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O ritmo de transformações a que as sociedades estão sujeitas e o próprio sistema educativo, leva a que façamos uma reflexão sobre os modelos de formação e o ensino por forma a compreender a sua real lógica de funcionamento e analisar os resultados alcançados. Só nos é “possível contribuir para a produção de conhecimento de interesse para uma intervenção esclarecida” (Pardal et al., 2007, p. 69) se de facto tivermos este

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fator em linha de conta. É na relação com o mundo e com os outros que somos constantemente chamados a fazer interpretações e a tomar decisões nas mais diversificadas circunstâncias, sendo que “nossas identidades se configuram no nosso sentimento de pertença a determinados grupos levando-nos a agir prioritariamente em termos dos interesses coletivos” (Gomes, 2007, p. 109).

De acordo com Wachelke e Camargo (2007) a relação entre os indivíduos e a representação social é tão importante quanto complexa em sua apreensão, pelo fato de exigir um esforço de aproximação entre níveis de análise distintos. Segundo os autores a aprendizagem de conteúdos de representações sociais ocorre antes de uma conceituação sobre objetos da realidade.

Paralelamente, Gomes (2007) entende que a representação social cumpre o papel de dar significado às coisas quer para o indivíduo quer para o grupo constituindo-se em elemento fundamental de maneira que se possa pensar, interpretar e compreender a realidade vivida, caraterizando-se como uma forma de conhecimento social. Refere que a identidade social é construída pelos sujeitos sociais de uma perspetiva interacionista em que as expetativas que os membros do grupo têm sobre os papéis a serem desempenhados pelos sujeitos constituem os pilares de sustentação. Reforça a ideia de que a identidade possui tanto uma dimensão individual no qual se pressupõe as ideias, conceções e representações que construímos sobre nós mesmos, como uma dimensão coletiva a que se presume os papéis sociais que desempenhamos em cada grupo do qual pertencemos (familiar, profissional, escolar, religioso). Nas palavras do autor: “o conteúdo das identidades sociais construídas no interior de um grupo social define as diversas dimensões das comparações sociais, que reforçam o sentido dessa identidade, ou seja, as identidades sociais estão marcadas pelas semelhanças entre si” (p. 109).

No que diz respeito à identidade profissional o autor relança o seu foco de interesse na educação e afirma que os impactos da reconstrução das políticas públicas evidenciam-se nas representações cada vez mais negativas sobre a educação “como forma de emancipação e sobre a função docente, num ambiente conflagrado pelas disputas e pelas desigualdades sociais que não se mantém fora da escola” (p. 105), no qual salienta que o contexto “em que cada um dos sujeitos está inserido interfere profundamente em suas expectativas e percepções” (Gomes, 2007, p.109).

De acordo com Gomes (2007) toda a profissão afirma uma identidade sendo que existe uma identidade profissional do professor, isto é, uma maneira de ser professor. O ser professor refere-se a uma atividade especializada, uma profissão cuja principal

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função é a de ensinar, transmitir determinados conteúdos quer sejam científicos, artísticos ou técnicos. Em suas palavras: “a formação de um professor, e consequentemente a construção da sua identidade profissional, resulta de um processo de construção de múltiplas identidades que repercutem direta e significativamente no fazer docente” (Gomes, 2007, p. 111).

A formação recebida pelo professor faz com que ele construa sobre si uma representação positiva reforçando uma noção de superioridade intelectual em relação aos restantes que atuam no espaço escolar, no entanto, poderá ser contradito pelas representações que os sujeitos e/ou profissionais da escola fazem sobre ele mesmo. A ação profissional do professor está assim, condicionada por uma série de fatores e inserida num processo muito mais amplo que o seu espaço e tempo de atuação. Assim sendo, as representações e a identidade profissional do professor são resultado da confluência de inúmeros fatores, como sendo: exógenos como fenómeno da globalização e as mudanças das políticas públicas para a educação; e endógenos como a formação inicial e atuação profissional do professor. Gomes (2007) reconhece que entendendo as representações sociais a partir de um caráter relacional é natural que o discurso do professor seja permeado por sentidos de compromisso e de responsabilidade social das quais muitas vezes não são realizados por falta de condições objetivas no exercício quotidiano da profissão. Citemos o autor: “como professor espera-se que o sujeito conheça os conteúdos a serem ensinados, compreenda como foram construídos, como podem ser ensinados, como podem ser articulados a diferentes conteúdos e como podem contribuir para que os sujeitos educados se humanizem” (Gomes, 2007, p. 119).

De acordo com o anteriormente exposto, Cardoso (2006) salienta que a rápida transformação das sociedades modernas e em particular a sua diversificação leva a repensar a profissão docente e a qualidade do ensino. Torna-se imprescindível que a intervenção dos professores seja intencionalmente organizada com fortes âncoras a estruturas de formação contínua ao longo da vida. Em suas palavras:

(…) na formação de professores, predomina desenvolvimento de competências de transformação dos conhecimentos construídos com base em paradigmas científicos eurocêntricos, em conhecimento prontos a transmitir aos alunos, ao longo de diferentes faixas etárias, sem consideração pelos saberes que definem identidades históricas e culturais específicas (Cardoso, 2006. p. 86).

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Naturalmente que é sobre o professor que recai a maior responsabilidade para responder à diversidade e complexidade das situações educativas sendo que a heterogeneidade cultural, étnica e social das populações tornou-se uma das variáveis mais determinantes em qualquer área de ação e intervenção social. Neste sentido, espera-se que o professor, sendo visto como um especialista no desenvolvimento social do aluno “exerça as funções de instrutor e formador, transmitindo informações e valores fundamentais e ajudando o jovem a adotar valores próprios e a desenvolver a capacidade de tecer juízos críticos sobre as informações alternativas” (Rodrigues & Esteves, 1993, pp. 41-42).

Atendendo a esta ordem de ideias e ao mundo real de hoje é imperativo definir novos rumos para a formação de professores pelas “significativas mudanças sociais e demográficas” (Cardoso, 2006, p. 19) pela qual subsiste a necessidade de formar professores “com disposição para desempenhos para além da docência” (Cardoso, 2006, p. 19) no assentamento de um perfil cada vez mais exigente de quem vai ter de “intervir numa sociedade com necessidades, cada vez mais multifacetadas, no campo da educação” (Cardoso, 2006, p. 20). Consequentemente, cabe a cada um de nós “reconhecer o professor como um dos construtores da escola e da sua própria identidade” (Gomes, 2007, p. 121). Apraz-nos dizer ser relevante, numa sociedade feita de imprevisibilidades e de incertezas (Cardoso, 2006) formar cidadãos com saberes diversificados e atualizados por forma a terem a capacidade de sustentar a sua ação social, uma reflexão, e sobretudo, tomada de decisões e escolhas críticas (Cardoso, 2006). Parafraseando Lopes (2002)

A sociedade moderna baseia-se na escola como elemento regulador central da nova ordem social, até porque o saber – ou melhor, o diploma que a escola confere – é o novo critério de hierarquização social e distinção social. A emergência da escola e da instrução está ligada a duas intenções, que podemos sintetizar por regulação e emancipação. O modo como depois ela se realiza na instituição escolar, no sistema educativo, nos processos de socialização escolar, coloca a ênfase na regulação e não na emancipação. E isto vai ter impacto nos fatores que poderão estar hoje subjacentes à construção das identidades profissionais (Jornal “Página da Educação”).

Urge consolidar uma identidade social e cultura profissional alicerçada em conceções e conhecimentos em continuidade e na convicção de que a formação e a interação social com os demais vai projetar saberes, experiências e aprendizagens em todos nós, considerando-se estruturar e preparar formas renovadas para responder às

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necessidades e exigências da própria sociedade. Como sabemos a educação não se faz apenas com professores mas sim com todos os agentes que nela participam, tomemos isto como um desafio! Os professores como profissionais e transformadores (Sachs, 2009) contribuirão, certamente, para o «nascer» de uma sociedade que valorize a igualdade, a participação e a justiça social. Citemos Sachs (2009): “Uma profissão docente respeitada, em que os professores são apoiados na aprendizagem profissional, garantirá a qualidade dos resultados das aprendizagens dos alunos” (p. 116).