17. Programmation système sous Linux
17.2. Recouvrement de processus
17.2.3. Les signaux
O treino deve, em primeiro lugar, preparar o jogador para resolver por si próprio, os problemas decorrentes do envolvimento do jogo, fazendo um sistemático apelo às suas capacidades dececionais. Para isso é necessário explorar a informação de cada situação do jogo. É preciso, pois, saber aplicar e variar os exercícios de treino de acordo com as exigências da situação competitiva (Araújo & Volossovitch, 2005). Com efeito, o treino deverá propiciar a possibilidade de pesquisa por soluções motoras dos problemas de jogo, num espaço percetivo-motor gerado pela interação de constrangimentos de natureza do indivíduo, do contexto e da tarefa (Davids et al,2001). Assim, na criação de uma situação de golo eminente, cada jogador intervém ciclicamente, com o sem bola, por forma a concretizar o mesmo. As suas decisões no terreno de jogo surgem em função das ações prévias e vice-versa (Vilar, 2008).Desta forma, o poder explicativo da teoria do processamento de informação relativamente ao desenvolvimento da tomada de decisão no jogo pode ser mais questionável que esclarecedor (Araújo, 2005a). Em suma, existem distintas teorias explicativas para o processo de aprendizagem e controlo motor, das quais se podem retirar aspetos bastante importantes para o desenvolvimento do treino do Futebol. Por conseguinte, os
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treinadores não devem considerar somente uma destas diferentes abordagens ideológicas na construção dos exercícios de treino, mas antes retirar os vários aspetos positivos que estas correntes têm para oferecer. Neste sentido, vilar (2008) refere que os treinadores não deverão assumir posições extremistas e radicais, já que considera que, enquanto a perspetiva cognitiva permite compreender os fenómenos de retenção de aprendizagens e transfere das mesmas de uma forma mais ajustada, a abordagem ecológico-dinâmica permite explicar fenómenos como a variabilidade e a imprevisibilidade da ação dos jogadores.
Assim sendo, à luz do cognitivismo e através da teorização de que as informações vividas e os padrões motores praticados são armazenados na memória, é possível compreender que os jogadores apresentam melhorias significativas na sua performance, decorrente de uma prática repetida. É também por intermédio da memória que se justifica a preconceção de planos estratégicos e a sua aplicação no decorrer da competição, não negligenciando, porém, a dinâmica de incerteza contextual em que os mesmos decorrem, manifestamente enunciados pelas teorias da complexidade. Nesta linha, os planos de ação pré-determinados influenciam bastante a ação dos jogadores e das equipas. De outra forma, não faria sentido a análise de vídeos dos adversários, nem a construção de planos e modelos de jogo. Assim sendo, estas premissas de cariz estratégico são fundamentais para a concretização de modelos de competição e de treino, dado que, pela identificação de rotinas na coordenação de jogo do adversário, podemos incutir conceitos de organização na nossa equipa que contraponham a sua estrutura de jogo e permitam atingir os nossos objetivos. Por exemplo, consideremos uma equipa adversária que utiliza o contra- ataque como método de jogo ofensivo preferencial.
Se jogarmos com o nosso “bloco” recuado, não irão existir espaços livres na nossa retaguarda, não permitindo a sua exploração. Esta decisão é eminentemente prévia à própria ação e é armazenada na memória pelo efeito do treino (Vilar, 2008).Esta importância relativa dos fenómenos de memorização no Futebol não se cinge única e exclusivamente ao processo de treino. Também no decorrer da competição, podem ficar armazenados na memória dos nossos jogadores os padrões de coordenação dos adversários, permitindo antecipar as ações dos mesmos e, por conseguinte, atingir com sucesso os objetivos imediatamente preconizados. Senão vejamos: em processo defensivo verificamos que, nas primeiras três jogadas, o
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avançado realizou o seu drible para o lado esquerdo, procurando intervir com o seu pé hábil. Provavelmente, na situação seguinte de 1x1, o defesa irá colocar-se mais do seu lado direito, impedindo o drible do avançado por esse mesmo lado, o que muito possivelmente originará o sucesso na recuperação da posse de bola. É a perspetiva cognitivista do controlo motor que melhor explica esta situação (Vilar, 2008). Apesar de se considerar que a aplicação do modelo de produção motora a envolvimentos caracterizados pela incerteza contextual é um dos aspetos que a abordagem cognitivista tem alguma dificuldade em explicar, nem todos os momentos de um jogo de Futebol apresentam estas características.
Com efeito, existem certos períodos, cuja dinâmica de jogo é mais estanque e, por esse facto, possibilitam o desenvolvimento de ações pré-concebidas, organizadas sob a forma de programas na memória dos jogadores, como são o caso dos esquemas táticos nas situações de bola parada (cantos, livres, lançamentos e grandes penalidades). Sem embargo, a perspetiva ecológico-dinâmica apresenta conceitos inovadores e importantes para a aprendizagem e controlo motor das ações do jogo de Futebol. Uma das suas principais revoluções metodológicas prende-se com a relação entre jogador e competição. O conceito de interação entre ambos veio admitir, não só a possibilidade do jogador alterar o jogo em seu próprio benefício, mas também a faculdade do envolvimento induzir que o jogador atue de determinada forma. Assim sendo, a equipa vencedora é normalmente aquela que melhor interage com o envolvimento de forma a construir situações favoráveis à concretização dos seus objetivos (Vilar, 2008).Nesta linha, o jogador mais eficaz é aquele que está melhor afinado às variáveis informacionais-chave proporcionadoras de ações ajustadas ao contexto e, por conseguinte, identifica essas variáveis e adapta a sua resposta em função das suas capacidades e dos seus objetivos. O jogador age, assim, em função da sua perceção das invariantes informacionais-chave e, a sua própria ação, cria informação no contexto. Deste modo, a ação de um jogador em competição não é mais vista de uma forma independente e descontextualizada, mas sim como um ciclo contínuo de perceções e ações em direção a um determinado objetivo (Vilar, 2008).
Assim, e ainda de acordo com esta abordagem, o conceito de prática na aprendizagem e aperfeiçoamento, implica repetição sem repetição, já que se procura que as variáveis situacionais provoquem, constantemente, uma adaptação do comportamento, em detrimento de uma simples repetição mecânica de soluções de
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jogo. Esta dinâmica deve também ser consubstanciada nas movimentações estandardizadas, como é o caso dos exercícios padronizados (i.e., exercitação em condições similares nos quais são conhecidos os comportamentos individuais e movimentações coletivas, em que, as configurações são mais ou menos conhecidas e previsíveis) (Castelo & Matos, 2006).
Com efeito, através das inúmeras e irreplicáveis condições contextuais que o jogo propícia, a variabilidade da ação dos jogadores é vista como algo natural e funcional. É a teoria dos sistemas dinâmicos que melhor permite compreender este fenómeno. Assim, em cada microssituação do jogo, ela identifica um parâmetro de controlo que permite compreender como a coordenação entre jogadores transita de fase . Ao invés, qualquer situação fora desse espaço-fase é inadequada e impossibilita a obtenção dos objetivos do jogador. Por exemplo, numa situação de 1x1, o portador da bola poderá dar o número de toques na bola que achar apropriado, contudo, a partir de uma distância crítica, será forçado pelo seu defensor direto, a tomar a decisão de passar, driblar ou rematar, sob pena de perder a posse de bola e promover uma transição de fase imprópria à concretização dos seus objetivos. Neste âmbito, a teoria dos sistemas dinâmicos revela-se uma mais-valia para compreender os fenómenos de coordenação entre jogadores em competição, sejam eles da mesma equipa ou não. Por conseguinte, é possível afirmar que ela permite modelar a organização dinâmica do jogo de Futebol (Vilar, 2008).Para além disso, a tomada de decisão direcionada a um objetivo, integrada numa organização própria de uma equipa, ocorre em função da interação dos seus próprios constrangimentos, com os do envolvimento e os da tarefa específica. Neste sentido, a manipulação dos constrangimentos por parte do treinador apresenta- se assim como um meio a privilegiar no processo de treino em Futebol.
Dentro deste contexto, será da responsabilidade do treinador, não só efetuar um diagnóstico da congruência entre a lógica interna do jogo de Futebol e as lacunas competitivas de um jogador, mas também manipular o exercício de treino, atendendo à natureza dos restantes constrangimentos, no sentido de promover a exploração contextual do jogador para procurar a informação propícia à ação (Vilar, 2008). Resumindo, a utilização de um modelo híbrido, assente na complementaridade das diferentes perspetivas referidas, acaba por se revelar a melhor solução, já que tanto a perspetiva cognitivista, como a ecológico-dinâmica da ação tática, possuem propriedades importantes para a elaboração de um modelo de treino. Neste sentido,
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vilar (2008) afirma que o treino permite ao jogador afinar a sua relação com o contexto competitivo em geral e com as suas invariantes informacionais- chave, ficando a mesma armazenada na memória dos sujeitos sob a forma de representações, apesar de considerar que esta questão ainda necessita de um maior aprofundamento.