Veja, nas 19 edições de junho a outubro de 1994
Nas páginas 30 e 31 da edição nº 22 (Seção Brasil), de 1º de junho de 1994, a revista traz em sua reportagem a matéria A onda do caminhão, com uma interpretação exorbitante da lei eleitoral e a defesa da ilegalidade feita por Lula, surge um debate ridículo sobre sua cassação (VEJA, 1994a, p.30-31).
O texto da matéria refere-se a um debate sobre a legalidade ou não das atitudes a seguir mencionadas, quando então o candidato Lula subiu em um caminhão de som do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, para fazer comício em porta de fábrica. Lula foi pego em flagrante, uma vez que é proibido por lei eleitoral (Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997) esse tipo de atitude. É proibido, segundo essa regra, que entidades sindicais, de empresários ou de trabalhadores prestem serviços ou cedam equipamentos para campanhas políticas.
Na mesma reportagem, também é mostrado Fernando Henrique Cardoso usando um ônibus do governo de Sergipe. A legenda da foto diz: “Lula no carro de som da CUT, Fernando Henrique e Palmeira num ônibus do governo de Sergipe: criminosos?”.
O candidato Esperidião Amim refere-se a Lula como o vadio mais bem-sucedido do Brasil, e Lula responde no mesmo nível dizendo que “Só um babaca e imbecil como o Amim pode me acusar disso (de receber dinheiro dos sindicatos para a campanha)” (VEJA, 1994a, p.33).
Fernando Henrique Cardoso, em resposta à acusação sobre o Plano Real, responde aos seus adversários políticos, que eles deveriam calar a boca, quando o acusam que o “Real” é um estelionato eleitoral. (VEJA, 1994a, p.33).
Na edição de 8 de junho de 1994, na chamada de capa, Fernando Henrique aparece na foto com seus assessores, cumprimentando um eleitor negro. O texto-legenda da foto diz: “O vermelho e o Negro: o tucano Fernando Henrique Cardoso diz que é mulato e o PT tira o vermelho de seus cartazes. As raças e as cores entram na campanha”.
A reportagem na seção Brasil dessa mesma edição, página 34, o título da matéria é: “Festival furta-cor: na barganha de votos, Lula abandona o vermelho da esquerda e Fernando Henrique diz que é ‘mulatinho’ e tem um ‘pé na cozinha’. Na página 35, há uma foto do Lula controlando uma bola de futebol na cabeça, cuja legenda diz: “Lula, numa carona no clima de
copa, e a nova marca do PT: vermelho só na estrela”. Ainda nessa mesma página há uma charge do cartunista Ique, na qual aparecem os candidatos Orestes Quércia fazendo um gesto de roubo com as mãos, Lula mostrando a mão direita, faltando o dedo mindinho, e Fernando Henrique mostrando a mão direita aberta e a mão esquerda segurando um quadro com a foto de uma mão aberta, para mostrar o mote de sua campanha, isto é, as cinco prioridades do seu plano de governo.
Na charge de Chico Caruso (O Globo), página 41 da Veja, ainda na edição de 8 de junho, aparece o presidente da África do Sul, Nelson Mandela, dançando com Fernando Henrique Cardoso, este de cor negra, trajando um terno branco, sem gravata com uma camisa amarela. Nelson Mandela, por sua vez, com um terno azul, gravata azul e camisa cinza.
Na edição de 15 de junho de 1994, a reportagem na seção Finanças tem no seu título e subtítulo o texto: “Baú de dólares: os partidos anunciam seus orçamentos de campanha e apontam para despesas milionárias”. A matéria mostra a apresentação da previsão de gastos dos candidatos a presidente, governador, senador e deputados ao Tribunal Superior Eleitoral.
Os candidatos aparecem com as seguintes quantias em milhões: Fernando Henrique – US$ 75; Orestes Quércia – US$ 58,5; Flávio Rocha – US$ 50; Leonel Brizola – de US$ 30 a US$ 50; Esperidião Amin – US$ 40; e Lula –US$ 30.
Na mesma edição, na coluna Radar, de Ancelmo Gois, título: “FHC e o beijo da velhinha”, o texto informa que o candidato FHC, numa palestra para grandes investidores estrangeiros, explicando as dificuldades para eles entenderem a campanha política brasileira, deixou a plateia de queixo caído, conforme afirma Gois, quando FHC disse: “A gente sai do palanque e é obrigado a ganhar beijo de velhinha, levar beliscão.” “As pessoas querem te cumprimentar, e toda hora você precisa verificar se não te levaram o relógio de pulso.” “Sou sociólogo. Nesta condição, defendi uma tese sobre negros, que me obrigou a freqüentar esses ambientes. Não teria dificuldade em voltar lá, atendendo a conselhos de meu homem de marketing.”
Na mesma coluna, na seção Curtas, em relação ao candidato Lula, o texto diz o seguinte: “Ao dizer que se Lula fosse inteligente não teria perdido um dedo, Enilson Simões, o ‘Alemão’, da Força Sindical, levou o Troféu Estupidez da campanha”.
A edição de 22 de junho de 1994 traz na sua chamada para a reportagem “A campanha do tucano no arraial do PFL” o texto diz o seguinte: “Em suas andanças pelo Nordeste, o candidato tucano Fernando Henrique Cardoso faz comício em Canudos ao lado de pefelistas, prova frutas produzidas na região de Petrolina, deixa a baiana amarrar-lhe a fitinha no pulso e sofre cerrado patrulhamento dos adversários”.
Na página 38 da edição de 22 de junho, na seção Eleições cujo título é: “Dinheiro de cada um”, entre os candidatos ao Planalto há riquíssimos e falsos classe média, e todos vivem melhor que a maioria dos eleitores.
Na comparação entre os candidatos Fernando Henrique e Lula, a matéria mostra o patrimônio atualizado de cada um, em cujas fotos aparecem legendas que dizem: “US$ 120.281 – Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bem mais rico que um metalúrgico, tem patrimônio razoável para quem já foi parlamentar. US$ 920.886 – Fernando Henrique Cardoso (PSDB- PFL), perto do seu primeiro milhão, juntou patrimônio como professor, escritor e político".
Na charge de Chico Caruso/O Globo, página 43, aparece os principais candidatos à Presidência carregando seus objetos de uso para campanha. O texto diz: “As grandes conclusões a que chegamos: em política, pecar é não poder carregar!!!” A charge mostra Orestes Quércia com uma grande caixa nas costas, na qual está escrito Israel. Lula aparece carregando um carro de som nas costas, e neste está escrito CUT SOM. Fernando Henrique carrega também uma grande caixa aberta nas costas e dentro dela tem a caricatura de José Sarney. Os candidatos Enéas, Brizola, Esperidião Amim e Flávio Rocha aparecem vestidos de carregadores, com os seus carrinhos vazios a espera de clientes.
A edição de 29 de junho de 1994, página 38, o título da reportagem diz: “Dupla gestação. Como surgiu o plano dentro da equipe e como, dentro do plano, fortaleceu-se uma candidatura”. A matéria de Expedito Filho explica o fortalecimento da candidatura de Fernando Henrique Cardoso para presidente do Brasil. No início do texto, Expedito Filho faz a seguinte indagação: “Um plano sincero, que acima de tudo situa o combate à inflação? Ou um plano hipócrita, que não serve senão de plataforma a um candidato a presidente? Um esforço sério para domar o bicho horrendo da inflação brasileira? Ou o famigerado estelionato eleitoral?”
Na edição de 13 de julho de 1994, página 4, o texto de chamada diz: “Pesquisas apontam mudanças na campanha. A vantagem de Lula ainda é grande, mas o candidato do PT parou de crescer e até caiu um pouco, enquanto o Tucano Fernando Henrique Cardoso mostra fôlego para chegar ao segundo turno”. Esse texto é de uma foto- legenda, na qual aparece o candidato Lula, com militantes do PT, carregando uma bandeira do Brasil. Por sua vez, Fernando Henrique carrega um quadro de Juscelino Kubitscheck, ao lado do prefeito da cidade de Anápolis-GO, Adhemar Santillo.
Na página 20, na seção Brasil, aparece a seguinte reportagem “Até o segundo turno: as pesquisas anunciam que diminui a diferença entre Lula e Fernando Henrique e colocam o candidato do PT na defensiva”.
Já na página 43, de 27 de julho, na seção Imprensa, o título e seu subtítulo estão assim escritos: “Páginas da campanha: pesquisas mostram que jornais e TVs gostam mais de falar de Lula que de Fernando Henrique – mas quase sempre mal”. A matéria menciona os seguintes periódicos: Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Zero Hora. Na TV, somando quatro telejornais, Lula recebe quase quatro vezes mais notícias negativas do que Fernando Henrique. A pesquisa foi feita pela Look Comunicações, agência especializada em assuntos políticos, com base no noticiário do Jornal Nacional, TJ Brasil, Jornal da Bandeirantes e Jornal da Manchete. Lula apareceu em vídeos exibidos nas TVs durante dois dias, numa terça e quinta-feira: 61% foram de notícias contra e 2%, neutro. Já Fernando Henrique teve 18% contra e 4% neutro.
Na seção Economia e Negócios da mesma edição, com o título: “A inflação é zero – Com uma queda brutal dos preços, as pessoas retomam velhos hábitos de consumo, como comprar a prazo, e as vendas voltam a crescer”. Segundo consta no texto, na época, o ministro Fernando Henrique, em uma de suas aparições, estava montado em um pangaré. No início, ele montou na Unidade Real de Valor (URV) e saiu candidato. O povo brasileiro não acreditava que o Plano ia dar certo perante uma inflação que beirava os 45%. O Plano acabou dando 100% certo.
No dia 3 de agosto de 1994, a reportagem de capa da revista Veja teve como título o desenho de um percentual com a foto dos candidatos, Fernando Henrique e Lula, com o seguinte texto: “O peso das pesquisas: como são feitas, como são usadas pelos candidatos, como influem na campanha?”
A reportagem na página 28, na seção Brasil, “O laboratório dos candidatos: longe do eleitor as pesquisas confeccionam regras de comportamento na campanha”, esclarece ao leitor sobre os dois tipos de pesquisa que os institutos de pesquisa realizam a pedido dos meios de comunicação e dos candidatos. São elas: as pesquisas quantitativas, que levantam as intenções de votos e a quantidade de pessoas que provavelmente votarão nesse ou naquele candidato, e as pesquisas qualitativas, que têm como foco reunir pequenos grupos anônimos que tenham uma boa representatividade do eleitorado, para colher as suas opiniões, em relação aos candidatos, neste caso Lula e Fernando Henrique.
Na referida reportagem, as pesquisas qualitativas procuraram ouvir as opiniões dos eleitores pesquisados, suas preferências e detectar os seus sentimentos. Os resultados capacitam os candidatos a observar regras em seu comportamento durante a campanha.
Foram cinco os apontamentos detectados pelas pesquisas qualitativas em relação aos candidatos Lula e Fernando Henrique. Em relação ao primeiro: a) depois de ser informado de
que o eleitor pensava que enriqueceu com a política, Lula parou de fumar charutos em público; b) para agradar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Lula deixou de defender o aborto. Como as mulheres são favoráveis ao aborto, Lula errou; c) a fama do PT ser chamado de “baderneiro”, conforme aponta a pesquisa, Lula se distanciou dos sindicatos; d) com as aparições de sua esposa Marisa, Lula procura mostrar que o PT também é família; e) as pesquisas mostraram que o Plano Real está em alta. Lula sai em defesa da nova moeda: “Um real deveria valer três dólares.”
A respeito do candidato Fernando Henrique: a) as pesquisas apontaram que ele nunca seria visto como homem do povo. Então, ele tentou essa opinião deixando, aos poucos, de usar gravatas; b) foi chamado de milionário nas pesquisas, mas, no momento oportuno, ele afirmou que é mulatinho e tem um pé na cozinha; c) ao descobrir que os eleitores não mudariam de voto por causa da “crise Bisol”, Fernando Henrique elogiou o senador, chamando-o de homem de bem e honrado; d) em relação aos jogadores do tetra (seleção brasileira) flagrados trazendo produtos sem pagar impostos (muamba), Fernando Henrique não fez críticas e nem comentários. Os eleitores querem que os jogadores paguem a dívida na alfândega brasileira; e) ao montar num jegue no interior do Nordeste, Fernando Henrique tenta apagar a imagem de elitista.
O que manteve Fernando Henrique e Lula na mesma posição foi o fato de ambos não terem feito comentários negativos do ex-presidente José Sarney, pois o povo se lembra dele com afeição, por conta do Plano Cruzado.
Ainda na edição de 3 de agosto, na página 30, as pesquisas mostram cinco meses de altos e baixos. A seguir, apresenta-se datas e percentuais de, respectivamente, Lula e Fernando Henrique nas referidas pesquisas: 1º de março – 30% e 11%; 5 de abril – 37% e 21%; 3 de maio – 42% e 16%; 24 de maio – 40% e 17%; 13 de junho – 41% e 19%; 5 de julho – 38% e 21%; 11 de julho – 34% e 25%; 28 de julho – 32% e 29% (Fonte Datafolha).
Ainda na edição do dia 3 de agosto, a reportagem em seu título: “Conversa direta com o eleitor: a propaganda política fica mais chata, mas faz os candidatos dar o seu recado sem os truques do passado”. Na foto-legenda há o seguinte texto: “Fernando Henrique e Lula: unidos nas reclamações contra as mudanças na TV”.
Em um quadro comparativo, é demonstrado que a campanha política na TV segue o programa eleitoral, que vai ao ar das 7 às 8 horas e das 20h30 às 21h30, diariamente, sendo os minutos assim divididos: Fernando Henrique (PSDB) – 7 min49s; Orestes Quércia (PMDB) – 6min15s; Esperidião Amin (PPR) – 6min15s; Lula (PT) –3min31s; Leonel Brizola (PDT) –
2min34s; Flávio Rocha (PL) – 1min47s; Walter Queiroz (PRN) – 1min32s; Almirante Fortuna (PSC) – 1min13s; Enéas Carneiro (PRONA) – 1min8s.
Na reportagem da seção Brasil, de 10 de agosto, página 30, com o título: “Sem medo do aliado, o subtítulo complementa: “Ao assumir o lugar de Palmeira na chapa de Fernando Henrique, Marco Maciel dá maior clareza ao papel do PFL na aliança com o PSDB”.
Nessa mesma edição, página 34, na seção Horário eleitoral “A mágica de Nizan: com o uso de recursos do cinema no programa de FHC, publicitário colhe elogios dos eleitores e até dos adversários”.
A capa da Veja nº 33, de 17 de agosto, traz em seu título: “A infância de um vencedor – Como viveu até a adolescência o próximo presidente”. Na página 4 da seção Especial consta o seguinte comentário:
Como foi a infância do próximo presidente. Um dos candidatos à Presidência viveu as revoluções em casa, o outro, cercado de cuidados para não se resfriar. Um terceiro, paulista, queria ser maquinista de trem, o nordestino comeu pão pela primeira vez aos 7 anos e o sulista só conheceu escova de dentes aos 11.
Na página 67, comenta-se sobre a data de nascimento de Fernando Henrique, em 18 de junho de 1931, no bairro Botafogo, na cidade do Rio de janeiro, e seus progenitores, D. Nayde e o capitão do Exército Leônidas Cardoso.
Em relação ao Lula, na página 71, a revista menciona que, quando de seu nascimento, o pai já havia ido embora, pois ele abandonou mãe de Lula 15 dias antes do seu nascimento. Lula nasceu no dia 27 de outubro de 1945, e sua mãe tinha naquela época seis filhos, além dele. Sua cidade natalícia é Caeté, distrito a seis léguas de Garanhuns, Pernambuco.
Na página 30 da edição de 17 agosto, na seção Brasil, com o título e respectivo subtítulo: “Reviravolta total: com o real de cabo eleitoral, Fernando Henrique passa Lula nas pesquisas e fica até com chance de ganhar no primeiro turno.”
A pesquisa da Datafolha apontou sete pontos de Fernando Henrique à frente de Lula, a oito semanas do primeiro turno, como segue: 13 de julho Lula 34%, Fernando Henrique 25%; 26 de julho, Lula 32%, Fernando Henrique 29%; 9 de agosto, Fernando Henrique 36%, Lula 29%.
Mais uma vez, os candidatos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva são questionados em assuntos polêmicos. Na mesma edição de 17 de agosto, página 37, seção Polêmica, há uma matéria com o seguinte título: “Perguntas inconvenientes: Fernando Henrique não fala sobre maconha e Lula não diz o que pensa sobre a proibição do aborto”, a
qual se refere a um debate no auditório do clube A Hebraica, em São Paulo, quando perguntaram a Fernando Henrique qual era a sua opinião e a sua posição em relação às drogas, principalmente sobre a maconha. Fernando Henrique preferiu não emitir opinião, sendo taxativo dizendo que por ser um assunto delicado, preferia não falar.
Já o Lula, em um encontro com trezentos pastores evangélicos, na cidade do Rio de janeiro, foi questionado sobre o aborto, ou seja, se ele era a favor ou contra. Lula respondeu de forma direta que era contra e que, caso houvesse necessidade, ele aconselharia uma mulher de seu convívio a não interromper uma gravidez indesejada.
Na página 20 da edição do dia 24 de agosto, início da reportagem de capa, na seção Brasil, há uma matéria com o seguinte título e subtítulo: “Viagem às idéias do líder nas pesquisas: o que FHC pensa do Real, de Itamar, da campanha, do PFL, da Constituição, o que ele quer e por quê”.
A reportagem de capa da edição de 24 de agosto traz a foto de Fernando Henrique, e o título da matéria é “O Brasil segundo Fernando Henrique” Em seguida, abrem-se aspas com um comentário dele: “Não somos mais um país subdesenvolvido. Somos um país injusto”. “O próximo presidente irá encontrar a economia mais em ordem e em crescimento. Não haverá recessão”, “O país, hoje, só tem um projeto forte: ser mais humanitário.”
Na página nº 30 dessa edição há referência sobre a reviravolta triunfal nas eleições de 94. Segundo o texto, Fernando Henrique foi aconselhado a não imitar o ex-presidente Fernando Collor, que sempre fugia dos debates. Segundo a reportagem, ele foi e se saiu bem diante dos seus opositores, Luiz Inácio Lula da Silva e Leonel Brizola.
Segundo a pesquisa da Datafolha, 24% dos telespectadores acharam ótimo o desempenho de Fernando Henrique num debate ocorrido na TV Bandeirantes, contra os 14% de Luiz Inácio Lula da Silva e 6% do ex-governador Leonel Brizola.
Marcos Sá Corrêa, em artigo da edição de 24 de agosto, página 31, título: “O Brasil de Lula encolheu”, faz uma análise das estratégias de campanha de Lula e Fernando Henrique.
Na manchete da edição do dia 31 de agosto, página 4, título: “O real vence o segundo mês e dá voto” (foto-legenda de FHC), o texto refere-se a como é a convivência do povo dois meses após a implantação do Plano Real, e de que forma ele funciona como uma máquina geradora de votos para a campanha de Fernando Henrique.
Na página 28, seção Brasil, título: “O triângulo amigo”, a reportagem informa que um amigo de Lula e tesoureiro responsável pela sua campanha em 94, Paulo Okamoto, viu-se envolvido negativamente entre as verbas de uma prefeitura do PT e uma empresa que prestava
serviços super faturados. O comportamento de Okamoto era estranho, tendo em vista que essa conduta sempre foi combatida pelo PT.
Já na página 31 da edição de 31 de agosto, título: “O visual retocado”, mostra uma evolução das fotos do candidato Lula, mudando o visual do seu rosto no ano de 1989 e em 1994. Também em foto-legenda na qual mostra a casa onde Lula morava de graça; o texto diz que Lula está perdendo o melhor de sua campanha, ou seja, a sua biografia.
Na charge de Chico Caruso/O Globo, coluna Radar, de Ancelmo Gois, edição 31 de agosto, página 45, aparece a caricatura de Lula no corpo de um capeta, sentado, triste, segurando um tridente, com um olhar perdido, enquanto Fernando Henrique, vestido de anjo, alegre, cantando e pulando e segurando uma harpa, com o seguinte texto-legenda: “Alô! Me liga com o pessoal do marketing, por favor!”
Na mesma página, um comentário de Chico Buarque de Holanda, cujo título é “Chico Buarque, o muy amigo.” O texto conta a justificativa de ele ser amigo de Fernando Henrique, e não votar nele. Inclusive justifica que o próprio pai dele é amigo de Fernando Henrique, mas que ele vai votar no Lula, pois num governo Lula, justifica: “[...] há espaço para o PSDB, ter ministros. Já no governo do PFL, não haveria espaço para o PSDB.”
A capa de Veja da edição do dia 7 de setembro, nº 36, traz em sua capa a foto do ministro Rubens Ricupero. Na manchete consta a seguinte fala do ministro: “Eu não tenho escrúpulo: o que é bom a gente fatura; o que é ruim esconde”; em seguida, a manchete de Veja: “A chocante conversa que derrubou Ricupero”.
A matéria na página 30, seção Brasil, traz em seu título: “A queda patética do grande leitor de FHC: uma conversa vexaminosa, captada por parabólicas, faz com que Ricupero peça demissão”. Segundo a Veja, Ricupero pediu demissão diante da conversa que teve com o jornalista da Rede Globo, Carlos Monforte, a qual foi captada por antenas parabólicas. O presidente Itamar telefonou para o então candidato à Presidência Fernando Henrique, pedindo uma orientação sobre quem poderia substituir o ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. Fernando Henrique indicou dois nomes: Pedro Malan ou Edmar Bacha, pois eles já eram da equipe econômica, e completou “O mais importante era decidir com rapidez, para não criar vácuo”. Em seguida, disse Fernando Henrique a Itamar Franco: “Nada vai abalar a minha