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5. Procedures

5.1. Sender-Side Procedures

Busca-se no paradigma desenvolvido por Mark Weiser uma definição de ubiquidade. Criada na década de 1990, ao abordar aspectos da Engenharia, das

Ciências Sociais e Humanas e da Ciência da Computação, a expressão identificou a onipresença da tecnologia nos espaços. Weiser (1991) visualizou um futuro em que os computadores desapareceriam do campo de visão e estariam integrados aos objetos como etiquetas de roupas, xícaras de café, interruptores de luz etc., de forma invisível para o usuário. Segundo Weiser (1991), dever-se-ia aprender a conviver com os computadores e não apenas a interagir com eles.

Essa perspectiva se concretizou e faz parte do cotidiano dos públicos estudados. As casas passaram a contar com equipamentos ligados à Internet como televisores, lâmpadas, aparelhos de ar-condicionado e câmeras, todos integrados a assistentes pessoais acionados por comandos de voz. Elimina-se, assim, os cabos e os controles remotos, fazendo com que o acionamento ocorra em qualquer lugar, pelo celular ou mesmo caminhando pela casa.

Até o final da década de 70, as relações dos indivíduos com os dispositivos computacionais eram pessoais. Já entre a década de 80 e os anos 2000, com o surgimento dos dispositivos móveis, passaram a ser hiperpessoais (PELLANDA, 2005), numa imersão always-on, exemplificada pelos smartphones e smartwatchs. Nesse sentido, com os wearables, a conexão tornou-se ainda mais ubíqua, com formas mais intensas de conexão e vigilância (PELLANDA, 2014). Isso foi possível pela introdução de tecnologias que propiciaram a infraestrutura necessária para o ambiente de computação e comunicação ubíqua (PELLANDA, 2009) como a Internet wi-fi e a banda larga móvel 3G e 4G, por exemplo.

Santaella também conceitua ubiquidade. Para a autora, caracteriza-se como a habilidade de se comunicar a qualquer hora e lugar por meio de aparelhos eletrônicos, distribuídos pelo ambiente (SANTAELLA, 2013). A hipermobilidade, segundo ela, transformou os seres em ubíquos, estando ao mesmo tempo em algum lugar e fora dele, num contexto de pessoas presentes-ausentes. Ainda, segundo Araujo (2003, p. 45-50), em termos tecnológicos, entende-se por ubiquidade “a coordenação de dispositivos inteligentes, móveis e estacionários para prover aos usuários acesso imediato e universal à informação e novos serviços, de forma transparente, visando aumentar as capacidades humanas."

A mobilidade das novas mídias abre espaço para uma relação ecológica no que se refere ao ambiente comunicacional existente. Os meios passam a coexistir, apoiam-se uns nos outros e apropriam-se das diferentes linguagens.

Ecologias midiáticas são intricadamente enredadas porque novas mídias são introduzidas em uma paisagem humana já povoadas por mídias precedentes. Longe de levar as anteriores ao desaparecimento, a mídia emergente vai se espremendo entre as outras e gradativamente encontrando seus direitos de existência ao provocar uma refuncionalização nos papéis desempenhados pelas anteriores. É justamente isso que tem acontecido com os dispositivos móveis, cuja velocidade de absorção e domesticação vem se dando em progressão geométrica espantosa. (SANTAELLA, 2007, p. 232)

Dertouzos (2002) também discute os impactos que a tecnologia trouxe para a vida das pessoas. Critica as interfaces ou funcionalidades complexas não centradas nas necessidades dos usuários. Ainda no início dos anos 2000, percebe as mudanças decorrentes do número de equipamentos móveis sem fio. “Até 2003, os telefones celulares, muitos com capacidade de acesso à Internet, excederão em números os conhecidos telefones fixos, já ultrapassando o número de PCs” (DERTOUZOS, 2002, p. 26). Dertouzos acreditava que até 2010 mais de um bilhão de pessoas estariam interconectadas a partir de seus computadores.

Os números previstos por Dertouzos foram ainda maiores. De acordo com dados publicados pela agência da ONU, International Telecommunication Union (ITU, 2018), no final de 2018, mais de 3,9 bilhões de pessoas usavam a Internet em todo o mundo. Segundo a pesquisa, foi a primeira vez na história que mais da metade da população mundial está conectada (51,2%). Pellanda (2009) observa a tendência desse movimento de plena conexão e seus impactos. “Essa nova configuração não representa somente uma facilidade de conexão, mas toda uma potencialidade de novos usos, bem como a transformação dos existentes” (PELLANDA, 2009, p. 90).

A décima edição do relatório ITU, desenvolvido desde 2009, leva em conta as diferenças econômicas dos países e apresenta resultados segmentados. Por exemplo, enquanto quatro em cada cinco pessoas estão online nos países desenvolvidos, nos em desenvolvimento, a taxa é de 45%. Entretanto, nos 47 países menos desenvolvidos, quatro em cada cinco pessoas (80%) não estão usando a Internet.

Entender o contexto de cada local torna-se essencial para análises relativas às transformações do ambiente digital, como é o caso desta dissertação. Busca-se em Castells (2003) uma ponderação sobre esse momento único de amplo acesso e de centralidade da Internet. No caminho oposto, ele equipara com a marginalidade quem não tem acesso ou possui limitações ou incapacidades para usar a Internet,

especialmente em áreas da atividade social, econômica e política. “Assim, não surpreende que a proclamação do potencial da Internet como um meio de liberdade, produtividade e comunicação venha de par com a denúncia da 'divisão digital' gerada pela desigualdade a ela associada” (CASTELLS, 2003, p. 203).

A ubiquidade tem suas limitações, mas está disponível para quase quatro bilhões de pessoas conectadas em todo o mundo. Tal número tornou-se possível graças à popularização de smartphones na última década (ITU, 2018). O relatório da International Telecommunication Union indica uma redução na quantidade de telefones fixos, enquanto o número de linhas móveis já supera o total da população mundial. Internet disponível sem fio, de maneira prática, ao alcance das mãos, acompanhando o usuário em diferentes lugares e realizando tarefas que até então não seriam possíveis sem a Internet móvel, uma definição que acompanha a reflexão de Dertouzos (2002) quando define a Revolução da Informação.

Segundo ele, a Revolução da Informação só seria concluída quando os computadores desaparecerem e fizerem ainda mais com menos. “Pense em seu computador como um empregado obediente que pode entender suas vontades e está acostumado com seus hábitos. Você fala com ele em seu idioma e ele, obediente, executa os comandos” (DERTOUZOS, 2002, p. 62). A dimensão da fala é abordada pelo autor como fator determinante nessa revolução.

Você nasceu com orelhas, bocas, olhos e a capacidade de ouvir, falar e ver. A computação centrada no homem pede que você use essas capacidades humanas naturais para comunicar-se com suas máquinas, não tendo de se sobrecarregar aprendendo novas abordagens complicadas para fazer aquilo que você já sabe sem esforço. Finalmente atingimos a maior alavanca de simplificação do sistema: a interação natural com as máquinas. É o primeiro passo no sentido da computação centrada no homem. (DERTOUZOS, 2002, p. 43)

Se antes, os computadores pessoais eram aqueles que estavam nas áreas comuns das residências, para uso de toda família, a miniaturização e mobilidade trouxe os computadores hiperpessoais, os celulares e tablets. Ainda, percebe-se a popularização dos speakers, assistentes pessoais ativados pela voz, cada vez mais próximos de uma interação fluída com os usuários. Negroponte (1995) acreditava que no próximo milênio seria possível falar tanto ou mais com as máquinas do que com outros seres humanos. Segundo o autor, a autoconsciência dos computadores poderia incomodar os humanos, acostumados a conversar com animais de estimação, mas que possivelmente estranhariam conversar com uma torradeira.

Ainda, salientava que seria a hora de fazer com que os computadores pudessem ver e ouvir.

Duas décadas depois, esse contexto é real e o acesso a diferentes devices e possibilidades marca a relação de ubiquidade com o pré-adolescente contemporâneo da Geração Z e também de seus pais, Geração Y. Segundo Pellanda (2009), esse novo momento é marcado pela concretização de um anseio humano, a onipresença causada pelos dispositivos permanentemente conectados à Internet, reduzindo distâncias entre espaços de trabalho, entretenimento e residenciais. “Onde se está fisicamente não é mais o ponto central, e sim qual o tipo de informação precisa-se trocar em um dado instante” (PELLANDA, 2009, p. 92). A eliminação das barreiras geográficas e a constante conexão gera dois sentimentos nos pais: tranquilidade e preocupação pelos seus usos no dia a dia.

Nesse sentido, busca-se analisar a relação entre a mídia e o cotidiano, visando compreender os impactos, as influências e o papel desempenhado no dia a dia.

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