3.3 Injection d’un signal sinusoïdal modulé par une impulsion
3.3.1 Le signal d’agression
Em 2009 Rochelle Costi foi convidada a participar do Programa de Exposi•›es 2009 do Centro Cultural S‹o Paulo.
Ao pesquisar o local em busca de elementos para desenvolver seus projetos, Rochelle foi atra’da para um espa•o subterr‰neo ao qual o pœblico quase n‹o tem acesso.
ƒ neste local que trabalham os profissionais do Centro Cultural S‹o Paulo, os respons‡veis por organizar exposi•›es, shows, mostras, tudo o que diz respeito a arte e cultura e que constitui o motor deste espa•o cultural.
ƒ a’ tambŽm que ficam as v‡rias salas que servem como ateli•s, oficinas, laborat—rios, arquivos, alŽm dos locais de servi•os tŽcnicos como cenotŽcnica, fotolito, gr‡fica, encaderna•‹o, serralheria, eletricidade, marcenaria, onde atuam funcion‡rios especializados.
Foi neste ambiente, onde se mistura a rotina de trabalhadores comuns e a din‰mica produtiva deste centro cultural, que Rochelle encontrou sua mina de ouro, uma sŽrie de elementos corriqueiros e populares do cotidiano que tanto lhe interessam.
A artista, com sua habilidade para o colecionismo, inventariou todo este espa•o com seus objetos e materiais triviais do dia-a-dia, que tanto lhe interessam e com que tanto gosta de trabalhar.
AlŽm disso ela se deparou com formas de manifesta•›es estŽticas produzidas espontaneamente pelos trabalhadores do CCSP que vivem a arte indiretamente e, de uma forma pr—-ativa criam suas pr—prias formas de express‹o, produzindo objetos e fazendo interfer•ncias no ambiente com o objetivo de transformarem a formalidade daquele ambiente de trabalho em um lugar mais agrad‡vel, com uma marca pessoal.
Objeto Encontrado / Gr‡fica do CCSP - Rochelle Costi
Rochelle, com seu olhar poŽtico apurado para as quest›es do cotidiano registrou fotograficamente estes objetos, produzindo cerca de 25 fotografias representativas do contexto.
Com o objetivo de dar visibilidade para estes objetos que representam o cotidiano dos profissionais que l‡ atuam, e que deste modo manifestam sua pr—pria vis‹o de mundo e seu olhar sobre o dia-a-dia do Centro Cultural S‹o Paulo, a artista desenvolveu o projeto
Objeto Encontrado.
Solicitou ˆ equipe de marceneiros que trabalha no Centro Cultural que fizessem pequenas caixas de madeira. A madeira usada Ž de reaproveitamento, procedente de painŽis utilizados no pr—prio local.
Estas caixas eram concebidas como caixas de luz onde a artista colocava ao fundo, uma fotografia que representasse os objetos e c—digos visuais feitos como forma de entretenimento pelos profissionais deste centro.
objeto encontrado Ð Rochelle Costi
O projeto foi denominando Objeto Encontrado numa alus‹o ao conceito de objeto encontrado definido no ‰mbito das vanguardas modernistas:
Òobjeto encontrado por um artista e exposto como obra de arte, ap—s sofrer pouca ou nenhuma altera•‹o. Pode tratar-se de um objeto natural, como um pedregulho, uma concha ou um ramo de ‡rvore, ou um objeto artificial como uma cer‰mica ou antigas pe•as de ferro ou m‡quinas. A ess•ncia da concep•‹o do object-trouvŽ est‡ em que o artista reconhece no achado um Ôobjeto estŽticoÕ o qual submete ˆ aprecia•‹o de outros como faria com uma obra de arte. A pr‡tica teve in’cio com os dada’stas e surrealistas e foi cultivada na Inglaterra por algum tempo, principalmente, por Paul Nash (CHILVERS, I. 1996, p. 383).Ó
A ideia de objeto encontrado, na concep•‹o deste projeto pela artista, refere-se ˆ possibilidade de se trazer ˆ luz um pouco deste ambiente subterr‰neo, revelado atravŽs destes registros dessas pequenas apropria•›es e interfer•ncia no lugar por profissionais que a’ atuam e trabalham, os objetos encontrados pela artista no ‰mago deste espa•o cultural, o que sem sua interven•‹o estaria fadado ao anonimato.
Como diz a artista em entrevista para n—s concedida em setembro de 2011: Òo que fa•o Ž transpor esses c—digos visuais desenvolvidos livremente no espa•o de trabalho (isolado) para uma leitura a partir dos c—digos conceituais da arte contempor‰nea.Ó
Citamos como exemplo das manifesta•›es art’sticas desses trabalhadores um cartaz colado na parede, uma lata de lixo pintada, tabuleiros de xadrez de f—rmica, objetos que, alŽm de tudo, conferem algo de domŽstico e familiar a um lugar t‹o impessoal.
objeto encontrado / serralheria Ð Rochelle Costi
Um outro aspecto interessante relativo ao conceito de objeto encontrado refere-se ˆ forma como a artista, ao encontrar estes objetos estŽticos e reconhecer seu potencial art’stico, os submete ˆ aprecia•‹o do pœblico expondo-os como obras de arte aos que transitam pelo Centro Cultural S‹o Paulo, proporcionando, atravŽs deste trabalho, uma interessante inter-rela•‹o entre obra e espa•o expositivo e pœblico.
Como sabemos, esse tipo de rela•‹o obra X espa•o interessa, e bastante ˆ artista, que espalha estas caixas de luz por entre outros trabalhos de participantes dessa exposi•‹o coletiva, distribu’da pelos v‡rios andares do CCSP (centro cultural S‹o Paulo).
Ao circularem pelo espa•o apreciando a obra de determinado artista, os espectadores se deparavam, de repente, com uma interfer•ncia naquela narrativa, os objetos encontrados de Rochelle Costi.
Este trabalho, ademais, como que nos convocava ˆ uma a•‹o j‡ que, pr—ximo a eles, em geral acerca da parede, encontr‡vamos uma espŽcie de banquinho no ch‹o nos convidando a subir e xeretar dentro daquela misteriosa caixinha.
objeto encontrado Ð Rochelle Costi
Ao olhar para o interior das caixas de luz, ent‹o, compreend’amos, est‡vamos sendo transportados para locais inacess’veis daquele centro cultural. Essa impress‹o era refor•ada ao percebermos, na base inferior das caixas de madeira, gravado em dourado, o local onde a fotografia fora feita, por exemplo: Ôgr‡fica Ð CCSPÕ.
objeto encontrado Ð Rochelle Costi
Era a’ que a compreens‹o de toda a ideia que norteia este trabalho da artista se completava, como se ent‹o nos dŽssemos conta da imensid‹o daquele espa•o cultural e
arquitet™nico em que nos encontr‡vamos, que se estendia para muito alŽm das curvas daqueles corredores que percorr’amos ao acompanhar esta mostra cultural. Havia algo ali a ser descoberto, algo a que n‹o t’nhamos acesso, mas que espreit‡vamos atravŽs de uma interven•‹o art’stica que, aparentemente sutil, mostrava-se capaz de nos revelar a imensid‹o oculta e encoberta das entranhas e dos esconderijos deste misterioso espa•o cultural.