tomadas de decisões (HOFFMANN, 1977). Na origem desses intercâmbios, destaca-se Franklin Roosevelt (1933- 45) que proveu um contato de intensidade inédita entre os pesquisadores e os espaços de formulação política (WAGNER; WITTROCK; WOLLMANN, 1991).
Dessa experiência formaram-se os estudiosos que posteriormente impulsionaram um campo de trabalho próprio e autônomo às pesquisas de orientação especificamente política, qual ocorreu nos anos em curso, e posteriores, à Segunda Guerra Mundial. Entre as décadas de 1940 e 1950, o vínculo entre as estruturas, acadêmica e política, possuía caráter consultivo, pelo qual um grupo, composto por servidores públicos, empresários e advogados, voltava-se às universidades em busca de informações, dados empíricos e ideias. Ademais, nesse período de reconstrução econômica do pós-guerra, as pesquisas mais favorecidas foram aquelas ligadas aos departamentos com maiores recursos, no caso, o departamento de Defesa – ascendente, dado o clima de deterrence nuclear (HOFFMANN, 1977).
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President's Committee on Social Trends foi criado em 1929 pelo presidente Herbert Hoover. Para ele, as ciências sociais eram capazes de obter conclusões para o progresso social a partir da acumulação e estudos de dados estatísticos. Assim, tal comitê constituía um grupo composto por cientistas sociais e oficiais das fundações dedicados na coleta de informações sobre as principais instituições sociais e seus comportamentos. Wesley Mitchell, economista da Columbia University, foi o presidente de tal instituição, compartilhando com o presidente Hoover, a perspectiva de uma ciência quantitativa. No cargo de diretores e assistentes de pesquisas, havia dois outros docentes da Columbia, quais foram William Ogburn e Howard Odum. O relatório final do comitê, Recent Social Trends, finalizou-se em 1932, incluindo temas diversificados, como questões agrícolas, tributação e finanças públicas. Todavia, embora bem elaborado, o documento sofreu críticas quanto à sua utilidade devido às deficiências do método empírico. Essas falhas resultaram da confiança na obviedade e neutralidade dos dados, que implicou um relatório sem qualquer tipo de comentário que interpretasse as estatísticas, ou fizesse sugestões de políticas públicas, visto que tais análises eram considerados desvios subjetivos. Ver: Karl, Barry D. Presidential Planning and Social Research: Mr. Hoover's Experts. In: Perspectives in American History, p. 347-409, 1969.
No entanto, a década de 1960 marca o ponto de viragem dessa relação, que atinge níveis mais profundos e profissionais. Assim, o tom consultivo é substituído pela reunião, de fato, entre elementos acadêmicos e os membros tradicionais das agências federais, em que os primeiros passam a atuar como uma espécie de ―procônsules‖ (HOFFMANN, 1977, p.49). Logo, desenvolvem-se importantes redes de intercâmbio profissional entre pesquisadores, fundações filantrópicas, e as demandas do governo – como exemplificado na seção 2.3.2.3 pela relação entre think-tanks (RAND Corporation), financiamento privado (Fundação Ford), universidades (pesquisadores Havard, MIT) e governo (Departamento de Defesa).
Outra variável explicativa para fluidez do processo de institucionalização das ciências sociais nos EUA seria a natureza ‗jovem‘ de seus departamentos, que, ao revés da experiência europeia, não possuíam interesses enraizados capazes de opor-se e, logo, retardar, os procedimentos. A quase independência financeira e a rara regulação pública proviam as universidades com autonomia, além de gerar a diversidade, dada a ausência de tradições feudais ou rotinas intelectuais (HOFFMANN, 1977). Somando-se a tal aspecto, a comunidade científica norte-americana apresentava-se horizontal e individualista, contudo, pouco polarizada. Com isso, facilitou-se a expansão dos debates participativos, em que os membros usufruíam de isonomia, ao invés da relação hierárquica comum à tradição alemã (GALTUNG, 1981). Estimulavam-se, dessa forma, a competição e a especialização, e, por conseguinte, o desenvolvimento geral das pesquisas. Portanto, a ampla divulgação e expansão da educação superior nos EUA possibilitaram a multiplicação dos departamentos de ciência política que, por sua vez, puderam servir de matriz teórica ao campo das Relações Internacionais.
Ora, finalmente, aproximações com a agenda pública, auxílio financeiro de fundações filantrópicas e flexibilidade resumem as características institucionais particulares das ciências sociais norte-americanas, as quais, segundo Hoffmann (1977), constituem parte das células responsáveis pelas oportunidades e características que o campo das humanidades no geral – e da ciência política, ou das RI, em particular – tiveram nos EUA. Sobre esse ponto, antes de continuarmos, julgamos necessária a ponderação sobre a tendência, especialmente sobre as reflexões de Hoffmann, em associar a origem da disciplina das Relações Internacionais com o período de hegemonia estadunidense após a Segunda Guerra Mundial. Certamente, adotamos a relevância de tal período e seus desdobramentos para o desenvolvimento nacional da disciplina, porém o fazemos visando sua qualidade metódica enquanto recorte temporal, ou melhor, por constituir o quadro contextual das produções de Waltz.
Todavia, como aponta Thomas J. Biersteker (2009) cabe compreendermos os riscos de determinadas taxonomias do campo, apreendendo as linhas normativas implícitas em determinadas delimitações. Logo, dotados de um olhar menos americanizado, podemos expandi-lo e perceber que os estudos globais sobre o Internacional não são credores restritos do ―século Americano‖, ou mesmo, não estão limitados aos métodos da ciência social dessa nação;
Important works of twentieth-century International Relations scholarship – from Norman Angell‘s The Great Illusion to V. I. Lenin‘s Imperialism and E.H. Carr‘s classic The Twenty Year‘s Crisis – were published and widely discussed long before the application of American social science methods to international relations (BIERSTEKER, 2009, p. 308).
Por outro lado, relembramos nosso intuito em operar com um trabalho teórico segundo a posição social e a autoimagem de seu autor, Kenneth Waltz, por meio do qual justificamos nosso desvelamento do campo pela ótica dos pesquisadores norte-americanos. Por isso, voltando para a reflexão quanto ao saldo da transição de um modelo associativo para uma ciência social profissionalizada e especializada podemos, igualmente, enxergá-lo por meio de lentes distintas. Na visão de Shils (1970), a criação de um padrão analítico estável e durável para os estudos sociais, representou um avanço intelectual significativo; ao passo que, pela perspectivas mais críticas (HORKHEIMER, 2000; ASHLEY, 1984), aquela mesma transformação iniciou o movimento pelo qual os pesquisadores norte-americanos demarcaram seu espaço no campo, definindo os fundamentos da ciência social moderna por meio de vocábulos positivistas e a-históricos, os quais orientam a conhecida postura tecnocrata das investigações dos cientistas políticos do país.
Tais características alcançam o campo de Relações Internacionais nos EUA, especialmente por aquela erguer-se sobre as fundações da ciência política. Naquele país, os estudos de RI constituem uma subárea do campo maior da ciência política – ao contrário dos currículos de outros países, como no Brasil, onde as RI destacaram-se do departamento de ciência política, constituindo um curso autônomo, embora ainda interconectados. Vejamos, então, as características intelectuais daquela subárea, conforme lecionada pela comunidade estadunidense.