1. Literature Review
1.2 Service‐Dominant Logic (SD Logic)
Na escola havia uma sala de aula com um professor, sendo que cada sala de aula comportava várias classes ou séries de alunos. O critério para formar as classes era a proximidade ou nivelamento do nível de instrução do educando. Assim ao ingressar na escola era realizado um teste classificatório de leitura, escrita e aritmética com os alunos. Pelo resultado alcançado os discentes passavam a frequentar a série correspondente à sua classificação, ficando também submetidos às avaliações de professores e monitores. Cada série continha grande número de alunos, de maneira que o Método Lancasteriano era capaz de agrupar a maior quantidade possível de alunos em sala de aula, de séries ou classes diferentes (de primeira à oitava séries ou classes).
98 No original: “[…] the hope of reward sweetens labor, and the prospect of something to be attained in
future, is very pleasant to the human mind. […] The very nature of expectation is to operate as a wiredrawing machine to human industry. In proportion as this sweetener of human toil is intermingled in our cup, so do we remit, or increase, our activity” (LANCASTER, 1803, p.12).
Lancaster descreveu que o crescimento do quantitativo de alunos requeria o crescimento do número de professores na escola, e também o aumento do quantitativo de ajudantes. E nesse aspecto, a observação racionalizada de Lancaster determina uma proporção de professores e auxiliares, pensada quantitativamente de forma a render ações eficazes na Escola.
Isto porque pela lógica de ampliação que revestia o método, não era possível a recusa de alunos. Mas pela economicidade que o envolvia também não seria possível contratar mais professores, sob pena de elevação de custos. Desta forma, a alternativa encontrada deveria ser tão inteligente que não afetasse a qualidade do método, e tão módica que não comprometesse o orçamento. Quando pensou na proporção racional entre tempo, espaço, aluno e professor, o autor londrino ora tratado, criou uma fórmula, um cálculo perfeito da dinâmica de ensino, que resultou na ideia de se contratar uma figura auxiliar do professor em sala de aula.
[...] se um professor tem trinta alunos sob seu domínio e a aula tem duração de três horas ele divide o número de horas por crianças, o que resulta em seis minutos [de atendimento] por criança. Se o número de alunos se eleva para sessenta alunos, o tempo [de atendimento] é reduzido em três minutos por aluno. Quando a escola excede o número [de trinta alunos por sala] ou o professor comete injustiça [de atender em menos tempo cada aluno] ou deve ter um auxiliar (LANCASTER, 1812, p.34, tradução nossa).
Desta forma, diante do quantitativo de alunos os professores teriam como auxiliares os monitores. Normalmente eles eram os próprios alunos “mais adiantados nos conteúdos da série” (grifos nossos), seu papel era complexo uma vez que atuavam tanto como inspetores, quanto instrutores na sala de aula, tornando as tarefas do professor bastante restritas.
A sala de aula a partir do Método Lancasteriano foi organizada pelo modelo piramidal fayolista99 de organização das instituições. Para Fayol (1950) a divisão do trabalho é a própria razão de sua organização, de maneira que segmentar em partes conduz â especialização, gerando assim um trabalho heterogêneo, onde cada pessoa executa sua tarefa diferenciada, sendo coordenada por um superior. Essa heterogeneidade a partir do Método Lancasteriano se traduz nos papéis do professor e seus auxiliares, sob uma hierarquia descendente. O papel do monitor ou decurião é decorrente da decomposição da sala em partes ou séries, pois a escola é dividida em
99 Henry Fayol foi um engenheiro francês que criou o modelo de gestão nas organizações, assemelhando- as a uma pirâmide descendente. A pirâmide por sua vez era fatiada em níveis hierárquicos, sendo que cada parte ou departamento era atribuído à responsabilidade de uma pessoa ou chefia.
centúrias, ou grupos de cem alunos, que por sua vez podem ser divididos em decúrias ou grupos de dez alunos, de forma que cada grupo de aluno era atribuído à supervisão pedagógica de um monitor.
Pelo modelo lancasteriano, segundo Coutinho (1993, p. 65) “[...] era possível ao professor ensinar centenas de alunos a partir da monitoração que dividia os grupos em centúrias (grupos de 100), por sua vez divididos em decúrias (grupos de 10)”. Os alunos eram separados por grupos coordenados por um decurião responsável pela disciplina, já os chefes de classe ou monitores eram alunos considerados mais adiantados no conteúdo pedagógico e que auxiliavam o professor nas tarefas junto aos alunos, de modo que disciplina e ordem eram exigências permanentes. Tanta relevância foi dada ao trabalho do monitor que em sua obra “sistema de educação...” (grifos nossos) Lancaster destaca um capítulo inteiro somente dedicado a descrever as ações da monitoria. Por sua vez ao comentar o trabalho do monitor, Lesage (1999, p. 13) destaca que “[...] o método mútuo divide a responsabilidade entre o professor e seus alunos. Sem dúvida o papel do professor nesse domínio é relativamente restrito”.
O monitor da Escola de Ensino Mútuo deveria ser um aluno com atuação pedagógica elevada, e para ser investido na função monitorial era submetido a rigorosos exames pelo professor e por outros monitores, para verificação de sua capacidade de ensinar, avaliar e manter disciplina na sala de aula. Para tanto, o aluno deveria ter domínio do conteúdo que estava sendo ensinado na sala de aula, e acima de tudo, ser capaz de entender os meandros de ensinamentos do Método Lancasteriano.
A capacidade de entendimento equivalia saber usar comandos, instrumentos e materiais de maneira adequada, uma vez que deveria atuar como agente de colaboração com o professor, estabelecendo exames pedagógicos e observando a conduta de cada aluno. Após a investidura na função a escola entregava ao monitor um documento escrito contendo seus deveres. Dentre outros ônus, o monitor deveria memorizar todas as regras daquele documento e mais uma vez era avaliado pelo professor, para ser então, definitivamente selecionado como monitor.
A partir de então, diz Lesage (1999, p. 13) “[...] todo dia em uma classe reservada aos monitores ele [o professor] transmite o conhecimento e dá aos seus ajudantes os conselhos técnicos para a boa aplicação do método”. O monitor, portanto, tinha conhecimento das técnicas de ensino, do bom uso e zelo com os instrumentais de ensino lancasteriano, dos deveres de seus alunos, e principalmente de seus encargos na função.
Sobre esses encargos, ressalte-se que, cada sala de aula deveria ter uma pasta sobre a mesa do professor contendo os deveres do monitor, uma forma de evidenciar, tornar público tarefas, atribuições, e obrigações de cada um dos monitores. Isto por que eles se constituíam em elementos essenciais do método, pois a base de ensino mútuo repousa sobre a instrução ministrada pelos alunos. De certa maneira, o monitor é o “agente obreiro do método” (LESAGE, 1999, p.13).
Assim a Escola Lancasteriana recomendava selecionar monitores de leitura, de escrita, de aritmética, e de ordem. Como o Método previa segmentação e hierarquização havia também o monitor geral, uma espécie de chefatura de monitoria, e os auxiliares dos monitores. “[...] Os monitores gerais são ajudantes direto do professor, [...] seus subdelegados, recebem do professor delegação de autoridade e estão habilitados a intervir no domínio que lhes cabe” (LESAGE, 1999, p. 13).
Dessa forma havia uma gradação de responsabilidade dividida entre monitores e professores. Esse princípio que “[...] dá mérito ao método necessitava de uma organização muito especial para criar uma hierarquia razoável que pudesse promover o sucesso de todos”, pontua Lesage (1999, p.13). Essa hierarquia - continua o autor - “[...] se traduz concretamente por graus, funções e responsabilidades rigorosamente codificadas” que vão desde a seleção até a aplicação dos ensinamentos na sala de aula.
A forma de seleção dos monitores era bastante criteriosa, ressaltando-se que da primeira à quinta classe o monitor deveria ser um aluno mais adiantado da série subsequente, já as demais classes (sexta, sétima e oitava), teriam como monitores alunos da própria classe. Diz Lancaster (1812, p. 55) que “[...] o monitor é apontado como o inspetor geral [...] cuja atuação é examinar o progresso do aluno e apontar a que classe deve ele pertencer”.100
Desta forma, além de colaborar no processo pedagógico o papel principal do monitor era verificar o grau de aprendizagem dos alunos, portanto atuar como auditor na escola. A suntuosidade ritualística que se exercia na Escola Lancasteriana era quase uma liturgia, e o que chama atenção é a forma auto instrucional do Método, a organicidade da escola, um rito carregado de simbologias com elementos lúdicos e visuais.
[...] cada monitor deveria usar um crachá de couro com letras douradas contendo sua denominação, número e discriminação. Os crachás eram
100
No original: “[…] a monitor is appointed as inspector-general. He examines what progress in
pendurados [um após o outro] em pregos nas paredes da sala de aula, ao entrar na sala os monitores se identificavam pendurando os crachás no pescoço, de maneira que a forma de controlar a ausência do monitor era ver o crachá [que restava] pendurado na parede101 (LANCASTER, 1812, p. 89, tradução nossa).
Cabia, portanto, ao monitor geral a inspeção e o suprimento do monitor ausente, pela imediata substituição por outro aluno. Isso diz Lancaster era um grande alívio para o professor, que não raro tinha sob sua regência salas abarrotadas de alunos. Convém reiterar que a iniciativa de usar monitores no Método Lancasteriano, era considerada decisão racional de melhoria no ensino, para torná-lo dinâmico. Essa decisão envolvia inclusive aglutinar séries ou classes na mesma sala de aula, com delegações monitoriais por tarefa e por série. Assim no Método Lancasteriano havia uma especialização da monitoria, dividindo as tarefas em campos específicos: o monitor de leitura, o monitor de aritmética, o monitor de escrita, e o monitor de ordem.
Dessa forma, embora cada classe tivesse um monitor que lhe era correspondente, o trabalho era realizado de maneira matricial, de forma que havia avaliações intercruzadas, sendo as intrínsecas (realizadas pelo professor e pelo monitor da classe), e as extrínsecas (realizadas pelos monitores externos à classe). Essas avaliações formavam um conjunto de análise periódica, sendo que as avaliações intrínsecas eram realizadas cotidianamente, e a avaliação extrínseca em data antecipadamente fixada no diário de classe dos monitores.
Daí deriva o planejamento minucioso dos trabalhos monitoriais, nesse aspecto digno dos maiores elogios. Esse conjunto de certames simbióticos formava uma bateria complexa de avaliações na perspectiva de selecionar o aluno para a série posterior. O grupo de exames era ponderado pelo confronto entre vários registros. Para explicar esse caráter de cotejo, o autor descreve a inspeção monitorial de leitura, pontuando que,
[...] o monitor de leitura recebe uma lista nominal de alunos de cada classe. Então ele inicia seu trabalho solicitando que o monitor da primeira classe traga a ele seis alunos de acordo com sua lista, então ele examina a leitura e a escrita dos alunos, e compara seu diário de classe, com o diário do monitor da [primeira] classe. E assim procede em cada classe, da mesma maneira. [...] então algumas centenas de alunos podem ser examinados em poucos dias. Quando um aluno é promovido de uma classe à outra, ele tem permissão para
101 No original: “Every monitor should wear in school a printed or leather ticket, gilt, and lettered thus:
— Monitor of the first class — Reading Monitor of the second class — Monitor of the third class, with variations for Arithmetic, Reading, Spelling, &c. Each of these tickets to be numbered. A row of nails, with numbers on the wall, marking the place of each ticket, to be placed in every schoolroom: the nail numbered 1, being the place for the ticket No. 1. When school begins, the monitors are to be called to take their tickets; every ticket left on a nail, will shew a regular monitor absent, when an occasional monitor must of course be chosen” (LANCASTER, 1812, p.89).
escolher um prêmio, e o monitor recebe também102 [o prêmio] (LANCASTER, 1812, p.56, tradução nossa).
O procedimento de monitoria era revestido de formalização, pois cada monitor de cada classe tinha um diário de campo, no qual registrava a atuação individual do aluno, o nível de aprendizagem, e a possibilidade de ascensão para outra série. A formalização dessas informações tornava a inspeção bem conduzida e precisa, imprimindo organização na escola. O diário de classe era um documento institucionalizado, e como tal, permanecia na escola como registro de atuação dos alunos.
Portanto, dentre as atribuições do monitor a avaliação era a mais destacada, todavia o monitor poderia além de mensurar desempenho, ser um auxiliar do professor na função pedagógica e acima de tudo ser um agente de imposição de ordem. Todas essas funções são derivativas do monitor enquanto um verdadeiro substituto do professor, em uma relação direta de delegação de competência. Examinemos, pois, que a presença do monitor demarca um representante hierárquico que está revestido de autoridade como se fosse o próprio mestre.
Daí a importância ímpar do monitor e suas atividades, de tal forma que, na literatura, não raro percebe-se que a função monitoral adjetiva e concede nome ao próprio método: de Método Lancasteriano, passa a ser chamado monitorial ou mútuo, em uma perfeita referência à economia de tempo e de recursos, obtida através das tarefas monitoriais.
Ademais, a maneira com que se insere o monitor lancasteriano também pode ser considerada como a perfeita fórmula de economicidade na escola, uma vez que, a coletividade de ensino submetia centenas de alunos sob a regência de um único professor, e que os monitores recebiam prêmios, ao invés de salário. Mediante tal propósito, o autor londrino ora tratado ressalta que, sob esse aspecto, há um ganho substantivo, pois
[...] o número de alunos se eleva, a despesa com eles diminui, fazendo com que o professor seja capaz de ensinar muitos alunos ao invés de poucos. Isso faz elevar seu salário, fornece mais fundos [à escola] para atribuir prêmios, e
102 No original: “[…] the inspector of reading keeps a list of every class of reading in the school; and,
when his lists are correct, he proceeds to duty, but not before. He begins his inspection, by desiring the monitor of the first class to bring up six boys, according to the list. Thus by diligence and attention on his part, some hundreds may be examined in a few days. When a boy is removed from one class to another, he has permission to choose a prize, of a stated value, for himself, as a reward for his diligence: and the monitor is entitled to one of the same value” (LANCASTER, 1812, p.56).
principalmente produz uma grande economia103 (LANCASTER, 1812, p.80, tradução nossa).
Além da economia advinda do Método Lancasteriano, Bastos (1999) ressalta ainda os rápidos resultados obtidos, a forma eficaz com que se colhiam os frutos do trabalho pedagógico na escola. Assim ao comparar o método mútuo com as demais formas de instrução. Bastos (1999) focaliza a capacidade de ensinar a ler em um tempo considerado muito breve, e isso se mostra bastante atrativo no século XIX. Isto por que a nova concepção das estruturas pedagógicas se revela eficaz em certos domínios do ensino, isso tudo adicionado à presença do monitor na escola, que transforma o Método Lancasteriano em poderoso instrumento didático, que consegue alfabetizar rapidamente um batalhão de alunos. Lesage (1999, p.12) sobre o tema ressalta que “[...] enquanto nas escolas lassalistas o aluno levava quatro anos para aprender a ler, nos estabelecimentos mútuos esse termo é reduzido a um ano e meio”. E conclui que,
[...] as razões desse sucesso são múltiplas e cumulativas: os horários consagrados a essa disciplina [leitura] são importantes, as estruturas pedagógicas com a constituição de pequenos grupos, [tudo isso] permite uma leitura intensiva [que comporta] três tempos de aprendizagem: decodificação, exercício da memória e codificação.
Dessa forma, monitores e professores conseguiam a partir dos princípios traçados pelo Método Mútuo, cumprir os objetivos da escola e realizar um trabalho pedagógico voltado à aceleração do letramento. Com aspectos positivos e negativos, o método ganha corpo e consegue se espraiar com a perspectiva de baixo custo, economicidade e poucos professores em sala de aula. Examinemos agora, a incumbência docente no Método Lancasteriano.
Embora o monitor desenvolvesse um importante trabalho no Método Lancasteriano na verdade o papel do docente era o de maior relevância. Lins (1999, p.55) ressalta que “[...] o mestre é o centro da sala, é o destaque, é a figura ou representação simbólica da autoridade social a quem todos devem obediência”. Portanto a atuação do professor estava envolta em uma aura dúplice de dever e sensatez, que vinha acompanhada também de influência e prestígio. Importante destacar que essa representação da autoridade da mesma forma que se revestia de domínio e poder era vislumbrada por Lancaster como fonte de satisfação e felicidade, dada a cooperação
103 No original: “The consequence is, that as scholars increase, the expense for each individual decreases
— leaving one master competent to govern and teach many instead of a very few — adding to his salary, providing funds for rewards, and yet on the whole saving a great expense” (LANCASTER, 1812, p.80).
com que os monitores suavizavam o árduo trabalho docente. Sobre o tema assim se posiciona Lancaster,
[...] a condição do professor é certamente tranquila e prazerosa nas escolas do Sistema Lancasteriano [...] há tanto a absoluta delegação do [cumprimento do] ato de ensinar, quanto há delegação para os monitores selecionarem seus assistentes104 (LANCASTER, 1821, p. 9. Tradução nossa).
Diz Lancaster que, a figura do professor também representava o mérito de estar naquela função, encarnando um exemplo de idoneidade e prestígio social, e que emanava influência, ascendência sobre os alunos, se transformando em ícone, um exemplo a seguido. Tal idoneidade “[...] não permite jamais a um professor negligenciar seus deveres”105 (LANCASTER, 1821, p. 9, tradução nossa), o professor se transforma na exortação da moral em sala de aula, pois a educação lancasteriana era a transmissão de saber moral. Lancaster faz uma metáfora do professor com o artesão e seu aprendiz, citando a compartilhada atividade, em que mutuamente os dois se complementam em seus trabalhos
[...] a escola se assemelha à indústria: um artesão de sapatos, martela pregos em seu instrumento de trabalho [os calçados] e deixa seu aprendiz [monitor] martelar conhecimentos na mente dos alunos (LANCASTER, 1821, p. 9, tradução nossa).
E continuando, o autor destaca que, os professores como consideráveis profissionais no Método Lancasteriano, são pessoas de saber notório e elevada competência técnica, para tanto era necessário o conhecimento do próprio método e seus intrincados regulamentos e normas bem como materiais pedagógicos. Sobretudo, recomenda Lancaster (1802) que o professor, como modelo de conduta na sociedade inspire seriedade e firmeza. Docentes estão investidos em sólida moral religiosa e cívica, preceitua Lancaster (1802), demonstram amor a Deus e à Pátria.
Do que foi visto, o Método Lancasteriano tem conotação política racionalizadora e cívica, daí sua aderência ao momento político e social do século XIX e sua rápida absorção tanto na Europa quanto nas Américas (Sul e Norte). O Brasil não tardou em se inserir neste modelo, o que passaremos a descrever no capítulo seguinte.
104
No original: “the teacher’s situation is certainly easy and pleasant, in school on the Lancastrian
System […] so much for the absolute delegation of the duty of tuition, so much for the right of monitors to select their own assistants” (LANCASTER, 1821, p.9).
105
No original: “[...] the system never allows a teacher abstract his attention from duty” (LANCASTER, 1821, p.9).
2
PODER
E
RELAÇÕES
POLÍTICAS:
A
EDUCAÇÃO
LANCASTERIANA NO BRASIL
[...] No Brasil recém independente a instrução era importante no processo de consolidação do Estado, uma das estratégias fundamentais defendidas pela elite brasileira para a produção de um povo ordeiro e civilizado (LUCIANO FARIA FILHO, 2006, p.21)
Ao se entender educação como um fato social que se dá imbricado em uma série de variáveis, é necessário destacar quais estratégias políticas que a revestem, pois estas são geratrizes de outros processos pedagógicos. Este capítulo faz breve introdução da política brasileira nas primeiras décadas do século XIX (1808-1827) para compreender a esfera socio-política anterior ao ano 1827, início do tempo cronológico do recorte de pesquisa. Os principais autores que deram suporte ao capítulo e trataram dos conceitos de política e poder, foram dentre outros, Gilberto Freire, que explica a formação do patriarcado rural e desenvolvimento das cidades, Ilmar Matos que ensina a formação do império no Brasil, e principalmente José Murilo de Carvalho que faz valioso exame sobre o conceito de cidadania, poder e política no império brasileiro.
Através da visão desses autores se fez um recuo na história, por entender que os aspectos políticos106 anteriores a 1827, e que os circundam, são fortes influências na educação. Assim,
[...] a instituição escolar não surge no vazio deixado por outras instituições [ao contrário,] os defensores da escola e de sua importância no processo de civilização do povo tiveram que lentamente...apropriar, remodelar, ou recusar