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Em relação aos estudos de validade é importante ressaltar alguns aspectos discutidos por Meyer et al. (2001) sobre a magnitude dos coeficientes de correlação obtidos em estudos de validade de testes. As correlações encontradas para precisão são geralmente mais altas do que as relativas à validade. A partir de uma ampla análise da literatura os autores concluíram que tanto nas pesquisas médicas como nas psicológicas comumente são constatadas

correlações na faixa entre 0,15 e 0,30 e que estas podem ser esperadas ao se avaliar a associação entre duas variáveis distintas no mundo real. Assim, ainda que algumas correlações de estudos de validade sejam baixas, o que deve ser considerado é a sua significância estatística e não a sua magnitude.

Convém lembrar também a posição de Guilford (1950, p. 165), ao afirmar que a experiência mostra que o coeficiente de validade de um teste pode variar “numa faixa entre

0,00 e 0,60, com muitos índices na metade inferior dessa faixa”. Na realidade “qualquer coeficiente de correlação que não é zero e é estatisticamente significante indica algum grau de relação entre duas variáveis” (p. 164).

No presente estudo, serão apresentados os resultados obtidos na validade simultânea de acordo com as hipóteses descritas na Tabela 1. Vale destacar que não foram separadas as amostras por grupo para comparar os resultados dos dois testes, sendo que a amostra total teve 210 participantes. Nesse caso, utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson e as medidas nos dois testes foram transformadas em escore z, para possibilitar a comparação entre os resultados dos dois testes. A Tabela 38 mostra as correlações obtidas entre as medidas da Produtividade e Direção das Linhas do Palográfico e os traçados do Tônus Vital.

Tabela 38. Correlações (r) dos escores z das medidas do Tônus Vital do PMK com as do Palográfico para a amostra total (N=210)

PMK Palográfico

Produtividade Direção das Linhas

ME MD ME MD Lineogramas 0,158* 0,333* 0,055 0,112 Escadas -0,039 0,036 0,042 0,096 Círculos 0,260** 0,161* 0,172* 0,067 Cadeias 0,157* 0,226** 0,101 0,155** Us 0,117 0,113 0,149* 0,081 ** Significante ao nível de 0,01 * Significante ao nível de 0,05

Entre as medidas do Palográfico e os traçados do Tônus Vital do PMK, observa-se que as correlações significantes ocorreram entre os Lineogramas das duas mãos e a Produtividade (ME = 0,158 e MD 0,333), entre o Círculo da ME e as duas medidas do Palográfico (Produtividade = 0,260 e Direção das linhas = 0,172), entre o Círculo da MD e a Produtividade (0,161), entre as Cadeias das duas mãos e a Produtividade (ME = 0,157 e MD = 0,226), entre a Cadeia da MD e a Direção das linhas (0,155) e entre o U da ME e a Direção das linhas (0,149).

É possível que tenham ocorrido mais correlações significativas para a Produtividade em relação à Direção das Linhas, porque, segundo Alves e Esteves (2004), a Produtividade, que avalia a presença ou ausência de energia, exige do examinando maior disposição para que este faça o máximo número de palos que conseguir. Já a Direção das Linhas, que é medida de acordo com os movimentos feitos da esquerda para direita (no plano horizontal), e que podem ou subir, ou descer (no plano sagital), se relacionam, provavelmente, mais com a organização dos traços do que com a disposição para realizá-los. Além do mais, No PMK, a variação dos traçados no plano sagital avalia, para Mira (2004), a Agressividade, e não a disposição do examinando, como se propõe a Direção das linhas no Palográfico. Portanto, as correlações não significantes entre estas medidas podem ser explicadas em função do plano do espaço no quais os traçados são realizados em cada teste.

Entretanto, tanto nas correlações para a mão esquerda quanto para a direita, entre a Produtividade e os traçados do PMK, as Escadas e os Us da MD não foram significantes. Quanto às Escadas convém lembrar que esse traçado apresenta maior dificuldade para sua realização, em função da sua complexidade, o que faz com que elas sejam mais discriminativas para a mensuração da inteligência, conforme foi constatado por Esteves (2007). Isso poderia explicar a correlação praticamente nula com as medidas do Teste Palográfico.

No caso dos Us, Mira (2004) aponta que as chances dos movimentos bruscos ocorrerem é maior neste traçado, pois o desgaste, por parte do examinando, já é bem maior nesta parte da testagem e isso também pode acarretar desvios mais intensos. Vale lembrar que, na presente pesquisa, a aplicação completa do PMK foi feita no mesmo dia.

Como a hipótese inicial era a de que o grupo de depressivas mostrasse menor disposição psicomotora em relação aos outros grupos, optou-se por apresentar as correlações realizadas entre os dois testes somente para este grupo. A Tabela 39 mostra esses resultados.

Tabela 39. Correlações (r) dos escores z das medidas do Tônus Vital do PMK com as do Palográfico para as depressivas (N=50)

PMK Palográfico

Produtividade Direção das linhas

ME MD ME MD Lineogramas 0,309* 0,415** 0,068 -0,073 Escadas -0,092 0,096 -0,081 0,141 Círculos 0,190 0,128 0,162 -0,087 Cadeias 0,152 0,226 0,261 -0,039 Us MD 0,091 0,002 0,154 0,105 ** Significante ao nível de 0,01 * Significante ao nível de 0,05

De acordo com a Tabela 39, as correlações entre a Produtividade e os traçados do Tônus Vital foram significativas nos Lineogramas das duas mãos, sendo que a mais alta ocorreu para o Lineograma da MD (0,415 p ≤ 0,01). Entre a Direção das Linhas e as medidas do PMK, as correlações não foram significantes.

É possível que estas correlações não tenham sido significantes porque as comparações entre os testes foram feitas com tamanho de amostra reduzido (N = 50) e, segundo Siegel (1975), quanto menor for o número de “N”, menores são as chances de se encontrar coeficientes significantes, ou em função da maior homogeneidade da amostra.

Tabela 40. Correlações (r) dos escores z das medidas da Agressividade do PMK com as do Palográfico para a amostra total (N=210)

PMK

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