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Services: The case of tourism entrepreneurs and workers

Dans le document TRADE AND GENDER (Page 37-40)

4. A gender analysis of trade policy and trade flows in Central America

4.3. Gender implications of trade liberalization: Selected case studies

4.3.3. Services: The case of tourism entrepreneurs and workers

A era da informação vem cedendo lugar à era da inovação. Um modelo de sociedade baseado em máquinas passa para um modelo baseado em bits e bytes, fragmentado, hipertextual, não linear.

O século XX foi abalado por todos os tipos de movimentos políticos, sociais e, claro, nos campos do pensamento e da ciência, lideraram este último terreno, por uma revolução espetacular na tecnologia. Neste cenário cheio de grandes teorias, realizações incríveis e decepções clamorosas, a computação viveu seu momento estelar, o que permitiu modelar o mundo à sua imagem e semelhança através da revolução digital. (TORRA, 2010, p.105, tradução nossa)

Mas o que seria essa inovação? O que o termo significa?

O termo inovação é considerado polissêmico, plural e complexo, principalmente quando relacionado a conceitos provenientes do campo da educação, por exemplo, inovação pedagógica, inovação curricular, inovação educativa. No “Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa” (s.d.), observa-se o significado da palavra “novo”, do latim “nõvu, jovem, coisa nova, novidade, qualquer coisa a que ainda não se está habituado; estranho, singular; novo, que se renova variado; novo (outro)”. Segundo o léxico, a etimologia da palavra inovação surgiu do latim innovatiõne, renovação, surgiu pela primeira vez em 1453, grafada como enovacão.

Henry Ford, empreendedor estadunidense, disse em algum momento de sua vida: "Se você tivesse perguntado às pessoas o que queriam para viajar, teriam respondido: um cavalo rápido". A levar em consideração que o anunciante da fala anterior foi um modelo de inovador, a inovação não deveria ser entendida como uma cópia melhorada de processos ou objetos reais - produtos, mais incrementados de design ou serviços que se baseiam nos mesmos procedimentos (LOMBARDERO, 2015).

Uma inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas.

A inovação implica em criar o novo e o novo contém elementos que não compreendemos no início e sobre os quais estamos incertos. Além disso, o grau de incerteza está fortemente correlacionado com o grau de avanço que propomos em uma determinada inovação. (KLINE; ROSENBERG, 1986, p. 295).

A capacidade de gerar e absorver inovações vêm sendo considerada, mais do que nunca, crucial para que um agente econômico se torne competitivo. Apesar de muitos considerarem, atualmente, que o processo de globalização e a disseminação das tecnologias de informação e comunicação, permitem a fácil transferência de conhecimento, observa-se que, ao contrário deste pensamento, apenas informações e alguns conhecimentos podem ser facilmente transferíveis. Além de não obedecer a um padrão linear, contínuo e regular, as inovações possuem um caráter cumulativo e um considerável grau de incerteza, posto que as mudanças e avanços são influenciados pela experiência acumulada no passado e a solução dos problemas existentes e as consequências das resoluções são desconhecidas a priori (LEMOS, 1999).

Inovações vêm ajudando a transformar a história da humanidade desde sempre. Do machado às terapias com células-tronco, um conjunto infindável de produtos e de processos modificou as formas de vida. [...] Entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX houve inovações que condicionaram fortemente a vida cotidiana, a produção e as formas de uso de bens (SALERNO; KUBOTA, 2008, p. 16).

No que tange a essas definições conceituais, como nos alerta Messina (2001), acerca da fragilidade teórica do conceito de inovação para explicar os processos inovadores que são desenvolvidos na educação, o termo inovação vem sendo assumido como fim em si mesmo e como solução para problemas educacionais estruturais e complexos. Tomamos como pressuposto, inclusive, que não há uma neutralidade do conceito de inovação, o qual pode trazer em si valores positivistas de progresso e desenvolvimento. Portanto, inovação não é apenas um conceito evasivo, mas também extremamente dependente do contexto.

No meio pedagógico, a inovação tem sido referência obrigatória e recorrente no campo educacional, empregada para melhorar o estado de coisas vigente. Numa perspectiva mais reflexiva no campo educacional, inovar, em termos metodológicos, tem significado de estruturar métodos de ensino que levem o aluno a utilizar habilidades intelectuais, a exercitar o pensamento reflexivo na solução de problemas e na tomadas de decisões. Já inovar, do ponto de vista da didática, tem significado de criar métodos ou técnicas de ensino que favoreçam a integração de conteúdos e a integração social dos alunos, bem como estimulem a participação destes em outros níveis que não apenas o intelectual. Os métodos e técnicas de ensino constituem, possivelmente, a dimensão pedagógica mais sensivelmente afetada pelas tentativas de produção de mudança educacional, senão em termos qualitativos, pelo menos quantitativamente. Dentre as varias hipóteses que podem ser aventadas para explicar o fenômeno, não nos parece desprezível considerar a proposição de que talvez esta constitua a dimensão sobre a qual o professor tem mais controle e, portanto, mais condições de atuar.

Todavia, destacamos que inovação não é solução mágica que possa ser aplicada para resolver todos os problemas da esfera educacional. Muitas das propagadas inovações podem provocar até mesmo retrocesso e prejuízos à qualidade dos sistemas educacionais. Assim, destaca que inovação em educação deve ser acompanhada de questionamentos como; a quem interessa; por quem foi proposta ou implementada e a quem poderá beneficiar.

Utilizaremos neste estudo, a definição de Inovação Educacional de Base Tecnológica (IEBT). Essa inovação educacional diz respeito a “qualquer mudança dinâmica que tenha como objetivo agregar valor aos processos educacionais que promovam resultados mensuráveis” (PEDRÓ, 2010, p. 12). Para este autor, os países têm apoiado essas inovações baseadas em tecnologia de muitas formas. Especificamente, no plano político, esforços importantes estão sendo feitos em três diferentes direções: (a) determinar as condições que permitem a adoção de tecnologia; (b) instrumentalizar e apoiar as escolas e professores para gerarem inovações no âmbito da escola ou sala de aula; (c) fornecer apoio para a comunidade de pesquisa interessada em documentar e analisar inovações educacionais emergentes.

Para além da definição de IEBT, criamos mais um pilar dentro da definição que seria o conceito de aberto. Uma inovação de caráter aberto pode fornecer ferramentas capazes de adotar múltiplas formas e significados, associados com o contexto no qual se

insere (MESSINA, 2001). Quando tratamos de aberto, fazemos uma oposição ao conceito de proprietário, de fechado.

O termo inovação aberta foi cunhado por Henry Chesbrough, que o define como ´o uso de fluxos internos e externos de conhecimento para acelerar a inovação interna e expandir os mercados para o uso externo dessa inovação’. (LOMBARDERO, 2015, p. 130)

Atualmente, no campo educacional, um movimento mundial está em desenvolvimento, promovendo acesso aberto aos recursos digitais para que sejam usados como um meio de promover a educação e a aprendizagem ao longo da vida (GESER, 2007). Faz parte de iniciativas que promovem ativamente os "commons", tais como os recursos naturais, os espaços públicos, o patrimônio cultural e o acesso ao conhecimento entendido como parte a ser preservada para o bem comum da sociedade.

O movimento em direção aos Recursos Educacionais Abertos (REA) é uma ideia simples que preceitua o conhecimento como um bem público cuja tecnologia em geral e da web, em particular, são gestadas como potencializadoras para que todos possam compartilhar, usar e reutilizar o conhecimento gerado. Para o Open e-Learning Content Services Observatory (OLCOS)5, os resultados iniciais das pesquisas demonstram que REA desempenha um papel importante no ensino e aprendizagem, mas é crucial a promoção da inovação e de mudanças nas práticas educacionais.

A inovação educacional aberta tem lastro na filosofia open-source, ou seja, na discussão de software de código aberto (open source software – OSS). Ideia essa que propõe que softwares de computador tenham seu código fonte disponibilizado e licenciado com uma licença de código aberto no qual o direito autoral forneça o direito de estudar, modificar e distribuir o software gratuitamente para qualquer finalidade. Esse movimento de software livre, foi lançado em 1983 e liderado pelo hacker Richard Stallman.

Raymond, outro estudioso do movimento OSS, "Given enough eyeballs, all bugs are shallow", em tradução livre: havendo olhos suficientes, todos os erros são óbvios.

5 OLCOS, Open e-Learning Content Services Observatory, é co-financiado no âmbito do Programa

eLearning da União Europeia e visa a construção de um Centro (online) de informação e de observação a fim de promover o conceito, a produção e utilização de recursos educacionais abertos, em particular, conteúdo educacional digital aberto (ODEC) na Europa.

Usuários são ótimas coisas para se ter, e não somente porque eles demonstram que você está satisfazendo uma necessidade, que você fez algo certo. Cultivados de maneira adequada, eles podem se tornar co-desenvolvedores [...] E porque o código fonte está disponível, eles podem ser desenvolvedores eficazes [...] Com um pouco de estímulo, seus usuários irão diagnosticar problemas, sugerir correções e ajudar a melhorar o código muito mais rapidamente do que você poderia fazer sem ajuda. Tratar seus usuários como codesenvolvedores é seu caminho mais fácil para uma melhora do código e depuração eficaz. (RAYMOND, 2001, p.6)

Podemos inserir claramente, nesta discussão, as ideias do educador Paulo Freire (1986) que desde muito afirmava que os seres humanos têm essa possibilidade de ser co-criadores/co-desenvolvedores, a qual nos libera de ser meros executores das programações sociais e de ficar subordinados às metodologias bancárias.

Como se pode observar, na atualidade a difusão da informação e do conhecimento avança de forma acelerada e sem precedentes na história humana. Fato este gerado basicamente a partir da emergência das tecnologias de informação e comunicação, associadas às inovações dela decorrentes. Um círculo ascendente parece em curso: conhecimento que gera produtos e processos inovadores, e esses ajudando a aumentar o conhecimento. Para Kubota (2008),

Parte substancial da economia mundial gira ao redor de atividades baseadas em alto conteúdo tecnológico, baseadas em conhecimento. Parte substancial da vida de boa parte das pessoas do planeta ou está imersa em atividades ligadas ao conhecimento, ou é viabilizada por alto conteúdo tecnológico (KUBOTA, 2008, p. 16).

Neste ambiente social e econômico mundial, pessoas que não adquirem e não se apropriam da competência de inovar, podem sofrer de uma nova forma de separação digital que pode afetar a capacidade de se integrarem plenamente à economia e à sociedade do conhecimento.

Inovar, na educação, tem o significado de organizar o ensino de forma que o aluno se envolva ativamente na realização de tarefas de acordo com seu próprio ritmo

de aprendizagem, obtendo avaliações e incentivos imediatos. Convém destacar que os recursos audiovisuais podem ou não ser considerados inovadores em função da forma como são estruturados, das potencialidades que estimulam ou objetivam desenvolver e o uso que deles se faz.

Os códigos, o software, as máquinas e a capacidade de processamento – que a cada dia aumenta – foram contribuindo para a construção de uma nova forma de produzir conhecimento, que hoje orienta os processos de produção colaborativa e aberta em rede, que está presente em todas as áreas, além da computação, e que mostra a dimensão não instrumental dessas tecnologias. (BONILLA; PRETTO, 2015, p.5)

Provavelmente a vertente mais usual deste uso de tecnologia seja a Internet. Sobre esses dados, podemos verificar segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE, 2015), o seguinte.

Tabela 01. Percentual de pessoas que utilizaram a Internet, nos últimos três meses, na população de 10 anos ou mais de idade

Grupamentos de atividade do trabalho principal

Percentual de pessoas que utilizaram a Internet, no período de referência dos últimos três meses, na população de 10 anos ou mais de idade, ocupada na

semana de referência (%)

Brasil

Grandes Regiões

Norte Nordeste Sudeste Sul Centro- Oeste Total (1) 63,4 49,0 48,7 72,2 67,7 68,7 Agrícola 16,8 12,2 9,8 24,5 24,6 26,6 Indústria 69,6 49,0 56,0 76,8 70,5 69,4 Indústria de transformação 69,3 48,0 54,8 76,5 70,3 68,9 Construção 47,4 41,3 36,2 52,9 51,2 53,3 Comércio e reparação 73,4 60,7 62,4 79,0 79,8 78,7 Alojamento e alimentação 66,1 54,6 56,1 71,6 69,6 71,0 Transporte, armazenagem e comunicação 68,4 56,8 57,6 74,6 68,6 67,4 Administração pública 80,8 75,1 74,5 83,1 84,4 86,8 Educação, saúde e serviços sociais 87,1 76,1 79,5 91,2 91,1 88,7 Serviços domésticos 44,1 39,7 39,0 46,9 44,7 45,3 Outros serviços coletivos, sociais e

pessoais 80,3 72,7 72,3 83,3 83,1 83,6

Outras atividades 87,6 80,5 83,1 88,9 89,0 89,3 Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2015.

Observando também os dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) existe um número elevado de docentes que acessaram a Internet no período de 2010 a 2013 (cerca de 98%) que condiz com valores de acesso quando levamos em consideração os dados disponibilizados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2015, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2015). Para tanto, utilizamos como referência o grupamento de atividade de trabalho: educação, saúde e serviços sociais, como explicita a tabela anterior.

Para Pedró (2010), a maioria dos professores está convencida dos benefícios que o uso da tecnologia pode trazer para a sala de aula. Todavia a mudança em nível de sistema educacional não está acontecendo devido a certas condições. A conexão entre as práticas pedagógicas envolvendo tecnologia e seus efeitos sobre a qualidade, equidade e desempenho, permanece mal resolvida. As instituições são incapazes de formar professores preparados com verdadeira experiência prática em pedagogia melhorada pela tecnologia e falham, consequentemente, em fornecer direções claras no uso efetivo da tecnologia em sala de aula. Mudanças pedagógicas requerem um enorme investimento de esforços por parte dos professores, individual e coletivamente. A evidência empírica que poderia eventualmente nortear esta mudança, por exemplo, conectando usos específicos de tecnologia com o avanço no desempenho do aluno, é escasso e não comunicado devidamente aos professores.

A pertinência teórica deste estudo se baseia em tentar identificar um recurso que auxilie o avanço de desempenho dos professores junto aos instrumentos tecnológicos emergentes, permitindo que esses docentes colaborem em processos de produção colaborativa e aberta em rede.

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