CHAPITRE II : CARTE ARDUINO ET COMPOSANTS ELECTRONIQUE
III.5 Simulation
Frente ao que vem sendo discutido, os sujeitos do estudo foram questionados sobre seus espaços de preferência para assistir videoaulas disponíveis no YouTube, tendo como opções a
instituição escolar e sua residência. Em sua maioria, os estudantes responderam que têm preferência em acompanhar videoaulas em sua residência, e isto pode ser observado no quadro 5. Quadro 5 – Estudantes do 9° ano do ensino fundamental e do 1° ano do ensino médio de colégios estaduais de Ouro Preto que têm preferência em acompanhar videoaulas em sua residência em junho de 2019.
Local do Estudo N
Colégio K 10
Colégio L 9
Colégio M 10
Fonte: Dados da Pesquisa 2019.
Uma das estudantes do colégio L, tem preferência em acompanhar videoaulas na instituição de ensino. Sua justificativa pode ser compreendida a partir do trecho abaixo:
“Porque vou ter que ver em casa e vou enrolar e não vou fazer nada.” (MARIETA)
Este depoimento é preocupante, na medida em que se percebe que a estudante desconsidera a importância do uso de diferentes recursos que podem fundamentar seu processo de aprendizagem, a partir do momento em que o professor consegue significar estes recursos e favorecer a compreensão, por parte do estudante.
Com relação aos demais, destacam-se aspectos pertinentes e que justificam a escolha de sua residência, como espaço ideal para acompanhar videoaulas disponíveis no YouTube e isto pode ser observado a partir dos trechos abaixo:
“É melhor de ver e pesquisar o que a professora fala.” (ARABELLA) “Posso pesquisar melhor o que a professora falou.” (AMÉLIA)
“Posso assisti-los com calma, pausadamente, e voltando nas partes que eu não compreendi.” (BELLA)
“Porque é mais libertador e além de ver o vídeo, posso pesquisar profundamente sobre o assunto.” (ARTHUR)
“Porque a internet é boa”. (ERNESTO)
A partir dos trechos acima, é compreensível que a residência dos estudantes pesquisados, seja o espaço de preferência deles. Destacamos, mais uma vez, os aspectos relacionados ao
controle de vídeo, como o avanço, a pausa e a volta, já discutido em categoria anterior, questões que abordam a mediação pedagógica, por parte do professor e como já foi visto, é imprescindível para que a inserção de tecnologias diversas aconteça de forma significativa e por fim, os trechos acima, destacam aspectos relativos à conectividade dos diferentes dispositivos.
Ao nos referirmos à aspectos relacionados à conectividade, sobretudo dos dispositivos móveis, percebemos que além da preferência pelos smartphones, destaca-se que sem uma conectividade que permita o acesso aos conteúdos disponíveis em diferentes plataformas, como o YouTube, não há como estabelecer acesso a estes conteúdos, sendo assim, percebemos que existe uma relação de dependência, por parte do usuário de ferramentas como o YouTube, o que justifica que o espaço de preferência da maior parte da amostra é a sua residência, porque este é um espaço em que para alguns, o acesso ao smartphone é permitido e a conectividade é estabelecida mais facilmente.
Retomamos discussões voltadas para a questão da permissão do uso de dispositivos móveis nas instituições escolares e como já foi visto, os sujeitos pesquisados compreendem um grupo específico, os “nativos digitais”, sendo assim, torna-se difícil encontrar um adolescente, em uma sociedade contemporânea, que não tenha pelo menos um smartphone e a partir dessa questão, de acordo com Araújo e Bottentuit Junior (2015), a instituição escolar deverá considerar atividades educativas que estimulem o uso desses e até outros dispositivos e não coíbam, como se tem visto.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa apresentou como objetivo analisar contribuições dos vídeos do YouTube para o processo de ensino e de aprendizagem dos conteúdos abordados com os estudantes do 9° ano do ensino fundamental e do 1° ano do ensino médio e foi evidenciado que os sujeitos pesquisados consideram a plataforma YouTube como um recurso fundamental em seu processo educativo e que seus professores se utilizam deste recurso como parte do processo ao ponderarmos ações de mediação. A amostra contou com indivíduos com idades entre 14 e 16 anos, com predominância de estudantes do sexo feminino e da cor parda.
Em relação as categorias analisadas, concluímos que para “a percepção de estudantes do 9° ano do ensino fundamental e do 1° ano do ensino médio sobre a plataforma YouTube”, a partir das falas dos sujeitos pesquisados, que existe o estabelecimento de interações sociais e destacamos o papel das TDICs no processo de desenvolvimento cognitivo tendo em vista a comunicação entre sujeitos em formação, como os adolescentes. Verificamos que os estudantes reconhecem aspectos interativos e possuem uma compreensão com relação a configuração de videoaulas disponíveis na YouTube, com destaque para a linguagem audiovisual trabalhada pelos YouTubers, o que contribui para a predileção dos sujeitos participantes pelos vídeos educativos.
Além disso, foi observado que as videoaulas são vistas como um suporte online que poderá ser utilizado em vista as necessidades do estudante e que esses vídeos consideram uma narrativa audiovisual que aborda uma estrutura organizacional e isto favoreceu que uma parcela expressiva da amostra expressasse que esses vídeos facilitam a compreensão do que é estudado. Neste contexto, alguns estudantes destacaram a importância do conhecimento prévio, associado ao feedback dos professores e percebemos que os adolescentes avaliam a relevância e o tempo do vídeo como aspectos motivadores para que possam selecioná-lo, isto é, quanto menor o tempo, melhor serão vídeo. E nesta perspectiva, ao analisarmos o que motivou os sujeitos do estudo a buscar videoaulas no YouTube, constatamos que provas e trabalhos escolares são os principais incentivadores. Por fim, foi observado que os estudantes reconhecem a plataforma YouTube como ambiente virtual de aprendizagem, ao nos referirmos a inserção de comentários que abrirão espaço para discussões e o estabelecimento de interações sociais entre os usuários da plataforma.
Para a categoria “a importância da mediação pedagógica e a influência das TDICs neste processo” a partir do que foi observado, é perceptível a influência de professores e familiares no que diz respeito ao acesso as videoaulas disponíveis no YouTube e destacamos este comportamento ao nos referirmos as mediações social e cultural como parte do processo de construção do conhecimento, sem desconsiderar a mediação pedagógica, essencial na desmistificação do conceito de nativos digitais. Em contrapartida, observamos que existem equívocos que podem prejudicar o processo de aprendizagem de diferentes sujeitos, sobretudo quando as videoaulas são responsabilizadas por solucionar dúvidas dos estudantes. Com relação as disciplinas mais buscadas na plataforma, verificamos que existem particularidades para cada um dos lócus, mas em geral houve a predominância na menção de disciplinas como Matemática, Biologia, Química e Física, compreendidas pelas Ciências Naturais.
Já a categoria “tecnologias audiovisuais associadas aos dispositivos de produção, reprodução e manipulação de conteúdos: o caso da plataforma YouTube” buscamos compreender aspectos relacionados aos dispositivos de escolha dos sujeitos pesquisados e foi observado que os estudantes têm preferência por um dispositivo específico, o smartphone, que irá definir se o adolescente pesquisará e assistirá videoaulas disponíveis na plataforma. Por fim, buscamos entender os espaços de preferência dos sujeitos pesquisados para acompanhar videoaulas no YouTube e de forma quase unânime, os estudantes optam por suas residências como ambiente ideal.
Face ao exposto, é possível que os resultados do presente estudo possam subsidiar novas metodologias de ensino que favoreçam o processo de ensino e de aprendizagem com o intuito de contribuir para melhorar a relação do binômio professor-estudante, favorecendo uma utilização coletiva, democrática e significativa das redes sociais, como a plataforma YouTube. De forma complementar, ponderamos sobre a importância da mediação pedagógica ao conjecturarmos a inserção de TDICs no processo de ensino e de aprendizagem, pois dependendo das práticas instituídas ou instituintes nas diferentes instituições, ferramentas tecnológicas, como as videoaulas, podem se constituir como facilitadora do processo educativo, sem desconsiderar a democratização do ensino, mas também podem reafirmar práticas centradas no falar-ditar docente através de sujeitos que são vistos pelos adolescentes como verdadeiros professores que apresentam um “modelo revolucionário de ensino”.
Dentre as limitações deste estudo, apesar do caráter qualitativo, destacamos a expressiva perda de participantes devido ao registro incompleto das variáveis pesquisadas no questionário utilizado, além disso, a aproximação com os sujeitos do estudo se constituiu como um dos desafios para a realização da pesquisa, dentre outros acontecimentos que inviabilizaram a participação de demais estudantes. A partir da relevância deste estudo, recomendamos a realização de pesquisas com amostras/lócus ainda mais representativas, abrangendo colégios inseridos em grandes cidades brasileiras, objetivando traçar um panorama mais completo sobre a utilização de videoaulas disponíveis na plataforma YouTube e a sua influência no processo de aprendizagem dos “nativos digitais”.
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