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Dans le document Manual System Administration (Page 65-72)

Localizado no Litoral Sul do Estado da Bahia, o município de Canavieiras integra uma região composta administrativamente por 53 municípios, que ocupam juntos 4,46 % do território estadual. Situados em uma zona de baixa latitude (entre 13°12’ e 15°50’), esta área caracteriza-se por apresentar clima tropical com elevadas temperaturas e altos índices de precipitações, graças a proximidade com o oceano e por altitudes significativas encontradas na parte oeste.

Os índices de umidade decrescem na medida em que se avança para o interior do continente, apresentando a faixa litorânea clima quente e úmido, do tipo Af, segundo a classificação de Köeppen, com regime pluviométrico regular e ocorrência de chuvas durante todo o ano, com valores superiores a 2.000 mm . O período mais intenso de chuvas inicia por vezes nos primeiros dias do outono (baixo sul) ou verão (alto sul). As temperaturas registradas ficam em torno de 24 °C e 25 °C em média, com amplitudes que variam de 5,2 °C e 8,8 °C (SEI, 1999).

Ocorrem nesta área terrenos que guardam o resultado dos efeitos atribuídos às variações climáticas, do nível do mar e da atuação tectônica durante sucessivos períodos geológicos que alteraram as condições de erosão e sedimentação do litoral, conformando o domínio da Baixada Litorânea. De acordo com a variação de combinações entreos elementos fisiográficos e bióticos, apresenta características distintas, formadas por planícies marinhas, planícies flúvio-marinhas, planícies e terraços flúvio-lagunares.

Terrenos sedimentares com altitudes entre 2m e 10m conformam esta área, e de acordo aos recortes do litoral, proximidade com o mar, dinâmica das marés e estuários, configuram-se estreitos ou alagados, susceptíveis a inundações regulares em locais específicos. Ao norte do rio Jequitinhonha, a planície costeira se caracteriza por uma diversidade de formas de acumulação sedimentar. Os terraços marinhos foram parcialmente erodidos pela atividade dos rios Pardo e Jequitinhonha, ficando uma porção significativa da planície costeira ocupada por terraços fluviais, onde existe a predominância de depósitos de canais e diques marginais. A linha de costa é constituída por uma seqüência de ilhas arenosas, que estão destacadas da planície costeira por canais de maré, conforme estudos realizados por Dominguez (1982).

Ainda segundo Dominguez, os terraços marinhos são o tipo de deposição mais abundante e significativo da planície costeira. Na área de estudo, dois conjuntos podem ser encontrados: Terraços marinhos pleistocênicos e terraços marinhos holocênicos.

Os terraços pleistocênicos foram depositados na fase final da penúltima transgressão (parte inferior) e na regressão subseqüente (parte superior). Exposições deste terraço podem ser encontradas na margem direita do rio Jequitinhonha, em que se formaram bancos de areia alva. As estruturas sedimentares foram destruídas pela pedogênese e são encontrados vestígios de uma rede de drenagem onde hoje predominam pântanos.

Terraços marinhos holocênicos foram depositados na fase terminal da última transgressão (parte inferior) e na regressão subseqüente (parte superior) e é o tipo mais freqüente. São estruturas sedimentares típicas de face de praia e antepraia (topo e base respectivamente). Essas acumulações se traduzem por uma sucessão de cristas arenosas chamadas de cordões litorâneos.

Separando os terraços marinhos holocênicos dos pleistocênicos encontram-se os sedimentos lagunares, depositados em antigas lagunas que se formaram na última transgressão. Os pântanos substituíram as lagunas, e neles predominam a acumulação de turfas, ocupando também as zonas baixas alagadiças intercordões e o fundo dos grandes vales colmatados, além das regiões anexas aos terraços fluviais, constituindo os depósitos de várzea.

Os Terraços Fluviais são constituídos por sedimentos originários de dique marginal, barra de meandro e canal abandonado. Colocam-se geralmente em discordância erosiva sobre os terraços marinhos. Estão associados ao canal do Rio Jequitinhonha e à atividade fluvial do Rio Pardo, sendo este último de pouca expressão já que transporta poucos sedimentos. Os Mangues localizam-se ao norte da foz do rio Jequitinhonha e povoam as desembocaduras abandonadas pelos rios e por seus distributários, ou nas regiões protegidas pela presença de ilhas arenosas, favorecidos pelo clima quente e úmido do local (DOMINGUEZ, 1982). Estas formações podem ser vistas na Figura 3.

A Planície marinha é formada por praias, cordões litorâneos, restingas e terraços arenosos, oriundos da acumulação de sedimentos inconsolidados, atravessados por canais e dinamizados pelas marés. Estas formas são povoadas por Formações pioneiras com espécies rasteiras e arbóreo-arbustivas de restingas típicas de áreas halófitas e de terrenos periodicamente inundados.

Figura 3: Litoral de Canavieiras/Ba. Geologia 2006.

As planícies flúvio-marinhas contêm mangues e lagunas que testemunham a evolução dos baixos cursos dos canais fluviais instalados em sedimentos inconsolidados, constituindo terrenos lamosos e areno-silto-argilosos, interpostos entre as formações marinhas e continentais, ao longo de todo o litoral. A grande presença de solos de mangue evidencia uma dinâmica constante orientada pela alternância de sedimentação fluvial e marinha, com penetração das marés e facilitadas pelos canais. Recobertos por vegetação típica, os manguezais compõem ambientes considerados instáveis.

As planícies e terraços flúvio-lagunares representam a acumulação seqüenciada de materiais, modificados ou mantidos pela combinação de eventos paleoclimáticos e de variações do nível do mar, os quais influenciaram nas condições do escoamento fluvial. Essas feições ligam-se com a planície marinha formando um complexo estuarino.

Como reflexo destas condições, a vegetação é caracterizada por formações arbóreo- arbustivas próprias de matas ciliares e localmente de campos, alteradas por múltiplas atividades desenvolvidas pelo homem (DOMINGUEZ, 1982; SEI, 1999).

A vegetação que recobre a área municipal consiste em:

• Floresta ombrófila densa, de baixa antropização intercalada a pequenas parcelas com agricultura comercial (cacau, seringueira, dendê, etc.) e lavouras de subsistência (milho, mandioca);

• Floresta ombrófila densa degradada e/ou em processo de regeneração, associada à agricultura comercial, à lavouras de subsistência e à pastagem;

• Formações pioneiras com influência fluvial, herbácea, associadas à pastagem;

• Formações pioneiras com influência marinha (restinga) arbóreas / herbáceas, associadas ao cultivo de coco-da-baía;

• Formações pioneiras com influência fluviomarinha (mangue) arbórea, em parte associada à ocupação urbana;

• Cacau sombreado com mata raleada, eritrina, seringueira e bananeira, associado à vegetação natural, à pastagem e à lavouras de subsistência (mandioca e milho, principalmente);

• Pastagens naturais, associadas à pastagem cultivada, à agricultura comercial, à lavouras de subsistência e à vegetação natural.

As áreas remanescentes da Mata Atlântica, que recobriam o território municipal vêem sendo reduzidas em conseqüência dos desmatamentos para pastagem e cultivo e pela extração de

madeira. A crise da cultura do cacau, que tem como característica a preservação de partes da mata para sombreamento dos cacaueiros (cabruca) representa uma nova ameaça para os remanescentes de Mata Atlântica existente (PDDU CANAVIEIRAS, 1999).

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