Seeds for heuristic similarity search in proteins with a frameshift
6.2 Similarity search procedure
Reparando nos sapatinhos de prata, Boq observou: − Você deve ser uma grande feiticeira. − Por quê? − indagou a menina. − Por dois motivos: usa sapatos de prata e matou a Bruxa Malvada (BAUM, 2012, p. 20).
O presente estudo consiste numa pesquisa com abordagem qualitativa, do tipo de pesquisa-intervenção. A metodologia de pesquisa-intervenção baseia-se na multiplicidade e no potencial dos encontros, na produção de acontecimentos, de invenção e de experimentação (PAULON, 2005), havendo inseparabilidade entre conhecer e agir, entre produzir conhecimento e produzir efeitos no social (BARROS e PASSOS, 2000). Ao mesmo tempo que busca investigar o cotidiano coletivo na dimensão qualitativa numa perspectiva socioanalítica (ROCHA, 2003), aprofunda a ruptura com enfoques tradicionais e amplia as bases teóricas e metodológicas da pesquisa (ROCHA, 2003).
O pesquisador que se utiliza do processo de pesquisa-intervenção não visa à mudança imediata da ação instituída. As mudanças são consequências da relação entre teoria e prática, sujeito e objeto, na concepção da produção. Por si, a pesquisa-intervenção favorece uma metodologia coletiva, a discussão e a produção coletiva (ROCHA, 2003).
Na pesquisa-intervenção, a relação pesquisador/objeto pesquisado é dinâmica e determinará os próprios caminhos da pesquisa, sendo uma produção do grupo envolvido. Pesquisa é, assim, ação, construção, transformação coletiva, análise das forças sócio-históricas e políticas que atuam nas situações e das próprias implicações, inclusive dos referenciais de análise. É um modo de intervenção, na medida em que recorta o cotidiano em suas tarefas, em sua funcionalidade, em sua pragmática – variáveis imprescindíveis à manutenção do campo de trabalho que se configura como eficiente e produtivo no paradigma do mundo moderno (AGUIAR e ROCHA, 1997, p. 97).
A pesquisa-intervenção traz como proposta, de acordo com Rocha (2006), criar dispositivos de análise da vida dos grupos na sua diversidade, produzindo a realidade na qual
cada um de nós e os diferentes grupos são um modo de expressão. Sua operacionalização nesta pesquisa ocorreu da seguinte maneira.
Partindo da proposta de utilizar a modalidade de pesquisa-intervenção em saúde mental, uma vez que esta favorece, conforme afirma Rocha (2003), uma metodologia coletiva, discursiva e de produção coletiva, e que pode favorecer processos de autonomia e protagonismos com usuários do serviço de atenção à saúde mental, sua utilização se justifica nesse projeto. Outras pesquisas que se utilizaram desta metodologia (FRANCISCO, 2004, 2007; BITTENCOURT, 2012) justificam sua aplicação em saúde mental, especificamente em oficinas para habilitação psicossocial.
Tais experiências caminham no sentido da articulação entre teoria/prática e sujeito/objeto, na medida em que o conhecimento e a ação sobre a realidade se fará na investigação das necessidades e interesses locais, na produção de formas organizativas e de uma atuação efetiva sobre essa realidade, podendo levar a transformações sociais e políticas, dando às populações excluídas uma presença ativa na História (ROCHA e AGUIAR, 1997, p. 65).
Assim, a pesquisa-intervenção inclui ação e participação e tem como proposta a participação coletiva na busca por alternativas para as situações vividas, envolvendo um processo de compreensão e transformação da realidade. Para desenvolver uma pesquisa na modalidade intervenção, torna-se necessária uma mudança na postura do pesquisador e dos pesquisados. Neste cenário, os atores atuam como coautores do processo de diagnóstico da situação-problema e da construção de vias que possam solucionar as questões. É um processo contínuo que acontece no curso da vida cotidiana, “transformando os sujeitos e demandando desdobramentos de práticas e relações entre os usuários” (ROCHA, 2003, p. 66).
Na prática, esta intervenção foi aplicada da seguinte forma: a priori, houve a inserção do pesquisador no contexto da pesquisa, buscando conhecer a realidade e fazendo apontamentos. Esta fase torna-se importante pelo fato de que, para intervir em determinado cenário, o pesquisador precisa identificar os fenômenos produzidos espontaneamente pela própria dinâmica institucional e social com finalidade investigativo-interventiva. Isto se deve ao fato de que ambientes como estes costumam ser constituídos de uma materialidade expressiva heterogênea, que podem manifestar aspectos conflitantes, reprimidos, inconscientes, ao mesmo tempo que contêm os elementos para dar início ao processo de esclarecimento do próprio pesquisador (SILVEIRA, REZENDE e MOURA, 2012). Neste momento ocorreram as interações preliminares tanto com a equipe de profissionais do CAPS como com os usuários e a estrutura disponível no estabelecimento.
Posteriormente, buscou-se materializar os apontamentos descritos no diário de campo, a fim de constituir os elementos técnicos que dariam suporte à intervenção. Nesta etapa do processo, inseriu-se o instrumento técnico da pesquisa, a rádio, na realidade dos usuários, apresentando suas funcionalidades e pensando e repensando possibilidades de construção, sempre colocando os usuários na posição de protagonistas. Era o momento de se aprender a técnica de funcionamento dos dispositivos, uma vez que a rádio seria um dos elementos mediadores da intervenção. Por que esta fase foi importante? Na verdade, foi de suma importância para a fase anterior, quando conhecemos a realidade coletiva e individual, institucional e social. Diante dessa realidade (estrutura e interesses dos usuários, principalmente), a rádio bem como as oficinas técnicas de aprendizagem para atuação com os aplicativos foram direcionadas individualmente a cada usuário, de acordo com os apontamentos do diário de campo.
Posteriormente, com base nos dados conjuntos das vivências nas etapas anteriores, houve o processo de planejamento para a produção dos conteúdos. Nesta etapa da intervenção, os pesquisadores ajudaram a dar direcionamento às ideias dos usuários, conforme elas iam surgindo. Atuou-se não como delimitador ou impositor de ideias, mas como mediador das idéias para que estas envolvessem a coletividade e viabilizassem o protagonismo e o exercício da autonomia de todos os usuários, cada um de acordo com sua proposta de ação. Cada usuário teve uma ação especifica e uma predisposição diferenciada ao participar da intervenção. Em atenção a esses princípios, ocorreu o planejamento e a produção dos programas em áudio.