• Aucun résultat trouvé

1. Construction: The Aesthetics of the New

1.2 Semiotics

De acordo Serafini (1995, p. 107), a correção é uma etapa importante no processo de reescrita, definida pela autora “como um conjunto de intervenções cabíveis ao professor para apontar defeitos e erros”. A autora explica que os critérios e parâmetros para a correção criados pelo professor para a correção de texto muitas vezes são subjetivos, e que para cada gênero o professor assume uma postura diferente de correção. Serafini (1995) aponta seis princípios básicos para a construção de uma boa metodologia de correção de texto:

1 A correção não deve ser ambígua: é preciso mostrar o erro de forma precisa;

2 Os erros devem ser reagrupados e catalogados; 3 O aluno deve ser estimulado a rever as correções feitas, compreendê-las e trabalhar sobre elas; 4 Deve-se corrigir poucos erros em cada texto; 5 O professor deve estar predisposto a aceitar o texto do aluno;

6 A correção deve ser adequada à capacidade do aluno (SERAFINI, 1995, p. 108-112).

Os três primeiros princípios básicos para a correção de texto, de acordo com Serefini (1995), remetem a métodos para uma correção eficaz. O quarto princípio refere-se à reflexão do aluno mediante às correções, e os dois últimos tratam da postura que o professor deve assumir. Ainda de acordo com a autora, existem três tendências de correção de textos: indicativa, resolutiva e classificatória, contudo a autora percebeu que os professores utilizam mais de um método de correção, mesclando assim diferentes propostas.

A correção indicativa é a mais utilizada pelos professores. Nesse tipo de correção, o professor aponta, por meio de alguma sinalização – verbal ou não, na margem e/ou no corpo do texto –, o problema de produção detectado. Esse tipo de correção não altera o texto do aluno, apenas indica os problemas que precisam ser “solucionados”, não respeitando nenhum dos três princípios de correção eficaz, sendo muitas vezes ambígua e sem uma classificação precisa e fazendo com que o aluno encontre dificuldade nas soluções de seu texto.

A correção resolutiva é o segundo tipo de correção mais utilizado, consiste em corrigir todos os erros, reescrevendo palavras, frases e períodos inteiros. Segundo Serafini (1995, p. 113), o professor

[...] realiza uma delicada operação que requer tempo e empenho, isto é, procura separar tudo o que no texto é aceitável e interpretar as intenções do aluno sobre trechos que exigem uma correção; reescreve depois tais partes fornecendo um texto correto. Neste caso, o erro é eliminado pela solução que reflete a opinião do professor.

Ao solucionar o problema do texto e apresentar um modelo determinado, entendido como o único aceitável, em detrimento de outros modos de expressão além do sugerido pelo professor, fica evidente a interferência do professor com suas opiniões no texto do aluno.

A correção classificatória, raramente encontrada pela autora, “consiste na identificação não-ambígua dos erros através de uma classificação” (SERAFINI, 1995, p. 114). Cada professor cria um conjunto de símbolos – normalmente letras ou abreviações –, escritos em geral à margem do texto, para classificar o tipo de problema encontrado. Essas letras, conhecidas dos alunos, fazem parte de um código, que respeita os princípios básicos de uma boa correção, já que a correção classificatória não é ambígua e possibilita o reagrupamento e catalogação dos erros, e de certa forma incentiva a reescrita do texto, uma vez que o professor adequa esta classificação ao nível do aluno, possibilitando que ele reflita sobre os erros apontados no texto.

A correção textual-interativa, não prevista por Serafini (1995), foi identificada por Ruiz (2013, p. 47):

Trata-se de comentários mais longos do que os que se fazem na margem, razão pela qual são geralmente escritos em sequência ao texto do aluno ("pós-texto"). Tais comentários realizam-se na forma de pequenos "bilhetes" que, muitas vezes, dada sua extensão, estruturação e temática, mais parecem cartas.

Por meio de bilhetes, o professor orienta o aluno a refletir sobre os problemas de seu texto de forma interativa, complementando as lacunas deixadas pelas outras correções. Ruiz (2013) argumenta que correção textual-interativa é uma estratégia de mediação a distância realizada no "pós-texto", para a autora, “esse ‘distanciamento’ reflete a troca de turnos que ocorre na interlocução aluno-produtor / professor-corretor / aluno- revisor” (RUIZ, 2013, p. 48), que objetiva suprir as necessidades de orientação que o aluno tem para a escrita de seu texto.

Além dessa classificação, Ruiz (2013) também agrupa as correções em monofônicas e polifônicas que consideram o caráter dialógico (BAKHTIN, 2011 [1952/53]) dos tipos correções. A correção polifônica está presente nas correções textual-interativa, classificatória e indicativa, pois, segundo a autora, a voz do professor está presente na correção. Já a correção monofônica aplica-se à correção resolutiva, porque o professor realiza as alterações no texto do aluno anulando seu discurso.

Assim, nas correções polifônicas – textual-interativa, classificatória e indicativa – o professor pressupõe uma atitude

responsiva do aluno, “a participação efetiva desse outro na construção

das alterações a serem realizadas na reescrita, [...] A voz do aluno/outro mostra-se, entrevê-se no próprio texto interativo, revelando a perspectiva dialógica do discurso da correção” (RUIZ, 2013, p. 80).

A reescrita como uma atitude responsiva do aluno diante dos comentários e apontamentos observados no texto original pelo professor pode ocorrer, de acordo com Ruiz (2013), através da reescrita total do texto; da reescrita parcial sobreposta à original; ou da reescrita parcial após o corpo textual.

Apresentados os tipos de correções, segue a explicação de como ocorre a correção, leitura do professor dentro do quadro teórico do nosso estudo.

2.3 O ENSINO DE PRODUÇÃO TEXTUAL ESCRITA NA ESCOLA

Documents relatifs