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Simple Block Coding

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Part 1–Block Coding and Decoding

6.1 Simple Block Coding

A representação social designa, sobretudo, as formas de conhecimento socialmente elaboradas; compreendem tanto um conjunto de fenômenos, quanto o conceito que os englobam e a teoria que os explicam (SÁ, 1993). O conhecimento estudado via este campo de construção social do conhecimento, é sempre um conhecimento prático; uma forma consensual de interpretar a realidade. Expressa atividade simbólica dos sujeitos que se processa na dinâmica das relações sociais, na interface do indivíduo e do seu meio externo. As representações sociais são construções do sujeito enquanto ser social, caracterizando sua natureza pensante e criativa, opondo-se então, à visão de sujeito apenas como produto de determinações sociais. Para Moscovici (2012, p. 39), “as representações sociais são entidades quase tangíveis; circulam, se cruzam e se cristalizam continuamente através da fala, do gesto, do encontro no universo cotidiano.”. As representações sociais são entidades quase tangíveis porque se concretizam nas condutas a partir da representação simbólica que o sujeito faz do objeto de conhecimento. São produzidas na esfera comum de participação na vida cotidiana e se distinguem em dois universos de pensamento social, o universo reificado e o universo consensual, conforme explícito no Quadro 1:

Quadro 1 – Universos das Representações Sociais

Universo reificado Universo consensual

- Só fala os especialistas;

- A especialidade determina quem fala e em nome de que;

- Há um comportamento adequado para cada circunstância e um estilo para cada afirmação e;

- Informações adequadas para cada contexto.

- Não há fronteiras, todos podem falar sobre tudo;

- Os sujeitos são “sábios amadores”, capazes de opinar sobre qualquer assunto;

- Há respostas para todos os problemas; - Todo lugar é permissível à elaboração de representação.

- O lugar social que o sujeito ocupa determina suas representações.

Fonte: Elaborado pela autora (2018). Adaptado de Moscovici (2015, p. 50-51).

A premissa da postulação de Moscovici é que os sujeitos produzem saberes nas diferentes esferas da vida social, seja como um especialista de determinado assunto, seja como “amador”. Onde há indivíduo compondo grupos sociais, há representações sendo partilhadas, pois nos movemos e ditamos o mundo por meio das representações que elaboramos.

O campo de investigação da TRS é o senso comum que Moscovici (2015, p. 202) denominou “como todo conhecimento partilhado pela sociedade como um todo, entrelaçado com nossa linguagem, constitutivo de nossas relações e de nossas habilidades.”. O caráter autêntico conferido aos conhecimentos produzidos na esfera do senso comum, denota uma posição crítica do autor, haja vista a compreensão historicamente produzida nas ciências humanas acerca do senso comum, compreensão essa que denota uma visão preconceituosa arrolando a esse campo de saber um estilo arcaico, desprovido de validade e funcionalidade. É, pois, os saberes que se processam na atividade da vida comum que interessam às representações sociais e como esses saberes são incorporados a novos conhecimentos, advindos quase sempre da esfera científica, gerando novas representações e guiando condutas. Contudo, as representações sociais não se apresentam em contraposição ao saber científico, elas diferem nos modos de produção e nas funções a que se presta; “a questão reside, portanto, numa diferença entre saberes historicamente construídos para fins específicos, e não numa hierarquia entre os mesmos.”. (NOBREGA, 2001, p. 65).

Moscovici (2015) diz que a representação é essencialmente “um sistema” que nos permite classificar e dar sentido às coisas. Assim, categorizamos e damos nomes aos fenômenos da vida cotidiana para nos situarmos no nosso tempo e espaço; nos grupos que compomos. Essa atividade de criar sentidos para as coisas e ao mesmo tempo sermos guiados por estes sentidos em nossas ações vivenciais, é um atributo inerentemente humano, como seres que, não apenas estando no mundo, mas com o mundo, somos capazes de comunicar as nossas representações nas diversas maneiras de ser e estar no/com o mundo. Freire (2015, p. 107) diz que, “somente homens e mulheres [...], são capazes de realizar a complexa operação de, simultaneamente, transformando o mundo através de sua ação, captar a realidade e expressá-la por meio de sua linguagem criadora”. Nesse aspecto, a representação social consiste na produção de conhecimento como um ato relacional e não na hierarquia socialmente atribuída aos conhecimentos produzidos na esfera científica e os conhecimentos processados no cotidiano

das pessoas em espaços comuns da vivência humana, sendo ao primeiro atribuído um valor de maior prestígio, mais legitimado e ao segundo menos prestígio e menos legitimação social.

A compreensão das representações sociais, portanto, consiste no caráter criador humano de reconstruir as representações do mundo para nele se situar e atuar. Corroborando com essa noção, (JODELET, 2001, p. 17) diz que “as representações sociais – enquanto esquemas de interpretação que regem nossa relação com o mundo e com os outros – orientam e organizam as condutas e as comunicações sociais.”.

Dessa forma, as representações sociais são caracterizadas como produto e processo da atividade psíquica humana e representar

[...] corresponde a um ato de pensamento pelo qual um sujeito se reporta a um objeto. Este pode ser tanto uma pessoa, quanto uma coisa, um acontecimento material, psíquico ou social, um fenômeno natural, uma ideia, uma teoria etc.; pode ser tanto real quanto imaginário ou mítico, mas é sempre necessário. Não há representação sem objeto. Quanto ao ato de pensamento pelo qual se estabelece a relação entre sujeito e objeto [...] traz a marca do sujeito e de sua atividade. Este último aspecto remete às características de construção, criatividade e autonomia da representação, que comportam uma parte de reconstrução, de interpretação do objeto e de expressão do sujeito. (JODELET, 2001, p. 22-23).

Assim, representar implica a relação tripé entre: sujeito, objeto e o social, na qual os conhecimentos se processam, se cristalizam e se repercutem nas práticas comuns da vida social.

Em conformidade com o exposto acerca das representações sociais, apresentamos uma síntese das principais características dessa teoria, em concordância com (JODELET, 2001):

• A representação social é uma forma de conhecimento socialmente elaborada e partilhada;

• Contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social; • A representação social articula elementos afetivos e mentais;

• A representação social é sempre representação de alguma coisa (objeto) e de alguém (sujeito);

• A representação social tem com o seu objeto uma relação de simbolização, interpretação, significação.

A representação social é um conceito abrangente que comporta outros conceitos. Pela sua natureza complexa, ativada na vida social é que, sua constituição envolve os elementos “informativos, cognitivos, ideológicos, normativos, crenças, valores, atitudes, opiniões, imagens etc.” (JODELET, 2001, p. 21). Essa totalidade de elementos devem ser observadas em cada contexto de produção da representação a que se pretende investigar, buscando

compreender como se engendram as significações e como contribuem para a orientação de condutas. Outro elemento primordial da representação é o fator tempo.

Para Moscovici (2015, p. 108) “as representações sociais são históricas na sua essência e influenciam o desenvolvimento do indivíduo [...]”. Somos seres sociais e históricos, pois desde o nascimento adentramos um espaço no qual já há representações sendo partilhadas, consequentemente há uma historicidade envolta; uma explicação para cada fato vivido que demarca o lugar e as motivações que gestaram tais representações. Por isso, percorrer no tempo histórico a constituição das representações, é entender seu contexto de produção e desvelar as razões de ser desta ou doutra maneira.

Outrossim, a representação social, dentro da abordagem da sócio-gênese, possui três campos de domínio, cujas bases estão na definição de representação social “como um conteúdo mental estruturado... afetivo e simbólico – sobre um fenômeno social relevante...” (WOLFGANG,1998, p.4). Estes campos de domínios são os seguintes:

1) Ciência popularizada – o conhecimento cientifico incorporado no cotidiano, possibilitando aos sujeitos justificar/explicar/referenciar os objetos de cunho cientifico a partir de seus sistemas pré-existentes de conhecimento;

2) Imaginação Cultural – “a imaginação cultural dá realidade às coisas que habitam o mundo social”, elas delimitam o pensamento e o comportamento nos grupos por meio de elementos culturais fortemente enraizados. Já a representação social compreende um conhecimento mais contemporâneo;

3) Estruturas Sociais e eventos específicos – diz respeito às representações criadas ante eventos/objetos, ainda que com caráter instável. São frutos das avaliações evocadas por objetos presentes no ambiente social.

Ainda conforme (WOLFGANG, 1998) O denominador comum das representações sociais é que são socialmente elaboradas e partilhadas. A representação social é produto e processo, pois, “por um lado é concebida como processo de comunicação [...] por outro lado, como resultado desse processo” (WOLFGANG, 1998, p. 9) não se pode, contudo, separar a representação de seu contexto de formação/elaboração. E, para que ocorra a elaboração de uma representação é preciso que: a) haja convergência e divergência de discursos sociais; b) haja pertencimento aos grupos sociais; c) haja validação da representação entre os grupos.

Quanto aos critérios que balizam a definição das representações sociais na perspectiva da sócio-gênese, corroboramos com o colaborador da TRS, Wolfgang (1998) que define alguns critérios para conjugação de uma representação:

• Critério funcional – o grupo como uma unidade social reflexiva e organizada; • Critério de relevância – o objeto da representação deve ter relevância social e

geralmente provoca mudanças de comportamento frente a ele;

• Critério de prática – a representação envolve pensamento e ação, sendo esta a segunda parte da representação e não sua consequência;

• Critério de holomorfose – as representações que fazem parte das identidades sociais terão informações de seus referentes grupais, isto é, o indivíduo comporta representações do grupo o qual é integrante, mesmo quando representa individualmente, evidencia o grupo por meio da partilha de seus referentes grupais os quais também o constitui.

• Critério de afiliação – permite a delimitação do grupo cujas representações são analisadas e é o lado objetivo do critério holomórfico.

Os critérios devem ser selecionados e analisados conforme a natureza do objeto de representação, pois sua definição implica em observar a função que cumpre cada critério para cada grupo social.

Os modos pelos quais se processam as representações sociais, partem do seguinte questionamento: por que criamos representações? Para Mosocovici, criamos representações para nos comunicarmos, nos familiarizarmos com aquilo que nos é estranho e perturba nossa ordem simbólica e perceptiva. Dito de outro modo, as representações sociais “devem ser vistas como uma maneira específica de compreender e comunicar o que nós já sabemos” (MOSCOVICI, 2015, p. 46). Para ele, a representação possui duas faces que são interdependentes, como uma moeda cujas faces revelam duas facetas: uma da imagem e outra do significado. A representação, então, cumpre um papel simultâneo e interdependente de criação de uma imagem para cada conceito e, a cada conceito, uma imagem. “A representação iguala toda imagem a uma ideia e toda ideia a uma imagem”. Nesse processo de elaboração das representações sociais, dois mecanismos são fundamentais e mantêm relação de interdependência, embora se distingam em seus mecanismos de processamento: a ancoragem e a objetivação.

A ancoragem é o processo psíquico e social pelo qual trazemos ao nosso sistema de categorias simbólicas àquilo que não nos é familiar; uma ideia, um conceito, uma imagem. Algo desconhecido que está fora do alcance de nomeação/significação. “É um processo que transforma algo estranho e perturbador, que nos intriga, em nosso sistema particular de categorias e o compara com um paradigma de uma categoria que nós pensamos ser apropriada.” (MOSCOVICI, 2015, p. 61).

Ancorar implica em atribuir significado aquilo que não nos é conhecível. É a inserção do novo na hierarquia de valores do indivíduo (MOSCOVICI, 2012). Na constituição do novo em nosso psiquismo, recorremos ao nosso universo familiar de conhecimento, comparando o objeto da representação (o novo) com aquilo que já conhecemos. Esse mecanismo é ativado toda vez que algo estranho se apresenta a nós; buscamos relacionar o novo a algo que já faz parte do nosso cotidiano, de nossas categorias de conhecimento, aos quadros de referência por nós conhecidos. Por isso, ao processar uma representação de um objeto novo, acionamos os conhecimentos já existentes em nós.

Esses conhecimentos, por sua vez, estão ligados às formas de vida cotidiana e perpassam os elementos constitutivos das representações: as informações, crenças, valores, ideias. Como verificado no estudo de Moscovici ao constatar que, o público francês se apropriava da psicanálise a partir de seus referentes sociais e históricos. Dessa forma, os franceses associavam a psicanálise às práticas confessionais das igrejas, pois seus referentes para compreender tal objeto – a psicanálise – estavam embotados dessa prática. As vivências e os conhecimentos de alguns grupos sociais na França estavam ligados as práticas religiosas. Isso explica as representações desse grupo social, pois “a atitude em relação ao objeto social depende também do contexto no qual o objeto é apreendido” (MOSCOVICI, 2012, p. 168).

A objetivação envolve a descoberta da “[...] qualidade icônica de uma ideia, ou ser impreciso; é reproduzir um conceito em uma imagem” (MOSCOVICI, 2015, p. 71-72). Objetivar é concretizar as significações, dá forma de uma imagem, transpondo do campo da ideia para uma imagem. Nesse aspecto, o estranho já não perturba mais, pois esse mecanismo torna-lhe algo compreensível, com objetos já conhecidos e nomináveis. Assim, quando se torna um sistema de interpretação

[...] a representação social serve como mediadora entre os membros de um mesmo grupo. Não se trata de uma interiorização vaga e precária, mas de uma ordenação de condutas e de percepções. As informações adquiridas penetram na vida cotidiana e engendram os comportamentos adequados, colocando num contexto diferente as relações entre pessoas e a maneira como são vivenciadas. O mesmo movimento que torna uma teoria “subjetiva” estabelece uma concordância com o que pode ter de objetivo e, além disso, de exterior. Ao imprimir sua marca no microcosmo, uma

representação se torna efetivamente social e só poderemos concebê-la claramente quando apreendermos seu papel na existência cotidiana. (MOSCOVICI, 2012, p. 166).

Portanto, a objetivação consiste em reverberar como os elementos de uma ciência se agregam a uma determinada realidade social. É tornar o imaterial, concreto.

No ato representacional a subjetividade do indivíduo permeia todo o processo de constituição da representação, pois ela

[...] está presente em suas atitudes e em suas relações no meio social. E mais, é nessa relação entre externo e interno, compreendidos como instâncias de um mesmo processo, indissociáveis, que ocorre a construção de sentidos que as diversas situações vividas terão para o sujeito. Desta forma, a subjetividade termina por expressar-se no nível social, aparecendo aí a subjetividade social, diferenciando-se da primeira devido a seu contexto de construção [...] um processo constante de trocas simbólicas que constitui a característica histórica da subjetividade, na qual o sujeito se constrói e constrói o meio simultaneamente. (ANDRADE, 2003, p. 63-64).

São as diversas marcas da subjetividade individual e social que compõem as representações sociais, uma vez que toda representação implica a presença de um sujeito e um objeto sobre o qual molda sua representação. Toda representação é demarcada pelos sentidos que os sujeitos lhes atribuem, assim, um mesmo objeto de representação poderá ter diferentes significados, uma vez que os seus sentidos são atribuídos por indivíduos diferentes, que falam de um determinado lugar social e a partir de suas referências identitárias (ANDRADE, 2003). Contudo, as representações sociais são “óculos” que influenciam na maneira como vemos as coisas e essa maneira de conceber não é só individual, mas também social.

No que tange as funções das representações, elas cumprem essencialmente quatro funções: função de saber; função identitária; função de orientação e função justificadora (ABRIC, 1998).

A função de saber, essa é a função basilar da representação, pois permite ao sujeito integrar o conhecimento do senso comum aos seus sistemas de conhecimentos, de acordo com seus referentes cognitivos, permitem compreender e explicar a realidade (ABRIC, 1998, p. 29).

A função identitária permite situar um indivíduo num grupo social, salvaguardando sua imagem em relação ao grupo. Dessa forma, a “representação de seu próprio grupo é sempre marcada por uma super avaliação de algumas de suas características ou de suas produções [...]” (MANN, BASS, 1965, LEMONINE, 1966 apud ABRIC, 1998, p. 29). O objetivo é assegurar uma imagem positiva do grupo social e suas particularidades.

Já a função de orientação, guia os comportamentos. Esse processo resulta de três fatores essenciais: a) a representação intervém na finalidade da situação, definindo as situações e

estratégias a serem adotadas para uma determinada conduta; b) ela produz um sistema de antecipações expectativas, pois conforme Mocovici (2012, p. 46): “a representação social é a preparação para ação, não só porque guia os comportamentos, mas sobretudo porque remodela e reconstitui os elementos do ambiente no qual o comportamento deve acontecer.”.

E por fim, c) a representação reflete sua natureza social, cujos sistemas de relações envolvem regras sociais que definem o que é “lícito, tolerável, inaceitável em um dado contexto social” (ABRIC, 1998, p. 30), modelando assim as condutas sociais frente aos objetos de representação.

Se a priori, as representações guiam os comportamentos, a posteriori, elas justificam as condutas sociais dos indivíduos frente ao objeto social de representação, bem como as suas escolhas e modos de ser e agir, sendo essa a função justificadora da representação social.

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