(FUTURO)
fontes: jornais Tem Novidade e Informandes
(matérias de fevereiro e março) A reforma da Previdência Social é
um compromisso de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma exigência do País.
A reforma é, sim, uma exigência, mas da população mais carente do País, que não tem acesso a políticas públicas do Estado porque o
orçamento público está
comprometido com outros tipos de despesa.
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Os capitalistas, que vêm ao longo da história tomando de assalto o Estado, exigem reformas que retiram direitos dos trabalhadores e manutenção das políticas de FHC (Informandes, fev, editorial).
Milhões de pessoas em “escravatura salarial” são chamadas a debater em “pé de desigualdade” uma reforma que está no bojo da Reforma do Estado pretendida pelo Capital para
reestruturar suas forças e avançar nos seus lucros e na sua destrutiva
hegemonia (Informandes, fev, editorial).
Precisamos trabalhar para que os regimes previdenciários existentes hoje no Brasil observem regras mais adequadas, primem pela justiça social e tenham sustentabilidade orçamentária.
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Em troca do atual sistema de solidariedade entre ativos e
aposentados, propõe-se um modelo de alto risco para os trabalhadores, uma vez que é conhecido o histórico de fraudes nos fundos de pensão e o alto risco no mercado de ações em que os recursos podem ser aplicados (Tem Novidade, mar, p.2).
Com essas mudanças, a sociedade brasileira terá a oportunidade de reduzir a desigualdade social e acelerar a retomada do crescimento econômico. Primeiro, porque passará a tratar com maior igualdade os trabalhadores do setor público e do setor privado. Segundo, porque a reforma permitirá à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios destinar, já a partir de 2004, mais recursos a investimentos nas áreas sociais e de infra-
estrutura, transformando em realidade a esperança que elegeu o
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Elevação da idade mínima para
aposentadoria, aumento dos prazos de carência, contribuição dos futuros inativos e redução de 30% no valor das pensões são riscos que os servidores estão correndo com a Reforma da Previdência. Todas as medidas atacam os direitos dos trabalhadores e seguem a cartilha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (Tem Novidade, mar, p.1).
presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Portanto, o debate previdenciário nem se coloca apenas em termos fiscais, muito menos atende a interesses financeiros privatistas.
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Representantes do mercado financeiro, inclusive, se reuniram com o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini para defender que a reforma fortaleceria o mercado e também para pedir a extinção do FGTS, que também se destinaria a fundos privados de seguro social (Tem Novidade, mar, p.2). Para os banqueiros, menos benefícios a serem pagos pelo Estado significam mais lucro para suas instituições. Fica claro a quem a Reforma pretende agradar – e não é aos trabalhadores (Tem Novidade, mar, p.2)
Em “Os capitalistas, que vêm ao longo da história tomando de assalto o Estado, exigem reformas que retiram direitos dos trabalhadores e manutenção das políticas de FHC” (Informandes, fev, editorial), é clara a referência ao passado histórico do capital, sob uma abordagem de influência marxista, com visão de disputa de poder e de classe (os capitalistas vêm tomando de assalto o Estado).
A referência “às políticas de FHC” remete a um passado próximo da história política do País e traz, ainda que de forma implícita, referência à forma como o movimento sindical enxerga o governo FHC, com duras críticas a sua política econômica e a sua linha político-ideológica. Esse exemplo mostra como o discurso sindical se utiliza de recorrências a informações e a universos representativos já existentes para a construção da imagem da futura Previdência (a Previdência pós-reforma seria mais uma forma de se retirar direitos dos trabalhadores).
Essa recorrência ao já existente remete ao tempo passado e também ao universo de conhecimento partilhado pela coletividade e, presumidamente, dominado pelo leitor do jornal. “Todos os sistemas de classificação, todas as imagens e todas as descrições que circulam dentro
de uma sociedade, mesmo as descrições científicas, implicam um elo de prévios sistemas e imagens, uma estratificação na memória coletiva e uma reprodução na linguagem que, invariavelmente, reflete um conhecimento anterior e que quebra as amarras da informação presente” (MOSCOVICI, 2003, p.37). Assim, ao relacionar ao tema presente (reforma da Previdência) fatos ou sujeitos já conhecidos (capitalistas, a exploração do capital , FHC), o discurso sindical aposta no acionamento de um universo de conhecimento anterior para agregar informações e juízos de valor ao tema tratado.
Referências, como “Todas as medidas atacam os direitos dos trabalhadores e seguem a cartilha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso” (Tem Novidade, mar, p.1) e “É imperativo barrar o modelo de Reforma do Estado que vinha sendo implementada por FHC e sua equipe, o que só será possível mediante a organização da sociedade a partir de suas entidades representativas exigindo de LULA que ponha os interesses dos trabalhadores acima dos interesses do Capital” (Informandes, fev, editorial) reforçam a exploração desse universo prévio de conhecimento, supostamente partilhado pelos leitores dos jornais sindicais, para caracterizar a reforma e o embate social que ela representa.
Os jornais sindicais apostam, ao utilizar esse recurso, no perfil dos leitores (como público específico) que seriam aptos a acessar o universo de valores partilhado pelo movimento sindical (luta de classe, relações de opressão e exploração, dominação, avanço do capital, etc.) e relacioná-lo ao episódio da reforma.
A especificidade do público-alvo dos jornais sindicais facilita esse compartilhamento de um universo comum de conhecimento e pensamentos. Embora alguns impressos sindicais se voltem para a sociedade como um todo, a maioria dos impressos “fala” para a categoria,
ampliado, às vezes, para familiares e pessoas da área. Essa prática é característica da imprensa sindical:
Os meios de comunicação de massa lidam com um público difuso, com modo de vida e características bem diferenciadas. A imprensa sindical direciona suas ferramentas para um público definido e coeso, com modos de vida e características similares e com trajetória e tradição políticas bem conhecidas (SILVA, 1998, p. 41).
Ao se utilizar desse recurso de referências, o discurso sindical reforça a visão do embate sobre o sistema previdenciário como algo pertencente a um universo maior de disputa de classes, de quebra de hegemonia, ampliando, assim, o debate. A relação temporal revela um papel na construção desse discurso de ampliar e aprofundar a discussão. Ao buscar o passado e resgatar fatos e informações, a comunicação sindical visa discorrer sobre o presente de forma mais ampla e lúcida e, com isso, prever com maior precisão e credibilidade o futuro. Tem-se o seguinte quadro de construção do discurso sindical:
Tabela 10 - Imagem da Previdência no discurso sindical
PASSADO