6. Sensitivity Analysis
6.3. Sensitivity to delivery times
As mudanças económicas globais, ocorridas na segunda metade do século XX, tiveram como motor propulsor o sistema de gestão económico conhecido por Fordismo (nome que derivou
das linhas de montagem criadas por Henry Ford, que desencadeou o sistema de produção em série), e que, basicamente, culminou com as maiores economias capitalistas durante um grande período do século XX, explicam Mowforth e Munt (1998), citando Allen (1992). Este sistema é
representativo das grandes economias de escala, accionadas por produção e consumo massivos de produtos e desencadeou um fenómeno semelhante na indústria do turismo.
Estas ocorrências económicas/sociais e culturais transformaram o dia-a-dia das pessoas e
fizeram-nas adquirir novos estilos de vida e gostos, designadamente um aumento do consumo
de serviços, tais como os pacotes de férias, traduzido no factor principal explicativo do
incremento do consumo de turismo no mundo desenvolvido.
A globalização, induzida por um conjunto de factores económicos, financeiros, tecnológicos e de
regulamentação da circulação dos bens, serviços, capitais e pessoas teve também o seu reflexo
na indústria do turismo, designadamente através de várias fusões estratégicas e negócios entre
companhias aéreas e companhias de hotéis, entre outros.
Por inerência destes factos, a explosão do sector dos serviços veio reorientar os sistemas
económicos mundiais, mesmo ao nível da divisão do trabalho, também a uma escala global.
Paralelamente, a economia mundial sofreu o chamado processo de “desindustrialização” do mundo desenvolvido, em particular, tal como fazem notar Lash e Urry (1987), citados por Mowforth e Munt (1998).
A alteração económica mudou a primazia do sector industrial para o sector de serviços.
lucro na indústria das economias mais desenvolvidas, e ao surgimento de outros mercados mais competitivos de “novos países industrializados”, designados “tigres asiáticos”, Hong–Kong, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan, (Lash e Urry, 1987, citados por Mowforth e Munt, 1998:25). Em simultâneo, na indústria turística dá-se a explosão de diferentes tipos de atracções de
férias, procurados por novos segmentos de mercado, baseados na procura de novos estilos de vida e na tentativa de satisfazer os desejos de novas experiências. Estas alterações
vieram facultar o entendimento das transformações ocorridas no turismo.
Assim, conforme refere Holloway (1995), o turismo passa a constituir a indústria de maior
volume de negócios em termos mundiais. Repercute-se nos mais variados campos, e a
evolução histórica evidencia os seus impactos, tanto positivos como negativos, com efeitos sobre o mundo físico e humano (Mowforth e Munt, 1998).
No entanto, quais foram as verdadeiras razões de fundo que movimentaram estes processos
económicos globais? Segundo a teoria de “Compressão Espaço-Tempo” (a mais válida para
entender o crescimento e desenvolvimento do turismo no Terceiro Mundo) do geógrafo marxista David Harvey (1991), citado por Mowtforth e Munt (1998:27), as causas fundamentais foram o
ritmo acelerado de uma vida diária e económica, juntamente com um movimento vertiginoso de capitais e de informação.
Este argumento é fundamentado por Harvey, com o recurso a um exemplo paradigmático: pode-se comprar um voo de Paris para Lusaka, com mudança em Windhoek, numa agência de Buenos Aires. Este exemplo demonstra a velocidade com que a informação se movimenta num sistema de redes globais. Evidencia também o nível exponencial que a experiência de viajar atingiu, não
sendo necessário sair de casa para o conseguir, pois a Internet dá acesso às informações desejadas (Harvey, 1991, citado por Mowtforth e Munt, 1998).
Se a tese da “Compressão Espaço-Tempo” explica a necessidade de o sistema capitalista querer vencer a barreira da distância, expandindo as suas relações económicas a todo o mundo, e se o objectivo é reduzir o tempo de retorno e de circulação de capital com a garantia de lucros, o surgimento de novos mercados e de novos produtos é o reflexo desses novos objectivos. Este fenómeno por sua vez é bem ilustrado no âmbito do turismo, pelo número crescente de destinos turísticos emergentes em países em vias de desenvolvimento.
Constatam-se, assim, alterações simultâneas, não só ao nível do capital que circula
rapidamente, mas também ao nível dos lugares e dos destinos turísticos. Como fazem notar
Mowforth e Munt (1998:30) “entram e saem de moda” de forma alucinante, e o turismo, por inerência destas alterações, desloca-se ele próprio para novos locais. É o chamado processo de exteriorização do conceito de “Compressão Espaço-Tempo”.
mentalidade, gostos e estilos diferentes, nomeadamente no campo das artes, incluindo a literatura, a arquitectura, a música e até objectos e produtos mais banais, reflectem-se
também no contexto da reestruturação económica global. No âmbito da informação e da rápida aculturação entre países em desenvolvimento e os mais desenvolvidos, emergem novos
fenómenos de transformações culturais, que vão influenciar profundamente o processo de
reestruturação económica global.
A transição do período Fordismo, com a crise de acumulação, para o período Pós-Fordismo da “acumulação flexível”, está associada à capacidade humana de apreender o mundo em constante mudança (Jameson, 1984; Harvey, 1989b, citados por Mowforth e Munt, 1998).
É também a fase do pós-modernismo, período que regista uma nova época social, profícua e identificadora das profundas transformações culturais, que foram tendo lugar ao longo dos últimos trinta anos do século XX (Huyssen, 1984; Featherstone, 1991, citados por Mowforth e Munt, 1998). Observa Martin Mowforth que uma característica crucial do pós-modernismo é o surgimento
das novas classes médias, as quais têm um papel determinante como “agentes de
transformação cultural”. O crescimento destas novas classes médias vai desencadear um
conjunto de novos serviços, entre os quais os terapêuticos (desde a fisioterapia à reflexologia), bem como um conjunto de actividades económicas mais vocacionadas para o sector dos serviços.
No processo de construção deste puzzle, estas classes são peças determinantes para a
disseminação e explicação destes novos modelos culturais e padrões de consumo, dos
quais faz parte integrante o “ir de férias”. São também o grupo mais importante de pessoas, iniciadoras do consumo de um “novo turismo” nos países ditos periféricos, e promotores das noções de sustentabilidade. Como refere Morrow (1995, citado por Mowforth e Munt, 1998), “a grande classe média global está em movimento”.
O Pós-Fordismo, processo que então caracterizava o sistema económico mundial, entendia a
produção de um ponto de vista mais flexível, evidenciando uma alteração de ordem qualitativa
na produção e na organização.
É com o pós-fordismo que se compreende a reestruturação global e as transformações
qualitativas ao nível da produção e do consumo, motivadas pelas súbitas alterações nas
preferências e nos gostos peculiares dos consumidores (Mowforth e Munt, 1998). O consumo de serviços dispara em todas as frentes, nomeadamente na área do turismo – também este um serviço.
O facto de o mundo se encontrar cada vez mais interligado desencadeou uma economia em
rede, facultando a disseminação de uma cultura de consumo homogéneo nos países
desenvolvidos: são exemplos os MacDonalds, os Big Macs, a Coca-Cola, entre outros (Mowforth e Munt, 1998). Deste modo, o turismo é o reflexo desse crescimento a nível global, com ritmos e
impactos nos destinos, que só a indústria turística consegue alcançar. Cada vez mais se constata o aumento do número de oferta de destinos turísticos, especialmente os de viagens de longas distâncias, abarcando uma diversidade de novos segmentos de mercado.
Presentemente, com o avanço tecnológico, o desejo de procura de experiências autênticas e
de conhecimento assume contornos peculiares, desencadeando mudanças profundas nos
processos de comunicação, de tomada de decisão de viagem e de transporte, contribuindo, de forma radical, para a redução das distâncias entre os lugares de eleição. As novas tecnologias, os transportes e as finanças contribuem, deste modo, para uma melhor e mais rápida disseminação do fenómeno do turismo.