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Conhecer a estrutura etária de uma população é um dos fatores que contribui para o atendimento de muitas demandas, como as educacionais, de saúde e habitacionais (CERQUEIRA; GIVISIEZ, 2004), pois a composição por idade pode nos indicar comportamentos demográficos ligados a eventos vitais, como nascimento, óbito e casamento, que também estão ligados à forma da população organizar-se no espaço.

No Gráfico 3, observamos a distribuição etária nos aglomerados subnormais (AS) e no município. Notamos que a forma da pirâmide dos aglomerados subnormais sugere uma população mais rejuvenescida, sendo o grupo etário de 10 a 14 anos a maior proporção em ambos os sexos (BACELAR; CUNHA, 2019). Por outro lado, o topo estreito de sua pirâmide indica a presença uma população menor nos grupos etários de idades mais avançadas.

Já a pirâmide do município de Campinas revela uma população relativamente envelhecida do que a população dos aglomerados subnormais, com maiores proporções no topo da pirâmide e uma base relativamente mais estreita. Ressaltamos que os efeitos da queda de fecundidade podem ser visualizados na sua pirâmide, com direta implicação sobre a

redução do peso relativo das crianças ao longo dos anos. Podemos ver também em Campinas uma maior proporção da população entre 20 e 34 anos, enquanto nos aglomerados subnormais tal concentração é observada entre as idades de 10 e 24 anos. Nesse ponto, podemos destacar que o perfil do município está em conformidade com seu perfil migratório, pois Campinas é um receptor de fluxos migratórios e sua população está concentrado nas idades economicamente ativas.

GRÁFICO 3 – Distribuição etária do agregado dos aglomerados subnormais (AS) e do município,

Campinas, 2010

Fonte: IBGE (Censo Demográfico 2010).

A fim de destacarmos a interpretação do que vimos nas pirâmides etárias, faremos uso de alguns indicadores sintéticos que contribuem para a análise dos fenômenos sociodemográficos.

Primeiramente, no Gráfico 3, têm-se os dados da razão de sexo (RS). A razão de sexo é um indicador relevante para o estudo da mortalidade que, apesar de não fazer parte como fenômeno, das preocupações deste estudo, merece ser lembrando como relevante para a interpretação da composição da população por sexo, em especial quanto às causas externas e violentas de morte, esses diferenciais são muito significativos (MANETTA; ALVES, 2014).

Vale lembrar que o mesmo pode ser dito com relação à idade que é uma característica essencial quando tratamos do estudo da morbidade e mortalidade da população.

Além disso, razão de sexo também contribui para a compreensão de alguns fenômenos sociodemográficos, como a migração, a composição familiar ou a participação no mercado de trabalho.

Segundo o Gráfico 3, a população de mulheres é maior do que a população de homens, tanto no agregado dos aglomerados subnormais como no município, pois a razão apresenta valores abaixo de 100. Pode-se destacar ainda que a proporção da população de mulheres no município é maior do que nos aglomerados, pois quanto mais frequente a razão de sexo apresentar valores abaixo 100, maior a predominância de mulheres na composição da população. É importante frisar que esse perfil populacional, de mais mulheres do que homens, dentro da razão de sexo de 95,9 do ano de 2010, é condizente ao que se observa para a população brasileira.

A população dos aglomerados subnormais é predominantemente feminina a partir da faixa etária de 25 a 29 anos, enquanto no município a população feminina supera a masculina em número a partir do grupo de 15 a 19 anos. Dois fatores contribuem para essa maior proporção de mulheres na população: a morte por causas violentas da população jovem e adulta masculina e a maior longevidade feminina que, mesmo num quadro de aumento da expectativa de vida da população, em geral, e dos homens, em particular, ainda se mantém em um patamar bem superior.

Em outras cidades brasileiras e em determinados aglomerados subnormais a razão de sexo nas faixas etárias jovens pode ser ainda mais destoante quanto a outras áreas. Espaços com forte incidência de mortes violentas, como as favelas, tendem a apresentar uma mortalidade masculina em idades jovens e adultas maior. Isso não indica uma associação entre a violência e a favelização, mas sim uma vulnerabilidade expressa pela segregação socioespacial que restringe uma população a residir em áreas de insegurança (AIDAR, 2003).

Devemos considerar que o envelhecimento é um dos indicadores da diferenciação social, pois revela tanto a redução da fecundidade (referenciando-se à distribuição etária da população total), quanto o aumento da longevidade, ambos fenômenos que também estão ligados a questões sobre as características socioeconômicas da população (MOREIRA, 1998). Portanto, o índice de envelhecimento (IE) – que é a razão entre a população acima de 65 anos de idade e a população menor de 15 anos de idade – corrobora com as observações realizadas pela análise da estrutura etária em Campinas. Embora seja um índice muito simples, ele possui uma sensibilidade significativa às variações na distribuição etária, pois considera na sua construção dois grupos etários que influenciam diretamente o processo de envelhecimento populacional (CLOSS; SCHWANKE, 2012).

Por esse indicador, verificamos que nos aglomerados subnormais há 12,5 pessoas de 65 anos ou mais para cada 100 pessoas menores de 15 anos, enquanto no município há 43,6 pessoas de 65 anos ou mais para cada 100 pessoas com menos de 15 anos. Ou seja, há uma proporção maior de população idosa no município do que no agregado dos aglomerados subnormais.

TABELA 10 – Razão de sexo (RS) e índice de envelhecimento (IE) no agregado dos aglomerados

subnormais e no município, Campinas, 2010

Indicadores Aglomerados

subnormais Município

RS 99,3 93,1

IE 12,5 43,6

Fonte: IBGE (Censo Demográfico 2010).

O índice de envelhecimento (IE), informa-nos o ritmo com que a população envelhece, logo, podemos observar que a população do município chega às idades mais avançadas em um em ritmo menos acelerado do que a dos aglomerados subnormais. Como alguns estudos fomentam (CAMARANO; PASINATO, 2004; CLOSS; SCHWANKE, 2012), o envelhecimento da população pode ser reconhecido como uma parte do processo de desenvolvimento econômico, podendo ser observado um IE maior em regiões mais desenvolvidas. As áreas de aglomerados subnormais experimentam uma situação, no geral, de precariedade maior e com uma população mais empobrecida do que em outras áreas da cidade, isso reflete diretamente no seu IE o qual evolui em um ritmo mais lento que o município como um todo.

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