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Para aplicação do questionário, os produtores rurais foram escolhidos de acordo com o conhecimento da autora e com as oportunidades que surgiram. A maioria foi do sexo masculino, o que mostra a tradicional predominância desse gênero como responsável pela administração em áreas rurais. As mulheres também tiveram participação como respondentes, a porcentagem foi menor, mas não foi zero o que caracteriza que a atividade não é totalmente masculina. Dos gestores rurais com amostragem de 40 respondentes 80% eram do gênero masculino e 20% do feminino, como pode ser visualizado no Gráfico 1.

Sobre a masculinização Sacco dos Anjos e Caldas (2005) discutem que o campo masculiniza-se pari passu com a masculinização da agricultura. A modernização dos processos de produção e a introdução dos chamados insumos modernos devem ser entendidas como o aprofundamento da expulsão feminina da esfera agrária e a reafirmação do patriarcado. E é por isso que os dados apresentados não devem causar surpresa, senão uma preocupação adicional acerca do que pode conduzir o padrão hegemônico de produção centrado na ênfase dos monocultivos e na especialização regional.

Para Floriani e Rodrigues (2000) normalmente a história mostra uma família eminentemente direcionada ao sucessor masculino, pelo fato deste propiciar a continuidade do nome da família, através da geração de filhos. Contudo, é inegável que, com o passar dos tempos, a mulher passou a ter uma posição ampliada e mais ativa no seio social, especialmente a partir do seu ingresso no campo do trabalho. O ingresso da mulher nas lides empresariais, por sua vez, trouxe maior potencialização aos conflitos sucessórios, já que ampliou o número de membros candidatos a receber o poder de mando e acirrou a disputa pela sucessão.

Gráfico 1- Gênero dos agricultores respondentes

Fonte – Pesquisa, 2014

Referente a população, o município de Catuípe possui 9.477 habitantes, estimativa de 2013 do IBGE. Pelo Censo de 2010 sendo os habitantes 9.323, estes distribuíssem da seguinte forma: população urbana 5.998 habitantes; população rural 3.325 habitantes. Na área urbana (2010) de Catuípe se concentra 64,34 % da população, enquanto que na área rural (2010) estão instalados 35,66 % dos habitantes do município. Ou seja, a população urbana nos anos analisados sempre foi maior que a rural, assim como a população masculina comparada a feminina, exceto no ano de 2010. Esses dados podem ser observados na Tabela 1.

Tabela 1 – População do município de Catuípe (1991 – 2000 – 2010)

População (1991) (2000) (2010) Variação %(1991-2010)

População total 11.602 11.255 9.323 -19,64

População residente masculina 5.829 5.653 4.590 -21,25 População residente feminina 5.773 5.603 4.733 -18,01

População urbana 6.099 6.180 5.998 -1,65

População rural 5.503 5.075 3.325 -39,58

Fonte – Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil 2013

De 1991 a 2010 houve uma variação na população total de Catuípe de 19,64%, ou seja, uma diminuição da população em 2279 habitantes. Referente a população rural e urbana houve diminuição de 39,58% (2178 pessoas) e 1,65% (101 pessoas) respectivamente. A densidade demográfica do Município é de 15,98 hab/km² (IBGE, 2014), caracterizando-se em uma área pouco povoada, com um índice inferior ao encontrado para o Brasil, que é de 21 hab/km², e também inferior ao do Estado, que é de 38,0 hab/km² (FEE, 2014).

Em vista às distorções na separação urbano-rural, para uma melhor análise da configuração territorial Veiga (2002) combina os fatores densidade demográfica e localização. O autor elege o critério da densidade como sendo decisivo. Classifica como rurais os

municípios de pequeno porte que possuem até 50 mil habitantes e menos de 80 hab/km²; de médio porte os que registram uma população num intervalo de mais de 50 a 100 mil habitantes, ou cuja densidade supere os 80 hab/km², mesmo que tenha menos de 50 mil habitantes; e de fato centro urbano os municípios com mais de 100 ml habitantes. Com vistas a fazer uma conexão com o critério estabelecido pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) a primeira classificação englobaria os municípios essencialmente rurais, a segunda os relativamente rurais e a última os essencialmente urbanos. Ao considerar a metodologia de Veiga (2002) evidencia-se através de uma análise de distribuição de frequência que 83,3% dos municípios do Rio Grande do Sul são essencialmente rurais, 13,1% relativamente rurais e apenas 3,6% são considerados essencialmente urbanos (MARCUZZA e RAMOS, 2005).

Na pesquisa de campo, com relação a faixa etária dos produtores rurais, a maioria 45 % dos respondentes tem idade entre 41 a 59 anos, ou seja, 18 dos quarenta respondentes. A ocorrência de agricultores na faixa de idade entre 21 a 30 anos de 17% demonstra que existiu uma sucessão recente na família. O número de gestores rurais na pesquisa, com mais de 60 anos, foi de 07 agricultores, o que nos remete a tese de que, nesta idade, o casal já passou a gestão da propriedade à família do filho sucessor, continuando ou não a viver junto a ele. Pode ser que a aposentadoria seja um fator de colaboração para demarcar a passagem da gestão da propriedade. Essas questões podem ser visualizadas no Gráfico 2.

Gráfico 2 - Faixa etária dos agricultores respondentes

Fonte – Pesquisa, 2014

Dados do Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil destacam que entre 2000 e 2010, a razão de dependência no município de Catuípe passou de 48,19% para 46,80% e a taxa de envelhecimento evoluiu de 8,78% para 13,75%. De 1991 a 2000, a razão de dependência foi de 53,30% para 48,19%, enquanto a taxa de envelhecimento evoluiu de

6,26% para 8,78%. Essa razão de dependência é o percentual da população de menos de 15 anos e da população de 65 anos e mais (população dependente). E a taxa de envelhecimento é a razão entre a população de 65 anos ou mais de idade em relação à população total. Na Tabela 2 pode ser visualizada a estrutura etária da população do município de Catuípe-RS. Tabela 2 – Estrutura etária da população de Catuípe

Estrutura Etária (1991) % do Total

(1991) (2000) % do Total (2000) (2010) % do Total (2010) Menos de 15 anos 3.307 28,50 2.838 25,22 1.827 19,60 15 a 64 anos 7.568 65,23 7.429 66,01 6.214 66,65 População de 65 anos ou mais 727 6,27 988 8,78 1.282 13,75 Razão de dependência 53,30 0,46 48,19 0,43 46,80 0,50 Taxa de envelhecimento - 6,26 - 8,78 - 13,75

Fonte – Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil 2013

De um modo geral a população de menos de 15 anos diminuiu de 1991 para cá em 55,2%, esses dados tem relação com o número de filhos por família que também tem declinado. Por meio da mesma forma de abordagem a partir da faixa etária, de acordo com o IBGE dados do Censo (2010), são considerados jovens as pessoas que tenham entre 15 e 24 anos. No Rio Grande do Sul existem 2.640.642 jovens, destes 2.304.616 estão no meio urbano. O meio rural tem 12,72% dos jovens, ou seja, 336.026. A região Noroeste do Estado do RS de acordo com dados do IBGE (2010) demonstra que 28,62% da população vivem no meio rural e 71,38% no meio urbano de um total de 1.946.510 habitantes.

A educação por seu poder transformador constitui o vínculo para as conquistas da sociedade, tornando-se a chave para o progresso econômico e social, especialmente para os países em desenvolvimento que, assim como o Brasil apresentam claro antagonismo entre as classes sociais (BRAGANÇA, s.d). Referente ao nível de formação dos agricultores 42% tem nível baixo de educação com ensino fundamental incompleto ou completo, e 40% ensino médio. Enquanto que o ensino superior a mensuração foi de 18% dos respondentes sendo 04 gestores que concluíram a graduação como pode ser observado no Gráfico 3. Mendonça et al, (2008) defende que a qualificação técnica do agricultor acontece, principalmente, junto à família. É no fazer-aprender que os(as) filhos(as) de agricultores(as) familiares se qualificam para exercer as atividades relacionadas ao campo. O saber é passado de pai para filho(a), sendo esse conhecimento renovado e atualizado. São saberes profundamente ambientalizados,

adaptados à minúcia do território e muito pouco replicáveis. Logo, se os(as) filhos(as) de agricultores(as) deixarem o meio rural, toda a cultura fundamental e adquirida no campo como agricultores, poderá desaparecer, e assim limitar as possibilidades da produção.

Conforme o Censo Educacional, (IBGE 2012) o município possuia 19 escolas em seu território, sendo 07 pré-escolas, 11 de ensino fundamental e 01 de ensino médio, todas instituições de ensino públicas. De acordo com a esta fonte, 1514 alunos estão matrículas, destes 143 na pré-escola, 1099 no ensino fundamental e 272 no ensino médio. Conforme Atlas de Desenvolvimento do Brasil o IDH (2010) do município é alto, 0,739.

Pelos dados coletados, faz-se necessário um investimento e conscientização em educação, inclusive avaliar as condições de adoção de uma educação diferenciada voltada para a realidade rural, para promover o desenvolvimento econômico e social do município e em longo prazo para a manutenção dos jovens. Consequentemente com educação haverá maior produtividade e principalmente mais noção de administração para assim aumentar a lucratividade das UPAs (BIEGER, 2013).

Nesse sentido como forma de educação diferenciada voltada para a manutenção da cultura agrícola e do jovem no campo, destaca-se no município de Catuípe na comunidade de Três Vendas, a iniciativa de uma Casa Familiar Rural desde 2007. Tem abrangência de 17 municípios da região Noroeste, dos quais 11 municípios possuem jovem na CFR. No início de 2014 eram 37 jovens distribuídas em três turmas (1º,.2º, 3º ano), sendo 06 meninas e 31 meninos. De acordo com Fanck (2007) a Casa Familiar Rural é uma instituição dentro de um município ou dentro de uma região destinada à formação diferenciada dos jovens agricultores. Busca oferecer a formação técnica, humana e gerencial aos jovens do meio rural cujas famílias obtêm seu sustento através do trabalho na agricultura, na pesca ou na agropecuária. Ela é regida por uma associação de produtores, geralmente formada pelos pais dos alunos da escola, que trabalham com um método de educação direcionado à realidade dos jovens, permitindo-lhes uma qualificação que proporcione uma maior interação e apropriação de técnicas de aperfeiçoamento da agricultura familiar. Tem como ponto fundamental a relação entre escola, família e comunidade a qual o jovem agricultor está inserido proporcionando sua interação e a troca de conhecimentos, devido à utilização da pedagogia da alternância.

Gráfico 3 - Grau de instrução dos agricultores respondentes

Fonte: Pesquisa 2014

A população residente no meio rural decresceu como visto na Tabela 1 assim como o número de pessoas por família. A pesquisa apurou o número de filhos que compõem as famílias rurais. Pela análise dos dados do Gráfico 4 observa-se que 72% têm entre um e dois filhos. De três a quatro filhos teve percentual apurado de 20%. Aparece ainda no gráfico 3% que não tem filhos.

Gráfico 4 - Número de filhos por família

Fonte – Pesquisa, 2014

Com relação à longevidade, mortalidade e fecundidade do município de Catuípe, ilustrados na Tabela 3, destaca-se que a mortalidade infantil (de crianças com menos de um ano) reduziu 11%, passou de 13,7 por mil nascidos vivos em 2000 para 12,1 por mil nascidos vivos em 2010. De acordo com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, a mortalidade infantil para o Brasil deve estar abaixo de 17,9 óbitos por mil em 2015. Em 2010, as taxas de mortalidade infantil do estado e do país eram 12,4 e 16,7 por mil nascidos vivos, respectivamente (ADHB, 2013).

Tabela 3 – Longevidade, mortalidade e fecundidade em Catuípe

1991 2000 2010

Esperança de vida ao nascer (em anos) 70,3 75,1 75,5

Mortalidade até 1 ano de idade (por mil nascidos vivos) 18,6 13,7 12,1 Mortalidade até 5 anos de idade (por mil nascidos vivos) 21,8 16,0 14,1 Taxa de fecundidade total (filhos por mulher) 2,5 2,4 1,6 Fonte – Atlas de Desenvolvimento Humano 2013

A esperança de vida ao nascer é o indicador utilizado para compor a dimensão Longevidade do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). Em Catuípe, pela Tabela 3 observa-se que a esperança de vida ao nascer aumentou 5,2 anos nas últimas duas décadas, passou de 70,3 anos em 1991 para 75,1 anos em 2000, e para 75,5 anos em 2010. Em 2010, a esperança de vida ao nascer média para o estado era de 75,4 anos e, para o país, de 73,9 anos. Esses dados justificam o aumento do envelhecimento da população. Destaca-se ainda a diminuição da taxa de fecundidade, ou seja, os filhos por mulher, que no ano 2000 era 2,4 e em 2010 os dados demonstram uma taxa de 1,6, cerca de 1 a 2 filhos.

As evidencias de envelhecimento no meio rural (aumento da esperança de vida), somada ao reduzido número de filhos (taxa de fecundidade), reflete na redução de braços para desempenhar o trabalho no campo. O menor número de filhos acaba dificultando a manutenção da mão-de-obra agrícola. De acordo com o modelo tradicional, a prole numerosa era um fator positivo, na medida em que se convertia em mão-de-obra, porém sob outro aspecto ameaçava a integridade da propriedade diante das dificuldades de assegurar o surgimento de novas unidades produtivas num contexto de escassez de terra (CARNEIRO, 2001).

Na questão de renda mensal familiar, apresentada no Gráfico 5, a maioria dos respondentes 57% tem renda de mil a três mil reais. O percentual de produtores com renda entre cinco a dez mil reais é baixo, apenas 03 produtores o que demonstra o baixo retorno financeiro proporcionado pela atividade relacionada ao tamanho das propriedades em hectares, ou pouco lucro considerado pelos altos custos de insumos e maquinários para a produção, além da necessidade de se modernizar tecnologicamente para garantir maior qualidade e produtividade dos produtos, e se manter ativo no setor.

Gráfico 5 - Renda mensal dos agricultores entrevistados

Fonte – Pesquisa, 2014

Na tabela 4 está representado o perfil socioeconômico do município de Catuípe, com base no Censo de 2010 (IBGE, 2014). Nesta, é possível observar que a renda média da maioria dos domicílios do Município, é de 2 a 5 salários mínimos, o que representa 1.200 domicílios. Em seguida aparece a renda de 1 a 2 salários em 789 domicílios. São 468 domicílios que tem entre 5 a 10 salários mínimo. De 10 a 20 salários os domicílios são em número de 233. Com maior renda no município que vivem com até 20 salários são em número de 100. E a menor renda de até ½ salário esta presente em 66 domicílios do município.

Tabela 4 - Perfil socioeconômico dos domicílios do município de Catuípe

Salário Domicílio De 2 a 5 salários mínimos 1.200 De 1 a 2 salários mínimo 789 De 5 a 10 salários mínimos 468 De 1/2 a 1 salário mínimo 309 De 10 a 20 salários mínimos 233 De 20 salários mínimos 100

De até 1/2 salário mínimo 66

Fonte - Elaborado pela autora a partir de dados do IBGE (2014)

Uma importante questão deste estudo foi a de identificar como os agricultores se consideram frente a atividade que desempenham, se estão consolidados com possibilidade de investimentos e acumulo de capital, ou estão na fase de transição ainda com dificuldade de crescimento pela falta de investimento, ou ainda se não há retorno suficiente para viver da atividade, são agricultores em exclusão. Abramovay et al (1998) define essas três categorias

de diferenciação da agricultura familiar. Nesse quesito 47% foi o percentual dos casos de agricultores consolidados e 45% os em transição. Enquanto que os em exclusão representam apenas 03 dos agricultores respondentes, em percentual 8%. Os dados estão ilustrados no Gráfico 6.

Gráfico 6 - Classificação dos agricultores respondentes quanto a atividade exercida

Fonte – Pesquisa, 2014

O trabalho no campo se justifica por diferentes fatores, o principal e mais citada pelos gestores rurais foi por gostar do campo, citada por 22 pessoas. Obviamente é verdadeira, pois ninguém trabalha, por muito tempo, em algo que não se adapta. Sobrevivência e sustento familiar foi citada em seguida. A alternativa atividade passada de geração teve 10 respondentes. Por ser importante para a economia mundial foi citada 07 vezes. Os dados podem ser notados no Gráfico 7.

Gráfico 7 - Motivo pelo qual se trabalha na agricultura

Aspectos de satisfação devem ser mensurados para que seja possível aumentar o nível se a avaliação for negativa. Com respeito a atividade agrícola exercida 50% dos agricultores (20) encontram-se satisfeitos. Destaca-se que esta satisfação é com a atividade que exercem, e não com questões referentes ao mercado, clima, lucratividade, mas sim com o trabalho em si. A satisfação vem realçada na questão anterior onde a maioria diz estar nesta profissão por gostar do campo. No entanto, a insatisfação também aparece com percentual 32% (insatisfeito e muito insatisfeito). Os indiferentes são 18% dos casos de acordo com o Gráfico 8.

Gráfico 8 - Nível de satisfação do agricultor com a atividade agrícola

Fonte – Pesquisa, 2014

Uma possível associação do grau de satisfação com a agricultura pode ser referente às rendas auferidas. Os que manifestaram insatisfação possivelmente possuem rendas mais baixas, tanto agrícolas quanto totais. Além disso, tem-se como fator de insatisfação o preço dos produtos agrícolas comprados aos custos de produção, as políticas públicas que não se aplicam aos distintos casos e situações que ocorrem no campo, fatores esses associados a questão da não valorização do agricultor da forma devida. O Quadro 3 ilustra os motivos de satisfação e insatisfação.

A satisfação vem apresentada com motivos de identificação com o meio rural (gostam no campo) como já mencionado no Gráfico 7, o retorno financeiro como forma de sustento e sobrevivência e a identificação da importância da produção de alimentos.

Quadro 3 – Motivos da satisfação e insatisfação com a agricultura

SATISFAÇÃO INSATISFAÇÃO

Retorno financeiro para sobrevivência Não há incentivo por parte dos governos Sustento familiar Falta de políticas públicas adequadas Importância da produção de alimentos Não é praticado preço mínimo do produto

Alto imposto dos insumos e custo dos maquinários

Gostam da atividade mesmo que não seja lucrativa o suficiente

Não há a devida valorização do agricultor e da atividade

Não traz o retorno esperado

Fonte - Pesquisa, 2014

A atividade agrícola proporciona a sobrevivência e geração de renda das famílias rurais, como visto anteriormente. Nesse sentido, perguntou-se quantas pessoas vivem dos recursos retirados da propriedade. Aqui se tem uma base do tamanho das famílias que giram entre três a quatro pessoas por domicílio, de acordo com o Gráfico 9 onde 69% mencionaram essas opções. O que pode ser observado também na questão já apresentada sobre o número de filhos por família na qual evidenciou-se que são de um a dois mais frequentemente. O percentual mensurado de famílias com duas pessoas que vivem da renda da propriedade foi de 18%. De cinco, ou mais de seis pessoas aparece em 13% dos casos.

Gráfico 9 - Número de pessoas que vivem dos recursos retirados da propriedade dos agricultores respondentes

Fonte – Pesquisa, 2014

A maioria das empresas do mundo tem origem familiar, principalmente as rurais. Podem ser pequenas propriedades que nunca irão crescer ou ser passadas de uma geração para outra. Mas também podem crescer e tornar-se bem sucedidas. O tamanho da propriedade foi

uma das questões feitas aos agricultores. Os dados do Gráfico 10 revelam que há uma maior concentração das explorações de 10 até a faixa dos 60 hectares, o que totaliza 64% distribuídos da seguinte forma: de 10 a 30 hectares representam 35% dos casos; 30 a 60 hectares representam 27%. A faixa dos 60 a 90 hectares teve mensuração de 25%. Quanto as propriedade com mais de 90 hectares correspondem a 5% dos casos e as menores até 10 hectares 8%.

Gráfico 10 - Tamanho da propriedade dos agricultores respondentes

Fonte – Pesquisa, 2014

A Tabela 5, dados do IBGE, Censo Agropecuário (2006), comprova os dados levantados no estudo. A maioria das propriedades tem em trono de 20 hectares, um pouco menos ou um pouco mais, até 50 hectares. Na estrutura fundiária do município, de um total de 1258 propriedades, prevalecem as com até 20 hectares sendo 54,53%, ou seja, 686 propriedades. De 20 a 50 hectares são 310 casos. Propriedades acima de 1000 hectares eram apenas 03.

Tabela 5 – Estrutura fundiária do município de Catuípe

Discriminação (Há) N de propriedades % Até 20 686 54,53 De 20 a 50 310 24,64 De 50 a 100 113 8,98 De 100 a 200 58 4,61 De 200 a 500 32 2,54 De 500 a 1000 9 0,72 Acima de 1000 3 0,24

Produtor sem área. 47 3,74

Total 1258 100

Quanto aos aspectos econômicos na Tabela 6 é apresentado o número de empreendimentos por atividade econômica instalados no município de Catuípe.

Tabela 6 - Estabelecimentos de Catuípe de acordo com o ramo de atividade

Estabelecimentos por atividade econômica Quantidade %

Empreendimentos industriais 44 1,48

Empreendimentos comerciais 225 7,56

Empreendimentos de prestação de serviço (autônomo - pessoa física) 82 2,76 Empreendimentos de prestação de serviços (pessoa jurídica) 158 5,31

Propriedades rurais 2.467 82,90

Total de estabelecimentos 2976 100

Fonte: Adaptado de Instituto Porto Alegre Ambiental - IPOA (2013)

Pela observação dos dados, as propriedades rurais representam cerca de 83% dos estabelecimentos econômicos instalados no município, em quantidade são 2467, ressalta-se mais uma vez a importância da atividade agrícola para o município. Os estabelecimentos comerciais têm 7,56 % de participação no município. Os de prestação de serviços (autônomos, de pessoas física e jurídica) são em número de 240 (8,07%).

O setor agropecuário em 2014 pode ser considerado um segmento grande. A cadeia produtiva representa aproximadamente 25% do PIB. O ano de 2013 foi exemplar: enquanto a indústria cresceu 1,3%, e o setor de serviços 2%, a agropecuária expandiu-se 7%. Mais ainda, os segmentos industriais que se ligam ao agronegócio foram os que melhor desempenho mostraram: caminhões, tratores, implementos, fertilizantes, defensivos e produtos veterinários (BUAINAIN et al, 2014).

A Tabela 7 mostra o valor adicionado bruto da agropecuária, serviços e indústria no produto interno bruto do município de Catuípe, o VAB da agropecuária aumentou substancialmente do ano 2000 a 2011, cerca de 28,60%. Com relação ao serviço o crescimento foi de 24,43 %. Enquanto que o VAB da indústria cresceu 35, 27%. No entanto, considera-se o valor em reais, a agropecuária em 2011 tinha VAB de R$ 69.113, 59, nos serviços o valor era de R$ 100.675,48 e referente a indústria R$ 10.953,60. Esses dados

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