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6.3 Auto-in ammation d'un spray de type Diesel

6.3.2 Simulation

Depois da tomada de conhecimento de todos estes anteriores assuntos, importa entender como tudo isto se repercute e, falar mais uma vez, sobre a conexão Homem- Espaço.

Ao contrário de muitos outros aspetos do nosso dia-a-dia, a vivência do espaço e o espaço em si não são temas de uma reflexão introspetiva. A reflexão não será feita por ser banal, ou porque, simplesmente, é desinteressante e o stress quotidiano do século XXI não o permite?

Geografia e Geógrafos estudam o espaço e lidam todos os dias com esta realidade e atitude social, particularmente, a Geografia Humanista. Esta corrente tem criado perspetivas dentro da Geografia, que procuram examinar a realidade, do lugar e da

região, sempre em paralelo com o Homem e a sua atividade nesse mesmo espaço, ou tal como refere Corrêa (2005, p. 30, apud Oliveira et al., 2020, p. 35):

“[…] assenta na subjetividade, na intuição, nos sentimentos, na experiência, no simbolismo e na contingência, privilegiando o singular e não o particular ou o universal e, ao invés da explicação, tem na compreensão a base de

inteligibilidade do mundo real.”

Afinal, qual serão as visões que cada um de nós tem do meio natural e humanizado? Qual a nossa ligação? Se é que ainda não a perdemos.

Surge então a necessidade de se esclarecerem dois conceitos que muitas das vezes são apresentados como sinónimos, não o sendo, e que para o desenrolar desta questão devem ser esclarecidos - Espaço e Lugar.

Santos (2002, p. 39) caracterizou o espaço como um “[…] conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistema de objeto e de sistema de ações, não consideradas isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá.” Já para Corrêa (2008, apud Sousa et al., 2019), o lugar é onde se manifestam as ligações, por existir uma proximidade com algo e tão forte, tão sagrado. É a partir do lugar que a sociedade cria laços afetivos e constrói significados para a vida social.

Estes conceitos, apresentados aqui de forma isolada e da autoria de dois diferentes autores, depois da década de 70 do século XX, voltaram á ribalta, depois do

aparecimento do neologismo “topofilia”.

Yi-Fu Tuan, no seu livro Space and Place: the perspective of experience (1977) [Espaço e

Lugar: a perspetiva da experiência (1983)] criou entre eles uma antítese: “[…] espaço e

lugar são termos familiares que indicam experiências comuns. Vivemos no espaço. Não há lugar para outro edifício no lote. […] O lugar é segurança e o espaço é liberdade: estamos ligados ao primeiro e desejamos o outro.“

O que o autor quer transmitir é que espaço é apenas um local que o Homem conhece e com o qual entrou em contacto, mas não tem qualquer ligação. O lugar é entendido

como a etapa seguinte para o local que anteriormente era chamado e considerado espaço, tendo, no entretanto, um qualquer sujeito entrado em contacto, praticado e entendido, começando-lhe a atribuir sentimentos e emoções. “Os lugares são centros aos quais atribuímos valor e onde são satisfeitas as necessidades biológicas de comida, água, descanso e procriação.” (Tuan, 1983, p. 4).

Para muitos, o espaço é entendido como uma construção mental, apenas um quadro da perceção e não uma realidade, por essa razão envolve uma construção progressiva. Gradualmente ele é dotado de simbolismos, valores, hierarquia, aprendizagens e adaptações e torna-se, também, progressivamente, em Lugar. Tudo isto que advém da vivência e da perceção que o Homem tem do espaço, pois o Homem é um ser dotado de sentimentos, sentimentos esses que partilha também com o espaço em que vive (Tuan, 1983).

Parece também ter sido esta a linha de raciocínio de Yi-Fu Tuan, que depois dos seus estudos e reflexões sobre o tema criou um conceito que permitiu estabelecer fazer a relação entre três vértices: Pessoa, Espaço e Sentimento. Este conceito foi o de “topofilia” que o autor definiu como “ […] o elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou ambiente físico. ” (Tuan, 1983, p. 5).

Etimologicamente, topofilia advém da junção de “topo”, do grego “tópos”, que

significa lugar, com “filia”, também do grego, usado como sufixo para exprimir a noção de desejo, atração, simpatia. (Bachelard, 2008, apud Alflen et al., 2020). O conceito está intrinsecamente associado á perceção que o Homem adquire do espaço, mas também à forma como se relaciona com ele, em atitudes e valores. Isto é, de início, o indivíduo apenas se encontra inserido no espaço, mas progressivamente, o primeiro obtém sentimento pelo segundo – Topofilia -, transformando o Espaço em Lugar. Tal como já citado, Relph (1976) chamou a ponto onde a experiência com o lugar é mais profunda de existential insideness, e diz respeito a uma situação em que alguém se sente tão completamente em casa e imerso no lugar, que a importância desse lugar no seu quotidiano não é mais notada pelo próprio. Assim, “[…] o meio ambiente pode não ser a causa direta da topofilia, mas fornece o estímulo sensorial que, ao agir como

imagem percebida, dá forma às nossas alegrias e ideais.” (Tuan, 1980, p. 129). A Figura 1 apresentada seguidamente permite mostrar de uma forma gráfica esta mesma ideia.

Contudo, existe também o reverso da questão. Quando uma qualquer pessoa retira do espaço aspetos negativos, ou menos positivos, sofre algum trauma naquele lugar ou viveu experiências desagradáveis, surge então a chamada “topofobia”, que designa o sentimento de repúdio e aversão a um lugar, que faz uma pessoa evitar percorre-lo ou visitá-lo, numa tentativa de obter conforto, alívio pessoal e segurança (Tuan, 1983). Cada espaço possui determinadas características que estimulam a pessoa a conhecê- lo, e como Tuan complementa, os sentimentos são a resposta mecânica dos sentidos aos estímulos externos, onde alguns aspetos são ressaltados e registados, sejam eles positivos e confortantes ou negativos e desconfortáveis, enquanto outros são

totalmente perdidos.

Embora o ser humano não seja semelhante aos animais, pois estes respondem de acordo como os seus instintos, é dotado de, pelo menos, mais espirito, mais sentimentos e mais pensamentos e tem uma visão interior dos fatos e da condição humana e, por isso, estas abordagens precisam sempre de ser complementadas com dados experienciais que possam ser recolhidos e interpretados com fiabilidade. É pelo ser humano tentar entender o Mundo, nos mais diferentes planos da experiência, que se cria esta singularidade pessoal de relação com o espaço e a topofilia se torna explorável e se diversifica. Cada indivíduo faz a topofilia variar em

termos de amplitude de sentimento, tipo de emoção estabelecida e ainda a

intensidade dessa mesma emoção. Os estímulos sensoriais são também dados como infinitos: “[…] aquilo a que decidimos prestar atenção é um acidente do

temperamento individual, do propósito e das forças culturais que atuam em determinada época.” (Tuan, 1980, p. 129).

O estudo da topofilia prende-se exatamente com esta infinidade de relações e

variáveis que se estabelecem naquilo que decorre entre o espaço em si e aquilo que a pessoa vive nele. Pessoas singulares e únicas vivem e/ou interagem com espaços igualmente singulares e únicos e vice-versa.

2. Algum do Espaço em que vivemos: Áreas Rurais e Áreas