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(b) Mission to evaluate the African-Regiohal Centre

B. Senior Adviser in Management Improvements

Como foi descrito na etapa anterior, coletamos uma grande quantidade de enunciados que, na perspectiva metodológica qualitativa (OLIVEIRA, 2007) adotada nesta pesquisa, torna-se humanamente impossível de ser analisada. É aí que chegamos à fase dois da investigação, o estabelecimento do corpus, um momento de tomada de decisão do pesquisador, mas que está atrelado diretamente às questões e objetivos da pesquisa (FAIRCLOUGH, 2001, 2013; MAINGUENEAU, 2015). Dentro deste contexto, ao definirmos a Análise Crítica do Discurso (ACD) e a Análise Discursiva Textualmente Orientada (ADTO) como metodologias a serem utilizadas na pesquisa (o que será detalhado ainda neste capítulo), chegamos à perspectiva de Fairclough (2001) sobre a formação do corpus, no sentido de entender que este modelo de análise, pelo fato de ser bastante

73 Aqui agradecemos especialmente a Silvana Torquato Fernandes.

74 Mais informações sobre o CrowdTangle podem ser encontradas no site oficial que explica o aplicativo:

aprofundado, indo do texto ao contexto, funciona em pequenos números de amostra de discurso.

Assim, restringimos o corpus a 30 postagens com maior engajamento de cada coletivo referentes às eleições de 2018, dentro do lapso temporal compreendido de 16 de agosto de 2018 a 29 de outubro de 2018, somando ao todo 60 enunciados, consolidando a amostra não- probabilística (COUTINHO, 2015) a ser analisada neste estudo.

O critério utilizado para determinar quais foram as 30 postagens de cada coletivo a serem analisadas foi definido considerando questões de compartilhamento, propagabilidade e interação discutidas anteriormente nas perspectivas de Jenkins, Green e Ford (2014) e Van Dijck (2013), adicionando o conceito de capital social que é relacionado à perspectiva de como os nós das redes (no caso em tela, as páginas da Mídia Ninja e dos Jornalistas Livres no Facebook) se tornam referências devido à sua capacidade de agregar seguidores (RECUERO, 2009b; VAN DIJCK, 2013).

Recuero (2009b) aponta quatro valores que permeiam a formação do capital social em um nó na rede digital:

1) Visibilidade: o potencial de o nó ser mais visto na rede através da quantidade de conexões. A autora explica que “quanto mais conectado está o nó, maiores as chances de que ele receba determinado tipos de informação que estão circulando na rede e de obter suporte social quando solicitar” (p. 108);

2) Reputação, a qual associamos ao conceito de ethos (MAINGUENEAU, 2008, 2015) na perspectiva discursiva,

[...] compreendida como a percepção construída de alguém pelos demais atores e, portanto, implica três elementos: o “eu” e o “outro” e a relação entre ambos. O conceito de reputação implica diretamente no fato de que há informações sobre quem somos e o que pensamos, que auxiliam outros a construir, por sua vez, suas impressões sobre nós. (REQUERO, 2009b, p. 109)

3) Popularidade, que diz respeito ao número de conexões de um nó na rede, o que fará com que o mesmo tenha um maior poder de influência sobre os outros nós (seguidores). A autora explica que a popularidade pode ser medida quantitativamente através do número de curtidas, compartilhamentos, comentários etc. O que objetivamente é o caso de que estamos tratando ao selecionar o corpus analítico. Vale salientar que na atualidade, a popularidade não é necessariamente positiva, considerando a possibilidade de opiniões contrárias, ataques e ofensas serem compartilhadas em páginas alheias nos sites de redes sociais digitais. Bosco (2017) aborda essa questão ao tratar dos chamados linchamentos digitais. Recuero (2009b)

explica ainda que todos os nós são visíveis, mas nem todos são populares, para estabelecer a diferença entre os dois valores.

4) Por fim, há o valor nomeado de “autoridade” que é percebido a partir do poder que o nó possui de gerar conversações a partir das informações por ele difundidas. É um valor associado a reputação, mas que vai além dela, pois só é percebido a partir da difusão das informações e da percepção que os atores possuem dos valores contidos nessas informações (RECUERO, 2009b). Dentro do contexto desta pesquisa, o valor autoridade também é relacionado ao ethos, já que a Mídia Ninja e os Jornalistas Livres procuram estabelecer-se como nós centrais (referências informativas) num determinado espectro político.

Para operacionalizar a restrição do corpus, considerando os conceitos descritos acima, levamos em conta também o aspecto do engajamento. Uma abordagem comum na perspectiva do marketing e da publicidade no sentido de medir e incentivar a relação de clientes com marcas no âmbito comercial, dentro do contexto da web 2.0 (BRODIE et al., 2011; SOARES, RIBEIRO, 2015). No entanto, segundo Brodie et al. (2011), só na primeira década do século XXI, o termo ganhou popularidade na área do marketing e da comunicação empresarial. Antes disso, desde o século XVII, engajamento como expressão e conceito foi utilizado em diversas áreas como a sociologia (engajamento cívico), ciência política (estado de engajamento), psicologia (engajamento social, entre outros), etc. Ainda conforme Broadie et al. (2011), a maioria das abordagens sobre engajamento direciona o entendimento do termo considerando aspectos cognitivos, comportamentais e emocionais, este último nos leva novamente à perspectiva de Van Dijck (2013), que observa a relativização da racionalidade quando se considera o fator emocional na questão do engajamento.

Relacionando o engajamento com o conceito de participação política no contexto da internet, Dahlgren (2011), citado por Andrade e Pereira (2018, p. 6), explica que o termo se refere

[...] ao estado do sujeito que se sente mobilizado a participar de alguma causa, evento, atividade. Engajamento é um pré-requisito para a participação, pois a ação política pressupõe disposição a tomar parte, uma vez que exige dedicação de tempo e requer certas habilidades [...]. Sentir-se mobilizado está relacionado às emoções do sujeito.

Entretanto, percebemos que a noção de engajamento no contexto dos sites de redes sociais digitais tem uma dimensão mais fluída do que a citada acima. É que há uma certa efemeridade no ato de curtir ou compartilhar algo no Facebook por exemplo. Pode-se encontrar exemplos de pessoas que assumem compromissos e procuram integrar movimentos de maneira constante e ativa, porém o mais comum é ver ações corriqueiras nas ações triviais

de reagir a determinados conteúdos (MARGETTS, 2019). Isso também é reflexo do fato de mais pessoas (inclusive as que geralmente não se importariam em engajar) terem acesso aos sites de redes sociais e às publicações neles contidas. Não é de se estranhar que uma pessoa curta uma postagem da Mídia Ninja, por exemplo, com o mesmo sentimento de envolvimento (sem comprometimento político) com que curte a foto de uma amiga na praia.

Estamos falando de contexto (aspecto essencial no tipo de análise discursiva que pretendemos empreender), que deve ser considerado para entender o conceito de engajamento: “Engajamento, separado do seu contexto social, cultural e político é uma contradição que ignora entendimentos profundamente embasados sobre o propósito e a natureza do engajamento em si75”. (VIBERT; SHIELDS, 2003, p. 225 apud BRODIE et al., 2011, p. 260)

Assim, sentimo-nos confortáveis ao levar em consideração a perspectiva quantitativa (número de reações, compartilhamentos e comentários) relacionada à aferição do engajamento nas mídias sociais, para definir nosso corpus, pois entendemos que o termo não se prende apenas a uma perspectiva comercial e aponta para fatores emocionais e comportamentais que dizem respeito diretamente ao contexto que envolve a prática discursiva analisada.

5.3. Terceira fase da pesquisa: apontamentos para análise (discurso e Análise de

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