3. Signalement des ouvrages de la BMJ
3.1 Signalement informatique
designers de escola portuguesa
Em consequência do empenho diplomático do governo português434 durante a última
metade da década de 70 e início da de 80, Portugal havia conquistado uma situação internacional conciliatória435. No entanto, viviam-se ainda por essa altura, as marcas de
uma economia convalescente436. Assim, na tentativa de se conquistar um
posicionamento favorável na Europa – considerando o contexto económico dos países mais evoluídos –, com o florescer dos anos 80, assiste-se em Portugal, por parte de profissionais e instituições, a uma nova aposta no debate e implementação do design industrial.
Em 1982, realiza-se a exposição e a publicação do catálogo Design & Circunstância437
que, para além de alguns textos de designers intervenientes na II Exposição de Design (1973), conta também com a importante participação de Santos Gonçalves (então Director-Geral da Qualidade do Ministério da Indústria, Energia e Exportação), de 432 Fonte: www.stylepark.com/en/bd-barcelona-design/flamingo
433 “ (…) concentrando nesta última (a partir de 1980) a sua actividade de projecto e planeamento de produtos industriais” (Rui
Afonso Santos, 2003, 58).
434 A 27 de Maio de 1976 “Deputados portugueses participam, em Bruxelas, na reunião anual de parlamentares da NATO”. Em
10 de Novembro de 1978 “Portugal é eleito pela I.ª vez membro (não permanente) do Concelho de Segurança da ONU” (António Simões Rodrigues, 1994, 404,416).
435 No dia 28 de Janeiro de 1980 “O ministro dos Negócios Estrangeiros reafirma a intenção do governo acelerar as negociações
para integrar Portugal na CEE” (António Simões Rodrigues, 1994, 421).
436 “O preço da Revolução e da descolonização que de um dia para o outro nos fez aumentar no continente a população na
ordem das 700 000 pessoas e nos fez perder os mercados tradicionais, iria tornar ainda mais complexa a recuperação económica” (António Simões Rodrigues, 1994, 385).
437 “Afirmar que a economia portuguesa está a atravessar uma crise começa a tornar-se perigosamente um lugar comum. Essa
consciencialização passiva gera uma indiferença nefasta a qualquer tentativa de reequilíbrio e relançamento da economia” (Associação Industrial Portuguesa, 1982, 82).
Jorge Rocha de Matos (Presidente da Associação Industrial Portuguesa) e de Sena da Silva (Presidente da Direcção da Associação Portuguesa de Designers).
Nesse evento, assiste-se ao investimento na sensibilização dos industriais e dos profissionais do design (incluindo alunos) para a necessidade de cooperação entre ambos. Essa cooperação é defendida, pela organização da iniciativa, como fundamental para o sucesso não só do design industrial, como, por consequência, da indústria e da economia nacionais. A esse respeito, em texto do catálogo referido, Santos Gonçalves diz: “Temos da disciplina do design industrial uma certa perspectiva a partir de uma posição determinada pelo conhecimento, pelo pensamento, pela formação, pelo enquadramento profissional.” Santos Gonçalves continua o seu texto, procedendo à enunciação de conceitos relacionados com a prática do design, referindo, nomeadamente, Bonsiepe e o enquadramento da disciplina num panorama nacional de grandes expectativas de sucesso operativo, que considera decisivas na futura conquista da qualidade dos produtos nacionais. Apela à realização de concursos, a “métodos de avaliação do design de produtos industriais com vista à atribuição de uma etiqueta de qualidade”, identificação essa que defende como obrigatória (a “etiqueta de design industrial será equivalente a uma marca de qualidade”) e termina com um apelo directo a designers e industriais, responsabilizando ambos pelos resultados de futuras colaborações numa perspectiva global de efeitos, “o design industrial não terá só a ver com a «optimização» dos parâmetros tendentes a satisfazer as necessidades do produtor, utilizador e do mesmo passo as da colectividade no seu conjunto, mas também a ver com a criatividade e a concepção de novos produtos. Isto, sobretudo, numa sociedade concorrencial com o constante apelo à exportação para o equilíbrio de balanças comerciais”, acrescentando mais adiante: “Poderão colocar-se contradições entre design industrial como meio instrumental da qualidade [...], podendo aqui as normas introduzir alguns constrangimentos se forem mal concebidas, isto é, se puserem obstáculos à criatividade. […] A política industrial não pode alhear-se desta discussão, que implica a participação da administração pública, da indústria e dos profissionais.”438
Por seu lado, Jorge Rocha de Matos, acentua: “Em Portugal, o design industrial raramente é associado aos métodos de produção, à valorização de matérias-primas, à economia de materiais, às exigências funcionais, a padrões do consumidor, a sistemas de marketing, não obstante a concepção de um produto não dispensar nenhum destes factores.” Após um discurso em que afirma a real necessidade da intervenção do design no tecido industrial, apela a que “os Designers Industriais
Portugueses contribuam activamente para o aparecimento de produtos de elevado gabarito, condição indispensável para viabilizar, interna e externamente, a indústria e economia portuguesa.”439
Não obstante o importante contributo manifestado pela vontade de evolução de instituições tão influentes como o Ministério da Indústria, Energia e Exportação e a Associação Industrial Portuguesa, a verdade é que esse caminho se revelaria muito mais moroso do que seria a expectativa dos então directores das mesmas instituições, dos profissionais de design, de alguns industriais e, em última instância, do país.
Em texto do mesmo catálogo, Sena da Silva revela uma dura consciência dos possíveis obstáculos que se poderiam opor à concretização, num curto espaço de tempo, dos objectivos lançados à indústria e designers portugueses, não deixando, no entanto, de lançar uma nota de desafio no sentido da evolução440. Sena da Silva, em termo de
conclusão desse texto, sublinha a problemática de uma possível comunicação deficiente: “Por alheamento dos empresários, os designers podem não passar de uns simpáticos bichos amestrados nos circos do marketing. Por ignorância dos designers, os políticos e os empresários podem ser incapazes de entender os benefícios que poderiam recolher de um modo inteligente de usar os designers...
É este tipo de mal-entendidos que é urgente esclarecer!”441