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Segmentation des modèles polyédriques

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Em meados do século XIX, a economia do Peru e da Bolívia estava baseada na mineração. O crescimento da economia boliviana, nesse período, esteve associado ao renascimento das atividades mineiras 45, sobretudo na extração e exportação da prata. Já no Peru, o guano – depositado nas ilhas costeiras para ser usado como fertilizante agrícola – predominava de maneira absoluta nas exportações do país. O monopólio do Estado Peruano sobre o guano gerou um crescimento anual médio de 5,2% nas exportações entre os anos de 1852-1878 46.

Nos primeiros anos da década de 1870, Peru e Bolívia entraram em uma grave crise econômica em decorrência do esgotamento dos depósitos do guano peruano e da brusca queda nas exportações de prata da Bolívia. Além disso, ambos os países não conseguiram liquidar com os credores internacionais os vultosos empréstimos realizados pelos governos anteriores e, por isso, não tiveram acesso ao crédito externo, o que agravou ainda mais a crise. Em conseqüência disso, ambos os governos civis tomaram medidas externas semelhantes e conjugadas para solucionar seus problemas internos. A primeira medida dos governos do Peru

44 BRUIT, H. H. (Org.). Estado e burguesia nacional na América Latina. São Paulo: Ícone, Editora da Unicamp,

1985, p. 93.

45 Durante as guerras de independência, as minas bolivianas foram destruídas e abandonadas. Posteriormente,

havia a falta de capital para investimento, escassez de mão-de-obra em decorrência da extinção da mita e a persistência no período pós-colonial do monopólio estatal da compra da prata – a preços abaixo do mercado – que reduziam drasticamente os lucros e os investimentos nesse setor.

46 BONILLA, Heraclio. O Peru e a Bolívia da independência à Guerra do Pacífico. In: BETHELL, Leslie. (Org.)

História da América Latina: Da Independência a 1870, volume III; tradução de Maria Clara Cescato, São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo, DF, Brasília, 2001p. 554.

e da Bolívia foi assinar o tratado secreto de 1873 de defesa contra o Chile. Com este tratado, visavam a conter o expansionismo chileno na região do deserto do Atacama, rico em reservas minerais. O tratado previa que em caso de uma ofensiva militar chilena ao Peru ou à Bolívia ambos declarariam guerra ao agressor.

Depois de firmado o tratado, os governos de Peru e Bolívia “avançaram” sobre as possessões do capital chileno em seus territórios, em geral investido nas empresas de nitrato. No Peru, o nitrato, ao contrário do guano, era um recurso da iniciativa privada peruana e chilena. Como estratégia para tirar seu país da crise que vinha atravessando, o primeiro presidente civil do Peru, Manuel Pardo47, instituiu, em 1873, o monopólio do nitrato e, em 1875, expropriou seus campos. O objetivo era transformar as reservas de nitrato em um novo recurso capaz de financiar os gastos públicos48. Com isso, os ex-proprietários transferiram-se para o Chile, onde contribuíram para a propaganda do que viria ser mais tarde a Guerra do Pacífico.

O monopólio do nitrato não alcançou os resultados esperados. Devido à manutenção da crise, a oposição ao governo civilista começou a aumentar, ocorrendo até algumas insurreições armadas organizadas por militares peruanos49. Não suportando a pressão, Pardo renunciou em 1876, o que levou os militares de volta ao poder.

No início da década de 1870, em virtude do potencial de cobre, nitrato e guano no território boliviano, várias empresas estrangeiras, em especial chilenas, dirigiram-se à região do deserto do Atacama a fim de explorá-lo. Muitas dessas empresas conseguiram concessões do governo boliviano, dentre elas a Companhia de S. F. Antofagasta, de capital anglo- chileno50. Esses investimentos estrangeiros no Atacama não foram suficientes para tirar a Bolívia da crise que vinha atravessando. Dada essa situação, o governo civil de Tomás Frias51 não resistiu ao aumento da oposição e foi deposto por um golpe de estado organizado pelo general Hilárion Daza, em 1876.

O novo governo boliviano, “assegurado” pelo acordo militar de 1873 com o Peru, viu como única saída para conter a crise aumentar a tributação sobre a exploração da principal riqueza do país: os depósitos de nitratos na região do Atacama. Em 1878 foi aprovado pelo Congresso Boliviano um reajuste tributário nas exportações de salitre. O imposto de 10 centavos por quintal de salitre exportado seria cobrado a partir do ano seguinte, sob a ameaça

47 Presidente do Peru entre 1872 e 1876.

48 PEASE, Franklin. Breve historia conteporánea del Peru. México D.F: Fundo de Cultura Económica 1995.p.

111-115.

49 Idem.

50 A C.S.F.A. tinha 70% de seus capitais chilenos e 30% britânicos. 51 Presidente da Bolívia entre 1874 e 1876.

de confisco dos bens das empresas que não acatassem ao novo tributo. As empresas mineradoras chilenas protestaram a decisão do governo de La Paz e recorreram ao governo de Santiago. Para o governo chileno esse reajuste representava o rompimento do tratado assinado em 1874, como afirma Francisco Doratioto:

Em 1874 os governos chilenos e boliviano assinaram um tratado pelo qual este comprometeu-se a não aumentar, durante 25 anos, os impostos sobre as empresas chilenas dedicadas à extração de nitratos. Contudo, no início de 1878, o Congresso boliviano estabeleceu um imposto de 10 centavos sobre cada 100 quilos de salitre exportado. Simultaneamente, houve a ameaça boliviana de encampar os bens da Companhia Anônima de Salitre e Ferrovia de Antofagasta, de capital chileno. Protestando o não-cumprimento do tratado de 1874, o Chile conhecedor do acordo secreto peruano-boliviano, declarou, em 1879, guerra aos dois países (...). A motivação real para o conflito foi o interesse da burguesia chilena em apoderar-se dos territórios com nitratos, onde havia feito grandes investimentos. 52

A Bolívia, anos antes do tratado com o Chile, havia cedido generosas concessões à Companhia de S. F. Antofagasta, da qual diversos políticos chilenos possuíam ações. Quando o governo boliviano decidiu aumentar o imposto sobre as exportações de nitrato na região do deserto, os interesses de importantes membros do governo de Santiago ficaram ameaçados. O governo chileno, com base no Tratado de 1874, exigiu a suspensão de tais tributos e, em virtude da negativa do governo boliviano, os chilenos decidiram intervir militarmente no Atacama. Assim, o aumento do imposto na exportação de nitratos, por parte do governo boliviano, foi o estopim para o início da Guerra do Pacífico, em abril de 1879, com o Chile declarando guerra à Bolívia e ao Peru.

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