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Signal stationnaire modulé

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3.5 Représentation spectrale

3.6.2 Signal stationnaire modulé

O processo RVCC, dinamizado nos mais diversos contextos de vida do indivíduo, tem pelo menos implicações a quatro níveis, que encerram grandes desafios, a destacar:

1- Implicação social, diz respeito ao conjunto de benefícios, quer no plano individual, quer no plano supra individual. Assim, poderá revelar-se como uma solução adequada face à exigência de uma crescente polivalência dos seus recursos humanos, a qual se deseja assente num conjunto amplo e efectivo de competências pessoais e profissionais. Tendo por base outras iniciativas desencadeadas em vários países do globo (Austrália, Canadá, França, Finlândia, Espanha País Basco, entre outros) o RVCC pode constituir-se como fonte de motivação profissional e de importantes ganhos de produtividade para as empresas; para os sistemas de formação profissional e para a sociedade no seu conjunto.

2- Implicação política, refere-se aos ganhos de transparência que se podem vir a verificar no mercado de trabalho e nas políticas de formação e na democratização do acesso à qualificação e à formação ao longo da vida.

3- Implicação pessoal é a que dá conta do facto das qualificações profissionais serem também parte integrante de projectos pessoais de vida.

4- Implicações técnico-metodológicas, decorrentes do modelo de actuação em itinerância do CRVCC. Uma vez que o Reconhecimento, Validação e a Certificação de Competências adquiridas pode revelar-se como um estímulo decisivo para o incremento e generalização de práticas de formação contínua nas Empresas.

A nível Nacional registaram-se até ao final de 2002, 31.478 inscrições nos Centros RVCC, dos quais 16.423 foram abrangidos pelo processo RVCC, tendo 3.754 obtido uma certificação e 6.804 orientados para formação complementar. Cerca de metade dos adultos

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inscritos são encaminhados para outras ofertas formativas, em função das necessidades que apresentam. Do total de 31.478 adultos inscritos nos Centros de RVCC até 2002, a maioria eram do sexo feminino (57,7%).

De acordo com um estudo referente ao impacto do reconhecimento e certificação de competências adquiridas ao longo da vida, realizado pelo Centro Interdisciplinar de Estudos Económicos - CIDEC (2004), no período de 2001-2003, constata-se que a faixa etária predominante é a dos 25 aos 34 anos de idade, seguida de perto pela dos 35 aos 44 anos (no seu conjunto o grupo de 25 a 44 anos tem um peso de 63,6%). Verifica-se que faixa etária dos 18 aos 24 anos representa apenas cerca de 11% do total de adultos.

O mais recente relatório do CIDEC (2005) apresenta algumas conclusões que revestem um carácter de mais valia para os adultos participantes e consequentemente para todos os actores envolvidos.

O processo Reconhecimento, Validação e Certificação de competências, remete para a capacidade de activação dos desempregados. Segundo o estudo (op. cit.), cerca de um terço dos adultos (certificados em 2003) inquiridos que se encontravam desempregados no momento da inscrição no processo passam a ter, seis meses após a certificação, uma ocupação remunerada. E outros estavam a prosseguir estudos ou a frequentar acções de formação, estando por isso activados. Esta activação dos desempregados, como o estudo demonstrou decorre do reforço de algumas variáveis pessoais, que o processo de RVCC possibilita e fomenta, nomeadamente: o auto-conhecimento, a auto-estima ou a definição/reconstrução do projecto profissional do adulto. Com efeito, a revisão de literatura, permite concluir que quanto mais os sujeitos valorizam as suas capacidades, maior probabilidade têm de se superar a si mesmos (ex: Pereira, 1991, 1996, 2003; Tavares, Pereira & colaboradores, 2006).

O estudo do CIDEC (2005) indica assim, que o efeito benéfico do processo RVCC em termos de inserção profissional dos adultos desempregados está patente pelo decréscimo de cerca de cinco pontos percentuais da taxa de desemprego (dos adultos certificados em 2003) ao longo do período de observação: de 20,5% aquando da inscrição no processo RVCC, até 15,2% aquando da inquirição (Novembro/Dezembro de 2004). Para além disso, mais de metade dos indivíduos que permaneceram desempregados e que não pretendiam arranjar emprego, passaram a estar mais motivados para encontrar trabalho e passaram a procurar activamente uma ocupação remunerada.

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Um outro aspecto abordado pelo CIDEC (2005) remete para os efeitos benéficos do processo RVCC ao nível das condições de trabalho dos adultos inquiridos, nomeadamente ao nível dos rendimentos auferidos e da natureza do vínculo contratual. De facto, os dados obtidos pelo estudo confirmam que a certificação está associada a aumentos salariais. Concretamente, cerca de um quarto dos trabalhadores por conta de outrem cujos rendimentos se situavam no escalão mais baixo sofreram aumentos salariais após a certificação. Por outro lado, observa-se que os níveis de satisfação dos adultos empregados aumentaram após a certificação, bem como as respectivas expectativas em termos de progressão na carreira.

Relativamente ao prosseguimento dos estudos por parte dos adultos após a certificação pelo RVCC, o CIDEC (2005) aponta para dados reduzidos (10%). Embora o processo de RVCC, pelo tipo de metodologia que utiliza, funcione como um estímulo à aprendizagem (formal) ao longo da vida a proporção de adultos inquiridos que dizem ter prosseguido os estudos no sistema de ensino regular é substancialmente baixa. Não obstante, grande parte (70%) dos adultos (certificados em 2003) que responderam ao inquérito pensam vir a prosseguir estudos, o que revela o impacto positivo do RVCC, na motivação dos adultos para investirem em aprendizagens formais ao longo da vida. Por outro lado, crê-se que muitos dos adultos certificados não prosseguem estudos devido à sua expectativa do alargamento do sistema RVCC ao 12º ano de escolaridade.

Neste sentido, e de acordo com o estudo do CIDEC, os principais efeitos do processo de RVCC implicam, tipicamente, determinadas dimensões pessoais de carácter eminentemente subjectivo, promovendo consequentemente a iniciativa pessoal do adulto ao nível da aprendizagem e do prosseguimento dos estudos, bem como, o reforço da empregabilidade e de uma atitude proactiva face ao mercado de trabalho.

Adoptando a linha de pensamento de Tavares (1995), podemos concluir que o dispositivo de RVCC tem reflexos na activação do desenvolvimento psicológico do adulto, na sua vertente pessoal, interpessoal, social e cultural ou multicultural, pressupondo sempre, conhecer as zonas mais disponíveis, as aberturas dos sujeitos e não ficando apenas nos seus condicionamentos ou limites, mobilizando-os para a sua realização plena.

Em 2004 o CRVCC da AEP realizou um estudo interno, com uma amostra de 41 indivíduos activos empregados que participaram no projecto. Um dos grandes objectivos

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do estudo era analisar o interesse dos adultos pelo projecto e verificar quais os benefícios decorrentes da participação dos adultos no RVCC.

As conclusões que emergiram sugerem que a principal motivação dos adultos para participarem no RVCC é “aumentar os seus conhecimentos”, na lógica da aprendizagem contínua, e o RVCC é perspectivado quase unanimemente como um meio de valorização pessoal: “dar visibilidade/valorizar as competências adquiridas ao longo da vida”.

Mais do que melhorias no âmbito profissional, relacionadas com o aumento da mobilidade ou perspectivas de promoção na empresa, os inquiridos salientam o reconhecimento social que o RVCC propicia.

As pessoas vão aprendendo no trabalho, na vida social e na vida cívica, sem nunca verem creditados esses saberes para efeitos de certificação e obtenção de diplomas. Esta correspondência entre os investimentos realizados na formação profissional e a sua certificação é perspectivada como pessoalmente muito significativo.

Este é sem dúvida, um domínio importante de intervenção. O RVCC enquanto um programa enquadrado na área de educação e formação de adultos, promove a valorização social de saberes adquiridos não apenas em contextos formais e enfatiza a importância do desenvolvimento dos saberes em geral, como forma de adaptação às necessidades sociais e organizacionais.

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CONCLUSÃO

O mundo de formação e do mercado de trabalho, tem vindo a sofrer aceleradas transformações, fruto da globalização dos mercados, da acção das novas tecnologias e das próprias directivas da União Europeia.

Todas estas transformações implicam desafios para as pessoas e exigem a geração de novas dinâmicas nas sociedades.

A qualificação escolar e profissional reveste, cada vez mais, um cariz de extrema importância para o desenvolvimento da carreira do adulto e consequentemente para a evolução, económica, cultural e politica dos países. O reconhecimento, validação e certificação de saberes e de competências, assim como, a educação e formação de adultos, adquirem o papel fundamental nesta temática. Por um lado, proporcionam os meios necessários que permitem aos adultos responder de uma forma construtiva a um mundo em constante mudança e, por outro lado, facultam processos que reconhecem os direitos e as responsabilidades dos adultos e das comunidades.

Na nossa perspectiva, conhecer as teorias do desenvolvimento da carreira, permite adquirir uma base teórica útil para a compreensão das trajectórias dos indivíduos e facilitação do processo de RVCC.

Do ponto de vista histórico, constata-se que as teorias do desenvolvimento da carreira, foram caminhando em paralelo, surgiram teorias mais centradas nas escolhas e outras no processo de desenvolvimento da carreira. Os modelos centrados na escolha, não negam o carácter de desenvolvimento da carreira, mas dedicam-se sobretudo a estudar traços mais circunscritos.

O estudo apresentado, focaliza-se nas teorias desenvolvimentistas e de transição. Valorizam-se os fundamentos teóricos de Donald Super que concebe o desenvolvimento da carreira como um processo ao longo da vida que começa na infância e tipicamente acaba no período que se segue à reforma. Envolvendo uma sequência de estádios de vida, caracterizados por tarefas preocupações e comportamentos vocacionais.

A teoria das transição de Schlossberg (1977) também adquire um papel fundamental neste estudo, nomeadamente pelo facto de considerar que os comportamentos do indivíduo, especialmente os da idade adulta, se explicam melhor pelos acontecimentos essenciais da sua vida (que podem ser socialmente produzidos) do que pela sua idade cronológica. Isto porque, nós não podemos assumir que determinadas transições vão

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necessariamente ocorrer em idades específicas. O seu modelo da transição pretende clarificar as transições que as pessoas experienciam, identificando os vários níveis em que a sua vida se alterou, onde se situam no processo de transição e os recursos que podem aplicar para passar com sucesso pela transição. O modelo desenvolve um trabalho que os vários profissionais da área podem usar para ouvir os seus clientes, ajudando-os a avaliar os seus recursos para lidar com a mudança e identificar formas de os fortalecer.

Tendo como suporte teórico as teorias apresentadas na primeira parte do trabalho, desenvolveu-se um estudo empírico orientado para a análise das trajectórias de carreira de adultos pouco escolarizados, que a seguir se apresenta.

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CAPÍTULO II - ESTUDO DE TRAJECTÓRIAS DE CARREIRA DE ADULTOS

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